Todos temos memórias, umas boas, outras assim assim, várias más. Todos certamente nos lembramos de coisas passadas nos tempos da nossa meninice.
Olho para o presente, para o Portugal contemporâneo, para o que se vai passando dentro das Forças Armadas, para o tratamento lamentável que prosseguem dando aos militares, e questiono-me.
Longe vão os tempos em que havia alguma ponderação relativamente a certos aspectos da vida dos cidadãos.
Se no passado mais longínquo existiram atrasos, pouco desenvolvimento, exploração, desigualdades gritantes, falta de liberdade, a verdade é que também havia quem tivesse consciência cívica, e preocupações com o seu semelhante.
Muitas décadas atrás, e sei concretamente do que falo, um jovem médico no interior Beirão teve que sair da cidade de distrito pois com dois filhotes e mulher o sustento da casa estava a ser menos fácil, dado que as borlas era constantes.
Além de outras decisões, quem não tinha rádio não pagava nada. Quem já tinha, pagava a consulta.
Alguns anos mais tarde, o critério evoluiu, quem tinha carro pagava, quem tinha carroça ou galera ou não pagava ou quase não lhe levava escudo algum.
Tempos, memórias.
António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)
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