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domingo, 24 de setembro de 2017

AINDA TANCOS.......
Passaram basicamente três meses.
Daí para cá passaram-se as coisas mais inacreditáveis, do meu ponto de vista, naturalmente.
Ao nível do, Governo, do Primeiro-Ministro, do ministro da tutela, do CEMGFA, do Exército, do CEME.
Neste magnífico lote incluo, a AR e em particular alguns deputados designadamente do PS e, também, a sempre inefável e fantástica comissão parlamentar de defesa que, nos meus anos de EMA, conheci alguma coisa e então já com alguns dos protagonistas/ dinossauros que ainda por lá andam/ se arrastam.
É sabido, por outro lado, que o PR "arrastou" o MDN por mais do que uma vez para irem de supetão a TANCOS.
Escreveu-se e falou-se: vários comentadores e comentadeiras, jornalistas, blogues,  a AOFA, militares isoladamente (muito poucos e entre eles eu por mais do que uma vez).

No que me respeita, nos vários posts aqui e no meu blogue, procurei raciocinar o mais friamente possível e ter presente a experiência profissional (onde, para o caso em apreço relevam os anos com ligação frequente ao MDN, ao EMGFA, aos serviços de informação, aos seis anos de EMA, a camaradas do Exército, aos inúmeros briefings de CEMA's, CEMGFA's, ás aulas no ex-CSNG). 
Como com todos acontece, algumas das coisas que escrevi e deixei para ponderação por parte de outrem serão discutíveis.
Mas, continuo convicto, grande parte pode ter a ver com realidades.
Em Portugal, quando as coisas correm mal, em determinada altura senão mesmo logo na fase inicial aparecem "os importantes" a realçar a necessidade de respeitar as instituições, o "sentido de Estado" e por aí fora.
O que, sendo uma evidência que constantemente no entanto desprezam até as coisas se complicarem, quando recorrem a estes argumentos uma das razões fundamentais é, acredito, ver se conseguem dominar a "fervura na panela". Amansar a fera.
No caso Tancos, entre realidades lamentáveis de inventários  muito provavelmente deficientes há anos, de material que possa ter ou não entrado em paióis, de possível conivência entre militares e malfeitores de inúmeras categorias, de desleixo e degradação de instalações que em alguns casos serão pouco ou nada justificáveis com os cortes anuais vergonhosos nos orçamentos para as FA, creio que coexiste outro nível a considerar. Um nível com vários patamares. Se quiserem, em vez de níveis, outros ingredientes neste prato requentado de que Tancos é/ foi um caso.

Nesses ingredientes podemos ter (e aqui entra a veia de cozinheiro que condimenta mais ou menos ricamente o que está a confeccionar), lutas de galos da mesma capoeira não só mas também  por causa da politização asquerosa do processo de nomeação de chefias, lutas políticas partidárias e ainda intra-partidárias (há sempre quem anseie chegar a ministro ou subir mais dentro do partido) e não me alongo mais porque há pano para muitas mangas.
Talvez ainda abordar um ingrediente tipo "picante forte, tipo jindungo", e que é a existência de alguns com instinto político não sendo políticos, enquanto outros não passam de saco cheio de vento. E, no presente nacional, é frequente a tentativa de mudar/ subir e deixar o lugar que está a ficar quente.
Nesta coisas de culinária, e concretamente em doçaria, a cereja em cima do bolo é coisa frequente. 
No caso vertente poderá considerar-se a irritação crescente, visível, do PR, que já se terá apercebido da desgraça que grassa dentro do seu "reino" de comandante supremo, como está consciente das várias desgraças dentro do seu "reino" de PR ou seja, está seguro espero eu, de que infelizmente a nossa estrutura global está podre há décadas, e isto pode desmoronar-se um bocado.
Mas não chegavam estas todas preocupações, vem o Expresso e faz quase pior que o louco da Coreia do Norte.
Li e por mais de uma vez. 
Ontem, ao fim do dia, depois de jantar com filhos e netos e regressar a casa, deparo com um desenvolvimento que, no mínimo, rotulo de inesperado, mas não espantoso, pois quase nada me espanta.
Se li bem, o EMGFA desmente que exista um relatório/documento referido pelo Expresso mas que o semanário já veio reiterar que tem e até diz que são 63 páginas, creio. 
Claro que todos os titulares de órgãos de soberania desconhecem.
Claro que todas as chefias militares desconhecem.
Claro que todos os organismos intervenientes nestas coisas desconhecem.
Olhando á legislação em vigor, e tendo presente que o Expresso escreveu - serviços de informações militares - olha-se imediatamente para o CISMIL. O EMGFA diz que não foi. 
Será legítimo imaginar que pode ter sido alguém em jogada arriscada tipo "freelancer", uma vez que creio o CISMIL se espalha por mais de um andar naquele edifício ao Restelo, e nem toda a gente conhecerá todos os cantos à casa?
Neste mundo louco tudo é possível imaginar.
Ou será Balsemão, aflito que anda com as dívidas à banca, a querer puxar pelas tiragens/ vendas?
Neste mundo louco tudo é possível imaginar. Apesar disto, descarto intervenção de Putin!!!!
Bom o post vai logo, e feito propositadamente em jeito de "brainstorming", com larachas, com aspectos mais sérios.
Para finalizar esta "salganhada", recordo-me que foi dito nos OCS que, por causa da "ópera bufa" Tancos, estarão envolvidos no caso, o MP, a PJM, a PJ, o MDN a diferentes níveis quer no ministério quer nas FA e em particular o Exército.
O PR estará muito atento e cada vez mais irritado e a pressionar, e admito que após aprovação do OE as coisas vão ficar mais complicadas para António Costa, Azeredo Lopes,  CEMGFA e CEME.
Acresce, que de certeza que olharam e estarão a olhar para tudo isto, o Conselho de Fiscalização do SIRP (dependência da AR), o Conselho Superior de Informações (PM, ministros etc etc), o Secretário-Geral do SIRP (dependência do PM), e os SIED e SIS.
E, portanto, toda a gente a olhar para toda a gente.
Relatórios vários, super secretos, certo?
Tudo célere, certo?
Portugal no seu melhor. 
E o prestígio das instituições sempre a subir.
E as instituições sempre a funcionar.
Como se vê, com o PM, dentro do MDN que tem entre outras coisas uma inspeção para inspecionar, dentro do CEMGFA que tem uma hierarquia (e inspeções?), dentro do Exército que tem uma hierarquia (e inspeções, certo?), e, mais para o fim da linha, final e felizmente, um capitão, um sargento, um cabo!!!
António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)