quarta-feira, 29 de setembro de 2021
A Imprensa informou que o Ministro da Defesa Nacional propôs ao Presidente da República a demissão do Almirante Mendes Calado do cargo de Chefe do Estado-Maior da Armada.
O Artigo 133 da Constituição estabelece que compete ao Presidente da República, sob proposta do Governo (que - recorde-se - é presidido pelo Primeiro-Ministro) - ouvido o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas - nomear e exonerar os Chefes de Estado-Maior dos três ramos das Forças Armadas.
Espero, assim, que o Presidente da República mostre que não é um verbo de encher.
28. Setembro.2021
In Blog - <https://costacorreia.blogspot.com/2021/09/ao-presidente-da-republica-mostre-que.html?m=1>
Para o Presidente da República, além deste primeiro equívoco, foram registados mais dois. O segundo equívoco passa pela fundamentação para a alegada cessão de funções. Marcelo referiu que tem estado a ser apontada a intervenção crítica, feita pelo atual Chefe do Estado-Maior da Armada, sobre as alterações à Lei de Defesa Nacional - uma posição acompanhada pelos restantes chefes dos ramos militares.
O Presidente da República nota que, apesar de terem criticado as mudanças, a partir do momento em que foi decretada a lei, os chefes dos três ramos militares acataram-na e respeitaram-na, o que, para Marcelo, é um "exemplo de lealdade constitucional" - logo, nunca seria motivo para uma exoneração.
O terceiro e"equívoco" mencionado por Marcelo Rebelo de Sousa prende-se com o facto de se estar a falar numa "substituição". Ora, só poderá haver uma substituição depois de alguém terminar funções, recorda Marcelo, o que ainda não é o caso.
"Há um momento adequado para falar de substituição, que não é este", declarou.
O Presidente da República lamentou ainda que o nome do vice-almirante Gouveia e Melo tenha sido envolvido na polémica. Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que o vice-almirante merece, pela sua carreira, as insígnias que recebeu e, pela sua atuação na task force, a admiração de todos os portugueses. Pelo seu "mérito e classe", defende Marcelo, dispensava ser "envolvido numa situação de atropelamento de pessoas e instituições".
Na ótica de Marcelo Rebelo de Sousa, há que "salvaguardar a reputação das pessoas envolvidas e o prestígio das instituições" e quando chegar o momento de tomar a decisão de substituir o Chefe do Estado-Maior da Armada, só há uma pessoa que tem o poder de tomá-la: o Presidente da República.
terça-feira, 28 de setembro de 2021
HAVIA DÚVIDAS ?
Eu não as tinha.
Está prestes a consumar-se.
Do passado tivemos a estranha exoneração de um CEMGFA com justificação que entrava pelos olhos dentro de que não era nada correspondente à realidade.
Agora parece que vamos ter a muito curto prazo a exoneração de um CEMA. É só aguardar os motivos invocados, e o comunicadozinho afixado no "sítio" da Presidência da República.
Para quem continua a ater-se a rodriguinhos, aí está o toque final que confirmará o perfil há muito conhecido, dos proponentes da exoneração, de quem a vai sancionar (certamente com grande pesar, não é verdade….…) e de quem se presta a tudo isto.
Se eu fosse quem vai ser exonerado sei bem o que faria, e o que nunca aceitaria.
Eis a governamentalização das Forças Armadas em todo o seu esplendor. Deve ser difícil descer mais baixo. VERGONHOSO.
Vou aguardar para observar os diversos e diferentes comportamentos de todos os "actores". Associações várias incluídas.
Agora tenho de ir tomar um comprimido de "Primperan" que, para quem não saiba, é um medicamento para parar os vómitos.
António Cabral
Contra-Almirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
PARA AJUDAR NO PERÍODO DE REFLEXÃO
Para, respeitosamente, tentar contribuir para acalmar as mentes que agitadas devem andar depois de alguns episódios da campanha parte dos quais excelentemente recordados já em dois Domingos por Ricardo Araújo Pereira, e assim enfrentar o período de reflexão com sorriso paciente e espírito distendido, deixo a minha contribuição com bonecada que me foi remetida.
Contra-Almirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)
terça-feira, 14 de setembro de 2021
R E C O R D A Ç Õ E S
A propósito do que adiante refiro, mais uma vez se me coloca a questão de escrever ou não memórias.
Vem isto a propósito do interessante artigo que começa na página 78 da Revista de Marinha, Julho/ Agosto 2021, com o título - "Jamanta O Gigante Gentil".
Artigo que me fez recuar umas décadas, ao tempo em que comandei o NRP Quanza, e à época em que estive com o navio nos Açores. E, concretamente, ao dia em que com mar absolutamente chão, pairei a muito escassa distância dos Ilhéus Formigas. E, então, dois botes na água e vários elementos da guarnição autorizados a ir junto dos penhascos, onde o oceano não fazia rebentação, tal a calmaria.
A jamanta é um bicho colossal, gracioso e curioso.
Mas é ENORME, e isso fez de repente os botes largarem rápidos e afastarem-se da zona. Porquê? Duas enormes jamantas passeando-se muito pertinho da superfície.
Graciosas, gentis, curiosas, e enormes, pelo que, à cautela,………….
António Cabral
Contra-Almirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)
sábado, 11 de setembro de 2021
Constituição da ASubPOR - Associação dos Submarinistas de Portugal
Realizou-se neste dia 11 de Setembro de 2021, na Delegação do Clube do Sargento da Armada, no Feijó, a Assembleia Constituinte da ASubPOR - Associação dos Submarinistas de Portugal.
A assembleia teve a seguinte Ordem de Trabalhos:
- Aprovar a constituição
duma Associação a denominar “Associação dos Submarinistas de Portugal (ASubPOR)”;
- Aprovação da Comissão
Instaladora (CI);
- Aprovação dos Estatutos da
futura ASubPOR;
- Designar três elementos da
CI para outorgar na escritura pública de constituição;
- Aprovação dos futuros
sócios.
A ideia de criar esta associação nasceu do sucesso das
muitas tertúlias realizadas e sempre muito concorridas pelos antigos submarinistas,
tendo-se formado uma Pré Comissão Instaladora composta por 15 elementos que
dinamizou todo o processo que culminou na realização desta Assembleia e na
constituição da ASubPOR.
Votos de muito sucesso e de longa vida para a ASubPOR.
Os contactos para a ASubPOR são os seguintes:
Tlm: 919 103 915
Email: : asubportugal@gmail.com
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
CMG REF José Joaquim Casado Parreira
É com profunda mágoa que venho dar a muito triste notícia, que me chegou há minutos, do falecimento do nosso querido Camarada de Curso e Amigo, Casado Parreira.
CMG (Ref) Carlos Fernando Dias Souto
Lamentamos dar a conhecer a mensagem recebida através de "A Voz da Abita":
"Estimados Camaradas,
De acordo com informações recebidas de diversas fontes é com muito pesar que damos a conhecer o falecimento do nosso estimado Camarada, CMG (R) Carlos Fernando Dias Souto, que ocorreu durante a noite de ontem para hoje nos Estados Unidos da América onde residia há vários anos. Aos seus Amigos e Camaradas, e em particular aos do Curso Pedro Nunes a que pertencia, o testemunho do nosso pesar extensivo à sua Família, e em particular à sua Mulher Brenda Souto ...
As informações recebidas dão ainda a conhecer que o corpo do nosso falecido camarada será cremado dentro de alguns dias.
Saudações Navais"
"O Navio... desarmado" associa-se a esta manifestação de pesar e envia sentidas condolências à sua Família e aos seus amigos e camaradas.
JORGE SAMPAIO
Faleceu hoje o Dr Jorge Sampaio, ex Presidente da República, ex Comandante Supremo das Forças Armadas.
Faleceu um concidadão de elevada estatura intelectual, humanista, um homem exímio, em quem não votei para as eleições presidenciais que ganhou, e cinco anos passados voltou a ganhar.
É comum, quando se deixa a presença terrena, haver muitos elogios.
No caso deste meu concidadão, cuja morte me entristece pois penso que se a saúde não o tivesse atraiçoado, muito se aprenderia ainda com ele, designadamente pelos seus textos como recentemente confirmei, há lugar a diferentes referências.
Todos nós, sem excepção, temos momentos altos e baixos, todos cometemos erros. Jorge Sampaio não foi excepção.
Como aprendi na fase final ainda em casa, antes de singrar em formação superior, e depois ao longo da carreira, primeiro há que realçar aspectos positivos ao longo de uma vida e, apenas depois, referências aquilo em que, respeitosamente, se tenha opinião menos favorável
O meu concidadão Jorge Sampaio chamou-me à atenção bastante antes de 25 de Abril de 1974. Durante as rebeldias estudantis. E, muito particularmente, através de um meu primo infelizmente já falecido, nessa altura estudante de medicina em Coimbra, primo que, juntamente com outros, esteve detido uns dias na então unidade de artilharia de costa do Exército no alto da Parede, localidade onde eu vivia, e onde através do portão vi o meu primo de capa e batina sentado na parada com muitos outros.
Sendo eu apenas um simples cidadão comum, atrevo-me a dizer sobre Jorge Sampaio que sempre o considerei um cavalheiro, um homem decente. Subiu muito na minha consideração quando percebi que decidira candidatar-se a Presidente da República sem passar cartão ao seu partido e em particular aos dirigentes. A sua candidatura a Lisboa - Por Lisboa, a responsabilidade - devia servir de exemplo. Porque Jorge Sampaio, independentemente de algumas críticas justas, procurou servir, e não servir-se. Exemplo que não é muito seguido.
Creio que Jorge Sampaio é o autor da frase - 25 de Abril sempre. Posso estar enganado, mas Jorge Sampaio creio que mostrou claramente que um Presidente pode, e deve, ser próximo e ao mesmo tempo distante. Creio que respeitou bastante bem a separação de poderes. Creio que o exemplo não singrou.
Quanto ao ex Comandante Supremo das Forças Armadas, permanece para mim uma grande crítica, relativamente à exoneração de um ex Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas. Estranha. Dos vários textos dele, que guardo, nomeadamente, discursos nos actos de posse de chefias militares, e outros eventos relativos à defesa nacional e relativos às Forças Armadas, e relativos a aspectos de segurança na sociedade, não me recordo de citações dizendo que - são os melhores dos melhores - nem me recordo de incoerências relativamente à instituição militar.
Recordo que, sem margens para dúvidas, em certos discursos deixou claro que muito havia a alterar respeitante à instituição militar, à defesa nacional, a questões de segurança. Embora muitos possam ter opinião diversa, desde o final da primeira maioria absoluta de Cavaco Silva PM, que CDS, PS e PSD estão alinhados quanto a caminhos relativamente à defesa nacional e às Forças Armadas.
Cedo demais partiu. Descanse em paz.
António Cabral
Contra Almirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)
quinta-feira, 9 de setembro de 2021
O respeito pelos militares
Há por aí, na esfera política, quem encha a boca com frases grandiloquentes relativas ao respeito pelos militares, mas os actos desmentem-nas violentamente.
Abundam decerto os exemplos, mas não deixarei de registar aqui um caso pessoal.
Um dos tratamentos aconselhados para a trocanterite são injecções de PRP - plasma rico em plaquetas.
Aconselhado por alguém, resolvi recorrer a essa terapêutica, no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa. Depois de uma primeira injecção, cujos resultados não foram excelentes, vi-me na contingência de o repetir, o que vim a fazer alguns meses depois.
Comparticipadas pelo IASFA, cada uma dessas intervenções custou-me por volta de 100 euros.
Há poucos dias, como se tornasse necessário um terceiro reforço, marquei-o, na sequência da devida consulta médica.
Ao final do dia fui informado pelo HCVP de que a estimativa do custo era de 500 euros; pedindo para ser elucidado sobre a razão de ser deste brutal aumento, esclareceram-me que este tratamento deixou de ser comparticipado pelo IASFA.
Aqui deixo, pois, o alerta: ao mesmo tempo que trompeteiam a grande consideração que nutrem pelos militares, vão-nos reduzindo paulatina e surdamente os parcos benefícios que ainda temos, sustentados, aliás, por descontos nos nossos vencimentos e pensões.
Até quando?
quarta-feira, 8 de setembro de 2021
A REFORMA (????)
A dita reforma (??) das FA recentemente em vigor desencadeou protestos diversos.
A mim nada espantou. Creio que muitos se esqueceram, e passaram anos a fingir que não sabiam que, a partir do 2º mandato de maioria absoluta de Cavaco Silva, PSD, CDS e PS passaram a estar irmanados em tudo o respeitante às FA. O grande objectivo é a governamentalização das FA. Que agora é completa. Estão-se nas tintas se lhes dizem nada perceber de FA.
Na minha opinião, o que agora acontece e está relatado em alguns OCS, tem dois objectivos claros:
1º - lembrar, dizer já aos Ramos - eu é que mando.
2º - tentar que o CEMA se demita, para ser possível indigitarem quem se deseja, e que se sabe quem é. Além de que o desejo é partilhado por políticos, oh se é!
Vou aguardar, para ver se repetem uma cena anterior.
António Cabral
Contra-Almirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)
quarta-feira, 1 de setembro de 2021
Tenho uma curiosidade: já avisaram o sr Eduardo Cabrita? E o sr António Costa? E o sr Marcelo Rebelo de Sousa?
segunda-feira, 30 de agosto de 2021
"ESTA VIDA DE MARINHEIRO", pelo capitão da Marinha Mercante António Marques da Silva
Resolvi escrever estas linhas para tentar contar o que me recordo da minha passagem pela Marinha de Guerra. Vou falar por mim, pois embora o grupo fosse grande e composto por alunos dos quatro cursos da Escola Náutica - pilotagem, máquinas marítimas, eletrotecnia e administração - certamente cada um de nós terá guardado a sua memória desse tempo.
Durante a
frequência do primeiro ano, iniciado em Outubro de 1949, tivemos conhecimento
que tinha sido determinado superiormente para todos os alunos da Escola Náutica,
um período de serviço militar obrigatório na Marinha de Guerra, frequentado
como Cadetes da Reserva de Marinha.
Por essa razão, após
terminar o primeiro ano com aproveitamento, em princípio de Agosto de 1950 assentei
praça no Quartel de Marinheiros, em Alcântara, com dezanove anos de idade. Não
fiz inspeção de saúde, pois a que havia efetuado para dar entrada na Escola
Náutica, no ano anterior, era considerada válida.
Devia sim comparecer no dia que foi determinado, devidamente
equipado com fardamento branco, por ser verão, e trazer além da necessária
roupa interior, um fato de ganga azul, botas pretas e equipamento de ginástica.
Ninguém me perguntou se havia dinheiro para essa despesa. Era ordem para
cumprir, caso pretendesse concluir o curso e embarcar na marinha mercante para
trabalhar.
Entrei assim para
a Reserva de Marinha, onde me foi atribuído o número sessenta e dois. Em
seguida, ainda no Quartel em Alcântara, teve lugar um sumário Juramento de Bandeira.
Depois segui com os meus colegas e respetivas bagagens numa pequena lancha, ao
ar livre, Rio Tejo acima, até ao Quartel de Marinheiros em Vila Franca de Xira,
onde ia ter início a primeira fase do período de recruta, que terminou no fim
de Setembro.
No dia da chegada a este aquartelamento, esperava por cada um de nós uma maca de lona, onde estava enrolado um colchão, um cobertor, uma almofada e um bivaque. A essa maca, com o respetivo número, era atribuído um beliche que podia ser inferior ou superior, visto que se tratava de um conjunto metálico de duas camas sobrepostas, fixo na parede, de forma a ser desmontado diariamente e colocado ao alto. Nesse primeiro dia ensinaram a enrolar a dita maca que devia ser amarrada com um cabo delgado, (o tomadouro), de forma a poder ser pendurada ao alto num gancho, nas costas do beliche, para libertar todo o espaço da caserna. Este espaço tinha anexa uma zona com pequenas mesas e cadeiras onde se podia estar, e ainda uma grande casa de banho para uso comum. Foram estas as instalações onde passei os dois meses do verão, com muitos mosquitos e algumas osgas.
Durante estes dois meses, todo o tempo foi ocupado com a
denominada recruta. Para começar, entenderam ser necessárias formaturas e mais
formaturas, para se conseguir aprender todas as formalidades imprescindíveis a
um bom militar, tanto mais que se tratava de futuros oficiais. Havia também
muitos exercícios com diversas armas, aulas de segurança, muita ginástica e até
algum treino de remo nos escaleres, onde se navegava até perto da ponte de Vila
Franca, que nessa data ainda estava em construção. O tempo foi passando,
aliviado com alguns fins-de-semana em Lisboa e, no fim de Setembro, com o
programa cumprido, mandaram-me para casa.
No princípio de Outubro, como era normal,
recomecei as aulas na Escola Náutica para frequentar o segundo ano que terminei
com aproveitamento em Julho de 1951, concluindo assim o curso de pilotagem. Mas
não fiquei de férias, porque no princípio de Agosto dei entrada no Corpo de
Marinheiros, no Alfeite, para iniciar a segunda fase do serviço militar
obrigatório, que só veio a terminar em Março do ano seguinte, depois de ter
prestado provas finais com aproveitamento.
Nesta segunda
fase, muito mais complexa e variada, o tempo parecia pouco para cumprir todo o
programa estabelecido. Aulas teóricas e práticas sobre armamento, folhas de
apontamentos de tiro, aulas práticas para conhecimento das diversas armas e sua
montagem e desmontagem para manutenção, preencheram por completo os primeiros
meses no Corpo de Marinheiros. Sabres, espadas, baionetas, pistolas, carabinas,
metralhadoras terrestres e antiaéreas, canhões e bombas de profundidade,
preencheram um nunca mais acabar de matéria para aprender.
Depois desta intensa aprendizagem, chegou a hora de passar
para a Base Naval de Lisboa e lá segui com a maca às costas para os diversos
embarques.
Nos dois
draga-minas foram várias as saídas, não só para treino de tiro ao alvo
flutuante com a peça de 76 milímetros, mas ainda para rocegar minas, largar
bombas de profundidade e treinar o tiro com a metralhadora antiaérea.
Em seguida chegou
a passagem para uma fragata e neste diferente e mais completo navio, era
necessário tomar conhecimento da diversa aparelhagem de deteção anti-submarina
e da complexidade das armas de fogo antiaéreo e de superfície.
Faltava agora a
passagem por um submersível e lá chegou o dia em que pela manhã saí a barra de
Lisboa num dos nossos submarinos. Pouco depois vi da amurada da torre o navio a
ficar coberto pela água. O Comandante fez questão de nos ter cá em cima, junto
dele, para ouvir todas as explicações acerca das manobras e dos exercícios que
estavam previstos para esse dia que ia começar.
Depois o navio
submergiu e lá me foi dado ver pelo periscópio a aproximação à fragata que nos
ia perseguir e da qual devíamos fugir sem ser detetados. Foi um dia que não
mais esqueci. Tudo era novo e aliciante, mas a paciência de todos a bordo
ocasionou um excelente convívio, com um jantar de bifes de cebolada que ficou
na lembrança.
Ao cair da noite,
concluído o programa, entramos em Setúbal. Como não havia lugar a bordo para
todos, lá se foi de maca às costas para a dependência de um cinema antigo, onde
se estendeu o colchão para passar a noite.
Toda a permanência
nestas unidades era a riscar, porque como eramos muitos não havia lugar para
ninguém. Onde se encontrasse lugar para estender a maca, era o nosso alojamento.
Serviam corredores, salas e salotes, mas camarotes não, porque estavam sempre
ocupados.
Chegava agora o fim do treino de mar e estava programada uma
saída de alguns dias no navio escola “SAGRES”. Foi com satisfação que embarquei
nessa linda barca, a velha “FLORES”, da qual já tinha ouvido algumas
referências. Desta vez não tive sorte no embarque, pois os dias foram passando
e a viagem não mais principiava. Dizia-se que a verba não tinha sido atribuída
a tempo de preparar a saída.
Terminou assim o
meu serviço militar obrigatório, com uma estadia de vinte dias a bordo da nossa
velha “Sagres”, ancorada no quadro, em manobras de largar e carregar pano,
aulas de marinharia prática, de sinais, de içar e arriar baleeiras, de
ginástica e de remo e vela, nos escaleres do navio.
Em Março de 1952, após exame final no Quartel de Marinheiros de Vila Franca de Xira, passei à disponibilidade como Guarda Marinha na Reserva.
Caxias, 10
de Julho de 2020
António Marques da Silva
Obs:
1. O texto
que aqui se reproduz foi publicado no jornal “O Ilhavense” no passado dia 15 de
Abril e integra um conjunto de vários artigos nos quais o autor, Sr. Comandante
António Marques da Silva, recorrendo à sua memória, relata episódios e experiências que
viveu há sete décadas, na fase inicial de uma vida totalmente dedicada ao Mar.
2. O Sr. Comandante
António Marques da Silva é um distinto capitão da Marinha Mercante, que
recentemente comemorou o seu 90º aniversário. Comandou navios bacalhoeiros e de
comércio, foi gestor e consultor no sector marítimo e professor na Escola
Náutica. Superintendeu à transformação do lugre bacalhoeiro “Creoula” em Navio
de Treino de Mar e integrou a Comissão Técnica Consultiva do Museu de Marinha. É
um ilustre Académico Emérito da Academia de Marinha e autor ou co-autor de 12
livros de temática marítima. Exímio e premiado modelista náutico, colabora
activamente com os Amigos do Museu de Ílhavo e o Museu Marítimo de Ílhavo.
Tito
Cerqueira
domingo, 15 de agosto de 2021
sábado, 14 de agosto de 2021
CFRG (Ref) Joaquim Afonso Serra Rodeia
Lamentamos dar a conhecer a mensagem recebida através de "A Voz da Abita":
"Estimados Camaradas,
É com muita tristeza que damos a conhecer o falecimento, esta manhã, do Cap.Frag. Engenheiro Hidrógrafo Joaquim Afonso Serra Rodeia, não se conhecendo ainda as cerimónias fúnebres previstas. O Eng. Serra Rodeia pertencia ao Curso "Salvador Correia de Sá e Benavides" (1948), do qual era o Chefe de Curso e o derradeiro camarada desse Curso a falecer.
Aos Camaradas e Amigos, em particular ao seu irmão, CMG (R)João António Serra Rodeia, o testemunho do nosso pesar.
Saudações Navais"
"O Navio... desarmado" partilha esta manifestação de pesar e daqui envia sentidas condolências à sua Família e aos seus amigos.
sexta-feira, 13 de agosto de 2021
R E C O N H E C I M E N T O......
No passado dia 28 de Junho publiquei o que coloco em baixo, na sequência de ter recebido o "Cartão de Antigo Combatente". Como subtítulo está inscrito no cartão - "Titular de Reconhecimento da Nação".
Esperei até meados deste mês para ir averiguar se, o que está no verso do cartão e nas tretas inscritas da carta correspondiam já à realidade.
Telefonei para um dos grandes hospitais públicos e, depois de muita espera, lá consegui saber que não têm indicações/ orientações sobre o assunto.
Tratei de ir ver do passe intermodal e........ fiquei ciente.
Ainda não tive oportunidade de ir a um museu ou a um dos monumentos nacionais para, quase de certeza, ter a confirmação daquilo que há muito sei: esta gentinha que nos pastoreia não tem vergonha nenhuma na cara.
E estou certo que o sr Cravinho MDN, mais os seus ajudantes directos, civis e militares, no estafante afã de em tudo mandarem, ainda não tiveram tempo para esclarecer e responder aos inúmeros, memorandos, cartas e ofícios que, estou seguro, há meses receberam de, Marcelo Rebelo de Sousa (na sua dupla qualidade de PR e Comandante Supremo das Forças Armadas), Ferro Rodrigues, do presidente da comissão parlamentar de defesa, do secretário-geral do PS, do PSD, do PCP, do CDS, do BE, do PAN, do IL, do Chega, dos Verdes, das deputadas independentes / não inscritas, do Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas que agora manda nisto tudo, da Associação 25 de Abril, da Liga dos Combatentes.
Antigamente havia, por exemplo - lá vamos cantando e rindo - agora andamos pelos, melhores dos melhores e outras demagogias e proclamações inócuas, tudo a fingir para cidadão comum enganar mas, sobretudo, com o extremo cuidado de nunca ofender os amiguinhos.
Mas como há muito quem goste, aí estão à vista de todos, os magníficos resultados ofertados por esta gente que, tudo garante, tudo promete, tudo orçamenta, sobre tudo legisla, pouco cumpre.
António Cabral
Contra-Almirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)
quarta-feira, 11 de agosto de 2021
T O P O N Í M I A
A toponímia é um dos aspectos que sempre me fascina nas cidades, vilas e aldeias que vou calcorreando. As três fotografias que mostro são de Castelo Branco. A Nikon D 90 disparou antes desta canícula que está a cair sobre nós.
E lembrei-me delas depois de acabar de ler as "pérolas" agora com força de lei, que foram idealizadas nos diferentes andares e gabinetes do edifício ao Restelo, e ovacionadas em S. Bento e em Belém.
António Cabral
Contra-Almirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)
terça-feira, 10 de agosto de 2021
INFRA-ESTRUTURAS MILITARES. REALIDADES NO PRESENTE
É sabido, no 25 de Abril de 1974, por todo o país, se encontravam reflexos do passado, da nossa história, das guerras em África.
Com o decorrer do tempo, os poderes públicos e concretamente os sucessivos titulares de órgãos de soberania só começaram a olhar para a dimensão global das Forças Armadas (FA) a partir de 1982.
Com muito pouca seriedade, e sem nunca ponderar que FA o país necessitaria depois de ter perdido as possessões em África e na Ásia, e tendo presente os riscos e ameaças que o último quartel do século XX e o século XXI nos complicam a vida.
Houve, é certo, imposição gradual de diminuição de efectivos militares. Houve, é certo, sobretudo a partir de 1991 substituição de meios não só mas nomeadamente na Marinha e na Força Aérea. Houve e está a aumentar progressivo estrangulamento financeiro e cada vez menos adesão à profissão militar por culpa quase exclusiva dos políticos. E houve negociatas de vendas de património edificado e houve um desbaratar de verbas então conseguidas. Uma autêntica pouca vergonha.
Mas também houve bons exemplos de aproveitamento de infra-estruturas militares desactivadas. E estas linhas têm sobretudo a ver com isso.
Um caso que me parece muito positivo é o observável em Penamacor. As instalações vastas do antigo aquartelamento, que se situa numa zona sobranceira à vastidão que a vista percorre até ao monte onde está a aldeia de Monsanto, foram aproveitadas, muito bem aproveitadas.
Tudo no largo Tenente Coronel Júlio Rodrigues da Silva, onde está também o monumento aos mortos da grande guerra. E assim ali estão, Tribunal Judicial, Conservatória, Registo Civil, Financas, Registo Predial, departamentos e serviços camarários, Junta de Freguesia, Escola de Música, e um espectacular Museu cuja visita recomendo.
Aguardemos para ver o que estes políticos, estes titulares de órgãos de soberania, e alguns militares, vão fazer a partir daqui. Os exemplos do presente nada de bom auguram.
António Cabral
Contra-Almirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)
quinta-feira, 5 de agosto de 2021
Ainda a reforma das FFAA
Sobre o assunto em título, vale a pena ler o artigo publicado no "Público" de hoje, da autoria do Alm. Reis Rodrigues. Ler AQUI.
terça-feira, 3 de agosto de 2021
JOGOS OLÍMPICOS - JAPÃO
Como disse a fantástica e belíssima (belíssima não por ser muito bonita que o é, mas por ser quem é e como fala e como treina e se dedica) Patrícia Mamona, somos pequenos mas ás vezes quando queremos somos grandes. Infelizmente, digo eu, é raro como sociedade (por causa dos sucessivos titulares de órgãos de soberania + dirigentes + elites + uns quantos dos cidadãos comuns) querermos ser grandes.
Já cá cantam três belos bronzes, do Fonseca, da Patrícia e do Pimenta. Foi pena por um "niquinho" ter-se falhado o lançamento do peso.
Ah, estava a esquecer-me que, na modalidade do "atirar areia para os olhos", somos dos melhores do planeta, temos medalhas de ouro e pódios consecutivos!
António Cabral
Contra-almirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)
EM TEMPO
Muito agradeço terem tido a gentileza de me chamarem à atenção para o meu lapso relativamente à minha /nossa concidadã Patrícia Mamona, que ganhou a medalha de prata (não bronze) na competição do triplo salto. O vento nas praias de Altura e Verde são atenuante para esta não premeditada injustiça para com a Patrícia.
António Cabral
quarta-feira, 28 de julho de 2021
O Arsenal do Alfeite, a Arsenal do Alfeite S.A. e a Marinha - Que Futuro?
A Comissão Permanente de Defesa Nacional da Assembleia da República reuniu-se no início de Julho com a presença do MDN, num importante encontro em que a Marinha ocupou parte significativa das intervenções, expressando fortes preocupações com a redução da operacionalidade dos navios e com as crescentes dificuldades na sua manutenção, intimamente relacionadas com a situação da Arsenal do Alfeite, S.A.. Esta situação terá possivelmente concorrido para o abate do Bérrio e a consequente limitação resultante da indisponibilidade de um navio reabastecedor.
O MDN anunciou a decisão de construção de 6 patrulhas oceânicos e considerou a questão da AA S.A. matéria importantíssima, reconhecendo que os problemas persistem, mas que as bases da sua resolução já existem, tendo-se registado ‘avanços significativos‘ durante o primeiro semestre, nomeadamente a obtenção da ‘estabilização financeira’. O Ministro anunciou também a criação da Academia da Arsenal do Alfeite, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência, um possível contrato com a Marinha de Marrocos e a construção de uma ‘plataforma polivalente vocacionada para a logística, a ciência e a defesa do ambiente’ e mencionou a recente publicação do primeiro relatório da Comissão de Auditoria de Preços, onde se prevê um aumento do preço da mão-de-obra da AA S.A., factor preponderante para atingir o equilíbrio financeiro, prevendo-se um resultado positivo já no final de 2021, e o seu reforço em 2022.
O Alm Mendes Calado, CEMA, em finais de Março, durante a cerimónia de tomada de posse do Superintendente do Material, afirmou que ‘a Marinha reconhece a importância decisiva para o cumprimento da sua missão de um Arsenal do Alfeite perfeitamente sincronizado com as suas necessidades e prioridades de manutenção’, e salientou a necessidade de melhoria do ‘alinhamento da matriz de interesses das duas organizações’. O CEMA referiu também a necessidade de uma ‘robusta’ relação, bem como ‘um alinhamento estratégico’ adequado entre a AA S.A. e a Direcção de Navios, salientando como ‘relevante instrumento de diálogo e aproximação’ o Grupo de Coordenação e Alinhamento Estratégico Marinha - Arsenal do Alfeite (GCAEMA)’, que submeteu o respectivo relatório em Janeiro.
O DL 33/2009 de 5 de Fevereiro, que constituiu a Arsenal do Alfeite, S.A, reafirma a importância da Marinha para a soberania do Estado Português, e concede-lhe prioridade na aquisição de serviços. E, no seu Artigo 5º (Objecto) refere (ponto 1) que ‘A sociedade tem por objecto a prestação de serviços que se subsumem na actividade de interesse económico geral de construção, manutenção e reparação de navios, sistemas de armamento e de equipamentos militares e de segurança da Marinha, incluindo a prossecução de objectivos essenciais e vitais para a segurança nacional.’ E, no Anexo III (Bases da concessão), Base V (Princípios aplicáveis às relações com a Marinha) estabelece que a concessionária se obriga ‘a garantir a satisfação das necessidades de manutenção programada e dar prioridade às necessidades de manutenção urgentes dos sistemas de armas e demais apoio dos navios da Armada.’
Trata-se portanto de questão relacionada com a própria soberania, difícil de sobrevalorizar. Governo, Assembleia da República, Marinha e AA S.A, estão nisso solidamente de acordo e bem assim, na ‘decisiva importância’ do papel que a AA S.A. desempenha. No entanto, com 12 anos já decorridos desde a extinção do Arsenal do Alfeite (1), por, alegadamente, este carecer de ‘uma renovação profunda’ e se reconhecer que ‘o modelo vigente e enquadramento orgânico do Arsenal não tem condições para se regenerar’, encontramos também, em todos, significativas e iniludíveis preocupações.
No seu conjunto, as preocupações expressas na Comissão de Defesa, o reconhecimento pelo MDN da existência de persistentes problemas, as afirmações do CEMA relativas à necessidade de sincronização e alinhamento de interesses e o relatório do GCAEMA (sobre coordenação e alinhamento entre Marinha e AA !?), são o reconhecimento de que muito, mesmo muito, estará profundamente errado, o que não nos surpreende após 12 anos de continuada degradação. Estes sinais são extremamente preocupantes, na medida em que, enquanto se procura alinhar posições, sincronizar, afinar, e ultrapassar dificuldades, as já conhecidas e aquelas que surgirão pelo caminho, os sistemas não atingirão os equilíbrios dinâmicos que lhes permitam funcionar harmoniosamente, a manutenção dos navios tem hiatos, definha, e, com ela, os próprios navios, incluindo aqueles que venham a ser construídos ou adquiridos. Resulta daqui que as missões ou não são possíveis ou cumprem-se sem a eficácia e a eficiência desejadas, os objectivos definidos não são atingidos, o moral das guarnições e dos organismos que compõem a Marinha é afectado negativamente, e a Marinha vê-se impossibilitada de dar o concurso que lhe compete na defesa da soberania de Portugal e dos superiores interesses da Nação.
Apesar de apenas garantir a ausência de problemas salariais no estaleiro até ao fim do ano, o MDN, coloca-se numa posição optimista, quando refere os avanços significativos obtidos, destaca a ‘estabilização financeira’, esperançado em que a revisão do preço da mão-de-obra em alta a isso conduza. Por outras palavras, a estabilização financeira é o grande objectivo das medidas a aplicar à AA S.A.. Por outro lado, a Marinha pretende ’a diminuição do elevado défice de manutenção das unidades navais’, e o mesmo Ministro, quando responde a questões da manutenção dos navios, afirma que não é tarefa da tutela, sendo encargo da Marinha. Parece difícil que se venha a verificar uma sincronização e alinhamento de interesses.
Nem o percurso da AA S.A. até agora parece ter sido capaz de sincronização ou alinhamento com a Marinha, nem as medidas tomadas sugerem que tal venha a acontecer a breve trecho, levantando uma dúvida legítima relativamente à premissa de que era o ‘enquadramento orgânico do Arsenal’ que impedia a regeneração. Parece-nos, pelo contrário, que em vez de atacar os problemas do Arsenal do Alfeite (que, naturalmente, os tinha e não despiciendos) o novo enquadramento os veio agravar. E o custo daí resultante está e continuará a ser suportado precisamente pelo sector para o qual todo o sistema existe e deveria ter sido preservado dos solavancos organizacionais, os navios, que assim foram menosprezados. A transição para o novo enquadramento, decididamente, falhou e as perspectivas futuras continuam incertas.
Pelo conhecimento que tem da Marinha que comanda, a avaliação do CEMA merece-nos um crédito especial, mas dá-nos, também uma noção realista da dimensão e dificuldades da tarefa que se perspectiva. Ao longo de quase 20 anos, o AA(ou a AA S.A., como se queira)sofreu uma sangria imensa de pessoal, perderam-se ritmos de trabalho, rotinas e enquadramentos, e as suas infraestruturas e parque de equipamentos estão, cremos, pelo menos em parte, no limiar da obsolescência, e carentes de actualização, não sendo de esperar que possam responder de imediato a solicitações de tecnicidade e dimensão correntes noutros tempos. Queremos crer que a 'alma' do AA continua lá, mas o músculo só à custa de forte investimento, em meios humanos e materiais, poderá ser restaurado.
É esse o nosso desejo. Afinal é para os navios que todo o sistema deve funcionar e ser concebido. Toda a Marinha precisa de um Arsenal, que só uma Marinha justifica a sua existência.
Quando dizemos Marinha, não excluímos a Autoridade Marítima e referimos um complexo sistema de múltiplas e variáveis valências (sendo a manutenção dos navios apenas uma delas) que se organizam e concorrem para fornecer um dispositivo naval credível como defensor da soberania do Estado Português. É um sistema com custos elevados, impossível de criar em pouco tempo e difícil de manter. O cálculo dos custos que implica deveria envolver o conjunto das valências e a optimização ser procurada ao nível do sistema.
Será altura de reavaliar o caminho? É, pelo menos, tempo de fazer um ponto ao meio dia e alinhar as peças. Talvez a nomeação de um grupo de trabalho, com objectivos e um prazo bem definidos, possa conceber um plano de acção credível, e definir medidas capazes de proteger os navios das consequências das dificuldades actuais, não voltando a menosprezá-los.
(1) O Arsenal do Alfeite começou a ser construído em 1928, entrou em laboração em 1938 e foi oficialmente inaugurado em 3/Mai/1939, cerca de 11 anos depois, dia em que também se realizou o assentamento da quilha do D. João de Castro, navio hidrográfico, a primeira construção.
A. Vasconcelos da Cunha
H. Costa Roque
"Nos Mares da Memória - Estórias de uma Faina Maior" hoje 28JUL2021 RTP 2 às 23:30 horas
Uma perspetiva histórica de um passado glorioso nas artes
da navegação e da pesca
Se Portugal tivesse que enumerar alguns dos seus feitos mais
gloriosos, a descoberta dos mares gelados da Terra Nova e da Gronelândia bem
como a pesca do bacalhau no século XV, seriam seguramente dois deles.
Ao longo de cinco séculos de história os portugueses levaram
mais longe o conhecimento nas artes da navegação e da pesca. Foram os primeiros
colonizadores dessas terras tão longínquas e, ainda hoje, apesar de
praticamente terem abandonado esses lugares, deixaram marcas profundas na
cultura local.
Notáveis na inovação e na construção naval, considerada a
melhor por exímios navegadores, detiveram uma das maiores frotas de pesca do
mundo e o que resta, são unicamente cinco embarcações: o "Creoula", o
"Santa Maria Manuela", o "Argus", o "Santo André"
e o "Gil Eannes".
Perdem-se no tempo as memórias dos poucos que fizeram da
pesca do bacalhau a sua senda de vida. Escasseiam as vivências dos que as
experienciaram com tanto sacrifício e dedicação.
Um projeto como este visa granjear e preservar as inúmeras
lembranças deste passado tão presente para alguns. Sistematiza a informação
escrita, fotográfica e cinematográfica e converte as "estórias" num
autêntico documento audiovisual.
terça-feira, 27 de julho de 2021
"A notícia da morte do Otelo Saraiva de Carvalho magoou-me e surpreendeu-me. Magoou-me, por se tratar de mais um amigo que parte. Surpreendeu-me, porque estive, recentemente, com o Otelo, no funeral da sua mulher, e achei-o, naturalmente, abatido, mas, aparentemente, com vigor e saúde.
Conheci o Otelo na Guiné, onde o substituí na Direcção da Secção de Radiodifusão e Imprensa do Comando-Chefe. Tornámo-nos amigos. Foi, aliás, essa amizade que me levou a testemunhar em seu favor no julgamento a que foi submetido, apesar de muitos reparos e apelos para que o não fizesse.
O Otelo era um homem bom, generoso, embora, por vezes, pouco prudente, pouco realista – contraditório, mesmo. Adorava representar, até na vida real, esquecendo que a representação exige um espaço delimitado, em que tudo o que aí é normal não o é na vida real.
Para mim, e apesar de todas as contradições, o Otelo tem direito a um lugar de proeminência histórica. E tem esse direito, apesar da autoria de desvios políticos perversos, de nefastas consequências, porque foi ele quem liderou a preparação operacional do 25 de Abril, a mobilização dos jovens capitães, o comando da operação militar bem-sucedida.
E penso assim porque entendo que um Homem é uma unidade e continuidade, uma totalidade complexa, e que só é bem julgado quando considerando, historicamente, esse quadro e o seu contexto. Mas há homens que, num momento histórico especial, se ultrapassam, ganhando dimensão nacional, indiscutível, porque souberam perceber e explorar uma oportunidade histórica única, e sentir os anseios mais profundos do seu povo.
Otelo é uma dessas personalidades. A ele a pátria deve a liberdade e a democracia. E esta é dívida que nada, nem ninguém, tem o direito de recusar.
António Ramalho Eanes"
sábado, 10 de julho de 2021
A SERVIR PORTUGAL NO MAR
AO OLHAR HÁ POUCO PARA ESTE MEU MAGNÍFICO RELÓGIO ESTALOU-ME NA CABEÇA UM TURBILHÃO DE COISAS. POR EXEMPLO, EM CONSEQUÊNCIA DE:> O QUE VAI DECIDIR MARCELO REBELO DE SOUSA QUANDO À LEGISLAÇÃO APROVADA RECENTEMENTE NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA RELATIVA ÀS FORÇAS ARMADAS ?
> A QUESTÃO DOS INCÊNDIOS FLORESTAIS, POIS VEJO ANUNCIADO QUE ATÉ 30 DE SETEMBRO MILITARES DA MARINHA ESTARÃO EMPENHADOS NA VIGILÂNCIA DAS FLORESTAS E NA SENSIBILIZAÇÃO DA POPULAÇÃO PARA A PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS FLORESTAIS. O EMPENHAMENTO PARECE QUE SERÁ NOS CONCELHOS DE, PALMELA, SETÚBAL, ALMADA, SESIMBRA, SINES, ALJEZUR ALCÁCER DO SAL, ODEMIRA, SANTIAGO DO CACÉM E VILA DO BISPO.
> A GNR A LANÇAR ALERTAS BASEADOS EM PREVISÕES DO IPMA RELATIVAMENTE A AGITAÇÃO MARÍTIMA NA COSTA OCIDENTAL E, ALÉM DOS ALERTAS, A ACONSELHAR ATENÇÃO JUNTO DAS ZONAS COSTEIRAS E NO ACESSO AOS MOLHES.
> A PARTICIPAÇÃO DE MERGULHADORES DA MARINHA NUMA FORÇA NAVAL DA NATO QUE PROSSEGUIRÁ NO ÁRDUO E PERIGOSO TRABALHO DE DESACTIVAR ENGENHOS EXPLOSIVOS QUE REPOUSAM NO FUNDO DE VASTAS ÁREAS OCEÂNICAS.
> UMA LONGA ENTREVISTA DE MILITARES FEMININAS QUE OUVI NA TSF.
FICO POR AQUI.
ANTÓNIO CABRAL
CONTRA-ALMIRANTE, REFORMADO
(marrevoltado.blogspot.pt)