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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

CRIMINOSO ??  MAS, .... ESQUECIDO ?
O Presidente da República veio com ar zangado dizer publicamente que não é criminoso, isto a propósito de Tancos e de alguém ter posto a circular que existe um papagaio-falante, e que poderia ser ele. 
E veio dizer de forma tão enfática que quer que isso fique muito claro, que não é criminoso.
Pessoalmente, não posso dizer, a propósito de Tancos ou outra coisa qualquer, se Marcelo Rebelo de Sousa é ou não é criminoso.

Mas o concidadão Marcelo Rebelo de Sousa não me pode é obrigar a esquecer-me de tudo aquilo que se conhece do seu percurso de vida, da sua maneira de ser, de quão ardiloso e maquiavélico acho que é. 
O famoso prato de culinária que referiu anos atrás é porventura o menor dos imbróglios. Mas muito elucidativo da criatura.
Que há muito mais para se perceber que é um bocado como o outro, que ia em cima da rã, que acabou por se lembrar do seu modo de vida e maneira de ser, e picou!
Marcelo também não muda. Pode é disfarçar. 
E depois, ainda por cima, chegam sempre pessoas, como Sá Fernandes, - Ah, o meu cliente não se referia ao Presidente.
Então oh Sá Fernandes, é segredo profissional só para um lado? Então a quem se referia?
Cá estamos sempre naquele discurso do respeitinho, não incomodar as altas excelências.

Nesta telenovela Tancos Marcelo não será criminoso, mas tenho a certeza de que periodicamente é uma criatura muito esquecida.
Esquecimentos muito convenientes, escudando-se em silêncios, ou na separação de poderes mas só quando lhe dá jeito.

Olhemos ao caso do seu irmão gémeo, o chamado Comandante Supremo das Forças Armadas.
Este irmão gémeo, que curiosamente tem também o nome Marcelo Rebelo de Sousa (os registos hoje em dia permitem estas coisas) passa a vida a perorar com aquele ar enternecido e comovido, que os militares Portugueses são os melhores dos melhores.
OS MELHORES dos MELHORES.
Deve até já estar agastado com Cravinho, que se lhes refere como Ronaldos como lá fora terá sabido são por vezes crismados.  

Mas, depois, quando vamos espiolhar coisas concretas, reparamos que Marcelo assobia para o lado. É o que legitimamente posso concluir.
Vejamos o caso das promoções dos militares.
As promoções têm regras ou melhor, antes da actuação passiva e activa de uma cambada de malfeitores do PSD CDS e do PS e com a conivência de todos os deputados dos outros partidos durante várias décadas atrás, as promoções tinham regras, e uma das básicas era a de que quando se dava uma vaga num dado quadro de pessoal, desencadeava-se o respectivo processo administrativo, com passos diversos, e o militar viria a ser promovido, contando a sua antiguidade desde a data em que se verificara a dita vaga.
Mesmo antes da tristemente célebre Troika em que a responsabilidade da sua vinda para cá é do famigerado José Sócrates Pinto de Sousa, as coisas começaram a ficar um pouco tortas. 
Mas desde a Troika, e agora os geringonças do PS fazem igual ou pior, as coisas chegaram a um ponto inacreditável. O que se arrasta há anos.

Qualquer pessoa que se debruce sobre esta problemática com seriedade não pode deixar de se interrogar: sobre isto, em concreto, quantas vezes Marcelo e Marcelo já se insurgiram, A SÉRIO, com o PM António Costa?
QUANTAS? 
Já? e se Já, como exigiram Marcelo e Marcelo a resolução destes problemas?
Ah, dizem alguns, ele é um querido, discursa a dizer que o próximo governo vai ter muito que trabalhar no que se refere às Forças Armadas, vai logo a correr aos hospitais ver militares feridos, etc.

Pois, pela minha parte podem guardar essas atitudes todas naquele sítio que bem sabem a que me estou a referir.
Balelas, porque resolver as coisas concretas da vida das pessoas em tempo útil, acabar com esta pouca vergonha por parte do governo, isso é que Marcelo e Marcelo não fazem.
E agora António Costa e seus muchachos andam a falar eleitoralmente que vai haver promoções militares.
Nem chega a ser uma descarada ausência de vergonha na cara, é UM NOJO.
Balelas e lindos discursos. 
Lindos discursos, sempre muito aplaudidos por chefias com as luvas calçadas.
Pela minha parte, como cidadão, votei em Marcelo e já o expliquei no passado porque legitimamente o fiz.
No presente, cada vez mais me encanta menos.
É esquecido?
É demagógico?
É pelo menos tudo isto. 
Tenho muitas críticas quanto à sua actuação como Presidente da República, mas continuo a considerar que o seu desempenho é globalmente positivo.
Como Comandante Supremo das Forças Armadas........devia ver-se ao espelho .............e ter vergonha, muita vergonha.

António Cabral (AC)
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

sexta-feira, 29 de junho de 2018

28 JUNHO 2017 - TANCOS
Interessante, muito interessante!
Nota da Presidência da República
No dia 4 de julho de 2017, foi divulgada uma Nota Informativa da Procuradoria-Geral da República, que expressamente referia:
«Face a notícias relativas ao desaparecimento de material de guerra ocorrido em Tancos foram, desde logo, nos termos legais, iniciadas investigações.
Na sequência de análise aprofundada dos elementos recolhidos, o Ministério Público apurou que tais factos, se integram numa realidade mais vasta.
Estão em causa, entre outras, suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional.
Atenta a natureza e gravidade destes crimes e os diferente bens jurídicos protegidos pelas respetivas normas incriminadoras, o Ministério Público decidiu que a investigação relativa aos factos cometidos em Tancos deveria prosseguir no âmbito de um inquérito com objeto mais vasto a ser investigado no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP)».
Volvido um ano sobre a data da ocorrência (28 de junho de 2017), que motivou a aludida nota, o Presidente da República reafirma, uma vez mais, a sua posição de querer ver apurados integralmente os factos e os seus eventuais efeitos jurídicos e criminais, para os quais é essencial o papel do Ministério Público.
Palácio de Belém, 28 de junho de 2018.
Oremos, aguardemos, suspiremos, tenhamos muita fé, lembremo-nos que somos os melhores dos melhores, que está a ser feito tudo mas tudo e ainda só passou um ano, o tempo da justiça é outro, os estatutos valem o que valem, e tenhamos muita mas mesmo muitaaaaaaa pachorra.
António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A propósito de TANCOS, a propósito de responsabilidade nas Forças Armadas
Expresso, 29 Setembro 2017, pág 34, 1º caderno
Nuno Mira Vaz, coronel, creio que reformado, escreve um artigo de opinião acerca do tema em apreço. Saliento alguns aspectos:
1 a suspensão provisória de cinco coronéis determinada pelo CEME, oficiais que pouco depois deixaram de estar suspensos;
2 várias investigações em curso e continua a nada se saber;
3 no topo da escala da responsabilidade ficará sempre a mais alta entidade civil ou militar que considerou o sistema de rondas aleatórias adequado à guarda de material de guerra;
4 militares executam rondas e patrulhas com carregadores de munições selados;
5 a putativa cadeia de responsabilidades começa no comandante da unidade a quem cabia a segurança dos paióis e só termina no mais alto escalão;
6 a partir do momento em que um subordinado informa um superior de que não tem condições para cumprir eficazmente a ordem, este, se a não revogar, fica automaticamente responsável por ela;
7 o responsável pelo roubo das armas terá de ser encontrado entre aqueles que, ao mais alto nível, conheciam a situação e deixaram que ela se arrastasse.

Pode concordar-se ou discordar-se das opiniões e comentários deste senhor coronel.
Creio que os aspectos que eu enumero como 3, 5, 6 e 7 são indiscutíveis.
A cada um as conclusões.
E designadamente no tocante a, manutenção do CEME  e MDN em funções, tentativa diria cada vez mais evidente de tentar que não venha para a praça pública a realidade que grassa dentro de certas instituições, e o berbicacho gravíssimo que advirá se, por qualquer circunstância, de repente, os "caldos" se entornarem em público.
Não há afectos que estanquem "um paredão de barragem cheio de rachas", que todos sabem existir e que alastram. Rachas que começaram no final do 1º governo de Cavaco Silva com maioria absoluta.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)