VEM AÍ OUTRO MDN
Estive quase tentado a escrever "novo MDN", mas era arriscado.
Pelo que se tem visto nos últimos anos, os MDN sucederam-se, mas nenhum foi novo.
Ficando-me pelo período iniciado com a 2ª maioria absoluta em 1991, nunca tivemos MDN novo.
É a minha opinião, naturalmente, respeito todas as outras. Oxalá respeitem a minha.
Na minha carreira, tive momentos de observador privilegiado sobre alguns MDN, algumas comissões parlamentares de defesa, alguns CEM's.
Observei no EMGFA o processo que conduziu aos decretos regulamentares de 1993, observei o MDN que tudo (governo, defesa, partido, FA) geria do seu gabinete no 7º piso, sei os que lhe sucederam e quanto tempo passavam no 7º andar, li muitas vezes as inúmeras arengas dos vários MDN, por exemplo no IDN.
Testemunhei ao vivo, olhos nos olhos, em almoço reservado sentado à direita do saudoso VAlm Silva Santos, ouvi outro na Giribita, assisti aos vários briefings dados a comissões parlamentares de defesa.
Naturalmente, existem vários camaradas mais velhos e mais novos mais habilitados que eu para abordarem a temática da defesa nacional, das Forças Armadas, dos pilares da soberania.
A minha questão não é essa, não porque o tema abordar, mas porque me interessa hoje, cada vez mais, o que aconteceu e acontece e não as discursatas seja de quem for mas sobretudo dos civis e militares que puderam e não fizeram.
Neste novo ciclo que aparentemente se abrirá ao fim da tarde de hoje, haverá governo, de gestão ou com António Costa na sua nova cruzada. E, portanto, um MDN de gestão (o que seria uma desgraça) ou um MDN do partido socialista.
Se António Costa arranjasse um MDN do PCP, a avaliar por exemplo no escrito no AVANTE de 16 de Maio de 2013, aparentemente os militares veriam um rumo. Aparentemente.
Pese embora desconhecer quem será o MDN, ciente dos dois nomes que atiraram ao ar, mas conhecendo a postura média do "pessoal" que vai ter poder face ás questões de defesa e em particular face aos militares, não quero ser injusto, mas temo que continuaremos muito longe de aragens e mar chão.
Temo mesmo que, o que a fotografia retrata (já não sei onde a descobri) seja a constante.
Aliás na senda dos últimos anos porque, se de facto há muito que não existe - a entidade mítica e auto-suficiente que resolvia todos os problemas...........- a isto soma-se a prosápia e muitas vezes a incompetência e ignorância da esmagadora maioria dos empossados no cargo em apreço. O último é um bom exemplo.
Sobretudo hoje, em que cada vez mais se pretende um funcionário do partido que apenas contenha os militares, já que Forças Armadas e Defesa Nacional são assuntos irrelevantes em conselho de ministros, e fora dele. Como se vê há anos. Mesmo quando, na Europa, se assiste a um perigoso acumular de problemas e tensões. Mas aguardemos, e desejo, sinceramente, estar enganado.
Já agora, e a terminar recordo, lá muito para trás que, por exemplo a marinha holandesa, seguia uma fórmula para a questão premente da prontidão operacional (naval) e que rezava assim:
Operational readiness = rq (material readiness) x rq4 (personnal readiness) x rq (instruction, training, education), em que rq pretende representar raiz quadrada e rq4 raiz quarta; o mínimo desejável para eles, na altura, era de 0,75 para "materiel readiness".
Aspecto que como sabemos, está sempre na cabeceira de todos os MDN, até hoje.
Aguardemos com curiosidade, o seguinte. Novo não, quase certo.
António Cabral
cAlmirante
(chapéus há muitos)