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quinta-feira, 11 de novembro de 2021

A  PROPÓSITO  DE  CERTOS  PERITOS

Neste meu tão mal tratado país, uma das coisas que persisto em não conseguir encontrar é explicação decente para o que vejo nas TV relativamente a comentadores e peritos e certos políticos.

Quanto aos políticos continuo a não encontrar explicação para o facto de, por exemplo, uma criatura que tem perdido sempre nas urnas, que não tem qualquer expressão nacional, aparecer constantemente nas TV e escrever em jornais. Já pensei que é capaz de ser financeiramente rico e pagar para aparecer.

Mas isto vem mais a propósito da telenovela "Miríade".

É que fiquei há pouco a saber, depois de com recurso à tecnologia ter ido ver uma pérola que começou na SIC Notícias cerca das 1920 horas de hoje, que se tivessem sempre destacado para África destacamentos policiais acompanhando as forças de Comandos, nunca nada disto se passaria. Nada de contrabando de diamantes, ouro, prata etc.

NOTÁVEL! Como é possível não se terem lembrado disto antes?

António Cabral

Contra-Almirante, reformado

(marrevoltado.blogspot.pt)

EM TEMPO

As delícias da tecnologia permitem interromper o meu livro, ir à sala, há pouquíssimos minutos, pois o desafio era irrecusável - anda cá ver este - e lá fui ver, na TVI 24.

Inacreditável, e mais não digo. Vale a pena ir ver, apesar de tudo.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Ainda sobre os Comandos

Sobre a tragédia ocorrida recentemente durante o 127º curso de comandos ouvi/ li posições do MDN, de porta-voz do Exército, da AOFA, de militares já fora do activo, de jornalistas. E as barbaridades de certos políticos (??) que pensam ainda estar no tempo em que os progenitores e amigos assaltavam. Creio que houve reportagens nas TV, que não vi.

Li - "não são aceitáveis mortes em instrução”. A responsabilidade pelo que sucedeu pode ser, certamente, atribuída a mais do que um factor, circunstância. 
Tal como nos acidentes nas estradas ou no mar, as tragédias ocorrem porque se somaram num dado momento várias componentes que, isoladamente, só por si, provavelmente não causariam o despiste na estrada ou o virar da embarcação.
Mas só em Portugal é que subsiste esta tonteria - "ah, a estrada estava molhada" - ou - "ah, houve um golpe de mar".
Adaptar por exemplo a velocidade do veículo ás condições meteorológicas e ao tipo de carga transportada,…………. ah, isso não interessa para nada.
No plano do “achismo”, a única coisa que acho de facto é que são inaceitáveis as mortes e que é indesmentível que certas profissões tem inerente o risco de vida.
Do que me apercebi posteriormente sobre a tragédia, saltou-me também à vista um artigo do jornalista Manuel Loff de 17 de Setembro passado, publicado no jornal Público.
Face ao que se conhece pelos media, a que é preciso dar um desconto enorme, ENORME, o parâmetro médico é capaz de ter uma elevada cota de responsabilidade no caso. 
Como cidadão gostava de ver esclarecido, publicamente, tudo acerca das inspeções médicas, para ingresso no Exército, para seleção para tropas especiais, que meios humanos com adequada e específica preparação e meios logísticos existiam em apoio directo ao curso, e que estrutura estava preparada para acorrer a situações inesperadas. Que alertas testados com o INEM, por exemplo. Em Alcochete e no Montijo, existem ambulâncias. De Alcochete ou do Montijo ao campo de tiro leva-se muito pouco tempo de veículo (sei do que estou a falar). 


Existe a Base Aérea do Montijo, onde estão sediados os helicópteros de busca e salvamento que, tanto quanto julgo, podem levar doentes em situação crítica a hospitais. Creio também que o INEM tem helicóptero.
Ainda no plano da saúde, se uma doença congénita é difícil de detectar, pela experiência que tenho com familiares, há exames que detectam por exemplo facilmente certos problemas nos vasos sanguíneos.
Portanto, no plano saúde/médico creio que será perfeitamente possível identificar causas e daí tirar conclusões e responsabilidades concretas.
Avançar, apenas no plano teórico e de forma decente e civilizada com a remota possibilidade de eventuais usos de estimulantes, não é coisa que me ofenda nem choca, exactamente porque o que vi escrito estava num plano de ponderação respeitosa.
Depois, e ainda no plano dos cuidados médicos, o que veio a público denunciado quanto ao estado do Hospital das Forças Armadas, sem urgências e etc, é bem revelador do estado deplorável a que Portugal chegou em certas áreas, neste caso, na Instituição Militar. Mas, para alguns dos que se indignam agora muito, será bom lembrar que nada da lastimável situação foi concebida e executada apenas pelo anterior MDN Aguiar hífen Branco. 
E, já agora, alguém com os pés na terra, pensa possível que neste País cada vez mais de faz de conta, alguma vez esse homem será responsabilizado, a sério? 

Foi trabalho político, e certamente baseado em muita assessoria e documentação assinada naquele ministério por responsáveis civis e militares. E houve visitas e inaugurações. E pelas fotografias, sempre todos sorridentes.
Olhando ao artigo já supra mencionado, de Manuel Loff, o jornalista enxofra-se muito com a apontada remota possibilidade de usos de estimulantes. Como não tenho a certeza a que coisa concreta se refere, direi apenas que o que vi escrito pelo MGeneral Carlos Branco nada me chocou exactamente porque me pareceu como acima descrevi.
Quanto ao resto do artigo de Loff, em que não me espanta o estilo dada a pessoa, no que se refere a fanfarronices e ao elencar de casos passados e ao apontar de páginas oficiais de certas instituições, creio que lhe assiste uma boa parte da razão nos comentários.
E há sobretudo uma coisa em que com ele concordo, quando escreve que - paga para ver - quanto à questão do apuramento de tudo até ás últimas consequências.
Se apreciei e aprecio as posições equilibradas que se ouviram sobre este muito triste assunto, a realidade é que o histórico deixa imensas incertezas.
E quando alguns brandem a imagem dos escuteiros nem reparam que, parece-me, se colocam num patamar equivalente de sentido oposto ao daqueles e daquelas que irresponsavelmente clamam pelo fim dos Comandos e, no intimo, certamente do Exército e das Forças Armadas.
Parece-me muito avisado e justamente referido o que adiante coloco, porque em minha opinião também isso deve fazer parte da vida contemporânea sem que signifique beliscar valores fundamentais e sem perder de vista a necessidade de preservação de instituições - ……."Rever permanentemente decisões já tomadas, seguir num destino diferente, duvidar das soluções actuais, enfrentar problemas novos são actividades obrigatórias"……..
Pago também para ver como tudo se vai passar. 

É que se vier a acontecer como anteriormente, com conclusões reservadas, inconclusivas, sem explicação concreta ás famílias dos falecidos, (que indemnizações?) etc, as garantias de peito feito do PR do PM e do MDN irão aumentar a certeza de que gradualmente caminhamos para o estado lamentável dos vários países dentro de Portugal. O palaciano e das mesuras, e o da dura realidade, como no passado não muito longínquo.

António Cabral

cAlmirante, reformado
(chapéus há muitos)

domingo, 11 de setembro de 2016

Os Comandos do nosso Exército

No CM online consta hoje o seguinte artigo: “Morre a jogar futsal em frente aos amigos -- Nuno Branco, 40 anos, caiu inanimado quando praticava desporto com grupo de colegas.
 Quantos e quantos não faleceram já praticando desporto? Que esforço, por exemplo, se exige a um maratonista de alta competição?
  Que outro órgão de comunicação noticiou este falecimento a jogar futsal?
  Alguém vai por isso pedir que se acabe com o desporto? Porquê alguém o pede para o Regimento de Comandos, tão importante componente das forças de dissuasão de ameaças contra a soberania de Portugal?
   Se cair um avião da Força Aérea e morrerem os seus tripulantes vai-se pedir a extinção da FA? E se houver acidente com navio de guerra e morrerem muitos marinheiros pedem que se acabe com a Marinha?
  Já não há serviço militar obrigatório pelo que, agora, todos os militares o são por escolherem como opção de vida a total dedicação à defesa do seu País, dos seus concidadãos e respectivos bens, sacrificando vida própria e familiar.
  E a esmagadora maioria dos militares sente até orgulho na sua nobre missão de proteger os outros.
  Mas há alguns que não se adaptam, que se arrependem da profissão que escolheram. Mas que ficam dela prisioneiros.
  Porque, ao contrário de todos os outros concidadãos, se forem dos quadros permanentes, terão de indemnizar o Estado de tudo o que com eles despendeu se o requererem antes de 8 anos sendo oficiais ou sargentos, 14 se forem pilotos e 4 se forem praças (artigo 171º do Estatuto aprovado pelo DL 90/2015). E muitos raros terão posses para tal.
  Segundo a Portaria 188/2016 (já deste Governo) a indemnização inclui – imaginem! -além de tudo o que o Estado para tal despendeu com cursos, até os vencimentos do militar durante o seu tempo de instrução (incluindo os subsídios de férias e Natal!).
  E mais. Ilegalmente, o artº 6º desta Portaria dá ainda aos chefes dos ramos o poder discricionário de lhe estabelecer tempo adicional de serviço!!!!
  É autêntica escravatura em Portugal, no Século XXI!
   Mas políticos e jornalistas disto não falam. Não é com eles, nem o julgam mediático...
  Pois se foram até políticos quem criou tal legislação, recentemente e sem sequer atenderem críticas das associações profissionais de militares! No silêncio “sepulcral” da comunicação social!
  Estou certo que o nosso Exército, após o inquérito que levantou ao triste falecimento de 2 instruendos, irá providenciar no sentido de minimizar a probabilidade de recorrências. A meu ver, no binómio saúde e instrução. Acabar com Comandos é que não!
                    
António José de Matos Nunes da Silva 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Curso de Comandos no Campo de Tiro de Alcochete


"Segundo os Órgãos de Comunicação Social, no decorrer da instrução do Curso de  Comandos, a decorrer no Campo Tiro de Alcochete, um militar faleceu no Hospital do Barreiro, três outros estarão internados no Hospital da Cruz Vermelha, um outro no Hospital Curry Cabral e somente dois (aparentemente os casos menos  graves) estarão no Hospital das Forças Armadas (HFAR).
A ser assim, surge obrigatoriamente a seguinte questão :
O HFAR NÃO TINHA (NÃO TEM)  CAPACIDADE INSTALADA para responder, por inteiro, à situação ocorrida?
De acordo com o divulgado pela  comunicação social, infelizmente a resposta parece confirmar a pergunta. A ser assim, então, depara-se uma nova interrogação :
Se esta é  a resposta do HFAR, em tempo de paz, como seria a mesma em tempo de crise ou de guerra? Adivinhando -se a resposta, perfila-se, finalmente, a questão :Para que serve o HFAR?
A desconstrução do Serviço de Saúde Militar e dos seus Hospitais de referência, levada diligentemente a cabo pela tutela política do governo anterior, julga-se que poderá dar  a competente resposta, com um elevado grau de confiança.
Os inquéritos ordenados pelo MDN para esclarecimento do sucedido são indiscutivelmente necessários, mas.... outros deveriam ser, efetivamente, obrigatórios para  avaliação das  responsabilidades políticas, a montante, que levaram ao estado a que as FA chegaram, e ao ponto a que os seus Militares se  encontram sujeitos,  tudo no superior interesse do esclarecimento dos Portugueses e da Nação.
JFMonteiro
Tenente General "