Ainda a propósito do actual MDN
O actual titular da pasta, na recente audição na AR, a propósito do que há poucos dias se passou no Exército afirmou que se voltasse atrás faria essencialmente o mesmo.
Não estou aqui para concordar ou discordar do actual ministro das Forças Armadas. Já se sabe que consideração me merece.
Apenas para partilhar com os que tiverem a gentileza de me ler, que isto de ter boa memória é uma coisa óptima conforme nos vamos afastando dos sessenta (marota maneira de dizer, a caminho dos setenta) mas, simultaneamente, uma fonte de crescente irritação. É o que se passa comigo.
Quero referir que, sobretudo a partir de 1996, muitas vezes, em ambiente reservado isto é sem ser em reuniões alargadas de muitos "postos" e responsabilidades diversas mas ainda assim incluindo várias "estrelas", fui manifestando a minha dúvida, a minha angústia, o meu desconforto, perante a progressiva degradação atingindo os militares, a instituição militar, a condição militar.
Quase sempre as estrelas me olhavam com aquele ar superior do tipo - calma, não vai ser assim, não é tanto assim, etc.
Quando em Maio de 2004 passei a integrar as "estrelas", o tom das minhas considerações não se modificou. Nem os comentários e contra argumentação que me caiam em cima.
Recordo por exemplo, como se fosse hoje, um exemplo entre muitos, algures no início do Verão de 2005, e perante várias e preocupantes iniciativas, anunciadas/ em preparação, por parte do governo de então, informar-se formalmente os militares que a intervenção do PM de então permitia inferir que a intenção do governo era regular matérias afins de forma igual mas atender a aspectos particulares, a especificidades, a singularidades. Difundia-se então aos militares, para os acalmar ".....com total respeito pela condição militar".
Procurava-se, então, assim, transmitir aos militares sinais tranquilizadores.
Isto foi em 2005. O que se inferiu não teve correspondência com a realidade posterior.
Se andarmos para trás e analisarmos tudo (o que hoje é extenuante) até 1991 e portanto cores quer PSD quer PS quer CDS, se andarmos para a frente até ao presente, se lembrarmos todos os Primeiros-Ministros, todos os Ministros das Forças Armadas, todos os Comandantes Supremos, todos foram fazendo ESSENCIALMENTE o mesmo.
Discursos, grandes tiradas, mas a realidade foram-na moldando, e ela aí está.
Muitos se queixaram sempre. Eu sempre me queixei e pouco pude fazer. Muitos se queixam agora.
Lembro-me inclusive de me insurgir com "um patrão" quando ele referia em círculo de pouco mais de meia dúzia de pessoas onde eu estava, "o ministro garantiu-me,....o secretário de estado garantiu-me".....
Alguns descortinam agora Abril, finalmente. Não sei que garantias obtiveram, para estarem tão sorridentes e descansados.
Desde designadamente Fernando Nogueira mas continuando por todos os seus sucessores sem excepção, que me pareceu que Abril foi ficando cada vez mais atirado para uma gaveta de secretária num sótão poeirento.
Pela minha parte vou continuando a colecionar os ditos, as grandes tiradas, a grandiloquência dos governantes, dos políticos, dos titulares dos órgãos de soberania, acerca da Instituição Militar.
E, também, a ler sempre com interesse os vários camaradas que agora e muito bem se insurgem com o estado a que isto chegou.
Como se altera no concreto este estado de coisas, bem, vamos batalhando um dia de cada vez.
É esse o meu intuito, mesmo que desajeitadamente.
Lembro sempre o ratinho, que alegremente dizia - "cada bocadinho ajuda, e mijou no mar".
António Cabral
cAlmirante, reformado,
(Chapéus há muitos)
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