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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

TANCOS, e para desanimar mais

Passados estes meses, quase cinco, passado este tempo sobre, o que disseram, aquilo em que se contradisseram, certas inqualificáveis declarações, certas palavras serem sagradas, murros no estômago, ódiozinhos entre departamentos do Estado, audições várias na AR, relatórios que seriam produzidos, apuramento de responsabilidades, material de guerra devolvido para uma mata incluindo umas "caixinhas inofensivas" de que desconheciam a existência ou seja não estavam inventariadas e isto depois de denúncia anónima ao que parece para GNR de Loulé, insistências por parte da AR, o PM a lembrar “à justiça o que é da justiça"  e outras “boutades” do género e o PR a exigir o apuramento de tudo mas tudo mesmo com muitas dores, o que é que eu tenho presente?

Concluo que:
> O “furto” (??) terá ocorrido a 28 de Junho passado, e só passadas mais de 24 horas começaram a reagir certos departamentos do Estado, departamentos pomposamente estabelecidos em lei, mas que, na maioria dos casos mais não são que sacos de vento, inócuos, uns faz-de-conta;
> Depois de 28 de Junho, muitos foram para os jornais, muitos foram à AR, muitas visitas a Tancos, várias encenações em frente das câmaras de TV; algumas, bem infelizes;
> Finalmente, o Exército entregou à comissão parlamentar de defesa (CPD) alguma documentação, classificada e, parece, nunca virá a público; nem se dão ao trabalho de identificar os títulos de cada documento, o que é esclarecedor sobre a transparência e verticalidade desta gentinha toda; 
> o comandante do Exército foi de novo ouvido na AR; o inenarrável presidente da CPD parece estar muito satisfeito com o que ouviu, ao ponto de dizer que foi muito esclarecedora a audição, e que houve muita transparência (só dá vontade de rir), e que a documentação recebida respeita ás averiguações internas no Exército; 
> ainda assim, este “presidente” deixou cair que não deve haver hesitações quanto à investigação, ao debate e procura de soluções para que não volte a acontecer (POIS!!!),  e recusou-se a antecipar se a Comissão da Defesa poderá vir a revelar as conclusões da investigação em curso. Garantiu ainda que a comissão vai continuar a querer ver tudo esclarecido, como insistentemente tem pedido o Presidente da República (só dá vontade de rir);
> continua a nada se saber sobre o que falhou; a óbvia conclusão de qualquer pacóvio é - vão continuar a esconder os erros e poucas vergonhas
> para lá de outras vertentes, também designadamente quanto a transparência, este processo todo incluindo os seus protagonistas, é  mais um eloquente exemplo daquilo em que Portugal se transformou.

Para terminar, vou ficar à espera das reações do PR/ Comandante Supremo das FA. O tal que tem memória de elefante, que exige o apuramento de tudo até ás últimas consequências, doa a quem doer.
Pessoalmente estou convicto de que vai continuar a fazer sorriso amarelo, a dizer laconicamente que aguarda os resultados das investigações do MP, PJ, PJM, e que o PM, o MDN e o CEME já o informaram sobre o apuramento das averiguações internas no Exército e não há mais nada a dizer sobre isto.

Repito o que já perguntei antes:


Serei só eu que sinto cada vez mais vergonha?

Repito, sou só eu?
Pelos silêncios habituais presumo que não sou só eu.
Corro o risco de estar enganado?

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

CADA VEZ SINTO MAIS VERGONHA
Cada vez me sinto mais envergonhado. 
No que têm transformado o meu País.
Leio os jornais de hoje, notícias sobre certas inacreditáveis declarações.
Leio comentários a essas notícias. Leio opiniões violentas.
Leio o silêncio sepulcral, desde o primeiro da hierarquia segundo a Constituição desta República, até abaixo.
Serei só eu que sinto vergonha, cada vez mais vergonha?
Sou só eu?  
Repito, sou só eu?
António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

terça-feira, 22 de março de 2016

21 de Março de 2016, Mafra, Apresentar armas.

As FA apresentaram-se ao novo Comandante Supremo das Forças Armadas (CSFA).
Houve discursos, do CEMGFA, e do CSFA.
Estilos, recados, passado, presente, futuro.
Como habitualmente, uns gostam, outros não, uns vilipendiam, outros lambem as botas, e alguns jornalistas fazem o seu trabalho. Muito discutível em alguns casos. Sobretudo no rigor e isenção.
Li os discursos, e li algumas das notícias saídas sobre o evento em alguns jornais diários.
Respeito, como sempre as opiniões alheias.
O que acho notável é, por exemplo, titular como falsa uma informação sobre a Marinha executar acções de fiscalização de pesca.
Notável por uma simples razão: a Marinha faz essa fiscalização. Ou já não faz?.
Outra questão pode ser se essa missão carece ou não de determinado suporte legal. Uma longa discussão, em que aqui não entro.
Mas numa coisa creio não estar errado: uma acção é ou não executada. Outra coisa é a moldura legislativa dessa acção, porventura discutível. Só me estou a referir ao rigor das palavras.
Dizer publicamente que é falso que a Marinha faça fiscalização da pesca, é que é notável.
Jornalismo à portuguesa, mas creio perceber porque escrevem o que escrevem.
Com isto não estou a negar outras vertentes da questão, certamente importantes.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)