A AOFA acaba de enviar a seguinte mensagem a toda a comunicação social:
Em protesto pela publicação do EMFAR, oficiais devolvem condecorações à Presidência da República_29 de Maio_17H30
Exmas./Exmos. Senhoras/Senhores Jornalistas
Tendo como pano de fundo os laços de camaradagem e de solidariedade que unem os militares, ainda mais enraizados durante as comissões de serviço que cumpriram durante a Guerra, uma delegação de oficiais, representando o que sente a esmagadora maioria dos militares, devolverão, hoje, dia 29 de Maio, pelas 17H30, à Presidência da República, as condecorações que corresponderam àquelas comissões.
A devolução será acompanhada pela entrega de um documento.
Fazem-no, simbolicamente, em nome dos oficiais, dos outros militares e dos antigos combatentes, em todas as situações, muitos deles sem poderem exprimir o que lhes vai na alma devido às restrições a que são sujeitos os seus direitos de cidadania, no dia em que foi publicada a revisão do Estatuto dos Militares das Forças Armadas (EMFAR).
Fazem-no, dando público testemunho do sentimento de profundo descontentamento que essa revisão vem provocar e alertando para as consequências não negligenciáveis sobre as próprias Forças Armadas, de que Sua Exa. o Presidente da República é, por inerência, o Comandante Supremo.
Fazem-no por sentirem que é um seu Dever de Honra.
A delegação, que será acompanhada pelo Presidente da AOFA, estará à vossa disposição no café que fica situado à esquina em frente do palácio presidencial, à entrada da Calçada da Ajuda, a partir das 17H15.
Para esclarecimentos complementares é favor contactar o Presidente da AOFA, Coronel Pereira Cracel (964234541).
Com os melhores cumprimentos,
O Responsável pelas Relações Públicas
Tasso de Figueiredo
Coronel TPAA
Nota: Para aceder à versão integral do Estatuto dos Militares das Forças Armadas, publicada hoje em DR, podem seguir esta ligação.
Pelo que se viu na TV foi tudo mal organizado. Obviamente que não pediram audiência e pensavam entrar por ali dentro sem mais nem menos. Na divulgação do "evento" não especificaram que iam entregar medalhas comemorativas (bastante diferente das condecorações).
ResponderEliminarPífio e desprestigiante.
O EMFAR é "uma peça" determinante para a carreira dos militares. Tenho muitas reservas quanto ao processo que levou à conclusão actual. O PR dizer há um ou dois dias o que disse sobre a harmonização do documento com as chefias militares, é apenas mais um lamentável carimbo num processo que me parece muito indecoroso, para não ser mais deselegante. O que a AOFA promoveu, e nos termos e na forma em que aparentemente o fez, não podia ter tido outro resultado, e creio que redundou num desprestigiante momento para todos nós.
ResponderEliminarAntónio Cabral, cAlmirante, reformado
As alterações ao EMFAR agora aprovadas penalizam com muito maior gravidade os militares que estão no activo do que os reformados, e tanto mais os penalizam quanto mais longe estiverem do fim das respectivas carreiras.
ResponderEliminarO acto simbólico que os três oficiais reformados protagonizaram, dando uma imagem algo desastrada e "quixotesca" à situação, vejo-o como um atitude espontânea e emotiva, e por isso pouco pensada, mas não posso também deixar de a ver como um acto de generosidade para com os camaradas mais novos, cuja maioria afinal muito pouco parece estar a fazer para defender não só o seu próprio futuro, mas também a dignidade de tratamento que as Forças Armadas merecem
Concordo com o comentário anterior. A intenção declarada de entregar as medalhas tem um grande significado para os militares e é uma chamada de atenção e um protesto que, na minha opinião, deve ser tido em conta e respeitado.
ResponderEliminarDói a qualquer um devolver condecoração que merecidamente recebeu.
ResponderEliminarCurvo-me pois perante quem o fez com intenção de demonstrar indignação a quem, pelo cargo que exerce, tem, mais do que qualquer outro, o dever de respeitar e fazer cumprir as leis, neste caso a lei de bases da condição militar. Acto de reformados que era também por solidariedade e camaradagem para com os militares do activo.
É a solidariedade para com os seus concidadãos que leva os militares a jurar dar a vida se necessário for. E a solidariedade e camaradagem são também factores indispensáveis para que haja sucesso numa operação militar.
O acto não teve sucesso nem o poderia ter. Porque o EMFAR foi deliberadamente redigido e promulgado por quem ainda mantém a lei de bases da condição militar porque nela constam os deveres dos militares. É essa a única parte da Lei que lhes interessa velar e exigir cumprimento.