segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Cumpram as Leis!

  Há um sector da população que continua no regime da troika, no que respeita ao acesso à saúde e assistência na velhice: é o dos militares e respectivos agregados familiares.
 Com desrespeito total pela Lei.
  Porque o Governo não cumpre o estabelecido no artigo 15º da Lei 11/89, nem o artigo 13º do DL 193/2012, quanto ao apoio na saúde. Continuando e agravando todo o desrespeito a essas leis criado pelo anterior Governo.
  Só lhe interessa que os militares cumpram com todos os seus múltiplos deveres e abdiquem de muitos dos direitos constitucionais dos restantes cidadãos. As compensações, apesar de estabelecidas na Lei, é que não!
  O anterior Governo retirou-lhes a maior parte do apoio à saúde que o IASFA lhes dava. E o que restou está-se agora esvaindo.
  Já lhes tinham encerrado a maior parte das consultas médicas e a imagiologia. Agora estão também em estertor as análises e a farmácia. Por não pagarem aos fornecedores!
  Ainda hoje fui ao CASO de Oeiras: farmácia com falta de medicamentos, não repondo stocks; análises, que já só são efectuadas por firma privada, em risco de encerrarem ainda este ano!
  E tudo isto apesar dos militares terem tido o seu desconto obrigatório para o IASFA aumentado pelo anterior Governo para 3,5% do seu vencimento - bruto. E apesar de, com os seus impostos, cumulativamente, suportarem também o Serviço Nacional de Saúde.
  Vendo-se assim obrigados a recorrer ao sector privado e lá pagarem as respectivas taxas.
  Custa a admitir, mas até parece que haverá mesmo a intenção de serem os militares e seus familiares a funcionarem como âncora do sector privado da saúde!         

sábado, 30 de setembro de 2017

A PROPÓSITO de DEFESA NACIONAL (DN)
A maioria dos militares terá presente que DN tem componentes diversas sendo uma delas a militar. Muitas outras existem.
A nível civil, a esmagadora maioria dos cidadãos portugueses sempre que ouve falar em DN entende "militar".
Em Portugal, em todas as áreas da sociedade, apregoa-se sempre muito mas depois, na realidade, esquecem-se muito do que vão proferindo laudatoriamente ao longo do tempo.
Com as injeções  de futebol, telenovelas, e outras coisas de embrutecimento crescente (na minha opinião, naturalmente) facilmente se chegou ao nível ZERO. Em que estamos, em muitas coisas.


Em 1961, como consequência da orientação da política militar de então (não estou a dizer bem nem mal), definiam-se quatro missões genéricas para as Forças Armadas (FA).

> defesa de todas as províncias europeias, africanas e asiáticas,
> defesa conjunta da Península Ibérica com as FA espanholas,
> auxílio militar e facilidades a conceder à Grã-Bretanha e Estados Unidos,
> auxílio e facilidades a conceder aos países da OTAN.


Nessa época, é sabido, havia formalmente um ministério da defesa nacional mas é também sabido que o poder real não estava nesse ministério.

Veio o 25 de Abril e, é sabido, continuou por bastante tempo um ridículo ministério da defesa nacional.
Veio depois a lei de DN e das FA em 1982. Gradualmente  o ministério da DN foi-se alterando. Sem esquecer os inefáveis PM de Mário Soares a António Costa, nem os PR de Mário Soares a Marcelo Rebelo de Sousa, olhar aos vários ministros da DN a seguir ao 25 de Abril dá uma boa ideia de como ao longo do tempo a instituição militar foi sendo tratada. Sim, porque quanto a DN, as coisas foram sendo sempre muito ridículas. Por isso, muitas vezes designo o ministro por ministro das FA.
Uma das coisas curiosas, para mim naturalmente, foi observar por exemplo, o edifício do Restelo durante anos apenas com EMGFA lá escarrapachado na frontaria (fotografia de 1989)

Ridículo que possa ser entendida esta questão, o que deve estar ou não na frontaria do edifício, diz muito sobre o relacionamento entre militares e políticos depois do 25 de Abril.
No presente, por cima de EMGFA está em letras relativamente pequenas Ministério da Defesa Nacional. Foi "batalha" curiosa.
Como falei acima em esquecimentos, e este o meu ponto, temos exemplos eloquentes, vários.  Deixo dois.

-"As Forças Armadas, na sua hierarquia, profissionalismo, disciplina e lealdade democrática têm contribuído decisivamente para consolidar, por forma que representa um grande exemplo, o regime saído da vontade popular (...)
Dotá-las das condições necessárias ao cumprimento das suas missões, à sua modernização e reestruturação é uma exigência nacional" (Mário Soares, no discurso de tomada de posse na AR, 9 de Março de 1986).
- " Porque os interesses dos Estados, nas suas relações uns com os outros, nem sempre se harmonizam facilmente e com frequência divergem até ao ponto de colisão violenta, as forças armadas são, nessas circunstâncias um último recurso a utilizar pelos detentores do poder político, se outras acções não tiverem produzido os efeitos desejados". Nas presentes circunstâncias tem de reconhecer-se que, de facto, o sistema geral das nossas Forças Armadas não projecta a credibilidade bastante para constituir (...) o factor de dissuasão suficiente, necessário e ajustado à situação do País". (livro branco da defesa nacional, MDN, 1986).

Muitos, militares incluídos, continuam a acreditar que se chega a uma determinada situação quase como por acaso. Enganam-se. São anos, muitas vezes décadas, de laboriosa e premeditada acção demolidora sempre maquilhada de elevadíssima retórica.
Seja na agricultura, no ordenamento territorial, na economia, na saúde, na educação, na defesa nacional. Como refere tanta vez Adriano Moreira, e que eu sintetizo desta forma - que rumo?

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A propósito de TANCOS, a propósito de responsabilidade nas Forças Armadas
Expresso, 29 Setembro 2017, pág 34, 1º caderno
Nuno Mira Vaz, coronel, creio que reformado, escreve um artigo de opinião acerca do tema em apreço. Saliento alguns aspectos:
1 a suspensão provisória de cinco coronéis determinada pelo CEME, oficiais que pouco depois deixaram de estar suspensos;
2 várias investigações em curso e continua a nada se saber;
3 no topo da escala da responsabilidade ficará sempre a mais alta entidade civil ou militar que considerou o sistema de rondas aleatórias adequado à guarda de material de guerra;
4 militares executam rondas e patrulhas com carregadores de munições selados;
5 a putativa cadeia de responsabilidades começa no comandante da unidade a quem cabia a segurança dos paióis e só termina no mais alto escalão;
6 a partir do momento em que um subordinado informa um superior de que não tem condições para cumprir eficazmente a ordem, este, se a não revogar, fica automaticamente responsável por ela;
7 o responsável pelo roubo das armas terá de ser encontrado entre aqueles que, ao mais alto nível, conheciam a situação e deixaram que ela se arrastasse.

Pode concordar-se ou discordar-se das opiniões e comentários deste senhor coronel.
Creio que os aspectos que eu enumero como 3, 5, 6 e 7 são indiscutíveis.
A cada um as conclusões.
E designadamente no tocante a, manutenção do CEME  e MDN em funções, tentativa diria cada vez mais evidente de tentar que não venha para a praça pública a realidade que grassa dentro de certas instituições, e o berbicacho gravíssimo que advirá se, por qualquer circunstância, de repente, os "caldos" se entornarem em público.
Não há afectos que estanquem "um paredão de barragem cheio de rachas", que todos sabem existir e que alastram. Rachas que começaram no final do 1º governo de Cavaco Silva com maioria absoluta.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Um EMQ em Tancos

Tudo que possa aqui lançar a propósito da Defesa Nacional não passa de opinião pessoal formada sem recurso a curriculo especial nessa área. Como sabe parte dos leitores, as minhas capacidades sempre foram em outras áreas. Por isso, ao pensar deixar um apontamento sobre a DN hesitei. Mas apesar de tudo a minha actividade foi totalmente ‘embebida’ na DN, tenha sido a bordo ou em terra, o certo é que todas as decisões tomadas foram sempre no âmbito da DN. Muitas foram de alcance limitado, mas as de alcance alargado não estão ausentes.

Porque me debruço sobre a DN ? Porque a questão do furto nos PNT me deixa desconfortável e arrasta desenvolvimentos cada dia mais desconfortáveis. De facto, como o vejo, o sistema nacional de paióis é um elemento estratégico na DN. Ter de aceitar que houve furto de armamento em Tancos só poderia ter sido pior se tivesse envolvido um paiol da Marinha. Mas apenas por razões sentimentais. Só a suspeita de que é possível penetrar numa instalação estratégica, furtar uma caixa de 1000 agrafos 24/6 e voltar a sair é, a meu ver de um desconforto que me é difícil de ignorar. Levanta, no mínimo, a suspeita de que é possível afectar a operacionalidade das FAs sem que nos demos conta. É um buraco de enorme dimensão na muralha defensiva. É a demonstração de como montar um ataque que, em horas, paralise qualquer tentativa de contra-ataque. Ou que impeça, dificulte ou adie socorro em situações catastróficas.

Não é estranho que se tenha desenvolvido entre os responsáveis uma percepção de gravidade profunda. O que acrescenta ao desconforto é terem sido exonerados 5 comandantes pela ‘necessidade de garantir que as averiguações internas determinadas decorreriam em absolutas condições de isenção e transparência’. Isto, a meu ver, no preciso momento em que a sua acção mais se tornaria necessária, sendo certo que todos eles teriam de garantir as mencionadas condições, sem o que nunca deveriam ter sido nomeados.

Essa gravidade profunda acaba igualmente por motivar uma enérgica intervenção do PR, que pode mesmo ser interpretada como tendo ido ‘até ao limite’ dos seus poderes, o que parece ter incluído, além de uma já habitual visita ao local, um jantar com os chefes militares, falas ou intervenções alusivas ao tema, afirmações de que irá intervir no futuro logo que entender e exigência de que se apure tudo sobre Tancos. O que acrescenta ao desconforto é a acção de alívio de gravidade do incidente: visitas, refeições, reacções, inquéritos que, embora sublinhando a gravidade, são elas próprias agentes de desactivação, pretendendo mostrar que tudo o que se poderia fazer o foi. E isso nunca é assim.

E, em seguida, os OCS fornecem uma uma quantidade de informação sobre o assunto, aqui descrito em modo algo caricatural (perdoem-me) mas sem qualquer intenção de menosprezar o assunto ou quem quer que seja: a percepção de gravidade amenizou-se, porque afinal  o que parecia importante instalação era, efectivamente, algo obsoleto e sem préstimo, cujo conteúdo era irrisório e digno do depósito de inúteis e destinado a ser encerrado e incluído, ele também, no mencionado depósito; e, entretanto, usava-se a instalação como ‘campo de repouso’ ´destacando para lá militares ‘sem a mínima noção’ da missão a desempenhar, praticamente desarmados, sem jipes e com facilidades para dar o salto através de buracos nas vedações, judiciosamente localizados e sem risco de detecção por avaria dos circuitos de vigilância.

Não passaria muito tempo até que, de facto, se desistisse de qualquer investimento. Tornou-se possível evitar o dispêndio de verbas (já orçamentadas), reconduzir os comandantes exonerados (uma vez que o progresso das averiguações internas permitiu ‘ultrapassar as razões que justificaram a exoneração’), no preciso momento em que se percebe que parte das deficiências podem estar nas respectivas áreas de responsabilidade ou nas dos respectivos comandos. Verdadeiramente extraordinária a decadência desta instalação: mobilizando PR e MDN no início, eis que cai a pique em investimentos e melhorias largamente referidas no momento zero, para um prático nível zero, tudo em 3 meses. Hoje, segundo se sabe, estarão perto da conclusão os planos da pólvora para a fechar. O desconforto sobe, é difícil disfarçar um rubor envergonhado.

Entre o momento zero e o nível zero, o MDN deu uma extensa entrevista ao Diário de Notícias de 10/9/2017, onde o tema do furto de material militar do paiol de Tancos é principal, mas também o desenvolvimento da LPM é abordado. É a oportunidade para perceber um pouco melhor as questões da DN, vistas do ângulo político, que é, a meu ver, onde se devem radicar. Ficará para a história a declaração do MDN de que 'no limite' não houve sequer furto ou roubo, mas os aspectos que mais importantes parecem estão ligados à LPM, afinal linha condutora estratégica de importância iniludível. A propósito da ‘substituição do avião de transporte’:
[…] este governo decidiu que era o momento de tomar essa decisão estrutural – que é uma despesa muito significativa que me vai dar à-vontade para fazer boa figura […]
Desconforto aumenta: preferir a expressão ‘este governo’ em vez de ‘O governo’ revela uma visão fragmentada no tempo por fronteiras de legislatura, incorporando a possibilidade de reversão logo que este passe a último. Pior: a introdução de fazer boa figura nos objectivos de ‘decisões estruturais’ é mais do que surpreendente, é assustadora.

Quanto à Marinha afirma o MDN:
E há um segundo aspecto em que vai ser inevitável também o investimento e que está relacionado com os estaleiros de Viana do Castelo. Temos em construção dois navios-patrulha oceânicos e vai ser inevitável uma reflexão muito profunda sobre o que é que pretendemos  do nosso mar e de que forma é que pretendemos exercer a jurisdição do nosso mar.
Isto é, os navios em construção implicam ‘reflexão muito profunda’ sobre o nosso mar: qual reflexão ? Aquela de que oiço falar há 30 anos ? Nós, portugueses, 2017, ainda não sabemos o que pretendemos do nosso mar ???!!! Ou de que forma pretendemos exercer jurisdição desse mar ???!!! Vamos agora ser obrigados a ponderar tais assuntos porque este MDN resolveu tornar inevitável o investimento (note-se, não é construção) em dois navios? Quando este passar a último MDN correremos risco de que o investimento possa ser revertido? Quais navios? Aqueles que eram para ser aí uns 10 no último quartel do século XX? Já não se trata de desconforto, agora é também desânimo.

E quanto a Tancos? Investigações em curso, é cedo para ter alguma luz sobre o que aconteceu. Um relatório da IGDN aparece citado e parece apontar-se para melhorias das condições de segurança dos paióis em geral segundo ‘3 dimensões’: concentração de infraestruturas, seu reforço em termos de segurança física e suportar a inventariação através de um sistema de gestão da informação que seja ‘comum aos três ramos’. Este sistema de gestão:
[…] significa a necessidade, de uma vez por todas, de haver um conhecimento instantâneo , actualizado, de tudo o que está nos paióis para se evitar no futuro o que ocorreu em Tancos, em que foi definida a gravidade à luz daquilo que se conhecia no momento do furto.
Que a segurança física dos paióis deve obedecer aos correctos padrões, não oferece dúvidas, não é necessária nenhuma reflexão. Mas a ideia de concentração dá-me indicações de que se pode estar a alterar um elemento estratégico da DN. Dado que os sistemas de gestão são apenas modelos da realidade e não ela própria, será sempre necessário usar o conhecimento do momento, já que usar conhecimento do futuro estará fora de causa. A concentração tende, a meu ver, a aumentar a vulnerabilidade militar da nossa infraestrutura e, mais ainda, a adopção de um único sistema de gestão. Daí que o desconforto tenha de ser revisto em alta.

Quanto ao material ‘obsoleto’:

Depois há situações de pormenor sobre a conveniente separação entre material obsoleto, no sentido de preparado para desmilitarização, que é, no fundo, desactivar sistemas. Temos uma empresa para esse efeito, a IDD e que vai com certeza ser preciso reforçar essa componente de desmilitarização para onde as  Forças Armadas acharem que é necessário, não estarmos a ocupar paióis, meios de vigilância e de segurança quando podemos alocar a desmilitarização desse tipo de equipamentos.
Considerando que o MDN reconhece que, mesmo obsoleto, o material mantém níveis de perigosidade, após uma aparente preferência pela concentração, agora parece pretender-se a dispersão sob o argumento de poupar na vigilância. Esta é uma referência difícil de entender e só pode contribuir para aumentar o desconforto e incrementar a confusão.

Finalmente (mas não terminando), surge no semanário Expresso notícia sobre um relatório cuja importância parece significativa, mas cuja origem não é assumida por nenhum organismo. Terá a sua própria história. E não será animadora.

Desconforto, vergonha, confusão, desânimo são os sentimentos que, daqui onde estou, com a capacidade de leitura que possuo, me levam a lamentar a situação que a DN está a atravessar.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Admissões de militares em 2017

Finalmente, foi hoje publicado um Despacho com os quantitativos máximos de militares a admitir em 2017...
Estariam a aguardar para ver se haveria sobras no Orçamento de Estado?


terça-feira, 26 de setembro de 2017

O folhetim das hipóteses

  Na página 14 do 1º caderno do Expresso de 23-9 lê-se: “num documento secreto elaborado pelos serviços de informações militares” que “teve como destinatários a Unidade Nacional de Contra-terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária e os Serviços de Informações de Segurança (SIS)”.
  E hoje consta num artigo do Expresso online: “O documento, de 63 páginas e que o Expresso tem na sua posse, foi elaborado, tal como se escreveu, para conhecimento da Unidade Nacional de Contra Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária e do Serviço de Informações de Segurança (SIS).”
  Será então que tal relatório terá sido enviado directamente para UNCT e SIS sem conhecimento das chefias militares? E que, quem produziu tal relatório, por ser crítico em relação ao CEME e MDN e por estar classificado como Secreto, tenha receio de consequências e, não queira assumir paternidade, confiando em que o Expresso defenda o secretismo das suas fontes? Ou terá sido escrito mas não chegou sequer a ser enviado às referidas entidades?  

Mas, se for mesmo verídico e enviado, Expresso, PJ ou SIS poderão esclarecer qual foi a entidade que o produziu. Mais tarde ou mais cedo.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Relatório?

O Expresso noticiou ter em seu poder um relatório secreto, de 63 páginas, produzido por entidade estatal, sobre o problema de Tancos. Relata parte do seu conteúdo, e afirma que a sua veracidade é atestada por várias fontes. Não diz é se é o original ou uma cópia. E, no que relata, só se vêem opiniões e não dados objectivos, o que soa a muito pouco para ser um "relatório".
 Mas o 1º Ministro e as chefias militares asseguram não ter dele conhecimento nem mesmo que tenha sido produzido.
    É inverosímil que um documento secreto, dessa natureza e extensão, produzido por entidade oficial, tenha sido enviado a um jornal e não à sua tutela.
  Haverá muitas outras hipóteses mas, dada a credibilidade que me merecem os intervenientes, ponho as seguintes:
  1-O documento é falso e as fontes do Expresso consideram-no verídico apenas pelo seu aspecto gráfico e não por terem participado na feitura do relatório ou ouvido directamente quem o tivesse produzido.
  2-O documento é verdadeiro, e, por alguma razão, o original terá ficado retido nalguma gaveta e não chegou às mãos da chefia e tutela.
  Dada a sensibilidade e ampla divulgação deste diferendo, talvez o Expresso pudesse dar uma ajuda: já que relata parte do seu conteúdo, se apresentasse também fotocópia de alguma parte do documento, como o seu cabeçalho e assinatura. O que, não sendo concludente, seria pista importante para tudo se deslindar.
  O director do Expresso disse na SIC que 6ª feira será publicado mais algo sobre o assunto. Mas porquê só dia 29 quando se publica um Expresso diário? E a 2 dias de umas eleições?
 
AINDA TANCOS.......(1)
Lamento, mas não consigo calar-me. 
Olho ao passado, ao presente, aos últimos dias, e a revolta interior aumenta.  E aumentam as coisas que, sendo militar, me deixam muito envergonhado.
O que nem sempre é boa conselheira mas, continuo convicto, não devo ter escrito só disparates. 
Salvo melhor opinião aumenta o número de coisas que, no mínimo, são inacreditáveis
Devem existir várias opiniões entre os militares no activo na reserva e na reforma mas não conheço quase nenhumas, ainda que me chegue notícia de uma grande revolta surda dentro do Exército, aquilo a que um amigo chama "dos muitos homens sérios".
Primeiro-Ministro, MDN e sobretudo este, voltaram a um discurso que me preocupa muito. 
Faz lembrar-me o ministro da propaganda do Sadam, sorridente para as câmaras e com os carros de combate a aparecer por trás, ou os momentos da brigada do reumático nos princípios de 1974.
 E volto a repetir o que escrevi no post anterior - em Portugal, quando as coisas correm mal, em determinada altura senão mesmo logo na fase inicial aparecem "os importantes" a realçar a necessidade de respeitar as instituições, o "sentido de Estado" e por aí fora. 
O que, sendo uma evidência, que constantemente no entanto desprezam até as coisas se complicarem, quando recorrem a estes argumentos uma das razões fundamentais é, acredito, ver se conseguem dominar a "fervura na panela". Amansar a fera.
Depois de, sobretudo, ouvir na TV um deputado do PS na AR em frente ás TV a atirar-se à oposição exactamente falando com aquele ar superior dos que tratam os assuntos sempre com grande rigor e elevação,  mais convicto estou que estamos num terreno muito perigoso, cada vez mais.
Acabei de ver o director do Expresso, com um sorriso assassino, coadjuvado por Sousa Tavares, dar claras indicações de que vários senhores (???) que agora arrotam arrogantemente, no fim desta semana talvez venham a mudar de cor.
Há ou não relatório? Claro que não, não há documento final, assinado, carimbado, com saída registada, a subir as hierarquias todas. 
Não há relatório oficial. Mas acham que somos todos ursos?
E por isso, António Costa, Azeredo Lopes, e uns pândegos deputados do PS dizem o que dizem.
E dizem que ao PR já foi tudo explicado!! 
Pois fiem-se na virgem! 
O que é que está a dar tanto gozo ao director do Expresso? Obviamente não sei.
Mas não é difícil de imaginar. 
Teve acesso a um documento de trabalho, daqueles que em estado já mais avançado circulam entre muita gente de diferentes departamentos e instituições e, portanto, não vão conseguir saber a origem da fuga. 
Documento onde se devem dizer muitas verdades (desde as coisas corriqueiras ás importantes) que ninguém quer assumir, desde há anos, e que devem atingir muitos militares/altas patentes e muitos governantes. E deve mostrar as podridões das estruturas, e este é talvez o cerne da questão.
Está cada vez mais à vista o resultado do que têm feito, há décadas, e concretamente desde 1992. 
Governantes PSD/PS/CDS e várias chefias militares. Desde 1992.
E reafirmo, o Presidente da República, até ao OE, está manietado. Mas vejam a cara dele, registem a escassez de palavras, a contenção.
Aposto que está muito irritado com tudo isto.
Reafirmo, o prestígio das instituições sempre a subir, particularmente quando ao fim de quase 3 meses NADA de concreto.
As instituições naturalmente sempre a funcionar. Dá gosto.


António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

domingo, 24 de setembro de 2017

AINDA TANCOS.......
Passaram basicamente três meses.
Daí para cá passaram-se as coisas mais inacreditáveis, do meu ponto de vista, naturalmente.
Ao nível do, Governo, do Primeiro-Ministro, do ministro da tutela, do CEMGFA, do Exército, do CEME.
Neste magnífico lote incluo, a AR e em particular alguns deputados designadamente do PS e, também, a sempre inefável e fantástica comissão parlamentar de defesa que, nos meus anos de EMA, conheci alguma coisa e então já com alguns dos protagonistas/ dinossauros que ainda por lá andam/ se arrastam.
É sabido, por outro lado, que o PR "arrastou" o MDN por mais do que uma vez para irem de supetão a TANCOS.
Escreveu-se e falou-se: vários comentadores e comentadeiras, jornalistas, blogues,  a AOFA, militares isoladamente (muito poucos e entre eles eu por mais do que uma vez).

No que me respeita, nos vários posts aqui e no meu blogue, procurei raciocinar o mais friamente possível e ter presente a experiência profissional (onde, para o caso em apreço relevam os anos com ligação frequente ao MDN, ao EMGFA, aos serviços de informação, aos seis anos de EMA, a camaradas do Exército, aos inúmeros briefings de CEMA's, CEMGFA's, ás aulas no ex-CSNG). 
Como com todos acontece, algumas das coisas que escrevi e deixei para ponderação por parte de outrem serão discutíveis.
Mas, continuo convicto, grande parte pode ter a ver com realidades.
Em Portugal, quando as coisas correm mal, em determinada altura senão mesmo logo na fase inicial aparecem "os importantes" a realçar a necessidade de respeitar as instituições, o "sentido de Estado" e por aí fora.
O que, sendo uma evidência que constantemente no entanto desprezam até as coisas se complicarem, quando recorrem a estes argumentos uma das razões fundamentais é, acredito, ver se conseguem dominar a "fervura na panela". Amansar a fera.
No caso Tancos, entre realidades lamentáveis de inventários  muito provavelmente deficientes há anos, de material que possa ter ou não entrado em paióis, de possível conivência entre militares e malfeitores de inúmeras categorias, de desleixo e degradação de instalações que em alguns casos serão pouco ou nada justificáveis com os cortes anuais vergonhosos nos orçamentos para as FA, creio que coexiste outro nível a considerar. Um nível com vários patamares. Se quiserem, em vez de níveis, outros ingredientes neste prato requentado de que Tancos é/ foi um caso.

Nesses ingredientes podemos ter (e aqui entra a veia de cozinheiro que condimenta mais ou menos ricamente o que está a confeccionar), lutas de galos da mesma capoeira não só mas também  por causa da politização asquerosa do processo de nomeação de chefias, lutas políticas partidárias e ainda intra-partidárias (há sempre quem anseie chegar a ministro ou subir mais dentro do partido) e não me alongo mais porque há pano para muitas mangas.
Talvez ainda abordar um ingrediente tipo "picante forte, tipo jindungo", e que é a existência de alguns com instinto político não sendo políticos, enquanto outros não passam de saco cheio de vento. E, no presente nacional, é frequente a tentativa de mudar/ subir e deixar o lugar que está a ficar quente.
Nesta coisas de culinária, e concretamente em doçaria, a cereja em cima do bolo é coisa frequente. 
No caso vertente poderá considerar-se a irritação crescente, visível, do PR, que já se terá apercebido da desgraça que grassa dentro do seu "reino" de comandante supremo, como está consciente das várias desgraças dentro do seu "reino" de PR ou seja, está seguro espero eu, de que infelizmente a nossa estrutura global está podre há décadas, e isto pode desmoronar-se um bocado.
Mas não chegavam estas todas preocupações, vem o Expresso e faz quase pior que o louco da Coreia do Norte.
Li e por mais de uma vez. 
Ontem, ao fim do dia, depois de jantar com filhos e netos e regressar a casa, deparo com um desenvolvimento que, no mínimo, rotulo de inesperado, mas não espantoso, pois quase nada me espanta.
Se li bem, o EMGFA desmente que exista um relatório/documento referido pelo Expresso mas que o semanário já veio reiterar que tem e até diz que são 63 páginas, creio. 
Claro que todos os titulares de órgãos de soberania desconhecem.
Claro que todas as chefias militares desconhecem.
Claro que todos os organismos intervenientes nestas coisas desconhecem.
Olhando á legislação em vigor, e tendo presente que o Expresso escreveu - serviços de informações militares - olha-se imediatamente para o CISMIL. O EMGFA diz que não foi. 
Será legítimo imaginar que pode ter sido alguém em jogada arriscada tipo "freelancer", uma vez que creio o CISMIL se espalha por mais de um andar naquele edifício ao Restelo, e nem toda a gente conhecerá todos os cantos à casa?
Neste mundo louco tudo é possível imaginar.
Ou será Balsemão, aflito que anda com as dívidas à banca, a querer puxar pelas tiragens/ vendas?
Neste mundo louco tudo é possível imaginar. Apesar disto, descarto intervenção de Putin!!!!
Bom o post vai logo, e feito propositadamente em jeito de "brainstorming", com larachas, com aspectos mais sérios.
Para finalizar esta "salganhada", recordo-me que foi dito nos OCS que, por causa da "ópera bufa" Tancos, estarão envolvidos no caso, o MP, a PJM, a PJ, o MDN a diferentes níveis quer no ministério quer nas FA e em particular o Exército.
O PR estará muito atento e cada vez mais irritado e a pressionar, e admito que após aprovação do OE as coisas vão ficar mais complicadas para António Costa, Azeredo Lopes,  CEMGFA e CEME.
Acresce, que de certeza que olharam e estarão a olhar para tudo isto, o Conselho de Fiscalização do SIRP (dependência da AR), o Conselho Superior de Informações (PM, ministros etc etc), o Secretário-Geral do SIRP (dependência do PM), e os SIED e SIS.
E, portanto, toda a gente a olhar para toda a gente.
Relatórios vários, super secretos, certo?
Tudo célere, certo?
Portugal no seu melhor. 
E o prestígio das instituições sempre a subir.
E as instituições sempre a funcionar.
Como se vê, com o PM, dentro do MDN que tem entre outras coisas uma inspeção para inspecionar, dentro do CEMGFA que tem uma hierarquia (e inspeções?), dentro do Exército que tem uma hierarquia (e inspeções, certo?), e, mais para o fim da linha, final e felizmente, um capitão, um sargento, um cabo!!!
António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

NÃO, .....   ESTE NÃO FOI ROUBADO........
Afiançaram-me que não foi roubado.  
Ministro Azeredo Lopes pode estar descansado.
Foi cedido há anos para estar à entrada desta aldeia na Beira-Baixa, concretamente, em Penha Garcia.
António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)


terça-feira, 19 de setembro de 2017

Diário da República, 1.ª série — N.º 180 — 18 de setembro de 2017
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
Decreto do Presidente da República n.º 90-A/2017
de 18 de setembro
O Presidente da República decreta, nos termos da alínea h) do n.º 2 do artigo 9.º da Lei Orgânica n.º 1 -B/2009, de 7 de julho, alterada e republicada pela Lei Orgânica n.º 5/2014, de 29 de agosto, o seguinte:
É nomeado, sob proposta do Governo, formulada após iniciativa do Chefe do Estado -Maior -General das Forças Armadas e aprovada pelo Conselho Superior de Defesa Nacional, o Vice -Almirante Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo para o cargo de Comandante da EUROMARFOR, por um período de 2 anos, com efeitos à data da tomada de posse.
Assinado em 15 de setembro de 2017.
Publique -se.
O Presidente da República, MARCELO REBELO DE SOUSA.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Militares a admitir

Publicado hoje o Despacho que estabelece os quantitativos máximos de admissões de militares nos regimes de contrato e de voluntariado, na Marinha, no Exército e na Força Aérea, para o ano de 2017:
 
Categorias                          Marinha       Exército         Força Aérea
Oficiais. . . . . . . . . . . . . . . . .         40              83          91            214
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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Documentário


Recebido, com pedido de publicação, o seguinte texto:

"A Associação Conquistas da Revolução, informa que no próximo dia 19 de Setembro pelas 2315h será transmitido na RTP2,  o documentário sobre o Gen.  Vasco Gonçalves,  O General no seu labirinto." 

terça-feira, 12 de setembro de 2017

A Culatra (1)
Estava sossegado a ler, a minha mulher veio dizer-me que tinham estado na chacota com a Marinha, com o almirante Silva Ribeiro, a propósito do anúncio sobre a intenção de utilização da Culatra para treino dos FZ.
Fui ver, apelando à maravilha da técnica, andando para trás. 
O comentador, José Júdice, que como todos nós diz coisas acertadas e outras não, tem uma característica: julga-se com muita piada, que tem graça. Creio que a maioria das vezes não tem. Esta é a minha opinião.
No caso vertente, presente que desconheço em concreto o que estaria gizado pelo almirante Silva Ribeiro, presente ainda que a proteção do ambiente  e das zonas protegidas é algo sempre a salvaguardar a todo o transe, a realidade é que o historial dos ambientalistas mostra lutas muito importantes a par de verdadeiras patetices. Estou concretamente a lembrar-me do processo da construção da ponte Vasco da Gama.
Isto dito, atrevo-me a presumir que alguém anda a ponderar pouco certas coisas. Anda a colocar-se a jeito.
Vou estar atento aos próximos capítulos.
António Cabral
cAlmirante, reformado
(chapéus há muitos)

domingo, 10 de setembro de 2017

A Culatra
Culatra, conheço duas: a ilha da Culatra no Algarve e uma peça/ mecanismo de arma de fogo.
Há poucos dias vi uma notícia salvo erro no DN relatando que o actual Almirante CEMA teria indicado que a Marinha iria retomar a realização de exercícios diversos no âmbito do necessário treino e adestramento de pessoal FZ. Onde? Na ilha da Culatra.
Dei-me ao trabalho de ouvir uma gravação de um discurso ambientalista, via DN, sobre este anúncio do CEMA.
Pela minha parte, como cidadão, como marinheiro, e tendo uma parte da minha carreira ligada a estes assuntos e concretamente à inactivação de engenhos explosivos, vou procurar estar muito atento ao desenvolvimento desta matéria.
António Cabral
cAlmirante, reformado
(chapéus há muitos)

Alm. Alfredo de Oliveira

 
Pelo Alm. Nunes da Silva, chegou-nos há pouco a notícia do falecimento do seu camarada de curso Alm. Alfredo de Oliveira.
O Alm. Alfredo de Oliveira foi, reconhecidamente por quantos o conheceram, um oficial brilhante da nossa Armada que tanto deu não só à Marinha como ao País.
Segundo a mesma notícia, o corpo irá para a capela de S. Roque amanhã, dia 11 pelas 17:00 h, seguindo para o cemitério no dia seguinte pelas 13:00 h.
À Família enlutada, a todos os seus Amigos e Camaradas, em particular aos do Curso D. João II, o "Navio ... desarmado" apresenta sentidas condolências.."

Aditamento:

O corpo só irá para a capela às 1800 de amanhã e o cemitério será o dos Olivais, para cremação.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

CTEN (Ref) Mário Fernandes de Oliveira

Tivemos conhecimento, através d' "A voz da Abita", da seguinte comunicação:

"Estimados Camaradas:
Lamento dar a conhecer o falecimento do nosso camarada, e antigo professor da Escola Naval  Comandante Mário Fernandes de Oliveira.
A notícia chegou ao nosso conhecimento através de uma informação, que agradecemos, remetida pelo Comandante Rui Santos Paiva e que a seguir transcrevemos:
 "Tive agora mesmo conhecimento por intermédio do genro do Comandante Mário de Oliveira, nosso professor na Escola Naval, do seu falecimento hoje de manhã e que a Missa será amanhã 2ªfeira pelas 1500 na Basílica da Estrela seguindo o funeral para o cemitério dos Prazeres."

À sua Família, a todos os seus Amigos e Camaradas, em particular aos do Curso D. João II, os nossos sentimentos de pesar."

O "Navio... desarmado" agradece a comunicação e associa-se a esta manifestação de pesar.