Boas Festas
A toda a "guarnição" e Exmas Famílias, os meus votos de uma quadra festiva o mais feliz possível.
Bom Natal e melhor ano.
O meu postal tem pouco ou mesmo nada de Natalício, para lá das luzes, mas é só para ser diferente.
Celebro esta época com muita alegria. Faz parte da nossa cultura.
Boas festas a todos.
António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
CMG (ref.) Manuel Maria de Menezes Pinto Machado
Depois de prolongada e dolorosa doença, faleceu
hoje com 72 anos de idade o Comandante Manuel Pinto Machado. Antigo aluno do
Colégio Militar, tinha ingressado na Escola Naval e, depois de frequentar o
“Curso Oliveira e Carmo”, veio a ser promovido a guarda-marinha em 1966. Pouco
tempo depois encontrava-se no Leste de Angola como Oficial Imediato do DFE 11,
com base na Ponte do Lungué Bungo, “um rio de Fuzileiros e jacarés”, como
gostava de o classificar. De regresso a Lisboa, serviu como instrutor na Escola
de Fuzileiros, especializou-se em Comunicações, embarcou como Oficial Imediato
do caça-minas Santa Maria e
Comandante do draga-minas Velas e foi
instrutor no Centro de Instrução de Minas e Contramedidas.
Em 1973 regressou a Angola para comandar o
navio-patrulha Cacine e foi aí que em
1974 teve notícia do 25 de Abril. Em Fevereiro de 1975 regressou com o seu
navio a Lisboa, tendo navegado em companhia do navio-patrulha Mandovi.
Em finais de 1975 serviu no Centro de Comunicações
da Armada e, depois, no EMGFA. Foi aí que o Ministro
Adelino Amaro da Costa, antigo oficial da Reserva Naval, o foi requisitar para
o seu Gabinete. Entrou na Política e passou à Reserva. Foi durante vários anos
vereador da Câmara Municipal de Lisboa, ajudou a fundar e foi secretário-geral
da UCCLA - União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa e pertenceu durante
vários anos aos quadros do IPE – Instituto de Participações do Estado.
Hoje despediu-se de nós e o seu humor e a sua
inteligência vão fazer-nos falta. A Marinha perdeu um oficial de grande mérito
e um devotado amigo da nossa corporação do botão de âncora, como aliás
demonstrou continuadamente no seu blogue nrpcacine,
que dirigiu e animou durante vários anos.
O Navio… desarmado expressa as suas
condolências à sua Mulher, Filhos, Netos e
restante Família, na qual se inclui o nosso camarada Almirante Alves Correia.
O corpo do Comandante Pinto Machado estará nas
capelas mortuárias da Basílica da Estrela a partir das 18:00 horas de hoje.
Amanhã às 10:30 horas será celebrada uma missa de corpo presente na Basílica da
Estrela, seguindo o funeral depois para a cidade do Porto.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Apresentação do livro "Os Últimos Heróis" no Museu Marítimo de Ílhavo (01DEZ2015)
Depois da exposição no Museu Marítimo de Ílhavo entre maio e julho deste ano, Pepe Brix apresenta uma homenagem aos últimos heróis portugueses que arriscam a vida na pesca do bacalhau. O fotógrafo viajou até aos mares da Terra Nova no arrastão “Joana Princesa”. Durante três meses e meio partilhou a vida a bordo com a tripulação daquele que é um dos últimos bacalhoeiros portugueses.Este livro é o resultado dessa viagem. Dezenas de fotografias que revelam a dureza física e psicológica de um quotidiano vivido num espaço circunscrito e em condições climáticas extremas. Parte destas fotografias foram publicadas na edição de fevereiro da revista National Geographic.
Pepe Brix
Pepe Brix é um vagamundo. Esse mundo com várias pontas, unido por vários pontos, atravessado por uma infinita ponte, que parte e chega dentro do coração. É fotógrafo, o que equivale dizer que olha acima dos outros, que vê o que os outros não vêem e que observa a alma instantânea das coisas que falam devagar. Tudo começou nessa ponta do mundo, no meio do atlântico, chamada Açores, num dos seus pontos mais pequenos: a Ilha de Santa Maria. Nasceu em 1984 numa família habituada a estender pontes para os outros. Aprendeu o ofício sem o saber, que há linguagens que não se aprendem, mas que se desvendam, de forma cardíaca, ao som da música, no chão das cidades, na altura das montanhas. A fotografia foi, assim, o laboratório onde a humanidade se revelou um mistério fabuloso, por haver tantos rostos soltando pontas, por haver tantos pontos a serem cruzados e a ponte a seguir, feliz de ir em frente, mesmo quando recua. Do Porto à Hungria, da Califórnia ao Ecuador, da Índia ao Nepal, pontas que contaram a dimensão humana dos sentidos, expondo os pontos, erguendo pontes. Pontes que atravessaram cordilheiras e chegaram à Terra Nova, como navegador da retina humana, que tudo vê, mas nem sempre percebe o que regista. Por isso, o tamanho do seu coração, para caber o que uma moldura não aguenta: a frequência de uma humanidade que celebra a sua própria humanidade, acima de tudo.
Daniel Gonçalves
Fonte: http://www.museumaritimo.cm-ilhavo.pt/
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segunda-feira, 30 de novembro de 2015
Livro de homenagem ao Alm. Vítor Crespo
Recebido do Cte Pedro Lauret o seguinte comunicado, com pedido de divulgação:
"Informo que no próximo dia 10 de Dezembro vai ser apresentado um livro de homenagem ao almirante Vítor Crespo, que conta com depoimentos de: Adelino Rodrigues da Costa, Amadeu Garcia dos Santos, António Almeida Santos, António Fuzeta da Ponte, António Ramalho Eanes, António Rodrigues Ponte, António Romão, Artur Santos Silva, Fernando de Melo Gomes, Francisco Roque, João Falcão de Campos, Joaquim Chissano, Jorge Sampaio, José Leiria Pinto, Luísa Tiago de Oliveira, Manuel Brandão Alves, Manuel Franco Charais, Manuel Martins Guerreiro, Maria Inácia Rezola, Nuno Vieira Matias, Óscar Monteiro, Vasco Lourenço, Vasco Vieira de Almeida.
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
O novo Governo
O Presidente da República conferirá posse aos Ministros e Secretários de Estado do XXI Governo Constitucional amanhã, dia 26 de novembro, pelas
16:00 horas, no Palácio da Ajuda.
O Presidente da República aceitou proposta de nomeação e marcou tomada de posse do XXI Governo Constitucional.
Poderão consultar este texto completo, onde consta todo o elenco
governativo, em
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terça-feira, 24 de novembro de 2015
Militares e civis - essência e coincidência.
Reedito um post acolhido em 10 de Maio de 2012, no saudoso blogue "A Voz da Abita"
Na tarde de 10 de Abril de 1997, um dos meus três grandes amigos civis
dizia, numa cerimónia pública - "As sociedades distinguem os militares, não
por razões de deferência temerosa, mas como forma de reconhecimento à
diferenciada função em que se empenham, de forma comummente disciplinada e
previsível. Esta opção de vida por um serviço colectivo é valorizada por
uns, inutilizada por outros, mas ninguém fica indiferente à realidade
factual que ela encerra e que, no mais recôndito, alude ao conceito de
nacionalidade, âmbito de particular relevância na vida dos homens de todos
os tempos. Sendo certo que a Nação tem o problema intrínseco da sua defesa,
esteja ou não organizada politicamente em Estado-Nação, os militares são a
certeza formal da sua possibilidade, e as sociedades sempre aceitaram essa
especialização dos civis, como forma de garantir a própria organização e
eficácia de um sentir colectivo"..........."Aceita-se que se faça a
distinção entre militares e civis, talvez melhor entre paisanos e militaresporque estes não aparecem desfalcados de cidadania......".
Revisito periodicamente a brilhante comunicação então feita, e interrogo-me,
cada vez com mais dúvidas, sobre os fossos que cada vez mais cavam em nosso
redor, à maioria dos portugueses, militares incluídos.
Lembro-me de ele dizer - ....."e esta verdade chega até aos que gostam mais
de ouvir do que compreender".
Temo que nos últimos anos já nem ouçam, quanto mais tentarem compreender.
Até quando?
Recordo este meu post, agora que está anunciado um novo governo e um novo MDN.
Sei que existem, e respeito isso, muitos camaradas cheios de esperança e expectativas com o novo ciclo que irá começar dentro de poucos dias. Aguardemos.
Pela minha parte, dos detalhes que recordo, não auguro nada de muito diferente da porcaria a que assistimos nas últimas décadas.
António Cabral,
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)
Reedito um post acolhido em 10 de Maio de 2012, no saudoso blogue "A Voz da Abita"
Na tarde de 10 de Abril de 1997, um dos meus três grandes amigos civis
dizia, numa cerimónia pública - "As sociedades distinguem os militares, não
por razões de deferência temerosa, mas como forma de reconhecimento à
diferenciada função em que se empenham, de forma comummente disciplinada e
previsível. Esta opção de vida por um serviço colectivo é valorizada por
uns, inutilizada por outros, mas ninguém fica indiferente à realidade
factual que ela encerra e que, no mais recôndito, alude ao conceito de
nacionalidade, âmbito de particular relevância na vida dos homens de todos
os tempos. Sendo certo que a Nação tem o problema intrínseco da sua defesa,
esteja ou não organizada politicamente em Estado-Nação, os militares são a
certeza formal da sua possibilidade, e as sociedades sempre aceitaram essa
especialização dos civis, como forma de garantir a própria organização e
eficácia de um sentir colectivo"..........."Aceita-se que se faça a
distinção entre militares e civis, talvez melhor entre paisanos e militaresporque estes não aparecem desfalcados de cidadania......".
Revisito periodicamente a brilhante comunicação então feita, e interrogo-me,
cada vez com mais dúvidas, sobre os fossos que cada vez mais cavam em nosso
redor, à maioria dos portugueses, militares incluídos.
Lembro-me de ele dizer - ....."e esta verdade chega até aos que gostam mais
de ouvir do que compreender".
Temo que nos últimos anos já nem ouçam, quanto mais tentarem compreender.
Até quando?
Recordo este meu post, agora que está anunciado um novo governo e um novo MDN.
Sei que existem, e respeito isso, muitos camaradas cheios de esperança e expectativas com o novo ciclo que irá começar dentro de poucos dias. Aguardemos.
Pela minha parte, dos detalhes que recordo, não auguro nada de muito diferente da porcaria a que assistimos nas últimas décadas.
António Cabral,
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)
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sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Calendarização da extinção da CES
O PS já apresentou na
AR o PROJETO DE LEI N.º 35/XIII/1.ª sobre
a calendarização da extinção da CES.
Para que, como consta
no seu preâmbulo, entre em vigor já em Janeiro, dado não ser possível que o
OE2016 entre em vigor em 1-1-2016.
Segundo esse diploma, a CES será reduzida para metade em 1 de Jan 2016 e totalmente extinta em 1-1-2017.
Segundo esse diploma, a CES será reduzida para metade em 1 de Jan 2016 e totalmente extinta em 1-1-2017.
Dada a actual
correlação de forças é praticamente certa a sua aprovação na AR.
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quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Conferência
Sob o tema "Portugal e a Defesa Nacional" realizou-se uma conferência em 17 de Novembro passado (Museu do Oriente), na qual participou o Vice-Almirante João Pires Neves que proferiu uma comunicação intitulada "Missões de interesse público". Esta comunicação, que aborda uma questão muito concreta e actual relacionada com o emprego das FFAA em áreas não especificamente militares, está publicada no "Jornal de Defesa e Relações Internacionais", podendo o texto integral da mesma ser acedido seguindo esta ligação.
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segunda-feira, 16 de novembro de 2015
16 Novembro
Neste dia, convencionado como "dia nacional do mar", comemora-se a Convenção das Nações Unidas sobre o direito do Mar. A convenção entrou em vigor neste dia, no longínquo 1994.
Portugal, um País em que a parte continental quase parece uma ilha, um País com "poucochinho" mar sob sua jurisdição, ratificou a convenção 3 anos depois!! 3 ANOS!!!
Portugal em mais uma época do seu melhor!
Deve ter sido pelo tempo e energias entregues á paixão da educação que não deixava tempo para menoridades!!
Mar? Oceanos? Direito do Mar? Marinha? Autoridade Marítima? Economia do Mar? Importância estratégica do Mar para Portugal? ZEE? Plataforma Continental?
Mas isso não foi no tempo das caravelas?
Que horror, que pântano, meus queridos hotéis de 5 estrelas!!!
António Cabral (AC)
Adenda: a este blogue que me acolheu, particularmente a todos os fundadores, E ainda a todos os que o visitam e aos que aqui colaboram, os desejos sinceros de continuação de boa saúde e mar chão e aragens na vida de todos e Exmas famílias.
Neste dia, convencionado como "dia nacional do mar", comemora-se a Convenção das Nações Unidas sobre o direito do Mar. A convenção entrou em vigor neste dia, no longínquo 1994.
Portugal, um País em que a parte continental quase parece uma ilha, um País com "poucochinho" mar sob sua jurisdição, ratificou a convenção 3 anos depois!! 3 ANOS!!!
Portugal em mais uma época do seu melhor!
Deve ter sido pelo tempo e energias entregues á paixão da educação que não deixava tempo para menoridades!!
Mar? Oceanos? Direito do Mar? Marinha? Autoridade Marítima? Economia do Mar? Importância estratégica do Mar para Portugal? ZEE? Plataforma Continental?
Mas isso não foi no tempo das caravelas?
Que horror, que pântano, meus queridos hotéis de 5 estrelas!!!
António Cabral (AC)
Adenda: a este blogue que me acolheu, particularmente a todos os fundadores, E ainda a todos os que o visitam e aos que aqui colaboram, os desejos sinceros de continuação de boa saúde e mar chão e aragens na vida de todos e Exmas famílias.
Um ano
No lançamento à água do "O Navio... desarmado", em 16.11.2014 dizia-se aqui:
"Inicia hoje a sua singradura "O Navio... desarmado", blogue que pretende seguir nas águas de "A Voz da Abita (na Reforma)" que durante mais de oito anos tão galhardamente navegou. O seu desaparecimento deixou um vazio difícil de colmatar e muitas foram as vozes que se ergueram a dar corpo à necessidade da existência de uma plataforma que pudesse de alguma maneira suceder-lhe como ponto de encontro, de troca de informações e debate dos marinheiros já na situação de reforma. É isso que "O Navio... desarmado" visa ser, para isso contando com a colaboração e apoio do universo dos reformados, principalmente dos participantes e seguidores daquele seu inspirado antecessor."
Passado este primeiro ano de navegação, após 223 páginas e mais de 47 500 visualizações, pensa o "O Navio... desarmado" que terá cumprido a missão que a si próprio se propôs, com a indispensável colaboração de todos quantos a entenderam dar.
E assim espera que continue a ser.
Livro sobre a História da Marinha
Recebido do Cte Pedro Lauret a seguinte comunicação com pedido de divulgação:
"Informo que o livro da minha autoria, “A Marinha de Guerra Portuguesa – Do fim da II Guerra Mundial ao 25 de Abril de 1974”, já se encontra à venda nas livrarias. A apresentação do livro só se realizará no dia 16 de Dezembro e farão a sua apresentação o almirante Melo Gomes e o Dr. Artur Santos Silva. Mais próximo enviarei um convite.
No início do ano vou continuar a trabalhar num segundo livro sobre os movimentos associativos, culturais e políticos, envolvendo militares da Armada, desde o fim da década de 1960 até ao 25 de Abril.
Segue em anexo a capa do livro, em que se vê a despedida do Afonso de Albuquerque, em 1960, com os cadetes do LA a bordo."
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Declaração Mod 3 do IRS
Publicados hoje os
novos modelos de Declaração de IRS Mod 3 e seus anexos, com as respectivas
instruções de preenchimento:
Recordo que os
prazos de apresentação da declaração foram alterados. E que, em papel ou pela Internet,
são iguais.
Artigo 60.º do CIRS
Prazo de entrega da
declaração
1 - A declaração a que se refere o n.º
1 do artigo 57.º é entregue:
a) De 15 de março a 15 de abril, quando
os sujeitos passivos apenas hajam recebido ou tenham sido colocados à sua
disposição rendimentos das categorias A e H;
b) De 16 de abril a 16 de maio, nos
restantes casos.
2 - A declaração a que se refere o
número anterior é ainda apresentada nos 30 dias imediatos à ocorrência de
qualquer facto que determine alteração dos rendimentos já declarados ou
implique, relativamente a anos anteriores obrigação de os declarar, salvo se
outro prazo estiver previsto neste Código.
3 - Nas situações em que o sujeito
passivo aufira rendimentos de fonte estrangeira relativamente aos quais tenha
direito a crédito de imposto por dupla tributação internacional, cujo montante
não esteja determinado no Estado da fonte até ao termo do prazo previsto no n.º
1, o prazo nele previsto é prorrogado até ao dia 31 de dezembro desse ano.
4 - Para efeitos do disposto no número
anterior, o sujeito passivo deve comunicar à Autoridade Tributária e Aduaneira que cumpre as
condições aí previstas, devendo indicar a natureza dos rendimentos e o respetivo Estado da fonte, dentro dos
prazos previstos no n.º 1.
sábado, 14 de novembro de 2015
A MORTE
A única verdade irrefutável, a única certeza à superfície terrestre, a morte. Um dia chega, a todos.
Doença súbita ou prolongada, acidente trágico, queda nas escadas ou na rua, sono sossegado que de tão velhinho já não se acorda na manhã seguinte, ferimento na guerra.
É uma coisa desagradável de se falar, mas faz parte da vida, de militares e civis.
É aquela coisa que não acontece só aos outros.
Pela minha parte, tenho dois "ficheiros" sobre ela: um civil, outro militar.
A morte, a que presenciei, não é como nos contam nos livros policiais ou em romances, ou nos filmes.
Do "meu ficheiro civil":
> adormeceu, sofrido, mais frágil que um cristal fininho do século XIX, não acordou, o rosto continuava de manhã fechado, os lábios entreabertos.
> prostrado, cuidados intensivos, cabeça entrapada, o horrível som entre o rouco e soprado que saía dos lábios, estado para lá do vegetal horrível de testemunhar, resistiu pouco mais que 48 horas.
> escanzelado, metendo-lhe para dentro líquidos verde escuro e soros, durou 8 meses e 8 dias.
Guardo bem na memória o que vi.
Do "meu ficheiro militar":
> 2340h, 19 Maio, 1973, rio Cacheu, chegou repentino, por bombordo, vindo da margem, de dentro do "tarrafo", causou um pandemónio a bordo, alguns feridos, um ferido muito grave que veio a falecer; podiam ter morrido vários homens, eu, o meu amigo e estimado comandante, e mais alguns dos que estavam no exterior do navio. Aqui, a morte chegou a um, rondou vários, as coisas ficaram assim, porque tinha de ser assim. Neste caso, o morto, um comando africano que estava no exterior, gravemente ferido em todo o corpo porque a explosão aconteceu quase em cima dele. Faleceu horas depois do sucedido e socorrido pelo enfermeiro, que o deixou quase como uma múmia e bem anestesiado, por razões óbvias. Não faleceu como nos filmes.
> 1980, salvo erro, a Sul do Algarve, desembarcámos um sargento falecido subitamente a bordo. Um cenário que não se esquece, designadamente a passagem dos restos mortais para fora do navio.
Guardo bem na memória o que vi.
Porque me lembrei disto tudo, da morte de familiares e de militares?
Porque hoje, outra vez, um massacre em Paris.
A confirmação só daqui a várias horas mas, aparentemente, dezenas de mortos, dezenas de feridos.
Agora não houve provocações cartoonistas.
A realidade é que foram assassinadas dezenas de pessoas.
Para quando, a nível geral, colocar os pés na terra?
António Cabral
A única verdade irrefutável, a única certeza à superfície terrestre, a morte. Um dia chega, a todos.
Doença súbita ou prolongada, acidente trágico, queda nas escadas ou na rua, sono sossegado que de tão velhinho já não se acorda na manhã seguinte, ferimento na guerra.
É uma coisa desagradável de se falar, mas faz parte da vida, de militares e civis.
É aquela coisa que não acontece só aos outros.
Pela minha parte, tenho dois "ficheiros" sobre ela: um civil, outro militar.
A morte, a que presenciei, não é como nos contam nos livros policiais ou em romances, ou nos filmes.
Do "meu ficheiro civil":
> adormeceu, sofrido, mais frágil que um cristal fininho do século XIX, não acordou, o rosto continuava de manhã fechado, os lábios entreabertos.
> prostrado, cuidados intensivos, cabeça entrapada, o horrível som entre o rouco e soprado que saía dos lábios, estado para lá do vegetal horrível de testemunhar, resistiu pouco mais que 48 horas.
> escanzelado, metendo-lhe para dentro líquidos verde escuro e soros, durou 8 meses e 8 dias.
Guardo bem na memória o que vi.
Do "meu ficheiro militar":
> 2340h, 19 Maio, 1973, rio Cacheu, chegou repentino, por bombordo, vindo da margem, de dentro do "tarrafo", causou um pandemónio a bordo, alguns feridos, um ferido muito grave que veio a falecer; podiam ter morrido vários homens, eu, o meu amigo e estimado comandante, e mais alguns dos que estavam no exterior do navio. Aqui, a morte chegou a um, rondou vários, as coisas ficaram assim, porque tinha de ser assim. Neste caso, o morto, um comando africano que estava no exterior, gravemente ferido em todo o corpo porque a explosão aconteceu quase em cima dele. Faleceu horas depois do sucedido e socorrido pelo enfermeiro, que o deixou quase como uma múmia e bem anestesiado, por razões óbvias. Não faleceu como nos filmes.
> 1980, salvo erro, a Sul do Algarve, desembarcámos um sargento falecido subitamente a bordo. Um cenário que não se esquece, designadamente a passagem dos restos mortais para fora do navio.
Guardo bem na memória o que vi.
Porque me lembrei disto tudo, da morte de familiares e de militares?
Porque hoje, outra vez, um massacre em Paris.
A confirmação só daqui a várias horas mas, aparentemente, dezenas de mortos, dezenas de feridos.
Agora não houve provocações cartoonistas.
A realidade é que foram assassinadas dezenas de pessoas.
Para quando, a nível geral, colocar os pés na terra?
António Cabral
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sexta-feira, 13 de novembro de 2015
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
11 de Novembro.
Neste dia, no afastado ano de 1918, foi posto um fim ás atrocidades, ás brutalidades, ás hostilidades, que se verificaram na sangrenta guerra em solo Europeu, a chamada I Grande Guerra. Nesse dia foi assinado o armistício. Convencionou-se o dia 11 de Novembro para vincar nesta data um gesto, uma homenagem, aos milhares e milhares de militares caídos durante essa guerra.
Nos países ligados ao Reino Unido, muitos cidadãos ostentam nesta data nos seus casacos, a simbólica papoila vermelha.
Este símbolo, decorre da realidade da natureza verificada por todo o lado, também, nos campos de batalha, designadamente na Flandres: o anual aparecimento de papoilas e particularmente nos cemitérios, por entre campas onde descansam esses milhares de combatentes.
No meu desgraçado País, tudo o que cheire a militar é esconjurado. Não é agora o momento para enunciar alguns factos relacionados com esta triste realidade.
O que queria salientar, é que a Liga dos Combatentes, celebra sempre este dia.
Ouvi hoje o discurso do Presidente da Liga dos Combatentes. Daquelas palavras se podem retirar várias conclusões sobre a sociedade onde me insiro. Mas fico por aqui.
São portanto 97 anos sobre o armistício.
Mas 11 de Novembro é também a data da independência de Angola. Esta data é, assim, considerada como a que marca o fim da guerra no Ultramar.
Também concordo com muitos dos que, lamentando a descolonização desordenada (para dizer o menos), essa tragédia pode em grande medida ser considerada a outra face da colonização mas, sobretudo, da descolonização que não foi e devia ter sido feita, na mesma senda do que concretizaram outros países Europeus.
Mas o que repudio é a linguagem soft sempre utilizada para desculpar a ligeireza particularmente de dois ou três dos donos disto tudo, civis. Repudio esse branqueamento constante da nossa história recente. Porque o drama que se verificou com os retornados, não pode ser só atribuído ao que, muito estupidamente, não se fez antes do 25 de Abril. As acções, as inações, e as omissões, dos novos senhores de então, muito contribuíram para as tragédias que ocorreram.
11 de Novembro, respeitem-se os combatentes, de todos os lados das trincheiras.
António Cabral
cAlmirante, reformado
(chapéus há muitos)
Neste dia, no afastado ano de 1918, foi posto um fim ás atrocidades, ás brutalidades, ás hostilidades, que se verificaram na sangrenta guerra em solo Europeu, a chamada I Grande Guerra. Nesse dia foi assinado o armistício. Convencionou-se o dia 11 de Novembro para vincar nesta data um gesto, uma homenagem, aos milhares e milhares de militares caídos durante essa guerra.
Nos países ligados ao Reino Unido, muitos cidadãos ostentam nesta data nos seus casacos, a simbólica papoila vermelha.
Este símbolo, decorre da realidade da natureza verificada por todo o lado, também, nos campos de batalha, designadamente na Flandres: o anual aparecimento de papoilas e particularmente nos cemitérios, por entre campas onde descansam esses milhares de combatentes.
No meu desgraçado País, tudo o que cheire a militar é esconjurado. Não é agora o momento para enunciar alguns factos relacionados com esta triste realidade.
O que queria salientar, é que a Liga dos Combatentes, celebra sempre este dia.
Ouvi hoje o discurso do Presidente da Liga dos Combatentes. Daquelas palavras se podem retirar várias conclusões sobre a sociedade onde me insiro. Mas fico por aqui.
São portanto 97 anos sobre o armistício.
Mas 11 de Novembro é também a data da independência de Angola. Esta data é, assim, considerada como a que marca o fim da guerra no Ultramar.
Também concordo com muitos dos que, lamentando a descolonização desordenada (para dizer o menos), essa tragédia pode em grande medida ser considerada a outra face da colonização mas, sobretudo, da descolonização que não foi e devia ter sido feita, na mesma senda do que concretizaram outros países Europeus.
Mas o que repudio é a linguagem soft sempre utilizada para desculpar a ligeireza particularmente de dois ou três dos donos disto tudo, civis. Repudio esse branqueamento constante da nossa história recente. Porque o drama que se verificou com os retornados, não pode ser só atribuído ao que, muito estupidamente, não se fez antes do 25 de Abril. As acções, as inações, e as omissões, dos novos senhores de então, muito contribuíram para as tragédias que ocorreram.
11 de Novembro, respeitem-se os combatentes, de todos os lados das trincheiras.
António Cabral
cAlmirante, reformado
(chapéus há muitos)
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terça-feira, 10 de novembro de 2015
VEM AÍ OUTRO MDN
cAlmirante
(chapéus há muitos)
Estive quase tentado a escrever "novo MDN", mas era arriscado.
Pelo que se tem visto nos últimos anos, os MDN sucederam-se, mas nenhum foi novo.
Ficando-me pelo período iniciado com a 2ª maioria absoluta em 1991, nunca tivemos MDN novo.
É a minha opinião, naturalmente, respeito todas as outras. Oxalá respeitem a minha.
Na minha carreira, tive momentos de observador privilegiado sobre alguns MDN, algumas comissões parlamentares de defesa, alguns CEM's.
Observei no EMGFA o processo que conduziu aos decretos regulamentares de 1993, observei o MDN que tudo (governo, defesa, partido, FA) geria do seu gabinete no 7º piso, sei os que lhe sucederam e quanto tempo passavam no 7º andar, li muitas vezes as inúmeras arengas dos vários MDN, por exemplo no IDN.
Testemunhei ao vivo, olhos nos olhos, em almoço reservado sentado à direita do saudoso VAlm Silva Santos, ouvi outro na Giribita, assisti aos vários briefings dados a comissões parlamentares de defesa.
Naturalmente, existem vários camaradas mais velhos e mais novos mais habilitados que eu para abordarem a temática da defesa nacional, das Forças Armadas, dos pilares da soberania.
A minha questão não é essa, não porque o tema abordar, mas porque me interessa hoje, cada vez mais, o que aconteceu e acontece e não as discursatas seja de quem for mas sobretudo dos civis e militares que puderam e não fizeram.
Neste novo ciclo que aparentemente se abrirá ao fim da tarde de hoje, haverá governo, de gestão ou com António Costa na sua nova cruzada. E, portanto, um MDN de gestão (o que seria uma desgraça) ou um MDN do partido socialista.
Se António Costa arranjasse um MDN do PCP, a avaliar por exemplo no escrito no AVANTE de 16 de Maio de 2013, aparentemente os militares veriam um rumo. Aparentemente.
Pese embora desconhecer quem será o MDN, ciente dos dois nomes que atiraram ao ar, mas conhecendo a postura média do "pessoal" que vai ter poder face ás questões de defesa e em particular face aos militares, não quero ser injusto, mas temo que continuaremos muito longe de aragens e mar chão.
Temo mesmo que, o que a fotografia retrata (já não sei onde a descobri) seja a constante.
Aliás na senda dos últimos anos porque, se de facto há muito que não existe - a entidade mítica e auto-suficiente que resolvia todos os problemas...........- a isto soma-se a prosápia e muitas vezes a incompetência e ignorância da esmagadora maioria dos empossados no cargo em apreço. O último é um bom exemplo.
Sobretudo hoje, em que cada vez mais se pretende um funcionário do partido que apenas contenha os militares, já que Forças Armadas e Defesa Nacional são assuntos irrelevantes em conselho de ministros, e fora dele. Como se vê há anos. Mesmo quando, na Europa, se assiste a um perigoso acumular de problemas e tensões. Mas aguardemos, e desejo, sinceramente, estar enganado.
Já agora, e a terminar recordo, lá muito para trás que, por exemplo a marinha holandesa, seguia uma fórmula para a questão premente da prontidão operacional (naval) e que rezava assim:
Operational readiness = rq (material readiness) x rq4 (personnal readiness) x rq (instruction, training, education), em que rq pretende representar raiz quadrada e rq4 raiz quarta; o mínimo desejável para eles, na altura, era de 0,75 para "materiel readiness".
Aspecto que como sabemos, está sempre na cabeceira de todos os MDN, até hoje.
Aguardemos com curiosidade, o seguinte. Novo não, quase certo.
António CabralcAlmirante
(chapéus há muitos)
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Consequências do Fecho da Golada do Tejo
O Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa tem a honra de convidar V. Ex.ª a assistir à sessão promovida pela Secção de Transportes, que terá lugar no dia 20 de Novembro de 2015, pelas 17h30, no auditório Adriano Moreira, sobre o tema:
“Consequências do Fecho da Golada do Tejo”
Serão oradores:
Eng. Hidrógrafo Mário Simões Teles (“Morfodinâmica da Região das Barras do Tejo”)
Sociedade de Geografia de Lisboa
Rua das Portas de Santo Antão, 100
1150-269 Lisboa - Portugal
213425401 - 213464552
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Mar.
Representação de fragmentos do quotidiano.
António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)
Representação de fragmentos do quotidiano.
António Cabral
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domingo, 8 de novembro de 2015
FOTOGRAFIA.
Epopeia dos descobrimentos
A epopeia dos descobrimentos, marcou uma época da nossa extraordinária e rica história. Não deve ser, nunca, esquecida, sobretudo por representar aquilo que se pode tentar fazer e materializar, sempre que exista rumo para isso, desígnio, conjugação de vontades e esforços.
Mas também se deve ter bem presente, que o passado não nos coloca hoje o pão na mesa, não nos melhora a constipação quando surge, não produz NPO num abrir e fechar de olhos. Para já não falar nas loas que nos cantam. Nem o Rei D.Carlos, nas suas pesquisas hidrográficas, conseguiu apanhar as sereias que agora nos dizem existir no belo e azul oceano.
António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos - marrevoltado.blogspot.pt)
Epopeia dos descobrimentos
A epopeia dos descobrimentos, marcou uma época da nossa extraordinária e rica história. Não deve ser, nunca, esquecida, sobretudo por representar aquilo que se pode tentar fazer e materializar, sempre que exista rumo para isso, desígnio, conjugação de vontades e esforços.
Mas também se deve ter bem presente, que o passado não nos coloca hoje o pão na mesa, não nos melhora a constipação quando surge, não produz NPO num abrir e fechar de olhos. Para já não falar nas loas que nos cantam. Nem o Rei D.Carlos, nas suas pesquisas hidrográficas, conseguiu apanhar as sereias que agora nos dizem existir no belo e azul oceano.
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sábado, 7 de novembro de 2015
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Documentário "Caravelas e Naus um choque tecnológico no Sec. XVI"
Para quem lhe tenha escapado este documentário sobre o assunto, podem vê-lo aqui.
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