Mostrar mensagens com a etiqueta Jorge Sampaio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jorge Sampaio. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

S E S S Ã O    S O L E N E

(mais uma….) (alocução PR Jorge Sampaio, IDN, 29NOV1996)

……Enquanto Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas é para mim uma honra dirigir-me a uma tão ilustre audiência de especialistas em questões tão importantes para o País, como é o caso da Segurança e da Defesa Nacional…..

………….coexistem focos de instabilidade e conflitos declarados ou potenciais em várias regiões do mundo……...os riscos para a segurança e para a estabilidade podem resultar de decisões políticas identificadas ou fenómenos diversificados e complexos, como sejam os fluxos migratórios desordenados, as crises económicas induzidas, o terrorismo e o narcotráfico………….

……...existe hoje, consequentemente, um crescente entrosamento entre política externa, segurança e defesa, que determina uma permanente interacção na formulação de objectivos e na identificação de modalidades de acção……...…a defesa, sendo uma questão nacional, é não apenas militar mas também cultural, económica e política na mais ampla acepção da palavra…………

…….a defesa é acima de tudo uma manifestação de vontade nacional. O espírito de defesa e a cultura de defesa estão intimamente ligadas e todo o cidadão deve estar consciente do facto de que a defesa nacional se fundamenta na coerência da reflexão e dos processos mas também comporta alguns sacrifícios……….

………há que cuidar, igualmente, do potencial estratégico nacional, nos vários domínios da acção do Estado pertinentes à Defesa Nacional…...

……..

Ao longo dos anos tenho feito um esforço tremendo para me aperceber quer das interações quer da tal coerência da reflexão e dos processos; ah, e recordo bem quem eram o PM e o MDN em 1996, como sei bem os que se lhe seguiram. Por isso estamos na coerência conhecida.

António Cabral

Contra-Almirante, reformado

(marrevoltado.blogspot.pt)

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

JORGE  SAMPAIO

Faleceu hoje o Dr Jorge Sampaio, ex Presidente da República, ex Comandante Supremo das Forças Armadas. 

Faleceu um concidadão de elevada estatura intelectual, humanista, um homem exímio, em quem não votei para as eleições presidenciais que ganhou, e cinco anos passados voltou a ganhar.

É comum, quando se deixa a presença terrena, haver muitos elogios.

No caso deste meu concidadão, cuja morte me entristece pois penso que se a saúde não o tivesse atraiçoado, muito se aprenderia ainda com ele, designadamente pelos seus textos como recentemente confirmei, há lugar a diferentes referências.

Todos nós, sem excepção, temos momentos altos e baixos, todos cometemos erros. Jorge Sampaio não foi excepção.

Como aprendi na fase final ainda em casa, antes de singrar em formação superior, e depois ao longo da carreira, primeiro há que realçar aspectos positivos ao longo de uma vida e, apenas depois, referências aquilo em que, respeitosamente, se tenha opinião menos favorável

O meu concidadão Jorge Sampaio chamou-me à atenção bastante antes  de 25 de Abril de 1974. Durante as rebeldias estudantis. E, muito particularmente, através de um meu primo infelizmente já falecido, nessa altura estudante de medicina em Coimbra, primo que, juntamente com outros, esteve detido uns dias na então unidade de artilharia de costa do Exército no alto da Parede, localidade onde eu vivia, e onde através do portão vi o meu primo de capa e batina sentado na parada com muitos outros.

Sendo eu apenas um simples cidadão comum, atrevo-me a dizer sobre Jorge Sampaio que sempre o considerei um cavalheiro, um homem decente. Subiu muito na minha consideração quando percebi que decidira candidatar-se a Presidente da República sem passar cartão ao seu partido e em particular aos dirigentes. A sua candidatura a Lisboa - Por Lisboa, a responsabilidade - devia servir de exemplo. Porque Jorge Sampaio, independentemente de algumas críticas justas, procurou servir, e não servir-se. Exemplo que não é muito seguido.

Creio que Jorge Sampaio é o autor da frase - 25 de Abril sempre. Posso estar enganado, mas Jorge Sampaio creio que mostrou claramente que um Presidente pode, e deve, ser próximo e ao mesmo tempo distante. Creio que respeitou bastante bem a separação de poderes. Creio que o exemplo não singrou. 

Quanto ao ex Comandante Supremo das Forças Armadas, permanece para mim uma grande crítica, relativamente à exoneração de um ex Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas. Estranha. Dos vários textos dele, que guardo, nomeadamente, discursos nos actos de posse de chefias militares, e outros eventos relativos à defesa nacional e relativos às Forças Armadas, e relativos a aspectos de segurança na sociedade, não me recordo de citações dizendo que - são os melhores dos melhores - nem me recordo de incoerências relativamente à instituição militar. 

Recordo que, sem margens para dúvidas, em certos discursos deixou claro que muito havia a alterar respeitante à instituição militar, à defesa nacional, a questões de segurança. Embora muitos possam ter opinião diversa, desde o final da primeira maioria absoluta de Cavaco Silva PM, que CDS, PS e PSD estão alinhados quanto a caminhos relativamente à defesa nacional e às Forças Armadas.

Cedo demais partiu. Descanse em paz.

António Cabral

Contra Almirante, reformado

(marrevoltado.blogspot.pt)