segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O poder naval no século XXI


No âmbito de um Seminário alusivo ao "Poder Militar", levado a efeito no Instituto Universitário Militar (Ex-IESM), em Lisboa, ao Restelo, no passado dia 26 FEV, o VALM (Ref) João Pires Neves fez uma intervenção subordinada ao título "O poder naval no século XXI". A intervenção, com a qualidade já habitual neste autor, mereceu publicação no Jornal de Defesa e Relações Internacionais.
Os interessados podem aceder à integralidade do texto se "clicarem" AQUI.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

OE 20116. Explicação no Parlamento acerca do orçamento para o MDN

Dei-me à paciência de ouvir o que se passou entre o actual titular da pasta e os deputados.Várias coisas, como de costume, nada me espantaram vindo de quem vieram.  
Registei, também, certas curiosidades. Pela primeira vez, os partidos da extrema esquerda elogiaram esta parte do OE2016.  
Mas verifiquei substanciais diferenças.
Mais uma vez, é recorrente e não de agora em funções governamentais, o ministro deseja ardentemente que quanto a missões externas se procure sobretudo o chapéu ONU. 
A questão financeira não é, naturalmente, indiferente.  Creio que os partidos radicais à esquerda nunca aceitarão que a NATO é uma organização que se pode considerar regional, e creio que nada colide com outros conceitos muito importantes.  
Por outro lado, não é de espantar a oposição de partidos radicais à esquerda quanto à participação de forças nacionais, por exemplo, em teatros de luta contra o terrorismo. Falou-se de outras coisas, como o dia da Defesa Nacional, ou aquele célebre plano de navios para a Venezuela, ou as tricas sobre o cálculo da percentagem que de aumento do orçamento, debatendo-se os contornos sobre o projectado ou o executado o ano passado. Muito se entretêm os deputados! 
Houve quem lembrasse que, mais tarde, perante aflições na execução orçamental, os cortes cairão sobre a área da defesa, como habitualmente. 
O ministro disse que não está com medo que o Céu lhe caia em cima. 
Exemplos da galhofa havida em assunto tão sério. Mas é isto que uns e outros tanto apreciam.  As tricas parlamentares, muito vazias de conteúdo, digo eu.Depois, e aí ri-me bastante cá em casa, houve quem se manifestasse contente por parecer que não vai haver cativação de verbas da LPM.  
De facto, ainda existem muitos adultos que acreditam que os bebés chegam de Paris.Depois, também, coisas de aviões, aviões para aqui, aviões para ali.  
Depois, os 25 milhões que as Finanças terão reservados para reposição de salários!!! 
Foi confessada a quebra de entradas de voluntários.  Entre as partes mais jocosas, a de que a redução de despesas com pessoal se deve a decisões do governo anterior. 
Defeito meu, fiquei pouco ou nada esclarecido sobre esta afirmação.  
Mas vindo de quem veio, é de passar adiante. 
O ministro fez referências a números muito grandes para as áreas IASFA e saúde e deficientes das FA.  Aguardemos. 
Mas, acho eu, foi tudo um bocado pobre, ficando-se por uns números e umas tricas. Questões de fundo, sérias, no âmbito da defesa nacional e das FA, que se continuam a empurrar com a barriga?
Naturalmente, não é de espantar, tendo em conta os actores presentes.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

Nota prévia: na presunção de que muitos não o conhecem, deixo aqui um texto sobre a instituição militar que encontrei quando "navegava" na NET. Deixo à consideração de todos, sem qualquer comentário.
António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

Portugal e as Forças Armadas (FA)

Por C. Barroco Esperança

Os militares, após a Revolução de Abril, começaram cedo a ser ostracizados. Portugal, incapaz de fazer a catarse da guerra colonial, tão injusta quanto inútil e criminosa, viu depressa insurretos, nos libertadores, e patriotas, nos algozes da ditadura.
Só um país rico se podia ter dado ao luxo de esbanjar a formação e experiência técnica, administrativa e de liderança de oficiais e sargentos dos três ramos das Forças Armadas. Podia ter aproveitado, depois de afastados os próceres da ditadura, a honradez castrense que rivalizava com a dos melhores quadros que os partidos atraíram.
Os partidos preteriram sempre os militares, especialmente os que nos libertaram da mais longeva ditadura europeia, quando precisaram de autarcas e quadros da Função Pública. Afastaram os que, em comissão de serviço, integravam a PSP; até da GNR afastaram os oficiais da Academia Militar numa progressiva desvalorização das Forças Armadas e do carácter simbólico da unidade nacional que representam.
O fim do Serviço Militar Obrigatório (SMO) ‘exigido’ pelas juventudes partidárias do CDS, PSD e, até, do PS, com honrosa exceção da Juventude Comunista, impediu que as FA refletissem a diversidade do País, incorporando jovens de ambos os sexos, durante 1 ano, que seria de serviço cívico para os excedentes das necessidades militares.
Assim, transformam-se as FA de um País na guarda pretoriana de um qualquer regime. Quando os símbolos da unidade nacional rareiam ou se diluem é o SMO que aglutina o que resta da identidade nacional num mundo globalizado.
O direito à deserção ou o dever de sublevação contra uma ditadura transforma-se, numa democracia, na obrigação de obediência a decisões legítimas, onde um ano de vida seria uma necessidade para o País e a experiência enriquecedora para os jovens.
Além do recrutamento que as FA permitiriam, para as polícias, havia a renovação anual de efetivos, onde os soldados são velhos aos 30 anos e os oficiais são novos aos 50, sem os custos incomportáveis de FA em regime de voluntariado, como ora sucede.
Os responsáveis pelo fim do SMO lesaram a autonomia e identidade do País. Quando já nenhum país tinha colónias, a ditadura, de tão retrógrada, foi a última na descolonização e preferiu a derrota que inviabilizou uma negociação que evitasse a tragédia.
Com a cultura democrática que o 25 de Abril legou, as FA podiam ser o povo fardado em vez de correrem o risco de se tornarem na guarda pretoriana de um novo polvo civil.
Há erros irreversíveis e cedências que se tornam crimes.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

AQUI SE RECORDAM COISAS DO NOSSO PASSADO.

Aqui se recordam aspectos de décadas atrás em que quase todos nós nos divertimos. Marinharia, arte de marinheiro, os "nós".
Lembrei-me disto ao estar a pensar no estado em que estamos, e nos diversos "nós" que tolhem a sociedade portuguesa.
E daí que recordei, e partilho, uma série de "nós".
Pois existem e muitos treinámos, como por exemplo, a laçada ou nó simples, o nó de azelha, a volta de fiador, o nó direito, o nó torto, o nó cego (este lembra-nos muito a realidade), o nó de ladrão, o nó de envergue, o nó de barca, o nó de espia, o nó de pescador, o catau de espia, o nó de escota, o nó de tecelão, o lais de guia, o catau de bandeira, o nó de espada, o nó de brandais, o nó de correr ou laço, o nó de anzol, o nó de voltas falidas (muitos exemplos por aí....), o nó de esquadria, o nó de encapeladura.
Existem também as emendas, como por exemplo, de cotovia, de cotes, de lais de guia, a oval de lais de guia, de meias voltas e cotes.
Enfim, muita arte de marinheiro. Bons tempos, muitas décadas atrás.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)
Mar.  Marinha.  Meios.

A pesquisa periódica dos DR é uma actividade para mim maçadora mas que mantenho regularmente. O Senhor Almirante Nunes da Silva é, das pessoas que conheço, uma das mais interessadas e persistentes nesta matéria, dando-se ao trabalho de, a espaços, nos dar notícia de factos relevantes. Que pessoalmente muito agradeço.Vem isto a propósito da chamada de atenção que nos fez para um recente enquadramento legislativo que respeita ás nossas fragatas da classe Bartolomeu Dias.Presumo que não estarei muito errado se disser que, no presente, a Marinha possui como meios navais, as referidas 2 fragatas, as 3 da classe Vasco da Gama, algumas das estoiradas corvetas das classes Baptista de Andrade e João Coutinho, os 2 jovens submarinos Tridente e Arpão, os navios hidrográficos D.Carlos I, Alm Gago Coutinho, Auriga e Andrómeda, alguns sobreviventes da idosa classe Cacine, o reabastecedor de esquadra, os 2 NPO, o Schultz Xavier, e várias lanchas.Além disso, a Marinha dispõe de Fuzileiros e Mergulhadores que estimo continuem razoavelmente equipados, e dispõe ainda dos (presumo) muito cansados 5 helicópteros Lynx MK95.Presumo ainda que prosseguem os trabalhos nos navios de origem dinamarquesa. Creio que a loucura do navio francês que o anterior MDN parecia incitado a mandar comprar está congelada.Este conjunto de meios imporia, num País que fosse governado de forma equilibrada e em que os governantes tivessem bem a noção do que resulta da nossa implantação geográfica, uma programação de médio e longo prazo para manutenção dos meios existentes e para aquisição planeada de novos meios navais.Aquilo que se vê agora escrito para as fragatas da classe Bartolomeu Dias aponta um sentido. Oxalá ele se venha a concretizar.Mas interrogo-me, e o resto? Sei que o “lençol" é curto. Mas também sei que lençóis de seda continuam a adornar as camas bancárias. Muito lençois de seda!! 
Incomparavelmente mais caros que mandar construir mais NPO para substituição de corvetas e Cacines.Em recente intervenção na AR, verifiquei que o actual MDN se referiu a MLU!!.Mas tenho uma certeza: uma coisa são as decisões ministeriais estampadas em DR e também as grandes tiradas grandiloquentes dos sucessivos ministros, o que pode ser simpático de se ler e ouvir. Outra coisa bem diferente é a inação, o adiamento, o que se não faz usando a mais variada panóplia de justificações. 
Cantam quase todos bem, mas nada me têm encantado. Veja-se, entre muitos outros exemplos tristes, o historial LPM.Oxalá a Marinha veja concretizado o que agora é dado a conhecer. A bem da Marinha e do País. Aguardarei.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A Guerra de Minas no mar

2016-02-23 às 20:14

LOCALIZADO DESTROÇO DO PRIMEIRO NAVIO PORTUGUÊS AFUNDADO NA GRANDE GUERRA

O destroço do caça-minas «Roberto Ivens», afundado durante a Primeira Guerra Mundial na barra do rio Tejo, foi localizado. A descoberta inscreve-se na preparação do programa de atividades destinado a assinalar o centenário da entrada de Portugal na Grande Guerra.
No próximo dia 9 de março cumprem-se 100 anos desde que a Alemanha declarou guerra a Portugal.
Ainda que o envolvimento direto de Portugal tenha sido iniciado em 1914 através do envio de tropas para Angola e Moçambique, num contexto de profundo impacto económico e social, a entrada de Portugal na Grande Guerra data de março de 1916 aquando da declaração de guerra alemã ao nosso País na sequência do aprisionamento de navios alemães e austríacos surtos nos portos nacionais determinado pelo Governo português.
O caça-minas «Roberto Ivens» foi o primeiro navio da Armada Portuguesa a perder-se durante a Grande Guerra. No dia 26 de julho de 1917, quando procedia à faina de rocega de minas na barra do rio Tejo, colidiu com uma mina aí colocada por um submarino alemão.
Com a força da explosão, o navio ficou imediatamente partido em dois e afundou-se em poucos minutos. Arrastou consigo 15 elementos da tripulação, entre eles o seu comandante, o Primeiro-Tenente Raul Cascais.
O destroço do caça-minas «Roberto Ivens» foi agora localizado, situando-se numa posição distinta daquela onde a documentação oficial o apontava como perdido.
A localização permite aprofundar o conhecimento sobre a presença e o papel da Marinha durante o período conturbado da Grande Guerra e, simultaneamente, lança um novo olhar sobre a real dimensão da ameaça submarina alemã em águas territoriais portuguesas.
A confirmação da descoberta do destroço ocorreu como resultado de uma atividade promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e o Ministério da Defesa Nacional no quadro da preparação do programa destinado a assinalar o centenário da entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial.
A iniciativa surge na sequência da investigação realizada pelo Instituto de História Contemporânea em 2014, protagonizada por Paulo Costa, com o concurso da Comissão Cultural da Marinha e o apoio do Instituto Hidrográfico da Marinha Portuguesa.
Foram assim empenhados meios de prospeção geofísica que em articulação com pesquisas efetuadas em vários arquivos nacionais e estrangeiros permitiram estabelecer a correlação entre o navio e um destroço existente.
A identificação do destroço do caça-minas «Roberto Ivens» dá-se no preciso momento em que se assinala o centenário da entrada de Portugal na Grande Guerra e a sua divulgação assinalará a efeméride.

Minha Nota:
Desde 1976 que venho pedindo aquisição de caça-minas e alertando para que não se ignore a guerra de minas.
Ensinei-a desde 1965.
Este episódio foi na 1ª Guerra Mundial. Mas a Guerra de Minas no mar teve enorme desenvolvimento na 2ª Guerra.
  Façamos votos para que ela nunca nos bata à porta, mas há que estar preparado.
Não percebo porque razão os patrulhas de origem dinamarquesa não vão ser polivalentes: patrulhas mas preparados para que eventualmente possam ser caça-minas, hidrográficos ou oceanográficos.
A J Nunes da Silva

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

EVOLUÇÃO NA CONTINUIDADE

Sem se conhecerem os detalhes, é sempre difícil comentar as situações que se nos deparam. Pode até ser imprudente. Procuro ter sempre isto presente, e tento não falhar neste aspecto.
Isto dito, não deixa de ser curioso constatar certas realidades, certos factos.
- Creio não errar se disser que, contando com o actual, os três últimos ministros das Forças Armadas, usualmente designados por MDN, são do Porto, ou têm a sua vida organizada naquela cidade. Augusto Santos Silva é militante conhecido do PS, Aguiar Branco do PSD, e o actual MDN não sei se é militante mas é certamente muito próximo do PS ou de um dos partidos que suportam a actual maioria parlamentar.
- Sendo conhecido que, infelizmente, a esmagadora maioria das vezes os governantes mudam chefias por mudar, designadamente ao nível de director-geral, é interessante verificar a continuidade de certos directores-gerais do MDN. Creio que alguns têm feito longa tarimba no MDN, atravessando vários governos de cores diferentes. Seria igualmente interessante investigar se, para alguns dos departamentos do MDN, nunca militares concorreram em concurso público para esses cargos.
Lembrei-me disto. Quem tiver paciência que investigue. 

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Grande modernização das FF Bartolomeu Dias

  4 Despachos autorizando o dispêndio de vultuosas verbas, escalonadas por vários anos, numa grande modernização das FF Bartolomeu Dias.

https://dre.pt/application/file/73659025

Nunes da Silva

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Convite

Recebido do Cte Pedro Lauret, com pedido de publicação.


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

A ARTE da GUERRA - SUN TZU

""As tácticas militares são como a água corrente.
A água corre sempre de cima para baixo evitando o terreno alto, enquanto as tácticas militares evitam sempre os pontos fortes do inimigo e atacam os seus pontos fracos"".

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

ESTALEIROS de VIANA do CASTELO
(ref: livro - "Como se constrói um navio", Eng Jorge Manuel Ribeiro Lima)

Os ENVC tem uma longa história e, por vezes infelizmente, algo complicada.
Nos recentes dias de muito mau tempo "sofridos" na aldeia, com vários a impor quase clausura caseira, entre outras coisas e concretamente entre outros livros, estive a reler o meu exemplar do livro supra indicado.
Dele partilho duas fotografias, obtidas com a máquina fotográfica, sem tripé, logo, menor qualidade.
A primeira é da fase de construção dos navios patrulha Fogo e Brava, vendo-se os navios na doca nº2. A data é 1956. Outro dia, portanto!!!!! A outra fotografia é uma vista aérea dos ENVC.

António Cabral
cAlmirante, reformado
(chapéus há muitos)


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Uma comissão de embarque na Guiné


O VAlm (Ref) João Pires Neves escreveu para a Revista de Marinha um artigo (Ainda a "Alfange" e a Guiné - Um misto de recordações e curiosidades -) onde descreve o que foi a sua comissão de embarque, como 2º Ten, a comandar a Lancha de Desembarque"Alfange" nos anos setenta do século passado. Além da sua actividade específica, o Alm PN analisa também aspectos estratégicos do conflito que então se desenrolava naquela ex-colónia Portuguesa. Para lerem o artigo podem seguir esta ligação

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

HISTÓRIA dos AÇORES

Sobretudo em razão da carreira, interessei-me pela história dos Açores. Mais recentemente esse interesse aumentou. Concretamente, e sendo um detalhe menor, e porque no blogue não há espaço para me "esticar" demasiado, no muito interessante livro em dois volumes "História dos Açores", do descobrimento ao século XX", na listagem enorme no final do vol.II com o título geral - Governantes dos Açores - encontrei:

1. Comando Territorial Independente dos Açores:
Quartel-General em Ponta Delgada,
Contra-Almirante Paulo Viana (1960-1963)
Contra-Almirante JoaquimJosé Teixeira (1968-1969)
Contra-Almirante Décio Braga da Silva (1974-1975)

2. Zona Militar dos Açores:
Quartel-General em Ponta Delgada,
Vice-Almirante Gabor Albert Ziegler Patkoczy

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

A Marinha de Guerra Portuguesa (II)


Mais uma crítica ao livro do Cte Pedro Lauret apareceu na Revista de Marinha. Caso estejam interessados em lê-la podem seguir esta ligação.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

PROPOSTA de OE 2016.

Ela aí está. Depois de muita vigarice, de todos os lados das bancadas parlamentares, depois das enormes pressões de Bruxelas sobre o governo nacional, ela aí está.
Dei-me ao trabalho de ouvir o Ministro das Finanças. Ou eu estou doido, mas creio que ainda não, ou ele confessou que há aumento da carga fiscal global.
Dei-me ao trabalho de passar os olhos pela proposta OE2016 em PDF.
Olhei para alguns aspectos, que partilho.
> Muito paleio sobre estratégia de promoção do crescimento económico e da consolidação orçamental.
> Quadro II.5.2. Garantias concedidas a outras entidades - 16667,53 milhões de euros (é obra!!!)
> Quadro III.1.6. Despesas com pessoal da Administração Central (em milhões de euros):
Para a Defesa - 1276,3 é a execução provisória 2015; 1208,6 é a dotação ajustada.
> Quadro IV.1.11. Repartição dos limites de despesa financiada por receitas gerais:
para a Defesa - 20,0 em encargos de saúde, 56,5 para FND, 229,9 para LPM, 117,9 para pensões e reformas (números de orçamento ajustado); a execução provisória  2015 está apontada, respectivamente, 20,0; 50,0; 191,2; 133,0;
> Quadro IV.6.4. Despesas por medidas dos programas, programa DN/FA, ajustado para 2016, 1679,9  milhões de euros, é o montante da despesa total prevista para o efectivo militar e para as despesas operacionais de todas as Forças Armadas.

Não sou fiscalista, não sou político, não sou economista nem financeiro.
Quem quiser que tire conclusões.
Eu tiro as minhas.
Quem estiver interessado percorra certos quadros, em que o primeiro que aqui indico é apenas um "apetizer". E verifiquem quanto dinheiro continua a ""escorrer"". E, salvo erro, o OE não demonstra tudo da vida nacional, há mais "porcaria".

António Cabral
cAlmirante, reformado
(Chapeús há muitos)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

OE 2016 e Defesa Nacional (DN) e Forças Armadas (FA)

Reformado não é sinónimo de parado, paralisado, inútil, incapaz.
Sempre olhei para o que me rodeia, na sociedade que integro, e na envolvente externa. E sempre sobre isso ponderei.
Procurei ao longo dos anos tratar o melhor que sabia e podia das responsabilidades que me estavam atribuídas. Isso nunca me compeliu a que me fechasse na redoma à volta da secretária ou do navio, como algumas vezes se ouvia como indicação para a vida a levar.
Vem isto a propósito dos anos passados habituado a olhar para a curva descendente, ano após ano, dos orçamentos destinados à DN e FA. E a ler as balelas dos sucessivos PR, PM, MDN, os actuais incluídos. Sempre belas palavras e ideias.
Com naturalidade, alguns mantêm esperança em novos titulares de orgãos de soberania, em novos tempos.
As vicissitudes por que está a passar a elaboração da proposta de OE2016 por parte do actual governo são bem indicativas das tormentas que nos esperam. Para mim, sem surpresa alguma.
Podem chamar-me céptico, pessimista. Antes fosse, e que a realidade fosse melhor.
O MDN do hífen era vaidoso, sob diferentes pontos de vista, mas arrotava constantes postas de pescada sobretudo com a sua famosa reforma 2020 (????). Particularmente, com a ""regra"" estabelecendo que, doravante (só contaram prá você, NÉ?), o orçamento para a DN se situará um ponto acima ou abaixo de 1,1% do PIB!!!!
Ora, mesmo dando de barato o tipo de criatura que se ufanava desta glória (não acho mal em si mesma), esta como qualquer outra medida nas áreas de soberania correm sempre o risco de acabar no governo seguinte.
Por várias ordens de razão:
> as áreas de soberania nunca foram objecto de um acordo parlamentar entre todos os partidos, no sentido de ficarem fora da luta política; 
> nas áreas de soberania, se conseguido e firmado o acima indicado, era preciso que muitos aspectos incluindo orçamentais, ficassem definidos quanto a objectivos globais a atingir i.e. 25/30 anos;
> nunca nada disto aconteceu, a que se soma a realidade da destruição dos tecidos económico e financeiro do País que, sendo uma triste realidade e muito antiga, os do costume de todas as cores persistem em dizer o contrário. 
Assim, quanto ao orçamento para a DN e FA, contradizendo respeitosamente quem pensa o oposto, prevejo que venha a ser, quando muito, num montante igual ao de 2015. Oxalá não seja pior, isto é, menor. 
Estou por exemplo a pensar, nos rios de dinheiro que vão ser necessários para o SNS, para as polícias, para a justiça (??), para continuar a socorrer os bandidos do costume.
O que significará, obviamente, um aperto enorme, brutal, asfixiante. 
Basta pensar em, vencimentos, nos vários outros aspectos respeitantes aos recursos humanos, nas avarias graves em navios e aviões que sempre podem ocorrer e que é a área de maior impacto financeiro, e por aí fora. Quais modernizações, quais construções em Viana do Castelo, etc.
Amanhã, no parlamento, parece que vai haver uma grossa discussão do governo com o PS, PCP, BE, PEV, sobre o famoso esboço do OE2016, que em bolandas anda. 
Muito honestamente, gostava de estar completamente enganado. Que nada de desastroso viesse a ocorrer. Fica aqui a minha suspeita quanto ao orçamento. Aguardemos.

António Cabral
cAlmirante, reformado,
(Chapéus há muitos)