No CM online consta hoje o seguinte artigo: “Morre a jogar futsal em frente aos amigos -- Nuno Branco,
40 anos, caiu inanimado quando praticava desporto com grupo de colegas.”
Quantos e quantos não faleceram já
praticando desporto? Que esforço, por exemplo, se exige a um maratonista de
alta competição?
Que outro órgão de comunicação
noticiou este falecimento a jogar futsal?
Alguém vai por isso pedir que se
acabe com o desporto? Porquê alguém o pede para o Regimento de Comandos, tão
importante componente das forças de dissuasão de ameaças contra a soberania de
Portugal?
Se cair um avião da Força Aérea e
morrerem os seus tripulantes vai-se pedir a extinção da FA? E se houver
acidente com navio de guerra e morrerem muitos marinheiros pedem que se acabe
com a Marinha?
Já não há serviço militar
obrigatório pelo que, agora, todos os militares o são por escolherem como opção
de vida a total dedicação à defesa do seu País, dos seus concidadãos e
respectivos bens, sacrificando vida própria e familiar.
E a esmagadora maioria dos
militares sente até orgulho na sua nobre missão de proteger os outros.
Mas há alguns que não se adaptam, que se
arrependem da profissão que escolheram. Mas que ficam dela prisioneiros.
Porque, ao contrário de todos os
outros concidadãos, se forem dos quadros permanentes, terão de indemnizar o
Estado de tudo o que com eles despendeu se o requererem antes de 8 anos sendo
oficiais ou sargentos, 14 se forem pilotos e 4 se forem praças (artigo 171º do
Estatuto aprovado pelo DL 90/2015). E muitos raros terão posses para tal.
Segundo a Portaria 188/2016 (já
deste Governo) a indemnização inclui – imaginem! -além de tudo o que o Estado
para tal despendeu com cursos, até os vencimentos do militar durante o seu
tempo de instrução (incluindo os subsídios de férias e Natal!).
E mais. Ilegalmente, o artº 6º
desta Portaria dá ainda aos chefes dos ramos o poder discricionário de lhe
estabelecer tempo adicional de serviço!!!!
É autêntica escravatura em
Portugal, no Século XXI!
Mas políticos e jornalistas disto
não falam. Não é com eles, nem o julgam mediático...
Pois se foram até políticos quem
criou tal legislação, recentemente e sem sequer atenderem críticas das
associações profissionais de militares! No silêncio “sepulcral” da comunicação
social!
Estou certo que o nosso Exército,
após o inquérito que levantou ao triste falecimento de 2 instruendos, irá
providenciar no sentido de minimizar a probabilidade de recorrências. A meu
ver, no binómio saúde e instrução. Acabar com Comandos é que não!
É lamentável surgirem responsáveis políticos que, aproveitando-se do momento trágico de infelicidade de que resultou a morte de dois militares, venham defender, com toda a ligeireza, o objectivo político de extinguir a prestigiada instituição onde esses militares serviam (neste caso o Batalhão de Comandos).
ResponderEliminarApurar responsabilidades e pugnar por práticas que evitem tais tragédias no futuro, constituem desideratos sérios. Aproveitar o momento emocional que resulta da sua infeliz ocorrência para tentar impor objectivos políticos facciosos, cheira-me a política rasteira.
Não posso deixar de manifestar um profundo lamento e um sentimento de perda pelo ocorrido durante o Curso de Comandos, desejar que os militares ainda em risco ultrapassem a crise, tanto quanto possível sem consequências, e deixar expresso um voto de sentidas condolências aos familiares e amigos dos militares que faleceram.
ResponderEliminarParece-me que opinar sobre a extinção dos Comandos, nesta altura ou noutra qualquer é inteiramente legítimo. Rever permanentemente decisões já tomadas, seguir num destino diferente, duvidar das soluções actuais, enfrentar problemas novos são actividades obrigatórias pelo menos no que à Defesa Nacional diz respeito. Terão os Comandos falhado em todas as missões que lhes foram atribuídas? Ou em grande parte delas? Não foram nunca empregues ou não se prevê que venham mais a ser necessários? São uma força indisciplinada? Em quem não se possa confiar? Cobriram de ridículo o país quando intervieram? Não há recrutas? Ou não? Pelo contrário, cumpriram as missões de que o país os encarregou, até com brilho, o grau de prontidão é irrepreensível, são úteis, disciplinados, merecedores de confiança? As missões para que hoje são treinados continuam a prever-se como necessárias no futuro? Carecem de revisão? Poderão ser executadas por outros grupos, tornando os Comandos ou os outros grupos redundantes?
Prover o país de uma força militar especial como os Comandos exige uma formação adequada. Tal como qualquer maratonista não se treina a correr 200 metros, também um comando não se treina em sala de aula. E no caso dos militares acresce todo um objectivo que, sabemos bem, ultrapassa larga e qualitativamente o individual para se dirigir ao colectivo, e mesmo nacional. Formação e treino, neste ambiente, são sempre conduzidos com risco, como de resto, e principalmente, todo o período operacional.
O risco é asssim um factor que é necessário combater persistente e decididamente, revendo, melhorando, adaptando, aprendendo com os insucessos, apontando defeitos e responsabilidades, com o objectivo de o diminuir. E como o risco é o resultado do produto entre uma probabilidade de ocorrência e os estragos que resultam do acidente, é preciso considerar estes dois factores.
Investigar o ocorrido, assinalando defeitos e responsabilidades, e depois corrigir processos, aperfeiçoar métodos, melhorar avaliações, preencher omissões, sancionar falhas está aquém da política. Dirige-se a melhorar as condições em que os militares trabalham, a aumentar a sua utilidade para o país que servem e a dimimuir as baixas.
Advogar a extinção dos Comandos é, creio, uma posição claramente política e a sua legitimidade não está em causa. Mas associar o futuro dos Comandos ao ocorrido neste seu Curso tem a sua parcela oportunista: pretende obter mais-valias (políticas, claro) explorando o ocorrido e usando mortes como alavancas nesse processo. Quanto mais, maiores serão as mais-valias obtidas.