OE 2016 e Defesa Nacional (DN) e Forças Armadas (FA)
Reformado não é sinónimo de parado, paralisado, inútil, incapaz.
Sempre olhei para o que me rodeia, na sociedade que integro, e na envolvente externa. E sempre sobre isso ponderei.
Procurei ao longo dos anos tratar o melhor que sabia e podia das responsabilidades que me estavam atribuídas. Isso nunca me compeliu a que me fechasse na redoma à volta da secretária ou do navio, como algumas vezes se ouvia como indicação para a vida a levar.
Vem isto a propósito dos anos passados habituado a olhar para a curva descendente, ano após ano, dos orçamentos destinados à DN e FA. E a ler as balelas dos sucessivos PR, PM, MDN, os actuais incluídos. Sempre belas palavras e ideias.
Com naturalidade, alguns mantêm esperança em novos titulares de orgãos de soberania, em novos tempos.
As vicissitudes por que está a passar a elaboração da proposta de OE2016 por parte do actual governo são bem indicativas das tormentas que nos esperam. Para mim, sem surpresa alguma.
Podem chamar-me céptico, pessimista. Antes fosse, e que a realidade fosse melhor.
O MDN do hífen era vaidoso, sob diferentes pontos de vista, mas arrotava constantes postas de pescada sobretudo com a sua famosa reforma 2020 (????). Particularmente, com a ""regra"" estabelecendo que, doravante (só contaram prá você, NÉ?), o orçamento para a DN se situará um ponto acima ou abaixo de 1,1% do PIB!!!!
Ora, mesmo dando de barato o tipo de criatura que se ufanava desta glória (não acho mal em si mesma), esta como qualquer outra medida nas áreas de soberania correm sempre o risco de acabar no governo seguinte.
Por várias ordens de razão:
> as áreas de soberania nunca foram objecto de um acordo parlamentar entre todos os partidos, no sentido de ficarem fora da luta política;
> nas áreas de soberania, se conseguido e firmado o acima indicado, era preciso que muitos aspectos incluindo orçamentais, ficassem definidos quanto a objectivos globais a atingir i.e. 25/30 anos;
> nunca nada disto aconteceu, a que se soma a realidade da destruição dos tecidos económico e financeiro do País que, sendo uma triste realidade e muito antiga, os do costume de todas as cores persistem em dizer o contrário.
Assim, quanto ao orçamento para a DN e FA, contradizendo respeitosamente quem pensa o oposto, prevejo que venha a ser, quando muito, num montante igual ao de 2015. Oxalá não seja pior, isto é, menor.
Estou por exemplo a pensar, nos rios de dinheiro que vão ser necessários para o SNS, para as polícias, para a justiça (??), para continuar a socorrer os bandidos do costume.
O que significará, obviamente, um aperto enorme, brutal, asfixiante.
Basta pensar em, vencimentos, nos vários outros aspectos respeitantes aos recursos humanos, nas avarias graves em navios e aviões que sempre podem ocorrer e que é a área de maior impacto financeiro, e por aí fora. Quais modernizações, quais construções em Viana do Castelo, etc.
Amanhã, no parlamento, parece que vai haver uma grossa discussão do governo com o PS, PCP, BE, PEV, sobre o famoso esboço do OE2016, que em bolandas anda.
Muito honestamente, gostava de estar completamente enganado. Que nada de desastroso viesse a ocorrer. Fica aqui a minha suspeita quanto ao orçamento. Aguardemos.
António Cabral
cAlmirante, reformado,
(Chapéus há muitos)