sexta-feira, 29 de maio de 2015

A AOFA e o EMFAR


A AOFA acaba de enviar a seguinte mensagem a toda a comunicação social:

Em protesto pela publicação do EMFAR, oficiais devolvem condecorações à Presidência da República_29 de Maio_17H30
Exmas./Exmos. Senhoras/Senhores Jornalistas
Tendo como pano de fundo os laços de camaradagem e de solidariedade que unem os militares, ainda mais enraizados durante as comissões de serviço que cumpriram durante a Guerra, uma delegação de oficiais, representando o que sente a esmagadora maioria dos militares, devolverão, hoje, dia 29 de Maio, pelas 17H30, à Presidência da República, as condecorações que corresponderam àquelas comissões.
A devolução será acompanhada pela entrega de um documento.
Fazem-no, simbolicamente, em nome dos oficiais, dos outros militares e dos antigos combatentes, em todas as situações, muitos deles sem poderem exprimir o que lhes vai na alma devido às restrições a que são sujeitos os seus direitos de cidadania, no dia em que foi publicada a revisão do Estatuto dos Militares das Forças Armadas (EMFAR).
Fazem-no, dando público testemunho do sentimento de profundo descontentamento que essa revisão vem provocar e alertando para as consequências não negligenciáveis sobre as próprias Forças Armadas, de que Sua Exa. o Presidente da República é, por inerência, o Comandante Supremo.
Fazem-no por sentirem que é um seu Dever de Honra.
A delegação, que será acompanhada pelo Presidente da AOFA, estará à vossa disposição no café que fica situado à esquina em frente do palácio presidencial, à entrada da Calçada da Ajuda, a partir das 17H15.
Para esclarecimentos complementares é favor contactar o Presidente da AOFA, Coronel Pereira Cracel (964234541).
Com os melhores cumprimentos,
O Responsável pelas Relações Públicas
Tasso de Figueiredo
Coronel TPAA

Nota: Para aceder à versão integral do Estatuto dos Militares das Forças Armadas, publicada hoje em DR, podem seguir esta ligação.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

CFG FZ Manuel Severino Gaspar de Sousa Dias

Lamentamos informar que faleceu hoje dia 28 de Maio de 2015, depois de um período de mais de dois anos e meio hospitalizado com perda de conhecimento, o 202272 CFRAG FZ REF Manuel Severino Gaspar de Sousa Dias que já neste mês completara 69 anos.
O corpo seguiu ainda hoje do HFA para a Igreja do Campo Grande em Lisboa onde foi celebrada Missa ás 18H30 e sairá nesta Sexta-Feira dia 29 ás 10H00 para Valado dos Frades onde, antecedendo o funeral para o cemitério local, será celebrada Missa ás 14H30.
“O Navio…desarmado” apresenta sentidas condolências á Família enlutada e em particular à sua mulher Aura e aos seus dois filhos.

Obs: O Comte Sousa Dias do Quadro de Oficiais Fuzileiros, fez parte do 21º CFORN que foi incorporado na Armada em 31AGO1972.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Lançamento de livro - Convite

Recebido do Cte Pedro Lauret o seguinte convite, com pedido de publicação:


segunda-feira, 25 de maio de 2015

CFR REF Luís António Pessoa Brandão


Faleceu ontem, 24 de Maio, o Luís António Pessoa Brandão. Tinha 74 anos.
Tendo ingressado na Escola Naval em 1960, no Curso “Luís de Camões”, imediatamente após ser promovido a guarda-marinha especializou-se em Fuzileiro, tendo feito uma comissão em Angola, integrado num Destacamento de Fuzileiros Especiais. 
Seguiu-se depois, já especializado em Electrotecnia, uma comissão a bordo de uma fragata em Moçambique, comissão à qual se seguiu outra no Comando da Defesa Marítima da Guiné, que terminaria com a independência do território. Em 1975 integrou o IV e V Governos Provisórios como Subsecretário de Estado do Comércio Interno. Capitão-tenente, foi o primeiro comandante da corveta  Oliveira e Carmo, um dos dois últimos navios portugueses que, já em 1976, afirmaram a soberania portuguesa nas águas de Timor. Terminou a sua carreira naval como capitão do Porto de Aveiro tendo, em 1998, passado à reforma.
O féretro sairá amanhã, terça-feira, da capela de S.Tomé, na Pocariça, Cantanhede, para o cemitério da Figueira da Foz, onde chegará pela 1400.

"O Navio... desarmado" apresenta sinceras condolências à Família enlutada e em particular a sua mulher Fernanda, aos seus filhos e ao seu irmão, o nosso camarada CMG EMQ REF Luís Guilherme Ivens Brandão.

domingo, 24 de maio de 2015

Dia da Marinha 2015 
Cerimónias em 24 Maio





António Cabral, cAlmirante, reformado

Dia da Marinha 2015, em Lisboa

Para quem não tenha estado presente nas cerimónias do Dia da Marinha deste ano ou não tenha recebido por outras vias o discurso de 24MAI2015 do Chefe do Estado Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional, pode lê-lo em:

Discurso do Almirante CEMA e AMN por ocasião do Dia da Marinha

sábado, 23 de maio de 2015

Dia da Marinha - T.Paço, Mar da Palha, Sta Apolónia 
Na noite de 23 de Maio de 2015.



António Cabral, cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

quinta-feira, 21 de maio de 2015

DESENTENDIMENTOS na "GUARNIÇÃO"

António Cabral, cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)
Dia da Marinha - 2015
Concerto Oficial - 20 de Maio
Sou dos que puderam assistir ontem no cinema SJorge ao concerto da Banda da Armada.
Para mim, um excelente concerto.
Nesta matéria sou mais que suspeito: sou oficial da Marinha e durante quatro anos, por razões de serviço, convivi e falei várias vezes com o anterior chefe da Banda da Armada. E assisti a vários espectáculos.
Declaração de interesses feita, salvo melhor opinião e sem nenhuma desconsideração para os anteriores Chefes, esse Chefe e o actual deram um grande impulso à Banda da Armada. 
Salvo melhor opinião, e do mais recente recordo ainda os concertos dos DM 2013 em Setúbal e DM 2014 em Cascais, a Banda da Armada está com um nível extraordinário. Ainda bem, e ainda bem  também que a esmagadora maioria dos seus músicos tem formação e preparação muito boas trabalhando também muitos deles fora da Banda da Armada.
Isto dito, deixo algumas fotografias, lamentavelmente ainda mais fracas que o habitual pois não fui preparado com o material mais apropriado.
António Cabral, cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

 Esta fotografia em baixo, retrata um dos momentos mais espectaculares, na minha opinião, naturalmente. Que profissional, que executante!!

 SExa o Almirante CEMA, agradeceu à convidada especial, Dulce Pontes, e dirigiu depois à Banda da Armada das melhores palavras que ouvi ao longo da minha carreira.

ACADEMIA DE MARINHA


No passado dia 19 de Maio realizou-se na Academia de Marinha uma sessão solene, integrada nas comemorações do Dia da Marinha 2015. A sessão, presidida pelo Alm CEMA, teve como oradores os académicos Guilherme de Oliveira Martins ("As razões de Zurara à chegada à Índia") e VAlm João Pires Neves que abordou o tema "Portugal no seu Imaginário. Do passado ao futuro. Uma visão de Marinheiro". Este último "falou sobre este nosso país, este nosso Portugal, ao jeito de um cidadão que é também marinheiro, em torno de três momentos, três tempos diferentes da sua já longa existência enquanto "poder soberano organizado": "passado", "presente" e "futuro" ... quanto ao futuro o autor explicita, tentativamente, alguns dos desafios que, do seu ponto de vista, se lhe colocam exactamente com o propósito de acautelar esse mesmo futuro."
Ambas as intervenções foram recebidas com muito agrado e bastante aplaudidas pela assistência que enchia o auditório. Para acederem à versão integral da intervenção do VAlm Pires Neves podem seguir esta ligação.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

A propósito da entrevista à Antena 1 do formalmente designado por MDN (3ªparte)
Mais alguns aspectos da entrevista:
- O MDN considera apropriada a actual dimensão de militares prevista para 2015, creio que cerca de 31500. Não tenho elementos/ estudos para o poder aferir. Mas não me parece correcto avaliar efectivos hoje com referência a 1993. Os tempos são outros, algumas ameaças e riscos diferentes, não estamos no País de 1993. Não se definem necessidades por comparação com efectivos no passado.
- Gaba-se este MDN de estar em letra de lei a famosa verba do 1,1 ou 1,2 % do PIB; veremos se vai ser assim, com os vindouros, pois ele não a vai aplicar; aguardemos pelas novas anunciadas energias!!!!.
- Gaba-se da actualização da lei de programação militar, e aqui também me parece que tenho de engolir em seco, pois julgo que é verdade que ela não era actualizada há quase seis anos. Mas, com este governo, não se manteve a tradicional vergonha de cativarem verbas das anteriores leis de programação militar? Sim, por governos socialistas, sociais-democratas e destes em coligação com o CDS. e quanto à lei de programação de infra-estruturas? Outra vergonha?
- Os jornalistas, muito gentilmente, abordaram a questão da potencial compra do navio francês SIROCO. Ouvi e estarreci. Com a maior das latas - "foram as forças armadas que mo propuseram" (julgo que não foi a Marinha); perguntado se havia condições para a compra - "está a ser estudado"; perguntado se inviabiliza a modernização de duas fragatas - "não, mas claro que será a um ritmo mais lento" (na prática, fica adiada); claro que os bondosos e venerandos jornalistas não forçaram coisa nenhuma. Não pediram a identificação de quem em concreto propôs a compra, detalhes sobre que impactos concretos para a Marinha. Mais um frete bem combinado.
- Por último, gabou-ser acerca dos ENVC. Creio que alguns factos por ele referidos correspondem à triste realidade. Disse que existem agora condições para recomeçar a construção dos NPO para a Marinha. Nenhum dos dois jornalistas lhe pediu para informar acerca de, custos, quando, quantos navios, a que ritmo, etc. Uma vergonha. 

Em síntese, fica-me a sensação de ter presenciado uma peça descarada, propaganda eleitoral da mais vergonhosa, com a agravante inacreditável de se usar as FA. Foram afirmadas algumas coisas em que me parece que o ministro tem mais razão do que alguns que se atiram a ele. Falou constantemente da "consensualização com as chefias militares". Eu pergunto: É verdade? É Mentira? Tenho a noção do que publicamente se pode/ deve ou não afirmar no quadro da estrutura superior das FA. Mas há silêncios terríveis. A evitar, até porque se pode dar notícia de incómodos de várias maneiras, e na mesma fidedignas. É que quem cala consente. E os chefes militares não escapam a isto.
Sou dos que tenho criticado os governos e os políticos, porventura nem sempre da melhor forma, mas não o faço por uma questão de cor política, por ser moda. Nem quero vir a ser assessor de ninguém. Há muito tempo que venho procurando olhar apenas a comportamentos (não ao anunciado), ás realidades concretas, aos resultados práticos das sucessivas governações. Um pequeno exemplo, mau exemplo, são as sucessivas violações de legislação em vigor, havendo na área militar verdadeiros escândalos, a que este MDN, este Primeiro-Ministro, esta AR, este PR, e boa parte da actual oposição, fecham os olhos. Lamentável.
António Cabral, cAlmirante, reformado
(chapéus há muitos)
A propósito da entrevista à Antena 1 do formalmente designado por MDN (2ªparte)
Existem muitas outras questões. Têm particularmente a ver com uma cultura ainda existente de subserviência, de séquito, de passividade, de incompetência e ausência de verticalidade. Cultura entranhada, quer nos que não gostam de ter à sua volta quem em privado apresente em tempo útil argumentos diferentes (mas sem nunca perder as noções do dever e da lealdade ao chefe), aos cinzentos que passam a vida a engolir e baixar a cabeça mas a cortar nas costas.
O actual inquilino de Belém, aliás como os dois anteriores (os mandatos do ex-PR Ramalho Eanes não me parecem comparáveis, pela situação político-constitucional de então) tenho quase a certeza de que nunca usou o seu poder/ direito de chamar isoladamente um chefe militar, para os auscultar sobre matérias de defesa nacional e especificamente na esfera respectiva. (Art 10º, Lei Orgânica nº1-B/ 2009/ 7 de Julho) - (“Ah,…....o chefe da minha casa militar mantem-me sempre informado!!) POIS! 
O ex-PR Sampaio, idem, mas foi lesto em receber as associações militares antes dos chefes militares o decidirem fazer. Se houve chefes militares que nessa altura fizeram “pés duros nesta questão” o ex-PR devia ter falado com eles, exercido o seu poder de comandante supremo e o seu magistério de influência, e não abdicar de lhes explicar, com democrática veemência, que os tempos eram outros e, portanto, não podia deixar de haver daí em diante relacionamento institucional entre chefias militares e associações, e depois, com os orgãos de soberania quando fosse caso disso. Mas não, nessa altura, talvez porque para ele houvesse mais vida para além de tratar das questões militares com equilíbrio e prudência, mais uma borrada, a meu ver, naturalmente. Quanto ao ex-PR Mário Soares não digo nada, não vá eu receber um SMS - saia daqui!!!
Audições em sede de comissão parlamentar de defesa, ao longo dos anos e com poucas excepções, têm sido de uma tristeza confrangedora. Vazias de resultados positivos e inovadores.
PR's, AR, comissões parlamentares de defesa, Primeiros-Ministros e ministros, todos foram sempre olhando para a “coisa” defesa nacional com aquele ar incompetente de desdém - ah, isso é com a tropa.
Os sucessivos MDN sempre trataram de olhar à sua “paróquia”, ao que se passava dentro do edifício cor de rosa ao Restelo, deliciando-se com o mundo civil ali reinante, e olhando as mais das vezes com desconfiança os chefes militares. Verdade seja dita, a minha verdade naturalmente, que ao longo dos anos algumas poucas vezes terá havido razão para essas desconfianças. 
Quando se ouve atentamente toda a recente entrevista na Antena 1 que foi “proporcionada" ao actual MDN, ressaltam várias coisas.  “Proporcionada”, porque me ficou sensação de verdadeiro frete para campanha eleitoral para este MDN, eterno aspirante á chefia do partido. 

Da entrevista:
- Reforma 2020 - se prudente e conscencioso, o MDN não se devia vangloriar de tudo, mas eu ouço e tenho que engolir que nenhuma reforma, nenhum passo na AR no âmbito da  "dita reforma 2020”, teve voto contra do PS. E esse facto não me augura tempos próximos muito diferentes do tempo presente, que é lamentável. E quando ele atira com a "consensualização das chefias militares", isso é ou não verdade? Olhe-se aos factos e aos silêncios ensurdecedores!
- A reforma da saúde creio que é uma das coisas feitas (!!??!!) mais criticáveis, no tempo e na forma; para lá de ter havido numa determinada fase alguma porventura excessiva objeção por parte dos Ramos, a realidade é que se avançou à bruta, sem os pés na terra. A direcção actual do HFAR e o CEMGFA não confessam as consequências e as dificuldades sérias; contentores e outras coisas são adereços curiosos. Assim, o ministro ri-se sem qualquer pingo de vergonha. Mas as dificuldades estão aí, reais, apontadas por muitos militares/ utentes, em que uma das mais simples é a aventura na marcação de consultas.E quanto aos militares que não recorrem ao HFAR? - “Ah, dirá o ministro, estão a ver, o poder de compra dos militares permite que recorram ao SNS e aos privados!" A questão da condição militar quanto ao apoio de militares e família não vale nada para a criatura!
- A noção que tenho, até porque continuo a acreditar naqueles que me dão certas informações, é que existe descontentamento a certos níveis dentro das FA. Maior nas camadas mais jovens. Mas o descontentamento, a meu ver, se está em crescendo nos últimos 4 anos, a realidade é que ele vem muito detrás. Não nos iludamos. E regressando à representatividade dos militares, se o MDN não dá importância (tal como o PR, o PM, os deputados; e as chefias dão?) ao inquérito da AOFA, se porventura achar irrelevante uma participação de 622 (salvo erro) oficiais do activo no referido inquérito, talvez fosse interessante as chefias militares fazerem-lhe chegar os relatórios internos periódicos dos Ramos e do EMGFA, onde essas matérias se tratam. Ou pelo menos tratavam. A menos que as chefias militares não queiram maçar o senhor ministro!!!! Mas se o maçam e ele conhece a situação interna ouvida dos chefes militares, então, esgotam-se-me os adjectivos para qualificar a criatura. E a ser assim, em cheque o PM e sobretudo o PR. (continua)
António Cabral, cAlmirante, reformado
(chapéus há muitos)
A propósito da entrevista à Antena 1 do formalmente designado por MDN (1ªparte)
Ele é tão bom ou tão mau como todos os anteriores MDN. Qualidades e defeitos, como todos nós, mas em proporções muito desequilibradas. Na "senda reformista" do actual governo, uma das pedras de toque deste advogado nomeado ministro, foi lançar-se na célebre (!?!) reforma 2020. Sempre com discursatas nos media, para mostrar que está politicamente vivo. Propaganda pura. Há imensas pessoas e sobretudo políticos como este, que gostam de se ouvir a si mesmos. Temos que ter cristã paciência, mas não calar. Olhando ao publicado em DR, de facto mexeu em muita coisa, estando para sair um "belo EMFAR", abençoado pelo Presidente da República, certamente bem aconselhado pela Casa Militar!. Talvez também por isso, mais um frete, desta vez da Antena 1. Onde lhe podiam ter perguntado, por exemplo, porque delegou quase todas as suas competências formais na inefável secretária de Estado.

Declaração de interesses: Sou sócio da AOFA, desde 1999, quando no activo, prestava serviço no então SACLANT. Associei-me, não ao princípio da constituição da AOFA, mas depois de meditar muito sobre o assunto. Não tenciono deixar de ser associado, mas também não concordo com tudo o que a AOFA tem promovido. 

Quando o actual MDN diz que quem representa as FA são as chefias militares, isso é inteiramente verdade. Não são de facto as associações, que representarão directamente porventura cerca de 10% dos militares.
Mas o actual inquilino do edificio no Restelo esquece que, qualquer associação, não fica diminuida nos seus deveres e direitos por não ter formalmente como associados todos os profissionais em relação aos quais procura proteger os respectivos interesses sócio-profissionais. Para advogado é lastimável escamotear isto. Razão extra embora desnecessária, para não ter nenhuma consideração pelo actual MDN. Mas ele pode ficar descansado, não tem o monopólio do meu desprezo.

Qualquer governo deve conduzir a política geral do País de acordo com a Constituição (Artº 182º CRP), e o seu programa deve respeitar a Lei primeira (Artº 188º CRP). Os governos são responsáveis perante o PR e a AR (Artº 190º CRP). Incumbe ás Forças Armadas a defesa militar da República (Artº 275º nº 1 CRP), as quais estão apenas ao serviço do povo português, e são rigorosamente apartidárias………..(Artº 275º nº 4 CRP). 
Da Lei Orgânica nº1-B/ 2009/ 7 de Julho, republicada com as alterações introduzidas pela Lei Orgânica nº 5/ 2014/ 29 de Agosto pode ver-se que:
1. são directamente responsáveis pelas Forças Armadas e pela componente militar da defesa nacional os CEMGFA, CEMA, CEME, CEMFA (Artº 8º, nº 2)
2. o PR na sua qualidade de comandante supremo tem que ser informado pelo governo acerca da situação das FA (Artº 10º, nº 1. b) e tem o direito de consultar os CEMGFA, CEMA, CEME, CEMFA (Artº 10º, nº 1. f) 
3. CEMA, CEME, CEMFA dependem hierarquicamente do CEMGFA nas matérias relativas à capacidade de resposta das FA designadamente na prontidão, emprego, e sustentação operacional do sistema de forças (Artº 23º, nº 3.).

Do supra indicado, se pode concluir quão bem estão na fotografia “defesa nacional” todos os titulares dos cargos referidos. A começar pelo mais alto magistrado, que é alto de facto.  
Mesmo para quem não tem formação jurídica, parece-me fácil concluir que qualquer ministro, neste caso o desigando por "da defesa nacional", se pode perfeitamente pronunciar sobre tudo aquilo que está na sua dependência (Lei Orgânica nº1-B/ 2009/ 7 de Julho, Artº 13º, 14º e 20º).
Uma leitura restritiva do nº 2º do Artº 8º supra referido, poderá suscitar algum conforto aos que afirmam que o MDN não tem legitimidade para se pronunciar sobre as FA, mas apenas os chefes militares. Pessoalmente discordo dessa posição, e desde logo porque constitucionalmente o poder político está hierarquicamente acima do poder militar. Constitucionalmente, PR, AR, Governo.
O que podemos pessoalmente considerar das, palavras, acções, e inações deste advogado empossado como MDN como aliás de todos os seus antecessores, como meias verdades ou mesmo redondas mentiras, ou poucas vergonhas no exercício do cargo, isso é já outra coisa. Como outra coisa é a postura e acção concretas de todos os antecessores MDN e de todas as chefias militares desde 1974. (continua)
António Cabral, cAlmirante, reformado
(chapéus há muitos)

terça-feira, 19 de maio de 2015

Recordações. E, já agora, a propósito do advogado formalmente designado MDN.

Hoje, 19 de Maio, pelas 2340 horas, fará 42 anos que, quando o meu navio navegava em ocultação total de luzes e em postos de combate/bordadas, fui/ fomos atacámos por bombordo no rio Cacheu, na Guiné, hoje Guiné-Bissau. Como outros, que estávamos no exterior do navio, tive muita sorte. Estava uma noite de espectacular luar.
Morreu um comando africano, junto a quem rebentou o primeiro e único projéctil/ granada lançado pelos então guerrilheiros do PAIGC. Houve feridos, um incêndio, e o navio teve danos vários, inclusive um rombo abaixo da linha de água.
Passadas semanas, um relatório da PIDE/DGS, confirmou a morte de todo o grupo de guerrilheiros atacantes.
Não era de esperar o contrário, pois tinham que infiltrar-se pelas densas árvores junto ao rio, e ainda que sem serem vistos de bordo, a reação de fogo do navio e de todo o pessoal armado que estava no exterior e que terá durado para aí um minuto no máximo, varreu com aço literalmente toda a zona. Como se viu no local na manhã seguinte ao ataque, uma zona enorme quase circular de árvores zurzidas, sem folhagem, sem ramos pequenos, sem casca. Tudo branco. O tempo voa, 42 anos! 
Eu não esqueço. E recordo, com emoção, todos os que estavam comigo, e não vejo há muitos anos. Recordo, também, todos os que connosco conviveram naquelas paragens Africanas, de 29 de Outubro de 1971 a 28 de Julho de 1973.
Andam para aí muitos que não esquecem nada, porque quase nada ou mesmo nada sabem. Mas sobretudo não sabem respeitar. 

Não respeitam os que como eu andaram na guerra e que felizmente regressaram quase sem sequelas. Mas acima de tudo não respeitam os milhares de portugueses que regressaram de África com sequelas e os familiares dos que tombaram pela Pátria. Esquecem além disso, o que a CRP estabelece, e o que está em letra de lei na legislação que enquadra a Defesa Nacional e a sua componente militar. 
Dever de tutela, respeito pela lei, verticalidade, honestidade intelectual, respeito pela história do País, estes e outros valores são lixo para a “gentinha” que desgraça o País.
Os tempos são outros, a realidade do País é diferente, as missões, os meios designadamente os recursos humanos tem que se conformar ás realidades do presente, mas devendo olhar e acautelar o futuro.
Concretamente, o advogado que formalmente foi empossado como MDN, manifesta constantemente, sem qualquer pingo de vergonha, uma postura deplorável em relação ás Forças Armadas. Tem conseguido com variações próprias, algumas para pior, continuar na senda lastimável dos seus antecessores, TODOS. Lamentável.E sobretudo deplorável o teor eleitoralista e em algumas fases verdadeiramente falacioso, da longa entrevista que o actual titular do cargo concedeu há poucos dias a jornalistas da Antena 1.Uma entrevista que pareceu muito um frete combinado. Vou voltar a escutar, regressarei ao assunto.
António Cabral, cAlmirante reformado.
(Chapéus há muitos)


segunda-feira, 18 de maio de 2015

O MINISTRO DA DEFESA NACIONAL E A SATISFAÇÃO DOS MILITARES

Em entrevista de há dois dias na Antena 1, o Ministro da Defesa Nacional afirmou que, em resultado das reformas aplicadas pelo Governo no sector que tutela, “com a consensualização das chefias militares”, as Forças Armadas estão agora mais sustentáveis, mais operacionais e mais satisfeitas. Num inquérito recente realizado pela AOFA aos oficiais, que obteve 1227 respostas, os inquiridos manifestaram a opinião de que nas Forças Armadas, no decurso da última década, pioraram ou pioraram muito: - As condições de operacionalidade (mais de 80% das respostas); - As condições de trabalho (67% das respostas); - As condições de segurança (60% das respostas). Note-se ainda que, no respeitante à assistência na doença, às recentes alterações ao EMFAR e consequente menosprezo pela “condição militar”, os inquiridos manifestaram elevadíssimas percentagens de descontentamento. A registar ainda que, considerando as 622 respostas de oficiais do activo, mais de 44% dos inquiridos declarou que, se lhe fosse possível, abandonaria a carreira militar. Perante este quadro, como pode Sua Excelência ter o desplante de falar em satisfação das Forças Armadas. Até parece estar a referir-se a outro país que não Portugal. Parecendo-me difícil de acreditar que haja de facto militares que tenham manifestado ao Senhor Ministro satisfação pela actual situação das Forças Armadas, julgo de concluir que se trata de uma lamentável e descarada invenção com finalidades político-partidárias. E utilizar as Forças Armadas para tal fim não pode deixar de ser classificado como um acto profundamente condenável.

domingo, 17 de maio de 2015

Marcou a nossa vida


António Cabral, cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)
O "nosso Ministério" da Marinha
António Cabral, cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos - marrevoltado.blogspot.pt)
Comemorações do Dia da Marinha - 2015
Concerto 16 Maio
Preparação
Aquecimento
Pronto para começar
António Cabral, cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

sábado, 16 de maio de 2015

A propósito do Mar


António Cabral, cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

sexta-feira, 15 de maio de 2015

EFEMÉRIDES
Já tive ocasião de voltar a ouvir grande parte da última (creio) prestação da Ministra da Administração Interna, sobre segurança interna, forças de segurança, proteção civil, etc.
Sem pretender ser deselegante, foi uma prestação fraquíssima.
Numa fase da carreira (dois períodos, 3 anos +1), tive a oportunidade de me debruçar um pouco sobre este tipo de matérias.
Por estas razões, estive há instantes a passar em revista arquivos, e sem ter encontrado tudo o que queria, partilho uma efeméride: 13 de Maio de 1922.
Nessa data, sei que foram suprimidas por decreto, as tropas de artilharia e de metralhadoras pesadas e reduziram-se também efectivos de cavalaria e de infantaria da GNR.
Depois dessa decisão, a força militar passou a estar concentrada no Exército.
António Cabral, cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

quarta-feira, 13 de maio de 2015

RECORDAÇÕES
Rocega de Minas
"É uma ciência de concepção vaga, baseada em elementos discutíveis, deduzidos de experiências inconcludentes, realizadas com aparelhagem de problemático rigor, por indivíduos pouco de fiar, e de mentalidade duvidosa."
Bons tempos, direi.
António Cabral, cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos - marrevoltado.blogspot.pt)

terça-feira, 12 de maio de 2015

EMFAR 99 e as alterações actualmente propostas


Para acederem a uma "SINOPSE DE EVOLUÇÃO COMPARATIVA ENTRE EMFAR APROVADO PELO DL 236/99 DE 25JUN E A REALIDADE ACTUAL, COM AS ALTERAÇÕES CONSTANTES DE PROJECTO DE DECRETO-LEI QUE AGUARDA PROMULGAÇÃO – ALTERAÇÕES MAIS SIGNIFICATIVAS" podem seguir esta ligação.

Ex- Grupo nº 1 de Escolas da Armada


Já em 2011 se noticiavam os roubos no antigo G1EA em Vila Franca de Xira, na altura já não dependente da Marinha:
Ver aqui

Agora aquela enorme área foi finalmente posta a venda pública , com aquele património já mais decadente  e desvalorizado nele se incluindo as instalações desportivas (piscina e ginásio), conforme o seguinte anúncio - com muitas fotografias do seu estado actual -, com prazo de propostas para eventuais interessados até 08 de Junho de 2015:

Ver aqui

sábado, 9 de maio de 2015

Alm. Carlos Pereira de Oliveira

Faleceu esta tarde o Alm. Pereira de Oliveira, distinto professor de vários cursos de Administração Naval. O féretro segue amanhã de manhã para a Pampilhosa, sua terra natal, onde serão realizadas as cerimónias fúnebres.
À sua filha Isabel e seus netos as nossas respeitosas condolências.

quinta-feira, 7 de maio de 2015