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sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

AINDA a SUBSTITUIÇÃO do CEMA

Aqui na aldeia não tenho digitalizador. Fica assim apenas uma parte do artigo da autoria do juiz conselheiro do STJ, jubilado, José Augusto Sacadura Garcia Marques, datado de 29 de Dezembro de 2021 e publicado no periódico "A Guarda".
Neste artigo de que mostro a fotografia de uma parte, o referido juiz aborda o "processo" de que todos se recordarão, e onde emprega expressões (os sublinhados a cores são meus) como - "mais um exemplo da forma lamentável como as instituições nacionais tratam muitas vezes alguns assuntos de estado" - "confusas e complexas jogadas de bastidores" - "foi tudo mau demais" - "tudo redundar numa farsa miserável aflitiva de engana tolos" -" só que não somos tão tolos assim....e vamos ficando fartos de habilidosos e malabaristas destes".

O autor tece outros comentários e a dada altura aspira a que - "venha quem fale direito e com verdade, claro e sem subterfúgios e que não caminhe por atalhos enviesados".

Este legítimo desejo, meu também há muito, não é atingível com estes inquilinos nos palácios de Belém e S.Bento nem com os dois com gabinetes no edifício rosa ao Restelo. Não é aliás atingível com nenhum dos vários intervenientes (às claras e na sombra) neste pestilento processo.

Antonio Cabral

Contra-Almirante, reformado, 

(marrevoltado.blogspot.pt)

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Mais um frete a alguém lá de dentro? 
Ou picardia para as FA? Ou tudo junto?
Tomou posse na passada 2ª feira. Passando os olhos por vários OCS, uns escrevem que é um diplomata no MDN e nas FA, quando é apenas diplomata político e não de carreira. 
Outros escrevem que é doutor, certamente verdade.
Escreve-se até, com aparente entusiasmo, que agora as FA, “finalmente", têm três doutores na cúpula tutelar, Marcelo, Cravinho, Silva Ribeiro.
Olhando os últimos 40 anos dá-me até a sensação, face aos resultados “brilhantes” no terreno, que as FA têm tido uma sorte danada, têm tido na tutela sempre doutores à fartazana, ainda que muitos tenham sido verdadeiros doutores da mula russa.
Escreve-se em tom de lembrança que as FA há muito que querem formar doutores em Pedrouços. Como sou mauzinho e habituado a estes escritos desta gente, pareceu-me ver escrito a tinta invisível - QUERIAM….eh….eh.
Não vi escrito em lado nenhum, mas porque me fica a sensação, olhando os sorrisos e semblantes de Marcelo, Costa, Ferro, Cravinho, de que acreditam e vão querer convencer o povão e os militares, que agora é que vai ser?
Em onze meses, vai ser tudo resolvido no que respeita ás FA, tal como no resto do País. Tancos e a podridão subjacente à cabeça.
O OE que Azeredo deve ter aprontado vai ser gordíssimo.
Daqui a nove meses, o hospital das FA vai ficar com todas as valências, e com tudo o que no presente não tem e que assim o pode classificar como em estado comatoso.
As questões do recrutamento, vencimentos, LPM, audição das associações militares naquilo que a lei consagra, etc, ficará tudo catita antes de Setembro de 2019.
Ah, e agora com Cravinho, até podem começar a surgir pontes entre os mundos político e castrense. (!!??!!)
Ah, e agora a Defesa vai ser mais solidária.(!!??!!)
Bom, um cidadão comum como eu, pode atrever-se a sugerir que talvez fosse bom, os doutores e os jornalistas, começarem por ler melhor certas partes da CRPortuguesa, a lei de defesa nacional e toda a restante legislação EM VIGOR, que enforma a instituição militar, e os militares, e que explicita por exemplo o que é a condição militar?
Ah, e já agora, em vez de tantos enaltecimentos que soam muito a folclore e discursos nas festividades e nas “vernissages”, que tal salientarem bem alto e PUBLICAMENTE, que os militares das Forças Armadas não são funcionários públicos mas sim servidores do Estado, e que até podem ter que dar a vida pelo País?
Detalhes, não é? Que chato este almirante, incomodativo.
António Cabral
cAlmirante, reformado
(chapeus ha muitos)

sábado, 30 de setembro de 2017

A PROPÓSITO de DEFESA NACIONAL (DN)
A maioria dos militares terá presente que DN tem componentes diversas sendo uma delas a militar. Muitas outras existem.
A nível civil, a esmagadora maioria dos cidadãos portugueses sempre que ouve falar em DN entende "militar".
Em Portugal, em todas as áreas da sociedade, apregoa-se sempre muito mas depois, na realidade, esquecem-se muito do que vão proferindo laudatoriamente ao longo do tempo.
Com as injeções  de futebol, telenovelas, e outras coisas de embrutecimento crescente (na minha opinião, naturalmente) facilmente se chegou ao nível ZERO. Em que estamos, em muitas coisas.


Em 1961, como consequência da orientação da política militar de então (não estou a dizer bem nem mal), definiam-se quatro missões genéricas para as Forças Armadas (FA).

> defesa de todas as províncias europeias, africanas e asiáticas,
> defesa conjunta da Península Ibérica com as FA espanholas,
> auxílio militar e facilidades a conceder à Grã-Bretanha e Estados Unidos,
> auxílio e facilidades a conceder aos países da OTAN.


Nessa época, é sabido, havia formalmente um ministério da defesa nacional mas é também sabido que o poder real não estava nesse ministério.

Veio o 25 de Abril e, é sabido, continuou por bastante tempo um ridículo ministério da defesa nacional.
Veio depois a lei de DN e das FA em 1982. Gradualmente  o ministério da DN foi-se alterando. Sem esquecer os inefáveis PM de Mário Soares a António Costa, nem os PR de Mário Soares a Marcelo Rebelo de Sousa, olhar aos vários ministros da DN a seguir ao 25 de Abril dá uma boa ideia de como ao longo do tempo a instituição militar foi sendo tratada. Sim, porque quanto a DN, as coisas foram sendo sempre muito ridículas. Por isso, muitas vezes designo o ministro por ministro das FA.
Uma das coisas curiosas, para mim naturalmente, foi observar por exemplo, o edifício do Restelo durante anos apenas com EMGFA lá escarrapachado na frontaria (fotografia de 1989)

Ridículo que possa ser entendida esta questão, o que deve estar ou não na frontaria do edifício, diz muito sobre o relacionamento entre militares e políticos depois do 25 de Abril.
No presente, por cima de EMGFA está em letras relativamente pequenas Ministério da Defesa Nacional. Foi "batalha" curiosa.
Como falei acima em esquecimentos, e este o meu ponto, temos exemplos eloquentes, vários.  Deixo dois.

-"As Forças Armadas, na sua hierarquia, profissionalismo, disciplina e lealdade democrática têm contribuído decisivamente para consolidar, por forma que representa um grande exemplo, o regime saído da vontade popular (...)
Dotá-las das condições necessárias ao cumprimento das suas missões, à sua modernização e reestruturação é uma exigência nacional" (Mário Soares, no discurso de tomada de posse na AR, 9 de Março de 1986).
- " Porque os interesses dos Estados, nas suas relações uns com os outros, nem sempre se harmonizam facilmente e com frequência divergem até ao ponto de colisão violenta, as forças armadas são, nessas circunstâncias um último recurso a utilizar pelos detentores do poder político, se outras acções não tiverem produzido os efeitos desejados". Nas presentes circunstâncias tem de reconhecer-se que, de facto, o sistema geral das nossas Forças Armadas não projecta a credibilidade bastante para constituir (...) o factor de dissuasão suficiente, necessário e ajustado à situação do País". (livro branco da defesa nacional, MDN, 1986).

Muitos, militares incluídos, continuam a acreditar que se chega a uma determinada situação quase como por acaso. Enganam-se. São anos, muitas vezes décadas, de laboriosa e premeditada acção demolidora sempre maquilhada de elevadíssima retórica.
Seja na agricultura, no ordenamento territorial, na economia, na saúde, na educação, na defesa nacional. Como refere tanta vez Adriano Moreira, e que eu sintetizo desta forma - que rumo?

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)