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sábado, 23 de maio de 2026

PORTUGAL
Sobretudo os "menos novos" como eu têm na memória várias datas e eventos da nossa história e concretamente quanto ao que me leva a escrever estas breves linhas, o "nosso" início.

Todos sabemos das desavenças de Afonso Henriques designadamente com a mãe e o clã dos "Trava"
E todos sabemos que durante séculos o Papa foi autoridade suprema.

Como referi no meu blogue no texto "efemérides" no dia de hoje mas em 1179 o Papa reconheceu Afonso Henriques como rei.

Mas a nossa história é complexa e essa época o foi ainda mais.

Na sequência de uma conversa com a minha mãe falo disso no meu blogue e onde incluo o esclarecimento/ opinião que obtive de um amigo que é um conceituado historiador.

Como todos sabemos "por vezes a doutrina diverge" mas creio que o meu amigo explica bem o complexo processo que com toda a naturalidade deixa muitos de nós com dúvidas sobre a fundação da nossa nacionalidade. Assunto com alguma complexidade.

António Cabral
Calm, ref
(marrevoltado.blogspot.pt)

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

A MINHA CURIOSIDADE,  O MEU PRAZER POR VIAJAR NO MEU PAÍS,  PARTICULARMENTE PELOS INTERIORES TANTOS E TÃO VARIADOS E ALGUNS OU MESMO MUITOS TÃO DESPREZADOS,  OBSERVAR A CULTURA,  A ARQUITECTURA,  O DESORDENAMENTO TERRITORIAL, AS GENTES E A FALTA DELAS EM TANTO SÍTIO,  LEVA-ME A QUERER PROSSEGUIR,  CADA VEZ MAIS,  NESTE PORTUGAL TÃO MALTRATADO,  ONDE ALMEIDA GARRET FOI,  NO SEU TEMPO,  UM MESTRE DE VIAJANTES.

EU VIAJO COM A MINHA BELA NIKON, SEMPRE.

António Cabral

quarta-feira, 19 de julho de 2023

FORÇAS  ARMADAS (FA)
Saídas Extemporâneas da Marinha.

Mão amiga fez-me chegar um documento que reputo de interessante. Numa outra perspectiva, a daqueles que como eu entendem que Portugal deve ter FA, o documento é, por um lado, sintomático e esclarecedor sobre a competência/ sentido de Estado/ sentido das responsabilidades da esmagadora maioria dos titulares de Órgãos de Soberania e concretamente os sucessivos PM e governos, os sucessivos deputados e os sucessivos Presidentes da Republica (PR).

Por outro lado, é muito preocupante e esclarecedor quando ao trágico caminho em direcção ao desastre. 

Quanto a PR, que por inerência e definição Constitucional é Comandante Supremo das Forças Armadas (CSFA), então com o actual inquilino em Belém é cada vez mais  irrelevante e um verdadeiro Comandante Superficial das Forças Armadas (CSFA).  

O documento a que me refiro é um relatório com data de Abril passado sobre as saídas extemporâneas da Marinha durante o ano de 2022. O que o relatório mostra só será surpresa para os incautos, ingénuos, ignorantes, irresponsáveis e inocentes. 

O documento é minucioso, revela uma imagem negra sobre os recursos humanos na Marinha (certamente não muito diferente no Exército e Força Aérea), evidencia uma crescente degradação relativamente a anos anteriores (sobre este tema há relatórios desde 2017).

Conclusões principais, razões para as crescentes saídas extemporâneas da Marinha:

- o número de saídas em 2022 mais que duplicou a média dos últimos 4 anos,

- baixas remunerações e vencimentos, cerca de 65,5% dos casos,

- procura de oportunidade profissional mais vantajosa, o que muito tem a ver com aspectos remuneratórios,

- procura de maior valorização, realização e estabilidade, o que também tem em parte a ver com aspectos remuneratórios, 

- demora na progressão na carreira,

- difícil conciliação entre trabalho e família.

Deste documento ressalta também, se li bem, que a Marinha estará há algum tempo a ver se no seu âmbito consegue atenuar o problema através de medidas que designa por "mitigação" a saber, apoio ao alojamento e habitação, apoio em creche para filhos de militares, diminuição da formação inicial para mais rapidamente poderem embarcar.

Sobre este relatório, em 2 de Junho passado, o Almirante Gouveia e Melo que é o actual chefe da Marinha (CEMA-Chefe do Estado-Maior da Armada) exarou o seguinte:

Visto com preocupação.
Continuar a seguir e procurar novas estratégias de mitigação.
Dar conhecimento deste relatório à Defesa.

Interessado que sou como cidadão e entendendo que Portugal deve ter FA e, particularmente, Marinha e Força Aérea com meios adequados às responsabilidade do país designadamente no que se refere à brutal massa oceânica sobre a qual tem jurisdição, este documento dá uma imagem desgraçada sobre o Estado, sobre o estado a que chegámos, e tudo indica prosseguirá para pior. Apesar das patéticas e constantes loas sobre Mar e FA, o que começa a raiar o insuportável.

Que dizer sobre o que está à vista e que os responsáveis pela governança e pelo regular funcionamento das instituições fingem sistematicamente que não há problema especial?

Acrescento apenas isto:

1º - a responsabilidade do caos e desgraça em que estamos é dos sucessivos titulares de órgãos de soberania, agravando-se decisivamente desde 2017,

2º - algumas chefias militares não estão isentas de responsabilidades, e a isto não deve ser alheia a crescente politização da escolha das chefias militares desde 1994 quando no final do Cavaquistão alteraram a lei pertinente, 

3º - podem tentar mitigar o que quiserem, serão acções sem eco, pois as remunerações e vencimentos dependem do poder político tal como os estatutos e o poder político não tem coerência nem honestidade intelectual para acabar com as FA como certamente desejaria, pelo que estrangula financeiramente  o pouco que existe, e algo me diz que a I República tem servido de exemplo para esta gentalha actual.

Em síntese, isto não tem concerto. Verem a situação com preocupação ajuda ZERO. 

António Cabral
Calm, ref
(marrevoltado.blogspot.pt)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

ASSIM  VAI  PORTUGAL


António Cabral
Cal, ref
(marrevoltado.blogspot.pt)

quinta-feira, 24 de junho de 2021

ESTA  MANHÃ,  NA  PRAIA……….

Esta manhã, na praia, caminhando devagar pelo areal vazio com maré muito recuada, dei por mim com os olhos a passar do areal para o Bugio, daqui para o barco de pesca que se fazia à barra, outra vez para o Bugio, depois a observar a mota quatro que devagar circulava pelo areal quase sem gente.

Dei por mim, depois, a olhar o Atlântico dali visível, o oceano que tão pouco patrulhado já é, o oceano que qualquer dia se vai esquecer de certos "hieróglifos" começados com uma letra maiúscula seguida de uns algarismos. 

E continuei a longa caminhada, o areal estava bom. 

Fez-me bem.  

E fui recordando muitas coisas. E pensando no que aí virá.

António Cabral

cAlmirante, reformado

(marrevoltado.blogspot.pt)



segunda-feira, 10 de maio de 2021

UMA LANCHA QUE AFUNDA A MARINHA
(Paulo Sande, Expresso)
A GUARDA VAI A BANHOS
A GNR inaugurou no passado dia 7 de maio a sua Lancha de Patrulhamento Costeiro “Bojador”.

Tratando-se de um meio oceânico, a GNR vê assim concretizada a sua antiga aspiração de se tornar uma espécie de Guarda Costeira. A cerimónia de 7 de maio, que teve lugar no Terminal de Cruzeiros do Cais da Rocha de Conde de Óbidos, chamou-se aliás “O papel da GNR como Guarda Costeira”.

Portugal tem de utilizar com eficácia e parcimónia os escassos recursos de que dispõe. A compra de lanchas com capacidade para navegar no alto mar – capazes de chegar aos Açores e à Madeira, isto é, de cobrir meio Atlântico Norte – é um desperdício de recursos. E constitui, sem dúvida, uma afronta à Marinha portuguesa.

Em suma, mais um sinal da mania de grandezas que o nosso país devia dispensar.

Em 2009, reconhecendo a capacidade da Marinha de prestar serviços em missões de interesse público não militares, a Lei Orgânica da Marinha afirmava a necessidade de ajustar a estrutura da arma, dotando-a “das capacidades adequadas ao exercício das suas competências, respeitando (…) os princípios da racionalidade e da economia”. E na linha da “tradição naval portuguesa” dava-se corpo ao paradigma de uma Marinha “de ‘duplo uso’, materializado numa actuação militar e numa actuação não militar”.

Como objetivo, uma economia de escala e o desenvolvimento de sinergias. Para o efeito foi reformulada a cadeira de comando operacional e definidas as missões de natureza não militar, incluindo o cumprimento da lei nos espaços marítimos sob jurisdição nacional, busca e salvamento e actividades no domínio das ciências e técnicas do mar.

A Marinha, com séculos de experiência e vocação para agir em todos os meios marítimos, dotada dos recursos certos, competência e saber-fazer, deveria assim - pelo menos foi o que se pensou na altura -, cumprir a tarefa de Guarda Costeira. Passaram 12 anos e parece que já não é bem assim. Uma nova estrela, a não tão antiga Guarda Republicana, quer aprender a nadar. Até para um país habituado a mudar leis com frequência, incluindo as relativas aos grandes desígnios nacionais, é um recorde.

E é, sem dúvida alguma, um erro grave.

UM MILAGRE NASCIDO DO MAR
Portugal, sob tantos pontos de vista, é um milagre. Pela geografia, pela lógica das coisas, a sua mera existência é improvável. Escreveu-o Gomes Eanes de Zurara: “Cá nós de uma parte nos cerca o mar e da outra temos muro no reino de Castela”. E como de Espanha nem bons ventos…, restou-nos, ao longo dos séculos, uma saída: o mar.

Por ele, à aventura em frágeis jangadas de madeira, os portugueses afirmaram uma identidade singular e asseguraram a independência do país, o que só foi possível porque a alma dos nossos egrégios avós, tripulantes desses esquifes de madeira que sulcaram os oceanos do Mundo, não foi pequena. E porque inventámos, antes dos outros povos europeus, a Marinha.

Portugal existe porque a Marinha foi. E é. Em 12 de novembro de 2017, assinalaram-se 700 anos de criação da Marinha portuguesa, por decreto de El-Rei D. Dinis, em 1317. Na ocasião, Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, não tergiversou:

“Somos uma Nação marítima” e “temos de continuar a investir na Armada” porque “esse é o nosso destino”. E a Marinha deve viver, “para que possa viver Portugal”.

Há dias, o primeiro-ministro propôs os Oceanos como desígnio europeu para 2030. Ora tudo começa neste rosto do continente que é Portugal. Que tem (que temos), escusado será lembrar, uma enorme zona económica exclusiva, um mar que é seu; ou seria, deveria ser, se tivesse recursos para o vigiar, patrulhar e proteger.

Que não tem!

E por essa razão também, é incompreensível a instituição da GNR como Guarda Costeira.

ESTRATÉGIA NACIONAL: NAVEGAR É PRECISO
A estratégia é a arte, assente na visão do que se pretende e no contexto de uma decisão política, de definir o objetivo e os planos que, no conjunto, cobrem todas as contingências e asseguram o cumprimento desse objetivo.

A Portugal tem faltado, com períodos de excepção, um conceito estratégico nacional estável. Isso mesmo afirmou em 2014 Adriano Moreira, para quem esse inexistente conceito deveria assentar na definição prévia dos valores espirituais e materiais que estruturam a identidade portuguesa. Sem entrar no já longo (e algo frustrante) debate sobre o lacunoso conceito estratégico nacional, uma coisa é indiscutível:

Foi no mar, e é nele, que Portugal escora a sua sobrevivência, projeta o seu poder e obtém (ou devia obter) a sua riqueza. Reconhecida a independência em 1179 pela bula papal Manifestis Probatum, o país empreendeu, nos séculos seguintes, a difícil missão de a garantir. Sem poder crescer pela fronteira terrestre, foi no espaço exterior, por via da sua fronteira marítima, sobretudo através do Atlântico, que Portugal se afirmou como entidade política relevante. Já então, como nos séculos seguintes, foi a Armada instrumento decisivo.

Seguiu-se um lento regresso às origens, culminando com a descolonização de 1975. E desde então, penosamente, Portugal tenta actualizar um conceito estratégico nacional que lhe permita – para si próprio, desde logo – afirmar-se como nação independente, relevante e considerada no plano internacional. E se concordo com a falta de visão estratégica, é também certo que várias âncoras permitem vislumbrar os seus possíveis contornos, naquilo a que Adriano Moreira, aliás, chama de “janelas de liberdade”.

A âncora europeia é a nossa pertença à União Europeia; a relação com os países de língua portuguesa, através da CPLP; e o mar. O Mar.

Ora, para o cumprir – e celebrar as “navegações grandes que fizeram” os portugueses, todos nós, e as que ainda poderemos fazer -, é necessária uma Marinha com recursos, capaz de projectar força efectiva e de se impor num ambiente marítimo crescentemente predatório, ainda por cima numa das maiores zonas económicas exclusivas do Mundo. Uma Armada que garanta patrulha, controlos migratórios, fiscalização económica, luta contra a pirataria e os tráficos vários, busca e salvamento, controlo aéreo.

Uma zona económica exclusiva de 1.683 mil km2 e um potencial de 4 milhões de km2 de zonas marítimas nacionais (quando concluído o processo de alargamento da plataforma continental), não se protegem com uma Marinha subdotada. Falta gente (cerca de 800 pessoas, reconheceu o Chefe do Estado Maior da Armada em 2019); o único navio reabastecedor, o Bérrio, foi abatido ao efectivo no ano passado, limitando drasticamente a capacidade operacional; são escassos, para os objectivos referidos, os meios actuais, cuja aquisição, renovação e manutenção é cara, dificilmente comportável por uma economia deficitária e endividada.

E, contudo, a GNR vai ter navios. Super-lanchas, que deverão ser mantidas. Terá de formar marinheiros. De aprender a nadar, o que os da Armada aprendem desde há sete séculos. Tudo isso para missões de utilidade e serviço público que a GNR nunca cumpriu e que a Marinha executa com proficiência e capacidade. O país vai ter de pagar a dobrar o custo do que é singelo.

São vícios de rico.

Mas ainda é tempo de corrigir o tiro.

Antes que a Marinha se afunde.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)

sexta-feira, 19 de março de 2021

ESTÃO  de  VOLTA

Vários indícios da Primavera que se aproxima.

Mas estão de volta, também, várias coisas execráveis, infelizmente. 

E vai piorar.

António Cabral

cAlmirante, reformado

(marrevoltado.blogspot.pt)

terça-feira, 23 de junho de 2020

S U B O R D I N A Ç Ã O
Subordinação - muito sinteticamente, é dependência.
Submissão - muito sinteticamente, é sujeição, é acto de se submeter.

Conforme vou vendo referências nos OCS a situações que me dispenso de adjectivar, como por exemplo, em relação ao antigo hospital militar que vem sendo submetido a obras e onde, aparentemente, irão ser colocados a breve trecho algumas pessoas doentes, sobre a situação do nosso HFAR acerca do qual foi havendo propaganda diversa, sobre o laboratório que se calhar pensavam deitar fora mas que afinal....., ou sobre certas condecorações, vou periodicamente visitando a nossa história recente, particularmente desde 1987.
Uma dos temas sempre defeituosamente tratados por políticos e sobretudo jornalistas, premeditadamente ou apenas por vergonhosa ignorância (vergonhosa, porque nunca a querem minimizar) é a defesa nacional (DN) como também a instituição militar (FA).
Para a esmagadora maioria dos ignorantes e de vários malfeitores que por aí se pavoneiam, DN = FA !!!!!

Partilho com os meus estimados amigos, camaradas, leitores, visitantes, a última parte da 1ª página da "Carta do CEMA", nº 5, de Março de 1998, assinada pelo CEMA, Alm Nuno Gonçalo Vieira Matias.

..........
Tem sido propalado, por alguns orgãos de comunicação social, o conceito da subordinação do chamado "poder militar" ao poder político.
Com a única intenção de contribuir, a nível interno, para alguma consonância na interpretação de tal expressão, entendi por bem tecer as seguintes considerações:
- O "poder militar", na acepção que habitualmente se lhe pretende dar nos meios de comunicação social, não existe. O que existe, isso sim, é uma componente militar do poder nacional, representada pelas suas Forças Armadas, essencial à defesa do País ou dos seus interesses vitais quando estes se encontrem ameaçados.
- No que respeita à subordinação do aparelho militar ao poder político, ela é inquestionável e constitui uma condição fundamental num Estado de direito democrático tal como, no nosso caso, está consagrado na Constituição.
....................
Claro, simples, inquestionável, mas continua a ver-se na sociedade, aqui e ali, que não percebem.. Melhor, querem lá saber.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Blogue Chapéus há muitos - marrevoltado.blogspot.pt)

domingo, 19 de janeiro de 2020

DEFESA  NACIONAL (DN)
Muito mais que Forças Armadas (FA)
Mas, tirando militares dedicados, desde há muito, e desde muito antes de 24 de Abril de 1974, a esmagadora maioria dos meus concidadãos  entendem defesa nacional = forças armadas.
Quando é sabido que as FA são um dos pilares da DN, pilar decisivo, naturalmente.
Algum tempo depois do 25 de Abril, e diria que algures até à década de 90 do século passado, muitas elites civis "pelavam-se" por ter o curso do Instituto de Defesa Nacional (IDN). O "cartãozinho" com a inscrição de "auditor" era nessa época um "status".
Independentemente de serem ou não auditores, estou a lembrar-me de vários homens e mulheres que durante muito tempo foram considerados e ainda o são, e na maioria com mérito, estudiosos e conhecedores das problemáticas da DN e das FA. Por exemplo, Adriano Moreira, Maria Carrilho, ou Ângelo Correia.
E no plano dos militares vários muito se evidenciaram publicamente nesta matéria.
Mas as realidades e vários homens foram sempre retorcendo tudo ou quase tudo.
Começou logo com o nome da lei elaborada sobretudo por Freitas do Amaral, da qual o cidadão comum retirava fácil e erradamente DN = FA.
Com Cavaco Silva e Fernando Nogueira começou a contração que, do meu ponto de vista, era absolutamente necessária embora, na minha opinião naturalmente, algumas orientações deixassem muito a desejar. Seguiu-se mais desastrosamente o consulado Guterres/  Vitorino. Se uns tratavam/ trataram do País/ do partido/ das FA a partir do 7º andar, outros quase lá não punham os pés.
Continuou o homem das feiras, sobre o qual se não deve perder tempo (opinião minha, naturalmente, não me comovo com o que de bom chegou para a Marinha).
Com Sócrates e os seus ajudantes a coisa foi piorando, e se o desastre era já grande, veio o homem do hífen para estilhaçar o resto.
Daí para cá conhece-se o desastre continuado.
Agora, anunciam-se roteiros, TANCOS e outras vergonhas estão aparentemente a marcar passo, e a expressão "doa a quem doer" faz cada vez mais impressão atenta a realidade das coisas.
Do passado mais ou menos recente, tivemos no reinado presidencial de Cavaco Silva a chamada dos antigos combatentes aos 10 de Junho. Do reinado presidencial actual a periódica exaltação "os melhores dos melhores".
Mas as realidades do País mostram, desgraças várias no seio das FA com mortes e roubos por decifrar, no País, para lá da CGD, pouco mais parece haver de efectivamente em mãos nacionais.
Dos OCS, aparece a denúncia da trágica mimetização de organizações ZERO no seio dos militares, desistências de tomar refeições, aparecimento outra vez de folhetos anónimos.
Tudo isto a somar aquilo que acho terrível pelo que pode significar, e que é haver militares a pagar para se irem embora. 
E o que resulta dos que se calhar querem ir embora mas não vão por falta de dinheiro? 
Que realidades aí estão, e que consequências para a instituição militar?
Quanto à vida dos militares e das suas famílias basta atentar em alguns exemplos à volta do IASFA, das ADM, do nosso hospital, e dos vencimentos ao fim do mês. Quantos preferiam ir para a GNR?
Quanto à consideração que por mim nutrem como antigo combatente estamos conversados, há muito tempo.
Perder a esperança? NUNCA.
Mas que me metem nojo metem.
Se no activo não apertei a mão a certos dignitários, no presente assim continuarei a fazer se me aparecerem pela frente.
E se com a idade as SS e as LL começam a dar uns sinais de que existem, a minha coluna vertebral é muito direitinha.
Eu sei, estes desabafos nada resolverão, mas os silêncios ainda menos.
Como o ratinho mijando no Oceano - qualquer bocadinho pode ajudar. Eu tento, talvez desajeitadamente, por isso também, a ajuda era importante.
António Cabral
cAlmirante Reformado
(chapéus ha muitos)

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

COMBATENTES


Em muitos locais se encontram muito justas homenagens pelos que foram tombando pela Pátria, erigidas ao longo do tempo nas mais diversas e diferentes representações.
Lamentável a postura dos sucessivos titulares de órgãos de soberania quanto aos combatentes. São raras as excepções.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

MARINHA
"You have (or not) a Navy. You raise an Army. Period."
Para que fique claro!
ANTÓNIO CABRAL
cAlmirante, reformado
(chapéus há muitos)

quarta-feira, 19 de julho de 2017

FORÇAS ARMADAS PORTUGUESAS

A COMPLEXIDADE dos DESAFIOS e a CONDIÇÃO MILITAR
O Grupo de Reflexão Estratégica Independente (GREI) promoveu ontem ao fim da tarde um evento para apresentação de um livro que o GREI pretende seja "....simplesmente um documento de divulgação e esclarecimento". 
O livro tem por título as frases supra.
Fui um dos muitos convidados, e sentado estive a ouvir algumas personalidades que compunham a mesa.
O GREI deu a presidência da mesa ao general Ramalho Eanes e, para além de proeminentes elementos dos corpos sociais da associação, falaram e por esta ordem, o presidente da mesa da assembleia geral do GREI, o Professor Adriano Moreira que prefaciou a obra, e o Dr Jaime Gama que se encarregou da apresentação do livro.
Nos inúmeros convidados (a sala do Museu Nacional de Arqueologia estava a abarrotar) havia de tudo, desde muitos políticos conhecidos da nossa praça como Jorge Coelho ou o actual e inefável presidente da Câmara Municipal de Lisboa, a pensadores ilustres como Joaquim Aguiar, professores catedráticos, muitos militares do activo na reserva e na reforma, chefes militares trajando à civil ou uniformizados, ex-chefes militares, muitos militares dos três ramos das FA, etc.
Tal como referiu Jaime Gama a dada altura, há militares que ao longo do tempo escrevem apenas o estritamente necessário, outros que não escrevem, outros são ausentes.
Pela minha parte, também a propósito deste livro que ontem comecei a ler, não incorporo os ausentes.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

quinta-feira, 16 de março de 2017

REFLEXOS
Alguns julgam que o reflexo é o barco.
Depois afogam-se.


António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

sexta-feira, 3 de março de 2017

SAY AGAIN?



No embarque para a sua deslocação a Los Angeles, o Presidente dos EUA declarou
que tudo fará para tomar posse da Base das Lajes e da ilha onde está inserida, apesar de esta
ser considerada território português. Invocando o acordo firmado na construção da base aérea
com o Coronel Eduardo Gomes da Silva e os tratados assinados durante a 2ª Guerra Mundial
entre Óscar Carmona e Franklin D. Roosevelt, Trump declarou à CNN que “…todo o investimento
realizado durante décadas pelos americanos na base aérea e espaço envolvente e o não
cumprimento das regras básicas de manutenção da ilha por parte de Portugal dá aos EUA o
direito à posse do território por usucapião.”


António Cabral, 
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

domingo, 1 de janeiro de 2017

MEMÓRIAS
Todos temos memórias, umas boas, outras assim assim, várias más. Todos certamente nos lembramos de coisas passadas nos tempos da nossa meninice.
Olho para o presente, para o Portugal contemporâneo, para o que se vai passando dentro das Forças Armadas, para o tratamento lamentável que prosseguem dando aos militares, e questiono-me.
Longe vão os tempos em que havia alguma ponderação relativamente a certos aspectos da vida dos cidadãos.
Se no passado mais longínquo existiram atrasos, pouco desenvolvimento, exploração, desigualdades gritantes, falta de liberdade, a verdade é que também havia quem tivesse consciência cívica, e preocupações com o seu semelhante.
Muitas décadas atrás, e sei concretamente do que falo, um jovem médico no interior Beirão teve que sair da cidade de distrito pois com dois filhotes e mulher o sustento da casa estava a ser menos fácil, dado que as borlas era constantes.
Além de outras decisões, quem não tinha rádio não pagava nada. Quem já tinha, pagava a consulta.
Alguns anos mais tarde, o critério evoluiu, quem tinha carro pagava, quem tinha carroça ou galera ou não pagava ou quase não lhe levava escudo algum.
Tempos, memórias.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

ASSIM COMEÇOU





António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

TALENT DE BIEN FAIRE


António Cabral
cAlmirante, Reformado
(Chapéus há muitos)

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Ainda sobre os Comandos

Sobre a tragédia ocorrida recentemente durante o 127º curso de comandos ouvi/ li posições do MDN, de porta-voz do Exército, da AOFA, de militares já fora do activo, de jornalistas. E as barbaridades de certos políticos (??) que pensam ainda estar no tempo em que os progenitores e amigos assaltavam. Creio que houve reportagens nas TV, que não vi.

Li - "não são aceitáveis mortes em instrução”. A responsabilidade pelo que sucedeu pode ser, certamente, atribuída a mais do que um factor, circunstância. 
Tal como nos acidentes nas estradas ou no mar, as tragédias ocorrem porque se somaram num dado momento várias componentes que, isoladamente, só por si, provavelmente não causariam o despiste na estrada ou o virar da embarcação.
Mas só em Portugal é que subsiste esta tonteria - "ah, a estrada estava molhada" - ou - "ah, houve um golpe de mar".
Adaptar por exemplo a velocidade do veículo ás condições meteorológicas e ao tipo de carga transportada,…………. ah, isso não interessa para nada.
No plano do “achismo”, a única coisa que acho de facto é que são inaceitáveis as mortes e que é indesmentível que certas profissões tem inerente o risco de vida.
Do que me apercebi posteriormente sobre a tragédia, saltou-me também à vista um artigo do jornalista Manuel Loff de 17 de Setembro passado, publicado no jornal Público.
Face ao que se conhece pelos media, a que é preciso dar um desconto enorme, ENORME, o parâmetro médico é capaz de ter uma elevada cota de responsabilidade no caso. 
Como cidadão gostava de ver esclarecido, publicamente, tudo acerca das inspeções médicas, para ingresso no Exército, para seleção para tropas especiais, que meios humanos com adequada e específica preparação e meios logísticos existiam em apoio directo ao curso, e que estrutura estava preparada para acorrer a situações inesperadas. Que alertas testados com o INEM, por exemplo. Em Alcochete e no Montijo, existem ambulâncias. De Alcochete ou do Montijo ao campo de tiro leva-se muito pouco tempo de veículo (sei do que estou a falar). 


Existe a Base Aérea do Montijo, onde estão sediados os helicópteros de busca e salvamento que, tanto quanto julgo, podem levar doentes em situação crítica a hospitais. Creio também que o INEM tem helicóptero.
Ainda no plano da saúde, se uma doença congénita é difícil de detectar, pela experiência que tenho com familiares, há exames que detectam por exemplo facilmente certos problemas nos vasos sanguíneos.
Portanto, no plano saúde/médico creio que será perfeitamente possível identificar causas e daí tirar conclusões e responsabilidades concretas.
Avançar, apenas no plano teórico e de forma decente e civilizada com a remota possibilidade de eventuais usos de estimulantes, não é coisa que me ofenda nem choca, exactamente porque o que vi escrito estava num plano de ponderação respeitosa.
Depois, e ainda no plano dos cuidados médicos, o que veio a público denunciado quanto ao estado do Hospital das Forças Armadas, sem urgências e etc, é bem revelador do estado deplorável a que Portugal chegou em certas áreas, neste caso, na Instituição Militar. Mas, para alguns dos que se indignam agora muito, será bom lembrar que nada da lastimável situação foi concebida e executada apenas pelo anterior MDN Aguiar hífen Branco. 
E, já agora, alguém com os pés na terra, pensa possível que neste País cada vez mais de faz de conta, alguma vez esse homem será responsabilizado, a sério? 

Foi trabalho político, e certamente baseado em muita assessoria e documentação assinada naquele ministério por responsáveis civis e militares. E houve visitas e inaugurações. E pelas fotografias, sempre todos sorridentes.
Olhando ao artigo já supra mencionado, de Manuel Loff, o jornalista enxofra-se muito com a apontada remota possibilidade de usos de estimulantes. Como não tenho a certeza a que coisa concreta se refere, direi apenas que o que vi escrito pelo MGeneral Carlos Branco nada me chocou exactamente porque me pareceu como acima descrevi.
Quanto ao resto do artigo de Loff, em que não me espanta o estilo dada a pessoa, no que se refere a fanfarronices e ao elencar de casos passados e ao apontar de páginas oficiais de certas instituições, creio que lhe assiste uma boa parte da razão nos comentários.
E há sobretudo uma coisa em que com ele concordo, quando escreve que - paga para ver - quanto à questão do apuramento de tudo até ás últimas consequências.
Se apreciei e aprecio as posições equilibradas que se ouviram sobre este muito triste assunto, a realidade é que o histórico deixa imensas incertezas.
E quando alguns brandem a imagem dos escuteiros nem reparam que, parece-me, se colocam num patamar equivalente de sentido oposto ao daqueles e daquelas que irresponsavelmente clamam pelo fim dos Comandos e, no intimo, certamente do Exército e das Forças Armadas.
Parece-me muito avisado e justamente referido o que adiante coloco, porque em minha opinião também isso deve fazer parte da vida contemporânea sem que signifique beliscar valores fundamentais e sem perder de vista a necessidade de preservação de instituições - ……."Rever permanentemente decisões já tomadas, seguir num destino diferente, duvidar das soluções actuais, enfrentar problemas novos são actividades obrigatórias"……..
Pago também para ver como tudo se vai passar. 

É que se vier a acontecer como anteriormente, com conclusões reservadas, inconclusivas, sem explicação concreta ás famílias dos falecidos, (que indemnizações?) etc, as garantias de peito feito do PR do PM e do MDN irão aumentar a certeza de que gradualmente caminhamos para o estado lamentável dos vários países dentro de Portugal. O palaciano e das mesuras, e o da dura realidade, como no passado não muito longínquo.

António Cabral

cAlmirante, reformado
(chapéus há muitos)

sábado, 13 de agosto de 2016

O País, CRP, Mar, Governos, AMN, Marinha

Portugal é, na minha opinião naturalmente, uma sociedade que para aí desde 1700 continua a não ter a casa arrumada.
Sempre por culpa dos outros, naturalmente. O que se vê agora, com praticamente tudo o que a geringonça prometia a ser ao contrário, ou o anterior governo depois do desastre socrático a clamar - agora é que é - sempre assim foi mais coisa menos coisa. Sempre uns quantos a governarem-se, variando as cores, mas a sociedade sempre a claudicar. E sempre corporativismos, agora com matizes sindicais.
Isto a propósito dos sucessivos governos, dos vários MDN, e de como todos foram encarando os problemas da Defesa Nacional, do Mar, e dos escassos recursos do País. Digo encarando porque, em concreto, pouco resolveram e clarificaram.
Por definição os recursos são sempre escassos, mas em Portugal foram e serão cada vez mais.
Concretamente, venho aqui a propósito da promulgação pelo PR de um DL que, segundo o que se vê no jornal de referência DN (??) o excelso juiz Bernardo Colaço considera inconstitucional porque, diz o juiz, confirma a tutela militar sobre a autoridade civil.
QUE TRAUMA, digo eu!
Pela minha parte, já não tenciono dar muito para este peditório. Há mais de cinco décadas que descobri que os bebés não chegam de Paris. Além de que reparo em quem se vem sempre insurgindo. E como gostava de ser mosca para observar o que é encomendado.
Acrescento apenas algumas convicções que, como sempre, admito que possam não ter fundamento:
1. O que se assiste de há anos para cá e concretamente desde 2005 nesta questão Autoridade Maritima versus Marinha, tem em parte a ver com a postura que muitos assumiram (erradamente) perante a CRP, a mudança dos tempos, os recursos, a racionalidade;
2. neste tema tem tido um papel particular o que se vem fazendo, o que continua a não se fazer, acerca da AMN e por exemplo na polícia marítima;
3. como sempre tem acontecido nos últimos anos, o que alguns defendem vem sendo disfarçadamente matizado por outros desígnios de parte a parte;
4. Quando olho para o que se vem passando na PSP e GNR e SEF, aumenta a minha desconfiança quanto a certas argumentações que venho observando relativamente à PM e AMN.
5. finalmente, e apesar de respeitar SEMPRE as opiniões alheias, não posso deixar de desconfiar de certas coisas e de potenciais desígnios para lá do aparente respeito da Lei, pois no meio disto tudo andam por aí, uns que são ressabiados, outros que são tolos e que continuam a não atentar na LEI.

A terminar, reproduzo em baixo o que julgo continuar em vigor.
Uma das curiosidades disto tudo, é que são diplomas aprovados no tempo de Guterres e agora o juiz Colaço insurge-se contra o MDN do governo PS. Há coisas mesmo engraçadas.

DL 43/2002/ 2Março

CAPÍTULO I

Princípios gerais
Artigo 1.o
Objecto
1 - O presente diploma cria o sistema da autoridade marítima (SAM), estabelece o seu âmbito e atribuições e define a sua estrutura de coordenação.
2 - É criada a Autoridade Marítima Nacional (AMN), como estrutura superior de administração e coordenação dos órgãos e serviços que, integrados na Marinha, possuem competências ou desenvolvem acções enquadradas no âmbito do SAM.


DL 44/2002/2Mar

Artigo 2.o

Atribuições e competências
1 - A AMN é a entidade responsável pela coordenação das atividades, de âmbito nacional, a executar pela Armada, pela Direção-Geral da Autoridade Marítima (DGAM) e pelo Comando-Geral da Polícia Marítima (CGPM), nos espaços de jurisdição e no quadro de atribuições definidas no Sistema de Autoridade Marítima, com observância das orientações definidas pelo Ministro da Defesa Nacional, que aprova o orçamento
destinado à AMN.
2 - O Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) é, por inerência, a AMN e nesta qualidade funcional depende do Ministro da Defesa Nacional.
3 - Nos processos jurisdicionais que tenham por objeto a ação ou omissão da AMN ou dos órgãos e serviços nela compreendidos, a parte demandada é a AMN, sendo representada em juízo por advogado ou por licenciado em Direito com funções de apoio jurídico, constituído ou designado pela AMN.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

domingo, 3 de julho de 2016

PAÍS de MARINHEIROS?


Pelo que vou observando na sociedade e, lamentavelmente também, em marinheiros e soldados, mais me convenço que isso é um bocado balela. País de banhistas, e muitos não sabem nadar.
António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)