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segunda-feira, 28 de março de 2016

OE2016

Aqui têm a versão integral do OE2016 que foi enviado para o PR para promulgação e que deverá entrar em vigor no dia seguinte ao da publicação em DR:


  O alívio da chamada “austeridade” é muito ligeiro, por pressão de Bruxelas, com promessas do Governo de alguma melhoria em 2017 (a ver vamos!).

As “novidades” que julgo mais interessarão ao comum dos cidadãos:
-Serão progressivamente eliminadas, mas só a partir de 2017, as seguintes medidas do OE2015: Proibição de valorizações remuneratórias, de prémios de desempenho, de Graduação de militares em regimes de contrato e de voluntariado, de Prémios de gestão, de posicionamento remuneratório, de Subsídio de refeição de Pagamento do trabalho extraordinário ou suplementar (Art.º 18º, pág. 19). 

-O subsídio de Natal para servidores do Estado (excepto empresas) e pensionistas continua a ser obrigatoriamente pago em duodécimos, que estarão indexados ao valor do ordenado que se recebe nesse mês e ainda pagam ADSE (Art.º 20º, págs 20 a 22).

-Em 2016 mantém-se em 419,22 o valor do indexante de apoios sociais (IAS), com promessa de ser reposta actualização em 2017 (Art.º 73º pág. 67).

-O abono de família dos 2º e 3º escalões é aumentado 0,5% (o que dá entre € 0,60 e € 0,14, conforme os casos!) (Art.º 77º, pág. 70).

-Há medida extraordinária de apoio aos desempregados de longa duração, para os que satisfaçam a determinadas condições (Art.º 80º, págs 70 e 71).

- São suportados pelo orçamento do SNS os encargos com as prestações de saúde de beneficiários da ADSE, ADM e SAD, quando realizadas por estabelecimentos e serviços do SNS (Art.º 106º, págs 93 e 94).

-Idem, comparticipação do Estado nos remédios aviados em qualquer farmácia (Art.º 109º, pág. 95).

-Em data de 2016 a determinar, vai ser reduzido o valor das taxas moderadoras até ao limite de 25% do seu valor total (Art.º 112º, pág. 98).

- Os limites dos escalões do IRS, excepto o máximo, são aumentados 0,5% (Artº 129º, pág. 107).

-Substituídos os coeficientes familiares de dependentes pela dedução de um montante fixo de € 600, que já existia mas era de € 325 (alteração ao Art.º 78º-A do Código do IRS, pág 111), portanto de € 275.

-Os limites das deduções com despesas só foram ajustados de acordo com os limites dos escalões de IRS, mantendo-se as de saúde englobadas com as outras para efeito do limite máximo (alter. ao Art.º 78º do CIRS, págs 110 e 111).
-Aumenta de 1,5 IAS para 2,5 IAS a dedução por ascendentes com deficiência (alter. ao Art.º 87º do CIRS, pág 115).
-O Governo fica autorizado a fazer algumas outras futuras alterações ao CIRS (Art.º 131º, págs. 118 a 120).

-Elimina a isenção de IVA para tauromáticos, constante da alínea b) do nº 15) do Art.º 9º do código do IVA (Art.º 142º, pág 147).
-Introduz algumas alterações à lista dos isentos pelo código do IVA, deixando de incluir gressinos, pães de leite, regueifas, tostas, aves canoras e ornamentais, criação de animais para obter peles; e passando a incluir algumas bebidas sem teor alcoólico, alguns produtos de algas e de origem aquícola, copos menstruais (Arts 143º e 144º, págs 149 e 150).
-Passaram a taxa intermédia de IVA, a partir de 1-7, restauração (incluindo entrega ao domicílio), com exclusão de algumas bebidas (Arts 145º e 146º, págs 150 e 151).
-Há diversas alterações ao Código do Imposto de Selo, agravando em 50%, até 31-12-2018, taxas de crédito a consumidor (Arts.º 152º a 156º, págs 155 a 161).
-Agrava impostos especiais de consumo, como em bebidas espirituosas, tabaco, combustíveis (Artº 157º e 158.º, págs 161 a 171).
-Diversas alterações ao Código do IMI, passando a taxa máxima para prédios urbanos  de 0,5% a 0,45%, havendo regime de salvaguarda nas avaliações (Artº 161º a 166º, págs 177 a 188).
-IUC é aumentado (Artº 168º, pág. 195 a 208).
-A contribuição para o audiovisual aumenta de 2,65 para € 3,85 (Art.º 187º, pág. 275).
-As LPM e LIM não estão sujeitas a cativação (Artº 3º, pág. 4).                 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

OE 20116. Explicação no Parlamento acerca do orçamento para o MDN

Dei-me à paciência de ouvir o que se passou entre o actual titular da pasta e os deputados.Várias coisas, como de costume, nada me espantaram vindo de quem vieram.  
Registei, também, certas curiosidades. Pela primeira vez, os partidos da extrema esquerda elogiaram esta parte do OE2016.  
Mas verifiquei substanciais diferenças.
Mais uma vez, é recorrente e não de agora em funções governamentais, o ministro deseja ardentemente que quanto a missões externas se procure sobretudo o chapéu ONU. 
A questão financeira não é, naturalmente, indiferente.  Creio que os partidos radicais à esquerda nunca aceitarão que a NATO é uma organização que se pode considerar regional, e creio que nada colide com outros conceitos muito importantes.  
Por outro lado, não é de espantar a oposição de partidos radicais à esquerda quanto à participação de forças nacionais, por exemplo, em teatros de luta contra o terrorismo. Falou-se de outras coisas, como o dia da Defesa Nacional, ou aquele célebre plano de navios para a Venezuela, ou as tricas sobre o cálculo da percentagem que de aumento do orçamento, debatendo-se os contornos sobre o projectado ou o executado o ano passado. Muito se entretêm os deputados! 
Houve quem lembrasse que, mais tarde, perante aflições na execução orçamental, os cortes cairão sobre a área da defesa, como habitualmente. 
O ministro disse que não está com medo que o Céu lhe caia em cima. 
Exemplos da galhofa havida em assunto tão sério. Mas é isto que uns e outros tanto apreciam.  As tricas parlamentares, muito vazias de conteúdo, digo eu.Depois, e aí ri-me bastante cá em casa, houve quem se manifestasse contente por parecer que não vai haver cativação de verbas da LPM.  
De facto, ainda existem muitos adultos que acreditam que os bebés chegam de Paris.Depois, também, coisas de aviões, aviões para aqui, aviões para ali.  
Depois, os 25 milhões que as Finanças terão reservados para reposição de salários!!! 
Foi confessada a quebra de entradas de voluntários.  Entre as partes mais jocosas, a de que a redução de despesas com pessoal se deve a decisões do governo anterior. 
Defeito meu, fiquei pouco ou nada esclarecido sobre esta afirmação.  
Mas vindo de quem veio, é de passar adiante. 
O ministro fez referências a números muito grandes para as áreas IASFA e saúde e deficientes das FA.  Aguardemos. 
Mas, acho eu, foi tudo um bocado pobre, ficando-se por uns números e umas tricas. Questões de fundo, sérias, no âmbito da defesa nacional e das FA, que se continuam a empurrar com a barriga?
Naturalmente, não é de espantar, tendo em conta os actores presentes.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

PROPOSTA de OE 2016.

Ela aí está. Depois de muita vigarice, de todos os lados das bancadas parlamentares, depois das enormes pressões de Bruxelas sobre o governo nacional, ela aí está.
Dei-me ao trabalho de ouvir o Ministro das Finanças. Ou eu estou doido, mas creio que ainda não, ou ele confessou que há aumento da carga fiscal global.
Dei-me ao trabalho de passar os olhos pela proposta OE2016 em PDF.
Olhei para alguns aspectos, que partilho.
> Muito paleio sobre estratégia de promoção do crescimento económico e da consolidação orçamental.
> Quadro II.5.2. Garantias concedidas a outras entidades - 16667,53 milhões de euros (é obra!!!)
> Quadro III.1.6. Despesas com pessoal da Administração Central (em milhões de euros):
Para a Defesa - 1276,3 é a execução provisória 2015; 1208,6 é a dotação ajustada.
> Quadro IV.1.11. Repartição dos limites de despesa financiada por receitas gerais:
para a Defesa - 20,0 em encargos de saúde, 56,5 para FND, 229,9 para LPM, 117,9 para pensões e reformas (números de orçamento ajustado); a execução provisória  2015 está apontada, respectivamente, 20,0; 50,0; 191,2; 133,0;
> Quadro IV.6.4. Despesas por medidas dos programas, programa DN/FA, ajustado para 2016, 1679,9  milhões de euros, é o montante da despesa total prevista para o efectivo militar e para as despesas operacionais de todas as Forças Armadas.

Não sou fiscalista, não sou político, não sou economista nem financeiro.
Quem quiser que tire conclusões.
Eu tiro as minhas.
Quem estiver interessado percorra certos quadros, em que o primeiro que aqui indico é apenas um "apetizer". E verifiquem quanto dinheiro continua a ""escorrer"". E, salvo erro, o OE não demonstra tudo da vida nacional, há mais "porcaria".

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapeús há muitos)