domingo, 31 de dezembro de 2017

Bom Ano

Um Feliz Ano Novo para todos são os votos do "Navio... desarmado".

sábado, 23 de dezembro de 2017

Feliz Natal


À guarnição deste Navio bem como aos estimáveis colaboradores e visitantes desejamos um Bom e Feliz Natal. Saúde para todos! 

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Cap Ten AN REF António Júlio Monsanto de Campos

Por informação recebida de um camarada, damos a conhecer o falecimento, ontem, do nosso Camarada António Monsanto de Campos.
As cerimónias fúnebres previstas são as seguintes:
O Corpo estará em Câmara Ardente nos Jerónimos hoje, dia 19, a partir das 17 horas.
Está prevista uma cerimónia fúnebre amanhã, pelas 15:00, após o que o funeral sairá pelas 15:30 para o Cemitério dos Olivais onde serão prestadas honras fúnebres seguidas da cremação.
À sua Família e aos seus Amigos e Camaradas, em particular aos do Curso "Miguel Corte Real,"  “O Navio… desarmado” apresenta sentidas  condolências.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

NATAL e ANO NOVO
O calendário indica-nos a chegada de uma época em princípio festiva para muitos mas, infelizmente, sem modificação de dificuldades para muitos outros concidadãos.
Natal à porta, fim do ano também.
Aos meus amigos, aos meus conhecidos, aos meus estimados visitantes/ leitores deixo os meus votos de um santo e feliz Natal e que 2018 seja o melhor possível.
António Cabral 
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

NRP Afonso Cerqueira


Recebida a seguinte mensagem:

"Boa noite,
Se ainda não aconteceu, gostaria de saber a data em que o "Corceira", navio no qual e com muito orgulho servi como radarista, irá repousar definitivamente ao largo da cidade do Funchal.

Saudações marujais.

A. Campos"

"O Navio... desarmado" retribui as saudações. Haverá alguém que possa elucidar este nosso visitante?

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Visita do PR à Marinha

Pode ser vista aqui uma notícia de 27NOV2017 do Diário de Notícias sobre o assunto.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

COMBATENTES


Em muitos locais se encontram muito justas homenagens pelos que foram tombando pela Pátria, erigidas ao longo do tempo nas mais diversas e diferentes representações.
Lamentável a postura dos sucessivos titulares de órgãos de soberania quanto aos combatentes. São raras as excepções.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

TANCOS, e para desanimar mais

Passados estes meses, quase cinco, passado este tempo sobre, o que disseram, aquilo em que se contradisseram, certas inqualificáveis declarações, certas palavras serem sagradas, murros no estômago, ódiozinhos entre departamentos do Estado, audições várias na AR, relatórios que seriam produzidos, apuramento de responsabilidades, material de guerra devolvido para uma mata incluindo umas "caixinhas inofensivas" de que desconheciam a existência ou seja não estavam inventariadas e isto depois de denúncia anónima ao que parece para GNR de Loulé, insistências por parte da AR, o PM a lembrar “à justiça o que é da justiça"  e outras “boutades” do género e o PR a exigir o apuramento de tudo mas tudo mesmo com muitas dores, o que é que eu tenho presente?

Concluo que:
> O “furto” (??) terá ocorrido a 28 de Junho passado, e só passadas mais de 24 horas começaram a reagir certos departamentos do Estado, departamentos pomposamente estabelecidos em lei, mas que, na maioria dos casos mais não são que sacos de vento, inócuos, uns faz-de-conta;
> Depois de 28 de Junho, muitos foram para os jornais, muitos foram à AR, muitas visitas a Tancos, várias encenações em frente das câmaras de TV; algumas, bem infelizes;
> Finalmente, o Exército entregou à comissão parlamentar de defesa (CPD) alguma documentação, classificada e, parece, nunca virá a público; nem se dão ao trabalho de identificar os títulos de cada documento, o que é esclarecedor sobre a transparência e verticalidade desta gentinha toda; 
> o comandante do Exército foi de novo ouvido na AR; o inenarrável presidente da CPD parece estar muito satisfeito com o que ouviu, ao ponto de dizer que foi muito esclarecedora a audição, e que houve muita transparência (só dá vontade de rir), e que a documentação recebida respeita ás averiguações internas no Exército; 
> ainda assim, este “presidente” deixou cair que não deve haver hesitações quanto à investigação, ao debate e procura de soluções para que não volte a acontecer (POIS!!!),  e recusou-se a antecipar se a Comissão da Defesa poderá vir a revelar as conclusões da investigação em curso. Garantiu ainda que a comissão vai continuar a querer ver tudo esclarecido, como insistentemente tem pedido o Presidente da República (só dá vontade de rir);
> continua a nada se saber sobre o que falhou; a óbvia conclusão de qualquer pacóvio é - vão continuar a esconder os erros e poucas vergonhas
> para lá de outras vertentes, também designadamente quanto a transparência, este processo todo incluindo os seus protagonistas, é  mais um eloquente exemplo daquilo em que Portugal se transformou.

Para terminar, vou ficar à espera das reações do PR/ Comandante Supremo das FA. O tal que tem memória de elefante, que exige o apuramento de tudo até ás últimas consequências, doa a quem doer.
Pessoalmente estou convicto de que vai continuar a fazer sorriso amarelo, a dizer laconicamente que aguarda os resultados das investigações do MP, PJ, PJM, e que o PM, o MDN e o CEME já o informaram sobre o apuramento das averiguações internas no Exército e não há mais nada a dizer sobre isto.

Repito o que já perguntei antes:


Serei só eu que sinto cada vez mais vergonha?

Repito, sou só eu?
Pelos silêncios habituais presumo que não sou só eu.
Corro o risco de estar enganado?

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

GOSTAVA DE COMPREENDER
No passado, as associações de militares formaram-se num processo "Guterriano" certamente muito discutível.
Se bem estou recordado, as direcções dessas associações foram recebidas pelo então PM Guterres e pelo então PR/ comandante Supremo das FA Jorge Sampaio, sem nunca terem sido, PRIMEIRO, recebidas pelas chefias militares. Coisas do passado, mas que não deixam de ser interessantes ter sempre presente porque podem contribuir para explicar certas coisas e certos comportamentos, desses políticos e de certas chefias militares de então.
Vem isto a propósito da celebração da AOFA (associação dos oficiais das forças armadas) ocorrida no passado dia 18 de Novembro, onde não participei. 
Sou sócio da AOFA, mas só aderi anos depois da sua constituição. AOFA que tem tido intervenções com que me identifico muito, mas muitas, também, que são piores que tiros nos pés.
Vejo noticiado que se fizeram representar nessa cerimónia, entre outros, o MDN, grupos parlamentares do PS, PCP e Verdes, EMGFA, EMA, EME, EMFA, Liga dos Combatentes, IASFA, restantes associações profissionais de militares, organizações representativas da GNR e da PSP, associação dos Pupilos do Exército, associação das antigas alunas de Odivelas, etc.
Naturalmente que cada um é livre de participar  no que quer, no que entende adequado. Eu faço o mesmo.
Mas, a nível institucional, porque carga de água os restantes partidos se colocam à margem, deixando para a esquerda e extrema esquerda as associações como a AOFA?
Não percebo. Alguém me pode explicar?

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

Actualização: relativamente ao texto supra, coloquei agora a bold azul o que vinha num comunicado da AOFA, mas já pude confirmar que o ministro da tutela e os quatro chefes militares se fizeram representar e não os seus estados-maiores.
Lembraria que a AOFA se constituiu em 1992 mas só em 2001 foi aprovada na AR legislação relativa ao associativismo militar, salvo erro por unanimidade.

sábado, 18 de novembro de 2017

Só para LEMBRAR


António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

16 NOVEMBRO. DIA NACIONAL do MAR
Hoje celebra-se o Dia Nacional do MAR.
O título do post está a NEGRO por razões evidentes, com a excepção do MAR que não tem culpa das elites nacionais, transversais a todos os quadrantes partidários e da vida política e institucional.
Eventualmente alguns, em voz baixa e despercebida, dirão umas belas palavras, como de costume. Sei de pelo menos uma honrosa excepção, a promover e celebrar este dia.
Que eu me tenha apercebido, a criatura que chefia o governo nada disse publicamente até agora sobre este dia, sobre o MAR.
A minha distração pode estar a ser enorme, mas também não me apercebi de palavra alguma da ministra da tutela. Se vi bem os jornais via "online" nenhum tem uma palavra sobre o assunto, sobre o dia.
Economia do MAR, o futuro, o desenvolvimento, o que seria de nós sem o MAR, marinha mercante, marinha de pesca, marinha de recreio, Marinha (a de guerra, que faz imenso mesmo assim, para lá da sua missão prioritária, e que são as inúmeras missões de serviço público), defender o MAR é um imperativo nacional, etc.
A pouca vergonha, a incompetência, o desleixo, a ausência de rumo, num País com água por todo o lado, com uma dimensão oceânica brutal, encontram poucas excepções positivas sendo uma delas a tentativa de alargamento da plataforma continental.
Se ganharmos essa acrescida responsabilidade, o que se seguirá?
O professor Hernani Lopes deve dar voltas e mais voltas quando ouve certos pantomineiros e pantomineiras.
É o que temos, mas nem todos merecemos.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

Ps: a propósito deste dia, lembrei-me da Escola Naval, situada no Alfeite, escola que forma os oficiais para a Marinha (de guerra) nacional, escola que é instituição muito antiga porque precursora da Faculdade de Ciências de Lisboa e "velha" por remontar à Escola de Sagres.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Perspectivas para as Forças Armadas em 2018

Pela vária informação que nos dá quanto às perspectivas para as Forças Armadas em 2018, julgo do maior interesse a audição do MDN na AR, em 10-11, sobre o OE2018.
  Por isso resolvi colocá-la no meu portal WordPress:

  Dada a extensão dessa audição e os seus vários GB, começo por lá colocar o que lá foi dito até ao fim da 1ª ronda de perguntas dos partidos , mesmo assim, subdividida em 4 partes.
  Incluí-lhes algumas anotações.
  Para maior facilidade de verem assuntos abordados que mais lhes interessem, antes de cada parte faço referência aos instantes da audição.

05 40 despesas com pessoal
08 43 não há cativações na LPM
09 25 MDN propõe valorização da condição militar
09 35 MDN já admite revisão do EMFAR
10 32 OE2018 revogará restrição à graduação de voluntários e contratados
11 41 MDN realça medicamentos de farmácias militares serem encargo do SNSaúde
1129 saúde dos deficientes das FA deixará de ser encargo da ADM
13 02 MDN refere as missões das FA no exterior com reforço de verba
24 00 Os 2% do PIB para a Defesa, pretendidos pela NATO, não são para já
30 35 Apoio Militar de Emergência
31 47 As FA e os fogos
39 05 reforço de dotação do IASFA?
41 23 o passivo do IASFA
42 20 em curso conversações com Saúde e Finanças para acudir ao IASFA
1 04 45 admissões na Polícia Marítima
1 05 53 situaçãso no Arsenal
1 06 38 nova doca para subs não é para já
1 08 12 haverá rejuvenescimento do pessoal do Arsenal
1 11.3 CDS refere onde houve mais cativações
1 13.1 que UCAO informou que as cativações em 2018 serão cerca de 1700 milhões
1 13.59 CDS considera que descativações foram a saca rolhas
1 14 27 que as verbas para a LPM foram estabelecidas em 2014
1 15 02 CDS pergunta quais intenções na revisão da LPM em 2018
1 15 45 e pergunta o que há sobre Montijo
1 16.3 e sobre condição dramática dos deficientes das FA
1 18.05 em resposta MDN chama atenção para incumprimentos da LPM pelo governo anterior
1 19.48 que muitas das cativações foram sobre receitas
1 20.37 que haverá redução de cativações em 2018
1 23.3 que revisão do EMFAR não está abandonada
1 24.26 que a recuperação de efectivos não é para este ano
1 27.05 expõe quais as hipóteses para Montijo
1 28.2 que segundo contrato de privatização da ANA, encargos serão do Estado
1 29.1 refere o Lar Militar
1 30.36 que cativações deste Governo foram muito inferiores às do anterior
1 31.10 perguntas do PCP
1 35.1 que militares devem participar na gestão do IASFA
1 36.05 protesta contra modo de distribuição de emolumentos
1 36 49 pretende que Polícia Marítima passe para MAI
1 37.8 situaçã de sargentos fuzileiros deficientes das FA
1 38.2 participação das FA nos fogos
1 42.07 MDN que IASFA será resolvido com Min da Saúde e Finanças
1 43.46 problema com fusos deficientes é sobre quem assumirá encargos, Marinha ou CGA
1 46 31 progressão nos escalões de vencimentos
A J M Nunes da Silva

domingo, 12 de novembro de 2017

PARA ANIMAR
Naturalmente, cada um escolhe o que o pode animar, ou como ocupar tempos livres. Trato de me ir confortando o mais possível.
Entre outras coisas, para repousar o espírito, e salvo melhor opinião, umas boas caminhadas sempre com máquina fotográfica a tiracolo, uma refeição mais aliciante seja fora ou em casa com amigos, voltas turísticas, um bom livro, um serão de conversa afiada. Ajudam muito.
Aqui e além gosto também de passar em revista a biblioteca e o meu arquivo de bonecada. Deixo um exemplo.


E, com alguma periodicidade, outra coisa muito importante é dar muito prazer aos ouvidos e por essa via à mente. 

Hoje deliciei-me com um concerto para violino em ré maior, op. 35, de Erich Wolfgang Korngold e a terminar a sinfonia nº 5 em dó sustenido menor, de Gustav Mahler. Um excelente final de tarde.
Para animar.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

Ps: Só depois do curto intervalo, em que me mantive sentado, dei conta que estava sentado no lado dos ímpares na segunda fila da 1ª plateia um camarada da briosa.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

PARA ANIMAR




 Sagres com 6 mastros? NÃO, Creoula está por trás!

António Cabral
cAlmirante, reformado
(chapéus há muitos)

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Bom exemplo, a seguir!

Transcreve-se duma página do FB (Filhos da Escola Naval) uma publicação do Comte Chagas Tôrre:

"CLV, 7 de Novembro de 2017
Dois terços dos oficiais do Curso Pedro Nunes, ainda resistindo à erosão, concederam-se mais um amigável convívio, desta vez na Calvaria de Cima. Foi muito bom.



Da esquerda para a direita:
- João Serra Rodeia
- Júlio Chagas Tôrre
- Carlos Costa Pecorelli
- Rui Sá Vaz
- António Balcão Reis
- Isaías Gomes Teixeira"

terça-feira, 7 de novembro de 2017

PROMOÇÕES NAS FORÇAS ARMADAS
O assunto "promoções" nas FA é um daqueles que mais devia fazer pensar os sucessivos comandantes supremos das FA e alguns dos sucessivos chefes militares. Talvez até corar?
Comecei a interessar-me por acompanhar os DR desde o princípio dos anos 80 do século passado. Altura em que alguns evidenciaram uma certa animosidade para com os oficiais que, como eu, mostravam interesse na consulta deste importante documento da vida nacional. E consultei sempre, e consulto via NET.
Da minha experiência de carreira retiro a noção, clara, de que a maioria dos camaradas de armas pouco ou nada ligava aos DR. Recordo como eles passavam num ápice pela maioria das secretárias.
Talvez na actualidade as coisas estejam diferentes. Oxalá.
Por isso não trago o DR para este blogue nem para o meu. 
No caso do "O Navio...Desarmado", o sr Almirante Nunes da Silva é nesta matéria de DR, e não só, um notável exemplo a seguir.
Porque ficaria extenso acrescentar mais um comentário ao post do Sr Almirante acerca do assunto em apreço, deixo aqui, a título excepcional, o texto integral do despacho ministerial conjunto, de 25 de Outubro passado e publicado hoje na folha oficial.
Reproduzo, quase sem comentários, com bolds a vermelho, para com a devida vénia complementar a justa chamada de atenção do Alm Nunes da Silva para este escandaloso processo/ assunto. 
Para eventual reflexão, deixo ao eventual interesse de outrem pensarem nas questões de quadros, imaginar que não se poderá promover um militar que tenha vaga porque por exemplo alguém passou à reserva, massa salarial para pessoal, eventuais necessidades de cortar na massa salarial para operações e manutenção. Os sucessivos textos produzidos pela AOFA são também um bom utensílio para uma necessária reflexão quanto ao ponto a que se chegou.
Já agora, atente-se no tempo que vai de 25 de Janeiro a 25 de Outubro.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(autor do blogue "Chapéus há muitos)


Despacho n.º 9684/2017
Diário da República n.º 214/2017, Série II de 2017-11-07

• Data de Publicação:2017-11-07

• Tipo de Diploma:Despacho

• Número:9684/2017

• Emissor: Finanças e Defesa Nacional - Gabinetes dos Ministros das Finanças e da Defesa Nacional

• Páginas:25030 - 25030

• Parte:C - Governo e Administração direta e indireta do Estado

• SUMÁRIO
Promoções dos Militares das Forças Armadas para o ano de 2017


• TEXTO
Despacho n.º 9684/2017

Considerando que o n.º 1 do artigo 19.º da Lei do Orçamento do Estado para 2017, aprovada pela Lei n.º 42/2016, de 28 de dezembro, prorrogou, durante o ano de 2017 e como medida de equilíbrio orçamental, os efeitos do artigo 38.º da Lei n.º 82-B/2014, de 31 de dezembro;

Considerando que os n.os 7 e 8 do artigo 38.º da Lei n.º 82-B/2014, de 31 de dezembro, estabelecem um regime que permite a ocorrência de promoções de militares das Forças Armadas e de pessoal militarizado, desde que reunido um conjunto rigoroso de requisitos cumulativos;

Considerando que a concretização das promoções depende, nos termos do n.º 8 do artigo 38.º da aludida Lei, da especial fundamentação da sua necessidade pelos três ramos das Forças Armadas, por referência à verificação cumulativa dos requisitos previstos nesta disposição legal;

Atento que, nos termos da alínea b) do n.º 8 do artigo 38.º da Lei n.º 82-B/2014, de 31 de dezembro, da concretização das promoções não pode resultar aumento da despesa com pessoal nas Forças Armadas;

Considerando que as referidas promoções devem respeitar escrupulosamente os quantitativos fixados no Decreto-Lei n.º 84/2016, de 21 de dezembro;

Considerando ainda que os três ramos das Forças Armadas apresentaram um conjunto de quadros anexos ao Memorando n.º 1/CCEM/2017, de 25 de janeiro, do Conselho de Chefes de Estado-Maior, que justificam a necessidade de promoções sem aumento da despesa global com pessoal;

Considerando ainda os ajustamentos ao plano de promoções constantes do Memorando n.º 6/CCEM/2017, de 27 de julho, e do Memorando n.º 7/CCEM/2017, de 24 de outubro;

Considerando ainda que os efeitos remuneratórios das promoções produzem efeitos no dia seguinte à publicação do respetivo despacho de promoção;

Nos termos do previsto no n.º 9 do artigo 38.º da Lei n.º 82-B/2014, de 31 de dezembro, conjugado com o disposto no artigo 19.º da Lei do Orçamento do Estado para 2017, aprovada pela Lei n.º 42/2016, de 28 de dezembro, determina-se o seguinte:

1 - São autorizadas as promoções, no ano de 2017, de militares das Forças Armadas e de pessoal militarizado constantes do Memorando n.º 1/CCEM/2017, de 25 de janeiro, do Conselho de Chefes de Estado-Maior, com os ajustamentos introduzidos pelo Memorando n.º 6/CCEM/2017, de 27 de julho, e pelo Memorando n.º 7/CCEM/2017, de 24 de outubro.

2 - As promoções referidas devem ocorrer no estrito cumprimento dos termos e limites constantes dos quadros anexos aos Memorandos supramencionados.

3 - O ato concreto que determine a promoção de cada militar ou elemento de pessoal militarizado, deve conter a fundamentação que demonstre a verificação dos pressupostos dos n.os 7 e 8 do artigo 38.º da Lei n.º 82-B/2014, de 31 de dezembro, designadamente a imprescindibilidade da designação para o cargo ou exercício de funções, bem como a inexistência de outra forma de assegurar o exercício das funções cometidas e a impossibilidade de continuidade do exercício das mesmas pelo anterior titular.

4 - As despesas decorrentes das promoções serão integralmente suportadas pelos montantes disponibilizados aos ramos das Forças Armadas pelo Orçamento de Estado de 2017, sendo a sustentabilidade futura da despesa assegurada pela compensação integral através da redução estrutural e permanente dos encargos com pessoal.

5 - O acompanhamento e supervisão da execução orçamental relativa às promoções, a ocorrer nos termos referidos nos números anteriores são assegurados, pela Secretaria-Geral do Ministério da Defesa Nacional e pela Inspeção-Geral de Finanças.

6 - O presente despacho produz efeitos a partir do dia da sua publicação.

25 de outubro de 2017. - O Ministro das Finanças, Mário José Gomes de Freitas Centeno. - O Ministro da Defesa Nacional, José Alberto de Azeredo Ferreira Lopes.

310886022

Mais outro “ponta pé” na Lei

Mais outro “ponta pé” na Lei:
Diário da República, 2.ª série — N.º 214 — 7 de novembro de 2017:
Instrução n.º 3/2017
Procedimentos relativos à abertura e movimentação das contas de Certificados de Aforro e à transmissão de Certificados de Aforro
..........................................................
2.6 — No caso de membros das forças militares ou paramilitares, os mesmos deverão ser identificados preferencialmente através do cartão de cidadão ou, inexistindo este, documento de identificação civil e cartão de contribuinte



Diário da República, 1.ª série — N.º 104 — 29 de maio de 2015:
Decreto-Lei n.º 90/2015
de 29 de maio
...........................................................
Artigo 2.º
Aprovação
É aprovado, em anexo ao presente diploma, que dele faz parte integrante, o Estatuto dos Militares das Forças Armadas, doravante designado por Estatuto
ANEXO
(a que se refere o artigo 2.º)
ESTATUTO DOS MILITARES DAS FORÇAS ARMADAS
Artigo 9.º
Identificação militar
1 — Ao militar dos QP é atribuído um bilhete de identidade militar, que constitui título bastante para provar a identidade do seu portador em território nacional e substitui, para esse efeito, o cartão do cidadão.

            António José de Matos Nunes da Silva
                    

Há mais um Milagre das Rosas!!!!

  Há mais um Milagre das Rosas!!!!
  Publicado hoje um Despacho conjunto, da Defesa e das Finanças, autorizando algumas promoções nas Forças Armadas mas... sem aumentar a despesa com pessoal constante do OE para 2017!
  Das 2 uma, ou só publicam as promoções em 31 de Dezembro (para só nesse dia receberem pelo novo posto) e a autorização será um “faz de conta que autoriza”, ou cortam nas admissões reduzindo os quantitativos totais.
  Consta no Despacho que isso foi acordado em Memorandos dos CEMs. “Memorandos” que circularão entre os CEMs e o Governo, desconhecendo portanto os interessados se, afinal, terão ou não possibilidade de promoção, embora saibam que há vaga. Promoção, assim, mais se parece com uma lotaria!
  Mas, quando, num Mundo em ebulição, se aumentam os compromissos de missões da NATO, da UE e das Nações Unidas, quando se dão às FA novas missões para combate e prevenção de incêndios, quando se pretende aumentar a plataforma marítima e, simultaneamente, se reduzem efectivos (já extremamente comprimidos pela troika) só pode ser com Milagre!
   E, dada a cor do Governo, é bem adequado chamar-lhe um... “Milagre das Rosas”!
                              
António José de Matos Nunes da Silva
                                       

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A "JOVEM" SAGRES


António Cabral
cAlmirante, reformado
(autor do blogue "Chapéus há muitos")

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

CMG EMQ (Ref.) Fernando Gomes



É com mágoa que anunciamos que o nosso camarada Capitão de Mar-e-Guerra EMQ Fernando Gomes faleceu ontem em S. Martinho do Porto aos 84 anos de idade e que o seu funeral se realizou hoje nessa localidade.
O Engenheiro Fernando Gomes ingressou na Escola Naval em 1952 no Curso D. Diniz e foi promovido a guarda-marinha em 1955. Em 1961 fazia parte da guarnição do Aviso Afonso de Albuquerque que enfrentou em combate três fragatas indianas durante os acontecimentos que levaram à queda da Índia Portuguesa. Serviu no Navio-Escola Sagres, cumpriu uma longa comissão em Moçambique a bordo da Fragata Álvares Cabral e, durante alguns anos, foi Professor da Escola Naval.
Era um profissional competente e um homem bom, comunicativo e solidário, que deixa saudades naqueles que com ele privaram.
À Família enlutada e a todos os seus Amigos e Camaradas, em particular aos do Curso D. Diniz, o “Navio... desarmado” apresenta condolências.

Marinha vence “Bright Challenge” 2017

Marinha vence “Bright Challenge” 2017
No passado dia 27 de outubro realizou-se o Bright Challenge, tendo a Marinha sido a grande vencedora da edição de 2017, numa prova onde é testada a capacidade de organização e de trabalho de equipa, aspetos essenciais para o desempenho de equipas de alto rendimento.

"Comandar no Mar" - O Livro


O livro "Comandar no Mar", obra editada pelas Edições Revista de Marinha, foi apresentado no passado dia 25 de Outubro, no Clube Militar Naval em sessão dedicada aos autores e seus familiares, patrocinadores e apoiantes.
O livro agora editado, com cerca de 300 páginas, recolhe os testemunhos inspiradores de treze antigos Comandantes de navios de guerra – entre os quais o VALM Pires Neves - e de navios da Marinha Mercante, incluindo dois textos assinados por Oficiais da Reserva Naval e teve a  coordenação do Comte Temes de Oliveira.


A sessão de apresentação do livro teve também a participação do Comte Almeida Cavaco que abordou o tema do Comando numa vertente nova e muito curiosa.
O lançamento do livro “Comandar no Mar” terá lugar no próximo dia 14 de Novembro no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica. Estão todos convidados! É um livro que merece a vossa atenção. Aqui fica o respectivo convite.



quarta-feira, 1 de novembro de 2017

CADA VEZ SINTO MAIS VERGONHA
Cada vez me sinto mais envergonhado. 
No que têm transformado o meu País.
Leio os jornais de hoje, notícias sobre certas inacreditáveis declarações.
Leio comentários a essas notícias. Leio opiniões violentas.
Leio o silêncio sepulcral, desde o primeiro da hierarquia segundo a Constituição desta República, até abaixo.
Serei só eu que sinto vergonha, cada vez mais vergonha?
Sou só eu?  
Repito, sou só eu?
António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

MARINHA
"You have (or not) a Navy. You raise an Army. Period."
Para que fique claro!
ANTÓNIO CABRAL
cAlmirante, reformado
(chapéus há muitos)

sábado, 14 de outubro de 2017

SAMED e ADM-boas notícias

  Face ao constante no Artigo 137.º da Proposta de OE2018, se vencer como é crível, ficará anulada, em 2018, a razão (falta de pagamento) pela qual os stocks da farmácia do SAMED deixaram de ser repostos. E anula também encargos da ADM com qualquer farmácia e não apenas com as do Serviço Nacional de Saúde.
  Água mole...
 
“Artigo 137.º
Encargos dos sistemas de assistência na doença
A comparticipação às farmácias, relativamente a medicamentos, por parte da ADSE, dos
SAD e da ADM, incluindo neste caso os pontos de dispensa de medicamentos vulgarmente
designados por farmácias militares, é assumida pelo SNS.”

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

DOMÍNIO PÚBLICO MARÍTIMO
Será que a curto prazo se vai passar a designar por, "Domínio que eu com o meu dinheiro domino à minha vontade"?
Fotografia do Público que, presumo, muitos terão visto.
Portugal, um País cada vez mais caricatural.
(Já sei, escusam de me dizer, estou a ser duro na apreciação, certamente que o ministério do ambiente já está em cima da coisa tal como a autoridade marítima nacional).
Parafraseando o sr Almirante Nunes da Silva........cumpram as leis!


António Cabral
cAlmirante reformado, ........mas não engarrafado
(autor do Chapéus há muitos)

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Cumpram as Leis!

  Há um sector da população que continua no regime da troika, no que respeita ao acesso à saúde e assistência na velhice: é o dos militares e respectivos agregados familiares.
 Com desrespeito total pela Lei.
  Porque o Governo não cumpre o estabelecido no artigo 15º da Lei 11/89, nem o artigo 13º do DL 193/2012, quanto ao apoio na saúde. Continuando e agravando todo o desrespeito a essas leis criado pelo anterior Governo.
  Só lhe interessa que os militares cumpram com todos os seus múltiplos deveres e abdiquem de muitos dos direitos constitucionais dos restantes cidadãos. As compensações, apesar de estabelecidas na Lei, é que não!
  O anterior Governo retirou-lhes a maior parte do apoio à saúde que o IASFA lhes dava. E o que restou está-se agora esvaindo.
  Já lhes tinham encerrado a maior parte das consultas médicas e a imagiologia. Agora estão também em estertor as análises e a farmácia. Por não pagarem aos fornecedores!
  Ainda hoje fui ao CASO de Oeiras: farmácia com falta de medicamentos, não repondo stocks; análises, que já só são efectuadas por firma privada, em risco de encerrarem ainda este ano!
  E tudo isto apesar dos militares terem tido o seu desconto obrigatório para o IASFA aumentado pelo anterior Governo para 3,5% do seu vencimento - bruto. E apesar de, com os seus impostos, cumulativamente, suportarem também o Serviço Nacional de Saúde.
  Vendo-se assim obrigados a recorrer ao sector privado e lá pagarem as respectivas taxas.
  Custa a admitir, mas até parece que haverá mesmo a intenção de serem os militares e seus familiares a funcionarem como âncora do sector privado da saúde!         

sábado, 30 de setembro de 2017

A PROPÓSITO de DEFESA NACIONAL (DN)
A maioria dos militares terá presente que DN tem componentes diversas sendo uma delas a militar. Muitas outras existem.
A nível civil, a esmagadora maioria dos cidadãos portugueses sempre que ouve falar em DN entende "militar".
Em Portugal, em todas as áreas da sociedade, apregoa-se sempre muito mas depois, na realidade, esquecem-se muito do que vão proferindo laudatoriamente ao longo do tempo.
Com as injeções  de futebol, telenovelas, e outras coisas de embrutecimento crescente (na minha opinião, naturalmente) facilmente se chegou ao nível ZERO. Em que estamos, em muitas coisas.


Em 1961, como consequência da orientação da política militar de então (não estou a dizer bem nem mal), definiam-se quatro missões genéricas para as Forças Armadas (FA).

> defesa de todas as províncias europeias, africanas e asiáticas,
> defesa conjunta da Península Ibérica com as FA espanholas,
> auxílio militar e facilidades a conceder à Grã-Bretanha e Estados Unidos,
> auxílio e facilidades a conceder aos países da OTAN.


Nessa época, é sabido, havia formalmente um ministério da defesa nacional mas é também sabido que o poder real não estava nesse ministério.

Veio o 25 de Abril e, é sabido, continuou por bastante tempo um ridículo ministério da defesa nacional.
Veio depois a lei de DN e das FA em 1982. Gradualmente  o ministério da DN foi-se alterando. Sem esquecer os inefáveis PM de Mário Soares a António Costa, nem os PR de Mário Soares a Marcelo Rebelo de Sousa, olhar aos vários ministros da DN a seguir ao 25 de Abril dá uma boa ideia de como ao longo do tempo a instituição militar foi sendo tratada. Sim, porque quanto a DN, as coisas foram sendo sempre muito ridículas. Por isso, muitas vezes designo o ministro por ministro das FA.
Uma das coisas curiosas, para mim naturalmente, foi observar por exemplo, o edifício do Restelo durante anos apenas com EMGFA lá escarrapachado na frontaria (fotografia de 1989)

Ridículo que possa ser entendida esta questão, o que deve estar ou não na frontaria do edifício, diz muito sobre o relacionamento entre militares e políticos depois do 25 de Abril.
No presente, por cima de EMGFA está em letras relativamente pequenas Ministério da Defesa Nacional. Foi "batalha" curiosa.
Como falei acima em esquecimentos, e este o meu ponto, temos exemplos eloquentes, vários.  Deixo dois.

-"As Forças Armadas, na sua hierarquia, profissionalismo, disciplina e lealdade democrática têm contribuído decisivamente para consolidar, por forma que representa um grande exemplo, o regime saído da vontade popular (...)
Dotá-las das condições necessárias ao cumprimento das suas missões, à sua modernização e reestruturação é uma exigência nacional" (Mário Soares, no discurso de tomada de posse na AR, 9 de Março de 1986).
- " Porque os interesses dos Estados, nas suas relações uns com os outros, nem sempre se harmonizam facilmente e com frequência divergem até ao ponto de colisão violenta, as forças armadas são, nessas circunstâncias um último recurso a utilizar pelos detentores do poder político, se outras acções não tiverem produzido os efeitos desejados". Nas presentes circunstâncias tem de reconhecer-se que, de facto, o sistema geral das nossas Forças Armadas não projecta a credibilidade bastante para constituir (...) o factor de dissuasão suficiente, necessário e ajustado à situação do País". (livro branco da defesa nacional, MDN, 1986).

Muitos, militares incluídos, continuam a acreditar que se chega a uma determinada situação quase como por acaso. Enganam-se. São anos, muitas vezes décadas, de laboriosa e premeditada acção demolidora sempre maquilhada de elevadíssima retórica.
Seja na agricultura, no ordenamento territorial, na economia, na saúde, na educação, na defesa nacional. Como refere tanta vez Adriano Moreira, e que eu sintetizo desta forma - que rumo?

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A propósito de TANCOS, a propósito de responsabilidade nas Forças Armadas
Expresso, 29 Setembro 2017, pág 34, 1º caderno
Nuno Mira Vaz, coronel, creio que reformado, escreve um artigo de opinião acerca do tema em apreço. Saliento alguns aspectos:
1 a suspensão provisória de cinco coronéis determinada pelo CEME, oficiais que pouco depois deixaram de estar suspensos;
2 várias investigações em curso e continua a nada se saber;
3 no topo da escala da responsabilidade ficará sempre a mais alta entidade civil ou militar que considerou o sistema de rondas aleatórias adequado à guarda de material de guerra;
4 militares executam rondas e patrulhas com carregadores de munições selados;
5 a putativa cadeia de responsabilidades começa no comandante da unidade a quem cabia a segurança dos paióis e só termina no mais alto escalão;
6 a partir do momento em que um subordinado informa um superior de que não tem condições para cumprir eficazmente a ordem, este, se a não revogar, fica automaticamente responsável por ela;
7 o responsável pelo roubo das armas terá de ser encontrado entre aqueles que, ao mais alto nível, conheciam a situação e deixaram que ela se arrastasse.

Pode concordar-se ou discordar-se das opiniões e comentários deste senhor coronel.
Creio que os aspectos que eu enumero como 3, 5, 6 e 7 são indiscutíveis.
A cada um as conclusões.
E designadamente no tocante a, manutenção do CEME  e MDN em funções, tentativa diria cada vez mais evidente de tentar que não venha para a praça pública a realidade que grassa dentro de certas instituições, e o berbicacho gravíssimo que advirá se, por qualquer circunstância, de repente, os "caldos" se entornarem em público.
Não há afectos que estanquem "um paredão de barragem cheio de rachas", que todos sabem existir e que alastram. Rachas que começaram no final do 1º governo de Cavaco Silva com maioria absoluta.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Um EMQ em Tancos

Tudo que possa aqui lançar a propósito da Defesa Nacional não passa de opinião pessoal formada sem recurso a curriculo especial nessa área. Como sabe parte dos leitores, as minhas capacidades sempre foram em outras áreas. Por isso, ao pensar deixar um apontamento sobre a DN hesitei. Mas apesar de tudo a minha actividade foi totalmente ‘embebida’ na DN, tenha sido a bordo ou em terra, o certo é que todas as decisões tomadas foram sempre no âmbito da DN. Muitas foram de alcance limitado, mas as de alcance alargado não estão ausentes.

Porque me debruço sobre a DN ? Porque a questão do furto nos PNT me deixa desconfortável e arrasta desenvolvimentos cada dia mais desconfortáveis. De facto, como o vejo, o sistema nacional de paióis é um elemento estratégico na DN. Ter de aceitar que houve furto de armamento em Tancos só poderia ter sido pior se tivesse envolvido um paiol da Marinha. Mas apenas por razões sentimentais. Só a suspeita de que é possível penetrar numa instalação estratégica, furtar uma caixa de 1000 agrafos 24/6 e voltar a sair é, a meu ver de um desconforto que me é difícil de ignorar. Levanta, no mínimo, a suspeita de que é possível afectar a operacionalidade das FAs sem que nos demos conta. É um buraco de enorme dimensão na muralha defensiva. É a demonstração de como montar um ataque que, em horas, paralise qualquer tentativa de contra-ataque. Ou que impeça, dificulte ou adie socorro em situações catastróficas.

Não é estranho que se tenha desenvolvido entre os responsáveis uma percepção de gravidade profunda. O que acrescenta ao desconforto é terem sido exonerados 5 comandantes pela ‘necessidade de garantir que as averiguações internas determinadas decorreriam em absolutas condições de isenção e transparência’. Isto, a meu ver, no preciso momento em que a sua acção mais se tornaria necessária, sendo certo que todos eles teriam de garantir as mencionadas condições, sem o que nunca deveriam ter sido nomeados.

Essa gravidade profunda acaba igualmente por motivar uma enérgica intervenção do PR, que pode mesmo ser interpretada como tendo ido ‘até ao limite’ dos seus poderes, o que parece ter incluído, além de uma já habitual visita ao local, um jantar com os chefes militares, falas ou intervenções alusivas ao tema, afirmações de que irá intervir no futuro logo que entender e exigência de que se apure tudo sobre Tancos. O que acrescenta ao desconforto é a acção de alívio de gravidade do incidente: visitas, refeições, reacções, inquéritos que, embora sublinhando a gravidade, são elas próprias agentes de desactivação, pretendendo mostrar que tudo o que se poderia fazer o foi. E isso nunca é assim.

E, em seguida, os OCS fornecem uma uma quantidade de informação sobre o assunto, aqui descrito em modo algo caricatural (perdoem-me) mas sem qualquer intenção de menosprezar o assunto ou quem quer que seja: a percepção de gravidade amenizou-se, porque afinal  o que parecia importante instalação era, efectivamente, algo obsoleto e sem préstimo, cujo conteúdo era irrisório e digno do depósito de inúteis e destinado a ser encerrado e incluído, ele também, no mencionado depósito; e, entretanto, usava-se a instalação como ‘campo de repouso’ ´destacando para lá militares ‘sem a mínima noção’ da missão a desempenhar, praticamente desarmados, sem jipes e com facilidades para dar o salto através de buracos nas vedações, judiciosamente localizados e sem risco de detecção por avaria dos circuitos de vigilância.

Não passaria muito tempo até que, de facto, se desistisse de qualquer investimento. Tornou-se possível evitar o dispêndio de verbas (já orçamentadas), reconduzir os comandantes exonerados (uma vez que o progresso das averiguações internas permitiu ‘ultrapassar as razões que justificaram a exoneração’), no preciso momento em que se percebe que parte das deficiências podem estar nas respectivas áreas de responsabilidade ou nas dos respectivos comandos. Verdadeiramente extraordinária a decadência desta instalação: mobilizando PR e MDN no início, eis que cai a pique em investimentos e melhorias largamente referidas no momento zero, para um prático nível zero, tudo em 3 meses. Hoje, segundo se sabe, estarão perto da conclusão os planos da pólvora para a fechar. O desconforto sobe, é difícil disfarçar um rubor envergonhado.

Entre o momento zero e o nível zero, o MDN deu uma extensa entrevista ao Diário de Notícias de 10/9/2017, onde o tema do furto de material militar do paiol de Tancos é principal, mas também o desenvolvimento da LPM é abordado. É a oportunidade para perceber um pouco melhor as questões da DN, vistas do ângulo político, que é, a meu ver, onde se devem radicar. Ficará para a história a declaração do MDN de que 'no limite' não houve sequer furto ou roubo, mas os aspectos que mais importantes parecem estão ligados à LPM, afinal linha condutora estratégica de importância iniludível. A propósito da ‘substituição do avião de transporte’:
[…] este governo decidiu que era o momento de tomar essa decisão estrutural – que é uma despesa muito significativa que me vai dar à-vontade para fazer boa figura […]
Desconforto aumenta: preferir a expressão ‘este governo’ em vez de ‘O governo’ revela uma visão fragmentada no tempo por fronteiras de legislatura, incorporando a possibilidade de reversão logo que este passe a último. Pior: a introdução de fazer boa figura nos objectivos de ‘decisões estruturais’ é mais do que surpreendente, é assustadora.

Quanto à Marinha afirma o MDN:
E há um segundo aspecto em que vai ser inevitável também o investimento e que está relacionado com os estaleiros de Viana do Castelo. Temos em construção dois navios-patrulha oceânicos e vai ser inevitável uma reflexão muito profunda sobre o que é que pretendemos  do nosso mar e de que forma é que pretendemos exercer a jurisdição do nosso mar.
Isto é, os navios em construção implicam ‘reflexão muito profunda’ sobre o nosso mar: qual reflexão ? Aquela de que oiço falar há 30 anos ? Nós, portugueses, 2017, ainda não sabemos o que pretendemos do nosso mar ???!!! Ou de que forma pretendemos exercer jurisdição desse mar ???!!! Vamos agora ser obrigados a ponderar tais assuntos porque este MDN resolveu tornar inevitável o investimento (note-se, não é construção) em dois navios? Quando este passar a último MDN correremos risco de que o investimento possa ser revertido? Quais navios? Aqueles que eram para ser aí uns 10 no último quartel do século XX? Já não se trata de desconforto, agora é também desânimo.

E quanto a Tancos? Investigações em curso, é cedo para ter alguma luz sobre o que aconteceu. Um relatório da IGDN aparece citado e parece apontar-se para melhorias das condições de segurança dos paióis em geral segundo ‘3 dimensões’: concentração de infraestruturas, seu reforço em termos de segurança física e suportar a inventariação através de um sistema de gestão da informação que seja ‘comum aos três ramos’. Este sistema de gestão:
[…] significa a necessidade, de uma vez por todas, de haver um conhecimento instantâneo , actualizado, de tudo o que está nos paióis para se evitar no futuro o que ocorreu em Tancos, em que foi definida a gravidade à luz daquilo que se conhecia no momento do furto.
Que a segurança física dos paióis deve obedecer aos correctos padrões, não oferece dúvidas, não é necessária nenhuma reflexão. Mas a ideia de concentração dá-me indicações de que se pode estar a alterar um elemento estratégico da DN. Dado que os sistemas de gestão são apenas modelos da realidade e não ela própria, será sempre necessário usar o conhecimento do momento, já que usar conhecimento do futuro estará fora de causa. A concentração tende, a meu ver, a aumentar a vulnerabilidade militar da nossa infraestrutura e, mais ainda, a adopção de um único sistema de gestão. Daí que o desconforto tenha de ser revisto em alta.

Quanto ao material ‘obsoleto’:

Depois há situações de pormenor sobre a conveniente separação entre material obsoleto, no sentido de preparado para desmilitarização, que é, no fundo, desactivar sistemas. Temos uma empresa para esse efeito, a IDD e que vai com certeza ser preciso reforçar essa componente de desmilitarização para onde as  Forças Armadas acharem que é necessário, não estarmos a ocupar paióis, meios de vigilância e de segurança quando podemos alocar a desmilitarização desse tipo de equipamentos.
Considerando que o MDN reconhece que, mesmo obsoleto, o material mantém níveis de perigosidade, após uma aparente preferência pela concentração, agora parece pretender-se a dispersão sob o argumento de poupar na vigilância. Esta é uma referência difícil de entender e só pode contribuir para aumentar o desconforto e incrementar a confusão.

Finalmente (mas não terminando), surge no semanário Expresso notícia sobre um relatório cuja importância parece significativa, mas cuja origem não é assumida por nenhum organismo. Terá a sua própria história. E não será animadora.

Desconforto, vergonha, confusão, desânimo são os sentimentos que, daqui onde estou, com a capacidade de leitura que possuo, me levam a lamentar a situação que a DN está a atravessar.