quarta-feira, 20 de maio de 2015

A propósito da entrevista à Antena 1 do formalmente designado por MDN (3ªparte)
Mais alguns aspectos da entrevista:
- O MDN considera apropriada a actual dimensão de militares prevista para 2015, creio que cerca de 31500. Não tenho elementos/ estudos para o poder aferir. Mas não me parece correcto avaliar efectivos hoje com referência a 1993. Os tempos são outros, algumas ameaças e riscos diferentes, não estamos no País de 1993. Não se definem necessidades por comparação com efectivos no passado.
- Gaba-se este MDN de estar em letra de lei a famosa verba do 1,1 ou 1,2 % do PIB; veremos se vai ser assim, com os vindouros, pois ele não a vai aplicar; aguardemos pelas novas anunciadas energias!!!!.
- Gaba-se da actualização da lei de programação militar, e aqui também me parece que tenho de engolir em seco, pois julgo que é verdade que ela não era actualizada há quase seis anos. Mas, com este governo, não se manteve a tradicional vergonha de cativarem verbas das anteriores leis de programação militar? Sim, por governos socialistas, sociais-democratas e destes em coligação com o CDS. e quanto à lei de programação de infra-estruturas? Outra vergonha?
- Os jornalistas, muito gentilmente, abordaram a questão da potencial compra do navio francês SIROCO. Ouvi e estarreci. Com a maior das latas - "foram as forças armadas que mo propuseram" (julgo que não foi a Marinha); perguntado se havia condições para a compra - "está a ser estudado"; perguntado se inviabiliza a modernização de duas fragatas - "não, mas claro que será a um ritmo mais lento" (na prática, fica adiada); claro que os bondosos e venerandos jornalistas não forçaram coisa nenhuma. Não pediram a identificação de quem em concreto propôs a compra, detalhes sobre que impactos concretos para a Marinha. Mais um frete bem combinado.
- Por último, gabou-ser acerca dos ENVC. Creio que alguns factos por ele referidos correspondem à triste realidade. Disse que existem agora condições para recomeçar a construção dos NPO para a Marinha. Nenhum dos dois jornalistas lhe pediu para informar acerca de, custos, quando, quantos navios, a que ritmo, etc. Uma vergonha. 

Em síntese, fica-me a sensação de ter presenciado uma peça descarada, propaganda eleitoral da mais vergonhosa, com a agravante inacreditável de se usar as FA. Foram afirmadas algumas coisas em que me parece que o ministro tem mais razão do que alguns que se atiram a ele. Falou constantemente da "consensualização com as chefias militares". Eu pergunto: É verdade? É Mentira? Tenho a noção do que publicamente se pode/ deve ou não afirmar no quadro da estrutura superior das FA. Mas há silêncios terríveis. A evitar, até porque se pode dar notícia de incómodos de várias maneiras, e na mesma fidedignas. É que quem cala consente. E os chefes militares não escapam a isto.
Sou dos que tenho criticado os governos e os políticos, porventura nem sempre da melhor forma, mas não o faço por uma questão de cor política, por ser moda. Nem quero vir a ser assessor de ninguém. Há muito tempo que venho procurando olhar apenas a comportamentos (não ao anunciado), ás realidades concretas, aos resultados práticos das sucessivas governações. Um pequeno exemplo, mau exemplo, são as sucessivas violações de legislação em vigor, havendo na área militar verdadeiros escândalos, a que este MDN, este Primeiro-Ministro, esta AR, este PR, e boa parte da actual oposição, fecham os olhos. Lamentável.
António Cabral, cAlmirante, reformado
(chapéus há muitos)

1 comentário:

  1. Aprecio muito os seus comentários ponderados e inteligentes (mas também as suas fotografias).
    Estou de acordo consigo em relação ao arrogante "advogado formalmente designado MDN" e à sua "postura deplorável em relação às Forças Armadas". Como refere, é realmente uma inapropriada e inoportuna "propaganda eleitoral da mais vergonhosa".

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