sábado, 30 de abril de 2016

Horários de referência.

No meu blogue pessoal, fiz uns breves comentários acerca das notícias revelando decisões da senhora MAI .
A pouco e pouco, devagarinho, mas por acaso não tão devagarinho como isso, começam a aparecer "as réplicas".
Isto está cada vez mais curioso, mais interessante.
Há por aí uns quantos políticos que cada vez mais esfregam as mãos de contente com o curso que todas estas coisas estão a tomar.
Os pequeninos terramotos sucedem-se, as réplicas são cada vez maiores, e é só esperar para aparecer o descontrolo total.
Pela minha parte, vejo acrescidas incompetências, demagogia, desonestidade intelectual, e estou a ficar cada vez mais preocupado com o estado em que devagarinho isto se está a transformar. Depois queixem-se.
Entretanto, uns certos figurões vão, como de costume, inferindo isto e mais aquilo, têm certezas de que tudo será ponderado, de que ainda não há realidades. Como dizia ontem ao jantar um dos parceiros de mesa em casa de amigos, "uns e umas parvalhões e parvalhonas"!!!!!
Mas tudo contente e caladinho.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)
PS:  para quem anda imenso de carro entre Lisboa e as Beiras e por vezes para o Minho, há muito que se apercebeu que está mais que em vigor um horário de referência!!!!!!

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Ainda a propósito do actual MDN

O actual titular da pasta, na recente audição na AR, a propósito do que há poucos dias se passou no Exército afirmou que se voltasse atrás faria essencialmente o mesmo.
Não estou aqui para concordar ou discordar do actual ministro das Forças Armadas. Já se sabe que consideração me merece.  
Apenas para partilhar com os que tiverem a gentileza de me ler, que isto de ter boa memória é uma coisa óptima conforme nos vamos afastando dos sessenta (marota maneira de dizer, a caminho dos setenta) mas, simultaneamente, uma fonte de crescente irritação. É o que se passa comigo.
Quero referir que, sobretudo a partir de 1996, muitas vezes, em ambiente reservado isto é sem ser em reuniões alargadas de muitos "postos" e responsabilidades diversas mas ainda assim incluindo várias "estrelas", fui manifestando a minha dúvida, a minha angústia, o meu desconforto, perante  a progressiva degradação atingindo os militares, a instituição militar, a condição militar.
Quase sempre as estrelas me olhavam com aquele ar superior do tipo - calma, não vai ser assim, não é tanto assim, etc.
Quando em Maio de 2004 passei a integrar as "estrelas", o tom das minhas considerações não se modificou. Nem os comentários e contra argumentação que me caiam em cima.
Recordo por exemplo, como se fosse hoje, um exemplo entre muitos, algures no início do Verão de 2005, e perante várias e preocupantes iniciativas, anunciadas/ em preparação, por parte do governo de então, informar-se formalmente os militares que a intervenção do PM de então permitia inferir que a intenção do governo era regular matérias afins de forma igual mas atender a aspectos particulares, a especificidades, a singularidades. Difundia-se então aos militares,  para os acalmar ".....com total respeito pela condição militar".
Procurava-se, então, assim, transmitir aos militares sinais tranquilizadores.
Isto foi em 2005. O que se inferiu não teve correspondência com a realidade posterior.
Se andarmos para trás e analisarmos tudo (o que hoje é extenuante) até 1991 e portanto cores quer PSD quer PS quer CDS,  se andarmos para a frente até ao presente, se lembrarmos todos os Primeiros-Ministros, todos os Ministros das Forças Armadas, todos os Comandantes Supremos, todos foram fazendo ESSENCIALMENTE o mesmo. 
Discursos, grandes tiradas, mas a realidade foram-na moldando, e ela aí está. 
Muitos se queixaram sempre. Eu sempre me queixei e pouco pude fazer. Muitos se queixam agora.
Lembro-me inclusive de me insurgir com "um patrão" quando ele referia em círculo de pouco mais de meia dúzia de pessoas onde eu estava, "o ministro garantiu-me,....o secretário de estado garantiu-me".....
Alguns descortinam agora Abril, finalmente. Não sei que garantias obtiveram, para estarem tão sorridentes e descansados. 
Desde designadamente Fernando Nogueira mas continuando por todos os seus sucessores sem excepção, que me pareceu que Abril foi ficando cada vez mais atirado para uma gaveta de secretária num sótão poeirento.
Pela minha parte vou continuando a colecionar os ditos, as grandes tiradas, a grandiloquência dos governantes, dos políticos, dos titulares dos órgãos de soberania, acerca da Instituição Militar. 
E, também, a ler sempre com interesse os vários camaradas que agora e muito bem se insurgem com o estado a que isto chegou.
Como se altera no concreto este estado de coisas, bem, vamos batalhando um dia de cada vez. 
É esse o meu intuito, mesmo que desajeitadamente. 
Lembro sempre o ratinho, que alegremente dizia - "cada bocadinho ajuda, e mijou no mar".

António Cabral
cAlmirante, reformado,
(Chapéus há muitos)

NAVEGANDO,.........no........ TEJO

Aproveitando o folgado momento de crescimento da riqueza nacional, do virar de página, do fim da austeridade, de progresso e do fim do empobrecimento, ainda que nada "sinta" no vencimento de reformado, ainda que as taxas de saneamento e resíduos que me aplicam continuem a aumentar, e ainda que o SPedro continue um safardana do pior, aproveitei para me passear no rio, para lá e para cá das Portas do Rodão. Como referem os netos,  um pouco de qualidade de vida. Enquanto se pode.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)




Almirante Vítor Trigueiros Crespo



A Câmara de Porto de Mós decidiu atribuir o nome de "Almirante Vítor Trigueiros Crespo" ao parque da Vila, em homenagem ao seu ilustre conterrâneo. As cerimónias decorreram no dia 25 de Abril, com o descerramento da placa toponímica e com a apresentação do livro "Cidadão e Marinheiro, homenagem ao Almirante Vítor Crespo". Presentes familiares do Almirante, filhas, netos, irmã e viúva, ainda o representante dos promotores da edição do livro e o representante da Associação 25 de Abril, respectivamente prof. João Freire e comandante Pedro Lauret, presente ainda o almirante Vieira Matias também natural de Porto de Mós. O dia terminou com uma actuação da Banda da Armada.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

UNIFORMES, TRAJES

Tempos atrás, salvo erro, dei conta em fotografia do "traje" com que o alcaide de Ferrol recebeu dois comandantes de navios de guerra estrangeiros de visita a esse porto. 
Os comandantes estavam como é normal em ocasiões semelhantes, e o alcaide estava...........como vem sendo normal nestes novos tempos..............em camisa, ........fora das calças!
Lembrei-me disto ao folhear coisas antigas; partilho o que se segue.
Até pode ser, vaidade minha naturalmente, que chegue ao conhecimento do alcaide ou, pelo menos, a esganiçados.
Olhando apenas aos uniformes navais, os usualmente chamados "de saída", os conhecidos 3B e 4B, são respectivamente designados - "tenue de ville" (bleu, blanche) ou - "service dress" (blue, white). 
O uniforme branco também é designado em inglês por - Summer High Dress.
Já um fato de passeio costuma ser designado por - "tenue de ville civile" ou - "civilian informal". 
Fato escuro equivale a - Costume Foncé, Tenue de Ville foncé, Dark Suit.
O nosso fraque, tem a equivalência francesa - "Jaquette" e inglesa - "Morning Coat".
O "informal" tem equivalências - Dark suit, Business Suit, Lounge Suit, Fato escuro.
Já o "Formal", aponta para - Smoking Jacket, Dinner Jacket, Tuxedo, Cravate Noir, Black Tie.
O "casual" quer dizer - Coat and tie, Jacket and Tie, Casaco e Gravata.
O "very casual", que o alcaide espanhol pelos vistos prefere, aponta para camisa sem gravata e calças à vontade. 
Não encontrei aconselhamento quanto à camisa dever estar desfraldada ou não.

António Cabral, 
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

segunda-feira, 25 de abril de 2016

25 de ABRIL
Haverá formas menos comuns de lembrar a data marcante da nossa história.
Uma, possível, será andar pelas ruas de aldeias e colecionar com a Nikon a toponímia alusiva.
Foi o que fiz.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)


25 de Abril, Dia da Liberdade


GREI (Grupo de Reflexão Estratégica Independente)


O GREI publicou recentemente um documento que se dedica a questões relacionadas com "A Defesa Nacional e as Forças Armadas".
Um dos pontos tratados está relacionado com a Reforma das Forças Armadas:
"As decisões tomadas no passado recente relativamente às FFAA abriram um novo ciclo de reforma que se supõe não ter precedente concetual e metodológico em etapas anteriores, dada a diversidade dos setores abrangidos e a presumível mútua interação.
Relembre-se, entre outros processos, a limitação das competências dos Tribunais Militares e a sua extinção em tempo de paz; as revisões introduzidas no Código de Justiça Militar (CJM) e no Regulamento de Disciplina Militar (RDM); os constrangimentos na autonomia decisória dos Chefes de Estado-Maior (CEM) na condução dos Ramos, com interferência direta nas suas competências nos domínios administrativo e da gestão de pessoal e financeira; as reduções, sem racional conhecido, de efectivos e de encargos com a defesa; e as decisões no sentido de uma desvalorização da CM e especificidade castrense, com reflexos nas carreiras, na saúde, no apoio social e até mesmo nas retribuições dos militares."
Para aceder ao texto integral podem "clicar" AQUI.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

quarta-feira, 20 de abril de 2016

O Presidente da República adverte!!!


O Presidente da República visitou a Marinha.
De entre os comentários para os representantes dos OCS presentes no Alfeite, atirou - "os meios da Marinha ainda são insuficientes".
Pelo que observei via NET, nos OCS (de que desconfio sempre) não se vê grande explicação/elaboração sobre a afirmação do Chefe de Estado, nem um porquê, nem como inverter a situação. Não sei, portanto, se adiantou mais alguma coisa sobre a matéria.Palavras bonitas, numa pequena moldura demagógica.Aliás, na mesma senda em que atira “ao vento que passa” - "o moral nas Forças Armadas (FA) é excelente". Fantástico.Ele sabe bem, como outros, que a maioria dos cidadãos não quer saber deste importante pilar do Estado. E finge que, com certas tiradas como as mais recentes, com uma maior proximidade aos Ramos, com visitas frequentes, o respeito e a consideração dos cidadãos para com as FA será recuperado. Puro engano. E procuram enganar-nos.Equiparar a Defesa Nacional a todos os restantes departamentos governamentais deu os resultados que estão à vista.
Até porque o Ministério da Defesa Nacional sempre foi, na prática, o ministério das FA e nunca de defesa nacional, coisa que abrange muito mais que uma componente militar.O desfazer das razoáveis equiparações que existiam entre os diversos e diferentes servidores do Estado que foi concretizado pelo então Primeiro-ministro Cavaco Silva deu o resultado que está à vista. Em todos os sectores da sociedade.De mansinho, e para grande satisfação, imagino eu, por parte do Exército, vai aparecendo quem comece com cautela a falar no desaparecido Serviço Militar Obrigatório (SMO).Ora está bem de ver que, se nem os titulares de órgãos de soberania tiveram aumentos de salários mais difícil será melhorar seja o que for para as FA. E nem é preciso invocar o BE que se oporá a tudo o que respeite a FA.Aliás, estou à espera de Junho /Julho para ver desaparecer verbas de todos os capítulos do OE. Incluindo aqueles montantes que alguns imaginaram estarem a salvo.
Basta aliás olhar com atenção para as notícias diárias sobre OE, sobre 2017, sobre défice, e reparar que o corte em todas as despesas já começou. Só crédulos acreditam em milagres.Em síntese, palavras bonitas,……que o vento levará. O PR dirá daqui a uns meses, quer quanto aos meios da Marinha quer em outras áreas, “pena, ainda não foi possível ao governo”….Duas convicções:
> a asfixia financeira será cada vez maior;
> os problemas de hoje, nas FA como em todos os outros sectores da sociedade, são muito o resultado de anos e anos a empurrar tudo com a barriga.


António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

O Almirante Vítor Crespo e o 25 de Abril

O Almirante Vítor Crespo era natural de Porto de Mós. Um ano após o seu falecimento o Município daquela Vila decidiu promover uma homenagem àquele seu ilustre conterrâneo. Assim, no próximo dia 25 de Abril será oficialmente dado o nome de “Almirante Vítor Crespo” a um Parque da Vila e será apresentado o livro “ Almirante Vítor Crespo – Cidadão e Marinheiro”. A Marinha decidiu associar-se às cerimónias através da presença da Banda da Armada.



terça-feira, 19 de abril de 2016

PESCA

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

domingo, 17 de abril de 2016

Ainda a Propósito do Colégio Militar

Estive a ler o Expresso via internet.
Muitos dizem que é um jornal de referência.
Em papel, por sistema e tal como para outros jornais, deixei de comprar há muitos anos.  Sobretudo porque desgosta a comunicação social nacional. Muitas vezes um nojo de subserviência.
Esporadicamente compro. Muito esporadicamente.
A fazer fé no Expresso, e como sempre acontece com os pantomineiros, coisas formais que pusessem em causa o senhor, não haverá nada.
Mas eu, e outros que pouco confessam, sei bem que há sempre lacaios a servir o chefe e mandam recados. Terá sido isso mais uma vez. É o que em poucas linhas diz o Expresso.
Naturalmente o CEME não gostou. E como andava já farto, se calhar aproveitou e decidiu que não estava para aturar mais tempo este senhor, agora arvorado em MDN.
Como dito por outros, vários gostam de continuar a brincar aos soldadinhos. Lamentável. Foi o que procurei, com linguagem que me parece contida, dizer no meu anterior post. E ninguém ficou bem na fotografia, creio bem.

AC

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Falecimento do C.M.G. AN Ruy Edgar Machado Trincheiras


Já tardiamente tomámos conhecimento, pelo blogue da Associação dos Pupilos do Exército de que era ex-aluno, do falecimento do Com. Machado Trincheiras no dia 8 p.p..
Para além do exemplar profissional que foi, são de realçar o seu permanente trato fácil e bom humor. Foi também um desportista de eleição, nomeadamente na velocidade pura. 

À família enlutada, o "Navio   desarmado" apresenta as mais sentidas condolências.

quinta-feira, 14 de abril de 2016


Colégio Militar (CM), Chefe de Estado-Maior do Exército (CEME), Ministro da Defesa Nacional (MDN), Presidente da República (PR), Constituição da República Portuguesa (CRP)
.

As coisas são como são. Mas quase nunca como nos contam.

Quando esta ""lamentável telenovela"" começou apeteceu-me comentar. Mas esperei, cabeça quente normalmente não aconselha bem. Além do mais, esperar dá para assistir à ""coerência"" de uns quantos sempre danadinhos para falar para o microfone. Pena que não se olhem ao espelho e ouçam as gravações das suas contradições, que nada ajudam.

1. Dos OCS e redes ditas sociais:
a. Houve, estou convicto, algo que presumo estranho antes daquilo que publicamente é o primeiro facto, e está enumerado na alínea seguinte. O que aconteceu? O que levou a uma entrevista concedida pelo sub-director do CM? Porque apareceram os jornalistas no CM?
b. Um oficial do CM fez declarações sobre afectos, contactos com famílias, exclusões de alunos. Alguns classificaram-nas de "infelizes", outros "entrou em detalhes desnecessários".
c. O MDN ficou muito incomodado e quis esclarecimentos do Exército. Diz-se que quis mais do que isso.
d. O CEME pediu a demissão do cargo.
e. O PR aceitou de imediato. Desconhece-se se foi aceite assim que o "papel" chegou a Belém, ou se ouviu antes alguém, ou se foi um simples e cómodo "amém"!!!
f. Hoje surgiu a proposta do governo para novo CEME, a levar ao PR, para nomeação formal.
g. Associações de militares mostraram surpresa e discordância perante o que aconteceu.
h. A ILGA mostrou regozijo pela posição do MDN. O Bloco de esquerda idem.
i. Em vários OCS e redes encontram-se comentários curiosos (para mim), alguns por parte de certos especialistas (??) em assuntos na área da Defesa Nacional (DN). Vieram a lume vários artigos, opiniões, reflexões, declarações de militares, incluindo uma carta aberta ao MDN, tal como um comunicado e declarações por parte do representante da "25 de Abril".

2. Considerações dispersas.
a. O Artº 13º da CRP tem aquilo que, todos nós, civis e militares, deviam ter sempre presente. Todos temos a mesma dignidade social e somos iguais perante a lei, pelo que não podemos ser privilegiados, beneficiados, prejudicados ou privados de direitos ou isentos de deveres em razão seja do que for. Mesmo que sejamos o melhor amigo do PM, ou do PR!!!!!
b. Nas sociedades todas, e sobretudo em certas instituições, as transformações são muitas vezes penosas e arrastam-se por muito tempo.
Mas uma coisa é certa, por exemplo nas Forças Armadas (FA), a integração das mulheres foi gradualmente feita, mesmo contra, porventura, o entendimento de certas pessoas. É uma realidade e creio bem concretizada. Naturalmente há limitações, como por exemplo, em navios pequenos é difícil senão impossível materializar alojamentos separados em função do género.
c. As FA são um pilar da Nação, do País. A instituição militar é um elemento estratégico da coesão nacional, coisa que a esmagadora maioria dos políticos e das elites esquece senão mesmo despreza. Mas não são órgão de soberania, como tolamente certos jornalistas afirmam (Prós e Contra, recente). Mas também não são a secretaria-geral do MDN, ou uma direcção-geral. Os militares são servidores do Estado, não são funcionários públicos, por muito que isso desagrade a muita gentinha.
Por outro lado, quem se pronuncia dizendo que "os militares são guardiões da CRP" mostra um preocupante grau de desconhecimento da arquitectura Constitucional do País, do regime político vigente.
d. Acredito que a esmagadora maioria dos militares, presentemente, têm bem arrumado no seu espírito e na prática diária o conceito de subordinação ao poder vigente constitucional e legalmente estabelecido. Mas também estou convicto que não aceitam o conceito submissão. Por mim falo.
e. Como sempre tem acontecido, independentemente do tema, nos OCS surge muita manipulação, e as mais das vezes fica a sensação de encomendas. Com este caso, temo que alguns tenham seguido a "check list" do manual da intoxicação e da pouca vergonha.
f. Ontem, por exemplo, na TSF, pareceu-me uma tentativa de branqueamento do que se terá passado, pela voz do secretário de Estado da Defesa Nacional. Lembro a propósito que esse senhor é um indefectível Costista, creio que continua a ser um poderoso dentro da distrital PS em Lisboa e, como é sabido, colocado por Costa como "assessor" do actual MDN. Controlador? Lembro a propósito, que todos os PM escolhem ministros mas depois não são os ministros que escolhem a equipa. São os sucessivos PM que escolhem secretários de Estado. Porque será? Mas isto fica para outra altura.
g. Perfil, competência, actuação do MDN? Não tenho condições para me pronunciar com sustentação. Tenho desconfianças. Não gosto do senhor, de há muito tempo, concretamente desde 2002, e se o hábito não faz o monge, para mim que sou um bocado conservador sem ser ortodoxo, o desalinho habitual (ninguém lhe explica que as camisas têm botão no colarinho?) é para mim um indicador. Mau.
h. Disse-se por aí, que "não foi hábil", que "não me comove esta polémica", que "ainda bem que acabou o SMO" não se coibindo a criatura de o considerar como "famigerado", que as "elites actuais são radicais", que o "Conselho Superior do Exército se devia ter demitido em bloco", ou ainda, "que ninguém devia aceitar substituir o demissionário CEME", que houve "interferência abusiva na competência de subordinados". Creio até, ter percebido que, "com voz mais baixa", se lamentou a falta de solidariedade de outros chefes militares. Quereriam sobretudo ter visto alguma reacção pública do CEMGFA? Enfim, tem havido para todos os gostos. Quanto á esmagadora maioria dos militares que se pronunciaram publicamente, creio que o resultado das suas intervenções (que respeito) foi de muito duvidosa utilidade para a instituição militar. Ou estarei enganado?
i. Depois, ainda talvez mais no campo da manipulação, e tomando-nos por tolos e estúpidos, viu-se coisas como "os três tabus do CM", o "diferente entendimento acerca da CRP", que"houve pedidos de esclarecimento não respondidos ", "ofício a pedir medidas", que "o MDN exigiu a demissão do sub-director do CM". Não vale a pena continuar.

3. Que conclusões tirar disto tudo?
À cabeça, não parece fácil, pois em rigor desconheço quase tudo o que efectivamente se passou.
Isto dito:
a. Ficará sempre a dúvida quanto à "forma" à "sensatez" e ao "tom" do que chegou ao CEME vindo do MDN, directamente, ou via assessores. Aparentemente, veio a público o que não devia. Claro que se acalmaram esganiçados e esganiçadas.
Acresce que as exigências quanto a exonerações e castigos têm de ter por base conclusões obtidas em sede de processos de averiguações. Porque, já agora, esses procedimentos são para ser igualmente seguidos dentro da instituição militar. É a lei geral do País, ouvir, investigar, antes de concluir, antes de eventualmente punir. Não se exonera compulsivamente alguém por birra de superior, militar, civil, ou ministro.
b. Creio que tudo visto e ponderado, a "cena" como dizem os jovens de hoje, foi mais negativa que positiva para a instituição militar.
c. A instituição militar, os militares, prestam um especial serviço ao País. Naturalmente, digo eu, não devem por isso ser tratados com especiais deferências. Outra coisa, bem diferente, é que os sucessivos governos não respeitem o que está consagrado nas leis em vigor, designadamente quanto à condição militar. Coisa a que os cidadãos não ligam, os políticos desprezam apesar de terem legislado o que em vigor continua.
Não se trata de pretender distinções entre a carreira castrense e qualquer outra profissão, nem colocar os militares acima de outros. Tão somente o respeito pela lei em vigor. Mas é claro, andam por aí uns patuscos, designadamente um que se leva ao colo de si mesmo e aconselha muito na sombra o actual governo, que acha que os militares são uma casta que é preciso reprimir. Coitado.
d. Qual o lugar dos militares? Para mim é simples, nos quartéis. Que se deve entender por isto? Creio que pelo menos, subordinação aos poderes instituídos, cumprimento dentro do quadro constitucional e legal existente das missões emanadas dos órgãos de soberania.
Além disso, ter sempre presente que as mais das vezes o silêncio pode ser o melhor serviço a prestar. Sobretudo quando a qualidade dos políticos, especialistas em temas fracturantes mandam em quase isto tudo, e sempre com aquela notável noção de prioridades dos problemas do País e dos assuntos de Estado!
e. Talvez não fosse disparatado, atentar no exemplo do discurso do PR a todos os civis e militares que trabalham na Presidência da República.
É que de facto, tudo o que todos fazem, se reflete no nº1 de todas as instituições. Se todos se lembrassem sempre disto, muita trapalhada se evitaria.
f. O que fez de facto o Ex-CEME pedir a demissão do cargo? Para mim é simples, não esteve para continuar a aturar o ministro. Provavelmente com muita razão.

António Cabral
cAlmirante, reformado


(com o meu pedido de desculpas por dificuldades gráficas)

segunda-feira, 11 de abril de 2016

CMG EMQ (Ref.) Abel Santos da Gama Higgs



Lamentamos informar que faleceu, hoje de madrugada, o Eng. Abel Gama Higgs. "O Navio... desarmado" apresenta sentidas condolências ao seu irmão, Alm Diogo da Gama Higgs, aos outros membros da sua Família e aos seus amigos e camaradas, em particular aos do Curso Duarte de Almeida. Que descanse em Paz.
Cerimónias fúnebres: O corpo estará hoje a partir das 20 horas na Capela do Carmo, Rua António Maria Eusébio, nº 2 em Setúbal - junto á PSP de Setúbal - antes de chegar á Av. Luísa Tody. O funeral sairá amanhã ás 14h30 para o cemitério de Palmela.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

SERÁ, EVENTUALMENTE, ESPUMA DOS DIAS, MAS......

Será, mas são continuados sintomas de que Portugal está e continua um País doente.
É a pouca vergonha, acho eu, das brincadeiras com as nossas reformas, é a demissão de um chefe militar muito pouco clara (para mim, naturalmente), são as bofetadas salutares que se prometem a outros, são as distorções de tudo e mais alguma coisa, é a pouca vergonha e a demagogia e a mentira constantes.
Será a espuma dos dias, mas.....
A este propósito, lembro o que aprendi há muitas décadas, quando me berravam, ás vezes em tom e forma excessivos mas com um saudável fundo de formação para a vida que nunca esqueci - "um almirante é almirante até quando está sentado na sanita".
Voltarei aos assuntos, até por razões de memória do passado.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

A demissão do CEME

Texto que enviei também, como mensagem, a PR, 1ºMimistro, Ministro da Defesa e a todos os partidos com assento parlamentar:
Quando um adulto assedia sexualmente um menor, é pedófilo e punido criminalmente.
Quando é um menor a assediar sexualmente outro menor está usando o seu direito constitucional à diferença?
   A sugestão a um pai para tal evitar será motivo para se desautorizar publicamente o chefe militar de quem fez tal sugestão?
E é motivo para ser chamado ao Parlamento para explicações tal chefe militar que, muito dignamente, pede demissão por, sendo desautorizado, se sentir diminuído na sua responsabilidade de manter a disciplina no seu Ramo? E de ser aceite prontamente tal pedido, em vez de lhe se pedir desculpa pela contestável desautorização pública?
O poder político decerto não pretenderá um Exército indisciplinado.
Mas outra pergunta, indiscreta: Quando alguém com cargo político produz, ou propõe aprovação de uma lei considerada inconstitucional, é chamado ao Parlamento para explicações?
                       
António José de Matos Nunes da Silva
                                  

quarta-feira, 6 de abril de 2016

TERRORISMO - A NOVA GUERRA MUNDIAL?

Cada cabeça sua sentença. Não há grande volta a dar a isto.
O que me parece importante é que se procure que as sentenças de cada um nós sejam ponderadas, com respeito pela opinião alheia para, designadamente, poder exigir respeito idêntico para as nossas opiniões, quer concordantes quer as discordantes. E, depois, que não se perca de vista, os interesses corporativos presentes na sociedade, através dos quais muita gentinha procura enganar os cidadãos que, na maioria dos casos, é pouco formada, é preguiçosa de raciocínio, é acomodada, não é rigorosa e acredita em milagres.
Vem isto a propósito do programa Prós e Contras de 4 de Abril, com o título genérico acima reproduzido.
Programa que ontem não vi. A coordenadora e apresentadora desse programa tem escolhido ao longo dos anos certamente alguns temas interessantes mas, a meu ver naturalmente, na maioria dos casos há muito branqueamento de realidades e situações. Em regra, não estrago os olhos nem os ouvidos nessas 2ª Feiras. Às vezes vejo mais tarde, quando convencido por alguém. Foi o caso hoje, um telefonema após o almoço, convenceu-me e, ás 1700 horas, fui usar a tecnologia, andei para trás, vi a gravação.
O que me suscitou o que ouvi, observei? Nos discursos, nas intervenções, nos rostos e concretamente nos dos chefes, pelo menos de um? Sinteticamente, sem qualquer ordem:
1. Creio muito discutível, para este título/ tema, ter apenas FA naquele anfiteatro. Muito discutível.
2. O MDN, homem bem preparado, boa argumentação, deu lições mas, que contributo concreto, benéfico, para a instituição militar, daí resultou? Ou assisti a uma peça bem encenada?
3. O MDN, salvo erro por mais de uma vez, referiu que, no plano formal, das regras, não se deve dizer que estamos numa nova guerra mundial. Mas a apresentadora, no seu estilo superior, periodicamente insistiu na tecla.
4. A senhora, naquela sua ênfase e postura características, insistia na procura de respostas metódicas, estratégicas, adequadas. Falou nas várias Europas!!!
5. A senhora referiu muito um dos seus "gurus" mas, aparentemente, não o convenceu a estar no palco.
6. Uma das melhoras cenas da senhora foi referir várias vezes as FA como órgão de soberania. Coitada. Ou algum destes foi já substituído ? (Presidente da Republica, Assembleia da República, Governo, Tribunais). Creio que a senhora, coitada, deve ter lido a determinado passo, algures, nos papéis que lhe deram, que as FA são um pilar……..e vai daí…….
7. Depois, naturalmente, perante tema - terrorismo - houve quem falasse em PJ, SIRP, PGR, forças de segurança, coordenação, etc, etc.
8. Entre outras coisas para mim patéticas, a pergunta à Major do Exército ligada ao NBQ - "como é que se liga com as instituições civis, que coordenação, explique-me lá"? Claro que a jovem militar disse o que me parece óbvio - “existe uma capacidade" etc etc etc.
Penoso de se ouvir e ver. Para mim, claro.
9. Depois, outra coisa patética, - "como é que os F-16 combatem o terrorismo” - "como é que os outros nos vêem lá fora” - para já não falar nas declarações do CEMGFA sobre liberdades e colaterais.
10. Sendo que, para mim, também, no mundo actual "liberdades-segurança" deve ser repensado em determinadas circunstâncias. Em minha opinião, num ambiente daqueles, o resultado prático de certo tipo de declarações é prejudicial para as FA. Acho eu.
11. Eu síntese, não gostei. 
12. Foi um programa combinado? Por quem? A ideia foi do MDN? Ou do CEMGFA?
Oxalá eu esteja totalmente enganado, mas não creio que tenha sido benéfico para a instituição militar. Nada valorizo os resultados das duas perguntas que a senhora jornalista tanto gostou de anunciar.
Adicionalmente, o MDN mas, sobretudo nenhum dos CEM’ realçou, vincou, uma questão essencial: a condição militar.
Não seria porventura a altura para falar de problemas, dificuldades, deficiências. CERTO. Mas falassem de uma coisa básica, subjacente. Vincassem o que nos diferencia do comum do cidadão. 
NADA.
Foi um branqueamento? Deixo a pergunta.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há 
muitos)

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Clube Militar Naval - Divulgação - Convite


E para quando a reposição dos complementos de pensão dos militares?

Diário da República, 1.ª série — N.º 65 — 4 de abril de 2016

Lei n.º 11/2016
de 4 de abril

Reposição dos complementos de pensão no sector público empresarial

A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º da Constituição, o seguinte:

Artigo 1.º

Reposição do pagamento dos complementos de pensão

1 — É reposto o pagamento de todos os complementos de pensão nas empresas do sector público empresarial aos trabalhadores no ativo e aos antigos trabalhadores aposentados, reformados e demais pensionistas.

2 — Qualquer alteração ao regime dos complementos de pensão tem de ser objeto de contratação coletiva.

Artigo 2.º

Entrada em vigor

A presente lei entra em vigor com o Orçamento do Estado para 2016.

Aprovada em 23 de fevereiro de 2016.

O Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.

Promulgada em 18 de março de 2016.

Publique -se.

O Presidente da República, MARCELO REBELO DE SOUSA.

Referendada em 24 de março de 2016.

O Primeiro -Ministro, António Luís Santos da Costa.

domingo, 3 de abril de 2016

A descolonização da Guiné-Bissau e o Movimento dos Capitães

Recebido do Cte. Carlos de Almada Contreiras o seguinte convite:

(Para ampliar, "clicar" na imagem)

Royal Navy abandona as Falklands

Para os interessados pelas questões de Estratégia, aqui deixamos a notícia da edição de ontem do jornal londrino i. Depois de 34 anos de presença naval activa naquela região do Atlântico Sul, onde a Argentina continua a reivindicar a soberania sobre as Falklands, a Royal Navy regressou a casa. Da leitura do texto da notícia, conclui-se que a retirada não resulta da redução da ameaça, mas das restrições orçamentais que, até na Grã-Bretanha, parecem sobrepor-se a todos os outros valores e interesses.