2016-02-23
às 20:14
LOCALIZADO DESTROÇO DO PRIMEIRO NAVIO PORTUGUÊS
AFUNDADO NA GRANDE GUERRA
O destroço
do caça-minas «Roberto Ivens», afundado durante a Primeira Guerra Mundial na
barra do rio Tejo, foi localizado. A descoberta inscreve-se na preparação do
programa de atividades destinado a assinalar o centenário da entrada de
Portugal na Grande Guerra.
No próximo
dia 9 de março cumprem-se 100 anos desde que a Alemanha declarou guerra a
Portugal.
Ainda que o
envolvimento direto de Portugal tenha sido iniciado em 1914 através do envio de
tropas para Angola e Moçambique, num contexto de profundo impacto económico e
social, a entrada de Portugal na Grande Guerra data de março de 1916 aquando da
declaração de guerra alemã ao nosso País na sequência do aprisionamento de
navios alemães e austríacos surtos nos portos nacionais determinado pelo
Governo português.
O caça-minas
«Roberto Ivens» foi o primeiro navio da Armada Portuguesa a perder-se durante a
Grande Guerra. No dia 26 de julho de 1917, quando procedia à faina de rocega de
minas na barra do rio Tejo, colidiu com uma mina aí colocada por um submarino
alemão.
Com a força
da explosão, o navio ficou imediatamente partido em dois e afundou-se em poucos
minutos. Arrastou consigo 15 elementos da tripulação, entre eles o seu
comandante, o Primeiro-Tenente Raul Cascais.
O destroço
do caça-minas «Roberto Ivens» foi agora localizado, situando-se numa posição
distinta daquela onde a documentação oficial o apontava como perdido.
A
localização permite aprofundar o conhecimento sobre a presença e o papel da
Marinha durante o período conturbado da Grande Guerra e, simultaneamente, lança
um novo olhar sobre a real dimensão da ameaça submarina alemã em águas
territoriais portuguesas.
A
confirmação da descoberta do destroço ocorreu como resultado de uma atividade
promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e o
Ministério da Defesa Nacional no quadro da preparação do programa destinado a
assinalar o centenário da entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial.
A iniciativa
surge na sequência da investigação realizada pelo Instituto de História
Contemporânea em 2014, protagonizada por Paulo Costa, com o concurso da
Comissão Cultural da Marinha e o apoio do Instituto Hidrográfico da Marinha
Portuguesa.
Foram assim
empenhados meios de prospeção geofísica que em articulação com pesquisas
efetuadas em vários arquivos nacionais e estrangeiros permitiram estabelecer a
correlação entre o navio e um destroço existente.
A
identificação do destroço do caça-minas «Roberto Ivens» dá-se no preciso
momento em que se assinala o centenário da entrada de Portugal na Grande Guerra
e a sua divulgação assinalará a efeméride.
Desde 1976 que venho pedindo aquisição de
caça-minas e alertando para que não se ignore a guerra de minas.
Ensinei-a desde
1965.
Este episódio foi na
1ª Guerra Mundial. Mas a Guerra de Minas no mar teve enorme desenvolvimento na
2ª Guerra.
Façamos votos para
que ela nunca nos bata à porta, mas há que estar preparado.
Não percebo porque
razão os patrulhas de origem dinamarquesa não vão ser polivalentes: patrulhas
mas preparados para que eventualmente possam ser caça-minas, hidrográficos ou oceanográficos.