sexta-feira, 24 de setembro de 2021

PARA AJUDAR NO PERÍODO DE REFLEXÃO

Para, respeitosamente, tentar contribuir para acalmar as mentes que agitadas devem andar depois de alguns episódios da campanha parte dos quais excelentemente recordados já em dois Domingos por Ricardo Araújo Pereira, e assim enfrentar o período de reflexão com sorriso paciente e espírito distendido, deixo a minha contribuição com bonecada que me foi remetida.

António Cabral

Contra-Almirante, reformado

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terça-feira, 14 de setembro de 2021

R E C O R D A Ç Õ E S 

A propósito do que adiante refiro, mais uma vez se me coloca a questão de escrever ou não memórias. 

Vem isto a propósito do interessante artigo que começa na página 78 da Revista de Marinha, Julho/ Agosto 2021, com o título - "Jamanta O Gigante Gentil".

Artigo que me fez recuar umas décadas, ao tempo em que comandei o NRP Quanza, e à época em que estive com o navio nos Açores. E, concretamente, ao dia em que com mar absolutamente chão, pairei a muito escassa distância dos Ilhéus Formigas. E, então, dois botes na água e vários elementos da guarnição autorizados a ir junto dos penhascos, onde o oceano não fazia rebentação, tal a calmaria.

A jamanta é um bicho colossal, gracioso e curioso. 

Mas é ENORME, e isso fez de repente os botes largarem rápidos e afastarem-se da zona. Porquê? Duas enormes jamantas passeando-se muito pertinho da superfície.

Graciosas, gentis, curiosas, e enormes, pelo que, à cautela,………….

António Cabral

Contra-Almirante, reformado

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sábado, 11 de setembro de 2021

Constituição da ASubPOR - Associação dos Submarinistas de Portugal

Realizou-se neste dia 11 de Setembro de 2021, na Delegação do Clube do Sargento da Armada, no Feijó, a Assembleia Constituinte da ASubPOR - Associação dos Submarinistas de Portugal.

A assembleia teve a seguinte Ordem de Trabalhos:

  1. Aprovar a constituição duma Associação a denominar “Associação dos Submarinistas de Portugal (ASubPOR)”;
  2. Aprovação da Comissão Instaladora (CI);
  3. Aprovação dos Estatutos da futura ASubPOR;   
  4. Designar três elementos da CI para outorgar na escritura pública de constituição;
  5. Aprovação dos futuros sócios.

A ideia de criar esta associação nasceu do sucesso das muitas tertúlias realizadas e sempre muito concorridas pelos antigos submarinistas, tendo-se formado uma Pré Comissão Instaladora composta por 15 elementos que dinamizou todo o processo que culminou na realização desta Assembleia e na constituição da ASubPOR.

Votos de muito sucesso e de longa vida para a ASubPOR.

Os contactos para a ASubPOR são os seguintes:

Tlm: 919 103 915

Email: : asubportugal@gmail.com

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

CMG REF José Joaquim Casado Parreira


É com profunda mágoa que venho dar a muito triste notícia, que me chegou há minutos, do falecimento do nosso querido Camarada de Curso e Amigo, Casado Parreira.

Segundo seu filho, há cerca de três meses começou a preocupar-se com perda de peso. Depois de uma série de análises, os médicos detectaram-lhe uma situação cancerosa sem que, no entanto, tenham conseguido localizá-la.
Tendo iniciado sessões de quimioterapia, ontem já não chegou a fazer a terceira como estava previsto, por ter caído em casa, ficando inanimado.
Sendo transportado imediatamente para o hospital de Santa Maria, acabou por falecer hoje por volta das 07:00.
O corpo aí permanecerá até à próxima segunda feira, dia em seguirá para a capela da Ericeira, ficando em câmara ardente da 12 às 14 horas. Depois de uma cerimónia religiosa o féretro seguirá para o cemitério de Rio de Mouro onde será cremado.
A sua Família, apresento em meu nome e do Curso “OC” os mais sentidos pêsames.

CMG (Ref) Carlos Fernando Dias Souto


 Lamentamos dar a conhecer a mensagem recebida através de "A Voz da Abita":

"Estimados Camaradas,

De acordo com informações recebidas de diversas fontes é com muito pesar que damos a conhecer o falecimento do nosso estimado Camarada, CMG (R) Carlos Fernando Dias Souto, que ocorreu durante a noite de ontem para hoje nos Estados Unidos da América onde residia há vários anos. Aos seus Amigos e Camaradas, e em particular aos do Curso Pedro Nunes a que pertencia, o testemunho do nosso pesar extensivo à sua Família, e em particular à sua Mulher Brenda Souto ...

 As informações recebidas dão ainda a conhecer que o corpo do nosso falecido camarada será cremado dentro de alguns dias.

Saudações Navais"

"O Navio... desarmado" associa-se a esta manifestação de pesar e envia sentidas condolências à sua Família e aos seus amigos e camaradas.

JORGE  SAMPAIO

Faleceu hoje o Dr Jorge Sampaio, ex Presidente da República, ex Comandante Supremo das Forças Armadas. 

Faleceu um concidadão de elevada estatura intelectual, humanista, um homem exímio, em quem não votei para as eleições presidenciais que ganhou, e cinco anos passados voltou a ganhar.

É comum, quando se deixa a presença terrena, haver muitos elogios.

No caso deste meu concidadão, cuja morte me entristece pois penso que se a saúde não o tivesse atraiçoado, muito se aprenderia ainda com ele, designadamente pelos seus textos como recentemente confirmei, há lugar a diferentes referências.

Todos nós, sem excepção, temos momentos altos e baixos, todos cometemos erros. Jorge Sampaio não foi excepção.

Como aprendi na fase final ainda em casa, antes de singrar em formação superior, e depois ao longo da carreira, primeiro há que realçar aspectos positivos ao longo de uma vida e, apenas depois, referências aquilo em que, respeitosamente, se tenha opinião menos favorável

O meu concidadão Jorge Sampaio chamou-me à atenção bastante antes  de 25 de Abril de 1974. Durante as rebeldias estudantis. E, muito particularmente, através de um meu primo infelizmente já falecido, nessa altura estudante de medicina em Coimbra, primo que, juntamente com outros, esteve detido uns dias na então unidade de artilharia de costa do Exército no alto da Parede, localidade onde eu vivia, e onde através do portão vi o meu primo de capa e batina sentado na parada com muitos outros.

Sendo eu apenas um simples cidadão comum, atrevo-me a dizer sobre Jorge Sampaio que sempre o considerei um cavalheiro, um homem decente. Subiu muito na minha consideração quando percebi que decidira candidatar-se a Presidente da República sem passar cartão ao seu partido e em particular aos dirigentes. A sua candidatura a Lisboa - Por Lisboa, a responsabilidade - devia servir de exemplo. Porque Jorge Sampaio, independentemente de algumas críticas justas, procurou servir, e não servir-se. Exemplo que não é muito seguido.

Creio que Jorge Sampaio é o autor da frase - 25 de Abril sempre. Posso estar enganado, mas Jorge Sampaio creio que mostrou claramente que um Presidente pode, e deve, ser próximo e ao mesmo tempo distante. Creio que respeitou bastante bem a separação de poderes. Creio que o exemplo não singrou. 

Quanto ao ex Comandante Supremo das Forças Armadas, permanece para mim uma grande crítica, relativamente à exoneração de um ex Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas. Estranha. Dos vários textos dele, que guardo, nomeadamente, discursos nos actos de posse de chefias militares, e outros eventos relativos à defesa nacional e relativos às Forças Armadas, e relativos a aspectos de segurança na sociedade, não me recordo de citações dizendo que - são os melhores dos melhores - nem me recordo de incoerências relativamente à instituição militar. 

Recordo que, sem margens para dúvidas, em certos discursos deixou claro que muito havia a alterar respeitante à instituição militar, à defesa nacional, a questões de segurança. Embora muitos possam ter opinião diversa, desde o final da primeira maioria absoluta de Cavaco Silva PM, que CDS, PS e PSD estão alinhados quanto a caminhos relativamente à defesa nacional e às Forças Armadas.

Cedo demais partiu. Descanse em paz.

António Cabral

Contra Almirante, reformado

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quinta-feira, 9 de setembro de 2021

O respeito pelos militares

Há por aí, na esfera política, quem encha a boca com frases grandiloquentes relativas ao respeito pelos militares, mas os actos desmentem-nas violentamente.

Abundam decerto os exemplos, mas não deixarei de registar aqui um caso pessoal.

Um dos tratamentos aconselhados para a trocanterite são injecções de PRP - plasma rico em plaquetas.

Aconselhado por alguém, resolvi recorrer a essa terapêutica, no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa. Depois de uma primeira injecção, cujos resultados não foram excelentes, vi-me na contingência de o repetir, o que vim a  fazer alguns meses depois.

Comparticipadas pelo IASFA, cada uma dessas intervenções custou-me por volta de 100 euros.

Há poucos dias, como se tornasse necessário um terceiro reforço, marquei-o, na sequência da devida consulta médica. 

Ao final do dia fui informado pelo HCVP de que a estimativa do custo era de 500 euros; pedindo para ser elucidado sobre a razão de ser deste brutal aumento, esclareceram-me que este tratamento deixou de ser comparticipado pelo IASFA.

Aqui deixo, pois, o alerta: ao mesmo tempo que trompeteiam a grande consideração que nutrem pelos militares, vão-nos reduzindo paulatina e surdamente os parcos benefícios que ainda temos, sustentados, aliás, por descontos nos nossos vencimentos e pensões.

Até quando?


quarta-feira, 8 de setembro de 2021

A  REFORMA (????)

A dita reforma (??) das FA recentemente em vigor desencadeou protestos diversos. 

A mim nada espantou. Creio que muitos se esqueceram, e passaram anos a fingir que não sabiam que, a partir do 2º mandato de maioria absoluta de Cavaco Silva, PSD, CDS e PS passaram a estar irmanados em tudo o respeitante às FA. O grande objectivo é a governamentalização das FA. Que agora é completa. Estão-se nas tintas se lhes dizem nada perceber de FA.

Na minha opinião, o que agora acontece e está relatado em alguns OCS, tem dois objectivos claros:
1º - lembrar, dizer já aos Ramos - eu é que mando.
2º - tentar que o CEMA se demita, para ser possível indigitarem quem se deseja, e que se sabe quem é. Além de que o desejo é partilhado por políticos, oh se é!

Vou aguardar, para ver se repetem uma cena anterior.

António Cabral

Contra-Almirante, reformado

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quarta-feira, 1 de setembro de 2021

O h h h. . . . . 

Tenho uma curiosidade: já avisaram o sr Eduardo Cabrita? E o sr António Costa? E o sr Marcelo Rebelo de Sousa?

Creio que deviam ser avisados de que a célebre lancha da GNR, baptizada de ‘Bojador’, parece que encalhou esta tarde algures entre Carcavelos e a Parede. Acidentes marítimos acontecem, mas este era só uma questão de tempo.

Um amigo acabou de me telefonar a perguntar o que eu pensava disto. Digo-vos o que lhe transmiti  - nada de espantar.

António Cabral
Contra-Almirante, reformado
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Ps: parafraseando um bom camarada de armas, os cavalos marinhos estariam de folga?

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

"ESTA VIDA DE MARINHEIRO", pelo capitão da Marinha Mercante António Marques da Silva

Resolvi escrever estas linhas para tentar contar o que me recordo da minha passagem pela Marinha de Guerra. Vou falar por mim, pois embora o grupo fosse grande e composto por alunos dos quatro cursos da Escola Náutica - pilotagem, máquinas marítimas, eletrotecnia e administração - certamente cada um de nós terá guardado a sua memória desse tempo. 

Durante a frequência do primeiro ano, iniciado em Outubro de 1949, tivemos conhecimento que tinha sido determinado superiormente para todos os alunos da Escola Náutica, um período de serviço militar obrigatório na Marinha de Guerra, frequentado como Cadetes da Reserva de Marinha.   

Por essa razão, após terminar o primeiro ano com aproveitamento, em princípio de Agosto de 1950 assentei praça no Quartel de Marinheiros, em Alcântara, com dezanove anos de idade. Não fiz inspeção de saúde, pois a que havia efetuado para dar entrada na Escola Náutica, no ano anterior, era considerada válida.

Cadete da Reserva Marítima António Marques da Silva

Devia sim comparecer no dia que foi determinado, devidamente equipado com fardamento branco, por ser verão, e trazer além da necessária roupa interior, um fato de ganga azul, botas pretas e equipamento de ginástica. Ninguém me perguntou se havia dinheiro para essa despesa. Era ordem para cumprir, caso pretendesse concluir o curso e embarcar na marinha mercante para trabalhar.

Entrei assim para a Reserva de Marinha, onde me foi atribuído o número sessenta e dois. Em seguida, ainda no Quartel em Alcântara, teve lugar um sumário Juramento de Bandeira. Depois segui com os meus colegas e respetivas bagagens numa pequena lancha, ao ar livre, Rio Tejo acima, até ao Quartel de Marinheiros em Vila Franca de Xira, onde ia ter início a primeira fase do período de recruta, que terminou no fim de Setembro.

Cadetes da Reserva Marítima

No dia da chegada a este aquartelamento, esperava por cada um de nós uma maca de lona, onde estava enrolado um colchão, um cobertor, uma almofada e um bivaque. A essa maca, com o respetivo número, era atribuído um beliche que podia ser inferior ou superior, visto que se tratava de um conjunto metálico de duas camas sobrepostas, fixo na parede, de forma a ser desmontado diariamente e colocado ao alto. Nesse primeiro dia ensinaram a enrolar a dita maca que devia ser amarrada com um cabo delgado, (o tomadouro), de forma a poder ser pendurada ao alto num gancho, nas costas do beliche, para libertar todo o espaço da caserna. Este espaço tinha anexa uma zona com pequenas mesas e cadeiras onde se podia estar, e ainda uma grande casa de banho para uso comum. Foram estas as instalações onde passei os dois meses do verão, com muitos mosquitos e algumas osgas.

Instrução de Infantaria

Durante estes dois meses, todo o tempo foi ocupado com a denominada recruta. Para começar, entenderam ser necessárias formaturas e mais formaturas, para se conseguir aprender todas as formalidades imprescindíveis a um bom militar, tanto mais que se tratava de futuros oficiais. Havia também muitos exercícios com diversas armas, aulas de segurança, muita ginástica e até algum treino de remo nos escaleres, onde se navegava até perto da ponte de Vila Franca, que nessa data ainda estava em construção. O tempo foi passando, aliviado com alguns fins-de-semana em Lisboa e, no fim de Setembro, com o programa cumprido, mandaram-me para casa.

No princípio de Outubro, como era normal, recomecei as aulas na Escola Náutica para frequentar o segundo ano que terminei com aproveitamento em Julho de 1951, concluindo assim o curso de pilotagem. Mas não fiquei de férias, porque no princípio de Agosto dei entrada no Corpo de Marinheiros, no Alfeite, para iniciar a segunda fase do serviço militar obrigatório, que só veio a terminar em Março do ano seguinte, depois de ter prestado provas finais com aproveitamento.

Nesta segunda fase, muito mais complexa e variada, o tempo parecia pouco para cumprir todo o programa estabelecido. Aulas teóricas e práticas sobre armamento, folhas de apontamentos de tiro, aulas práticas para conhecimento das diversas armas e sua montagem e desmontagem para manutenção, preencheram por completo os primeiros meses no Corpo de Marinheiros. Sabres, espadas, baionetas, pistolas, carabinas, metralhadoras terrestres e antiaéreas, canhões e bombas de profundidade, preencheram um nunca mais acabar de matéria para aprender.

Momentos de lazer

Depois desta intensa aprendizagem, chegou a hora de passar para a Base Naval de Lisboa e lá segui com a maca às costas para os diversos embarques.

Nos dois draga-minas foram várias as saídas, não só para treino de tiro ao alvo flutuante com a peça de 76 milímetros, mas ainda para rocegar minas, largar bombas de profundidade e treinar o tiro com a metralhadora antiaérea.

Em seguida chegou a passagem para uma fragata e neste diferente e mais completo navio, era necessário tomar conhecimento da diversa aparelhagem de deteção anti-submarina e da complexidade das armas de fogo antiaéreo e de superfície.

Faltava agora a passagem por um submersível e lá chegou o dia em que pela manhã saí a barra de Lisboa num dos nossos submarinos. Pouco depois vi da amurada da torre o navio a ficar coberto pela água. O Comandante fez questão de nos ter cá em cima, junto dele, para ouvir todas as explicações acerca das manobras e dos exercícios que estavam previstos para esse dia que ia começar.

Depois o navio submergiu e lá me foi dado ver pelo periscópio a aproximação à fragata que nos ia perseguir e da qual devíamos fugir sem ser detetados. Foi um dia que não mais esqueci. Tudo era novo e aliciante, mas a paciência de todos a bordo ocasionou um excelente convívio, com um jantar de bifes de cebolada que ficou na lembrança.

Ao cair da noite, concluído o programa, entramos em Setúbal. Como não havia lugar a bordo para todos, lá se foi de maca às costas para a dependência de um cinema antigo, onde se estendeu o colchão para passar a noite.

Toda a permanência nestas unidades era a riscar, porque como eramos muitos não havia lugar para ninguém. Onde se encontrasse lugar para estender a maca, era o nosso alojamento. Serviam corredores, salas e salotes, mas camarotes não, porque estavam sempre ocupados.

A bordo da "Sagres" (velha)

Chegava agora o fim do treino de mar e estava programada uma saída de alguns dias no navio escola “SAGRES”. Foi com satisfação que embarquei nessa linda barca, a velha “FLORES”, da qual já tinha ouvido algumas referências. Desta vez não tive sorte no embarque, pois os dias foram passando e a viagem não mais principiava. Dizia-se que a verba não tinha sido atribuída a tempo de preparar a saída.

Terminou assim o meu serviço militar obrigatório, com uma estadia de vinte dias a bordo da nossa velha “Sagres”, ancorada no quadro, em manobras de largar e carregar pano, aulas de marinharia prática, de sinais, de içar e arriar baleeiras, de ginástica e de remo e vela, nos escaleres do navio.

NRP "Sagres" (velha)

Em Março de 1952, após exame final no Quartel de Marinheiros de Vila Franca de Xira, passei à disponibilidade como Guarda Marinha na Reserva. 

Caxias, 10 de Julho de 2020         

António Marques da Silva



Obs:

1. O texto que aqui se reproduz foi publicado no jornal “O Ilhavense” no passado dia 15 de Abril e integra um conjunto de vários artigos nos quais o autor, Sr. Comandante António Marques da Silva, recorrendo à sua memória, relata episódios e experiências que viveu há sete décadas, na fase inicial de uma vida totalmente dedicada ao Mar.

2. O Sr. Comandante António Marques da Silva é um distinto capitão da Marinha Mercante, que recentemente comemorou o seu 90º aniversário. Comandou navios bacalhoeiros e de comércio, foi gestor e consultor no sector marítimo e professor na Escola Náutica. Superintendeu à transformação do lugre bacalhoeiro “Creoula” em Navio de Treino de Mar e integrou a Comissão Técnica Consultiva do Museu de Marinha. É um ilustre Académico Emérito da Academia de Marinha e autor ou co-autor de 12 livros de temática marítima. Exímio e premiado modelista náutico, colabora activamente com os Amigos do Museu de Ílhavo e o Museu Marítimo de Ílhavo.

Tito Cerqueira



domingo, 15 de agosto de 2021

CONCERTO, BANDA da ARMADA

CASUALMENTE, E EM BOA HORA ACONTECEU, TELEFONAREM-ME, E POR ISSO ESTOU SENTADO A VER E OUVIR E A DELICIAR-ME COM UM CONCERTO ANTIGO DA BANDA DA ARMADA, NA RTP2. 

RECOMENDO QUE USEM A TECNOLOGIA E VEJAM.

António Cabral

Contra-Almirante, reformado

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sábado, 14 de agosto de 2021

CFRG (Ref) Joaquim Afonso Serra Rodeia

 
Lamentamos dar a conhecer a mensagem recebida através de "A Voz da Abita":

"Estimados Camaradas, 

É com muita tristeza que damos a conhecer o falecimento, esta manhã, do Cap.Frag. Engenheiro Hidrógrafo Joaquim Afonso Serra Rodeia, não se conhecendo ainda as cerimónias fúnebres previstas. O Eng. Serra Rodeia pertencia ao Curso "Salvador Correia de Sá e Benavides" (1948), do qual era o Chefe de Curso e o derradeiro camarada desse Curso a falecer.

Aos Camaradas e Amigos, em particular ao seu irmão, CMG (R)João António Serra Rodeia, o testemunho do nosso pesar.

Saudações Navais"  

"O Navio... desarmado" partilha esta manifestação de pesar e daqui envia sentidas condolências à sua Família e aos seus amigos.

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

R E C O N H E C I M E N T O......

No passado dia 28 de Junho publiquei o que coloco em baixo, na sequência de ter recebido o "Cartão de Antigo Combatente". Como subtítulo está inscrito no cartão - "Titular de Reconhecimento da Nação".

Esperei até meados deste mês para ir averiguar se, o que está no verso do cartão e nas tretas inscritas da carta correspondiam já à realidade.

Telefonei para um dos grandes hospitais públicos e, depois de muita espera, lá consegui saber que não têm indicações/ orientações sobre o assunto.

Tratei de ir ver do passe intermodal e........ fiquei ciente. 

Ainda não tive oportunidade de ir a um museu ou a um dos monumentos nacionais para, quase de certeza, ter a confirmação daquilo que há muito sei: esta gentinha que nos pastoreia não tem vergonha nenhuma na cara.

E estou certo que o sr Cravinho MDN, mais os seus ajudantes directos, civis e militares, no estafante afã de em tudo mandarem, ainda não tiveram tempo para esclarecer e responder aos inúmeros, memorandos, cartas e ofícios que, estou seguro, há meses receberam de, Marcelo Rebelo de Sousa (na sua dupla qualidade de PR e Comandante Supremo das Forças Armadas), Ferro Rodrigues, do  presidente da comissão parlamentar de defesa, do secretário-geral do PS, do PSD, do PCP, do CDS, do BE, do PAN, do IL, do Chega, dos Verdes, das deputadas independentes / não inscritas, do Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas que agora manda nisto tudo, da Associação 25 de Abril, da Liga dos Combatentes.

Antigamente havia, por exemplo - lá vamos cantando e rindo - agora andamos pelos, melhores dos melhores e outras demagogias e proclamações inócuas, tudo a fingir para cidadão comum enganar mas, sobretudo, com o extremo cuidado de nunca ofender os amiguinhos

Mas como há muito quem goste, aí estão à vista de todos, os magníficos resultados ofertados por esta gente que, tudo garante, tudo promete, tudo orçamenta, sobre tudo legisla, pouco cumpre.

António Cabral

Contra-Almirante, reformado

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quarta-feira, 11 de agosto de 2021

T O P O N Í M I A

A toponímia é um dos aspectos que sempre me fascina nas cidades, vilas e aldeias que vou calcorreando. As três fotografias que mostro são de Castelo Branco. A Nikon D 90 disparou antes desta canícula que está a cair sobre nós.

E lembrei-me delas depois de acabar de ler as "pérolas" agora com força de lei, que foram idealizadas nos diferentes andares e gabinetes do edifício ao Restelo, e ovacionadas em S. Bento e em Belém.

António Cabral

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terça-feira, 10 de agosto de 2021

INFRA-ESTRUTURAS  MILITARES. REALIDADES  NO  PRESENTE

É sabido, no 25 de Abril de 1974, por todo o país, se encontravam reflexos do passado, da nossa história, das guerras em África.

Com o decorrer do tempo, os poderes públicos e concretamente os sucessivos titulares de órgãos de soberania só começaram a olhar para a dimensão global das Forças Armadas (FA) a partir de 1982.

Com muito pouca seriedade, e sem nunca ponderar que FA o país necessitaria depois de ter perdido as possessões em África e na Ásia, e tendo presente os riscos e ameaças que o último quartel do século XX e o século XXI nos complicam a vida.

Houve, é certo, imposição gradual de diminuição de efectivos militares. Houve, é certo, sobretudo a partir de 1991 substituição de meios não só mas nomeadamente na Marinha e na Força Aérea. Houve e está a aumentar progressivo estrangulamento financeiro e cada vez menos adesão à profissão militar por culpa quase exclusiva dos políticos. E houve negociatas de vendas de património edificado e houve um desbaratar de verbas então conseguidas. Uma autêntica pouca vergonha.

Mas também houve bons exemplos de aproveitamento de infra-estruturas militares desactivadas. E estas linhas têm sobretudo a ver com isso.

Um caso que me parece muito positivo é o observável em Penamacor. As instalações vastas do antigo aquartelamento, que se situa numa zona sobranceira à vastidão que a vista percorre até ao monte onde está a aldeia de Monsanto, foram aproveitadas, muito bem aproveitadas.

Tudo no largo Tenente Coronel Júlio Rodrigues da Silva, onde está também o monumento aos mortos da grande guerra. E assim ali estão, Tribunal Judicial, Conservatória, Registo Civil, Financas, Registo Predial, departamentos e serviços camarários, Junta de Freguesia, Escola de Música, e um espectacular Museu cuja visita recomendo. 
Aguardemos para ver o que estes políticos, estes titulares de órgãos de soberania, e alguns militares, vão fazer a partir daqui. Os exemplos do presente nada de bom auguram.

António Cabral

Contra-Almirante, reformado

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quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Ainda a reforma das FFAA

 Sobre o assunto em título, vale a pena ler o artigo publicado no "Público" de hoje, da autoria do Alm. Reis Rodrigues. Ler AQUI.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

OBVIAMENTE,  SEM  SURPRESAS
(do "sítio" da Presidência da República) (sublinhados meus)

Atendendo ao parecer unânime do Conselho Superior de Defesa Nacional, ao entendimento largamente maioritário do Conselho de Estado, à versão final dos diplomas – atenuando uma ou outra faceta mais controversa –, e, sobretudo, às muito expressivas maiorias parlamentares, aliás consonantes com as mesmas que tinham votado as Leis n.º 5 e 6/2014 – que abriram caminho ao estatuto de superior hierárquico do CEMGFA e, também ao espaço existente na futura apreciação das leis orgânicas do CEMGFA e dos três ramos das Forças Armadas, o Presidente da República, tendo ouvido, no termo do processo legislativo, os quatro Chefes Militares que, aliás, compreenderam a lógica da posição presidencial, promulgou os decretos da Assembleia da República que procedem a alterações à Lei de Defesa Nacional e à Lei Orgânica de Bases da Organização das Forças Armadas.

Seis comentários:

1º - SEM NENHUMA SURPRESA, como eu esperava e certamente muitos mais, excepto porventura para aqueles que andaram anos a tratar de não ver ou fingir que não percebiam, o que devagarinho os políticos enamorados pelas Forças Armadas foram preparando e teve incremento sem parar desde 1995. Entretiveram-se a tratar da vida, a olhar o umbigo, a desprezar leais, atentos e venerandos. 
O resultado está à vista. 

2º - Os assessores frustados de há poucos anos, sempre activos quase sempre na sombra, certamente que se sentem agora vingados.

3º - Quanto ao transitório inquilino em Belém não perco tempo.

4º - Quanto ao responsável maior por tudo isto idem.

5º - A governamentalização das Forças Armadas era já um facto com a alteração da lei no respeitante à nomeação dos Chefes de Estado-Maior dos Ramos das Forças Armadas, alteração feita no final do "Cavaquismo",  depois da azia que lhes causou não terem podido nomear para Chefe de Estado-Maior da Armada quem desejavam. Lei alterada que vigorou até ao presente. Ah, e arranjaram um brinde para o desiludido da altura.
O caminho para a governamentalização descarada das Forças Armadas está agora, finalmente, 100 % desimpedido.

6º - Adicionalmente, todos os problemas que cada vez mais afligem as Forças Armadas, (pintelhos como diria Catroga, tais como estatuto, meios humanos materiais e financeiros, infra-estruturas, assistência social, vencimentos, etc.) ficam agora final e automaticamente resolvidos. 
Paralelamente, todos os militares e cidadãos comuns que não se deixam enganar com conversas de falsa unanimidade, atenuações ou lógicas falsas, quando formos em breve aos quartéis para observar as estrelas, poderemos em uníssono acompanhar SExa olhando o Céu estrelado e gritando bem alto - somos os melhores dos melhores
A bem da Nação.

António Cabral
Contra-Almirante, reformado
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EM TEMPO
Sr Cte Nunes da Cruz, prezado camarada de armas
Muito agradeço as suas palavras.
No que se refere às praias abro aqui uma excepção, pois pouco especifico quando e por onde ando ao longo do ano.
Há sete anos que usufruo do Eurotel e, subsequentemente, das praias de Altura (a base), Manta Rota, Alagoa, Verde e Cabeço. Estas quatro praias são visitadas todas as manhãs nas caminhadas, matinais e à tarde. 
Já há algum tempo que a identificação de Alagoa, Altura, 
Verde e Cabeço está assinalada. 
Este ano encontrei uma melhoria para mim formidável: inúmeros passadiços ligando praias, permitindo-me à noite caminhar depois de jantar. A mim e a muitos mais. E é um cenário muito simpático com as luzinhas junto ao pavimento.
Além disso, o novo restaurante da Praia de Altura (já com referência no Boa cama boa mesa) é muito simpático e muito razoável quanto à oferta e serviço. Opinião minha, naturalmente.
Muito poucos estrangeiros na zona. Quase só concidadãos, incluindo alguns políticos bem conhecidos (um ao meu lado na palhota da praia), mas que não me fazem mudar de  lugar, por muito que não me sejam simpáticos. Um deles, raramente abrindo a boca para dizer bom dia.
O único senão tem sido nestes últimos 16 dias alguns atingidos por vento em excesso. Espero vingar-me em Setembro, com Levante e águas mais quentes.
António Cabral

JOGOS  OLÍMPICOS  -  JAPÃO

Como disse a fantástica e belíssima (belíssima não por ser muito bonita que o é, mas por ser quem é e como fala e como treina e se dedica) Patrícia Mamona, somos pequenos mas ás vezes quando queremos somos grandes. Infelizmente, digo eu, é raro como sociedade (por causa dos sucessivos titulares de órgãos de soberania + dirigentes + elites + uns quantos dos cidadãos comuns) querermos ser grandes.

Já cá cantam três belos bronzes, do Fonseca, da Patrícia e do Pimenta. Foi pena por um "niquinho" ter-se falhado o lançamento do peso.

Ah, estava a esquecer-me que, na modalidade do "atirar areia para os olhos", somos dos melhores do planeta, temos medalhas de ouro e pódios consecutivos!

António Cabral

Contra-almirante, reformado

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EM TEMPO

Muito agradeço terem tido a gentileza de me chamarem à atenção para o meu lapso relativamente à minha /nossa concidadã Patrícia Mamona, que ganhou a medalha de prata (não bronze) na competição do triplo salto. O vento nas praias de Altura e Verde são atenuante para esta não premeditada injustiça para com a Patrícia.

António Cabral 

quarta-feira, 28 de julho de 2021

O Arsenal do Alfeite, a Arsenal do Alfeite S.A. e a Marinha - Que Futuro?

 A Comissão Permanente de Defesa Nacional da Assembleia da República reuniu-se no início de Julho com a presença do MDN, num importante encontro em que a Marinha ocupou parte significativa das intervenções, expressando fortes preocupações com a redução da operacionalidade dos navios e com as crescentes dificuldades na sua manutenção, intimamente relacionadas com a situação da Arsenal do Alfeite, S.A.. Esta situação terá possivelmente concorrido para o abate do Bérrio e a consequente limitação resultante da indisponibilidade de um navio reabastecedor.

O MDN anunciou a decisão de construção de 6 patrulhas oceânicos e considerou a questão da AA S.A. matéria importantíssima, reconhecendo que os problemas persistem, mas que as bases da sua resolução já existem, tendo-se registado ‘avanços significativos‘ durante o primeiro semestre, nomeadamente a obtenção da ‘estabilização financeira’. O Ministro anunciou também  a criação da Academia da Arsenal do Alfeite, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência, um possível contrato com a Marinha de Marrocos e a construção de uma ‘plataforma polivalente vocacionada para a logística, a ciência e a defesa do ambiente’ e mencionou a recente publicação do primeiro relatório da Comissão de Auditoria de Preços, onde se prevê um aumento do preço da mão-de-obra da AA S.A., factor preponderante para atingir o equilíbrio financeiro, prevendo-se um resultado positivo já no final de 2021, e o seu reforço em 2022.

O Alm Mendes Calado, CEMA, em finais de Março, durante a cerimónia de tomada de posse do Superintendente do Material, afirmou que ‘a Marinha reconhece a importância decisiva para o cumprimento da sua missão de um Arsenal do Alfeite perfeitamente sincronizado com as suas necessidades e prioridades de manutenção’, e salientou a necessidade de melhoria do ‘alinhamento da matriz de interesses das duas organizações’. O CEMA referiu também a necessidade de uma ‘robusta’ relação, bem como ‘um alinhamento estratégico’ adequado entre a AA S.A. e a Direcção de Navios, salientando como ‘relevante instrumento de diálogo e aproximação’ o Grupo de Coordenação e Alinhamento Estratégico Marinha - Arsenal do Alfeite (GCAEMA)’, que submeteu o respectivo relatório em Janeiro.

O DL 33/2009 de 5 de Fevereiro, que constituiu a Arsenal do Alfeite, S.A, reafirma a importância da Marinha para a soberania do Estado Português, e concede-lhe prioridade na aquisição de serviços. E, no seu Artigo 5º (Objecto) refere (ponto 1) que ‘A sociedade tem por objecto a prestação de serviços que se subsumem na actividade de interesse económico geral de construção, manutenção e reparação de navios, sistemas de armamento e de equipamentos militares e de segurança da Marinha, incluindo a prossecução de objectivos essenciais e vitais para a segurança nacional.’ E, no Anexo III (Bases da concessão), Base V (Princípios aplicáveis às relações com a Marinha) estabelece que a concessionária se obriga ‘a garantir a satisfação das necessidades de manutenção programada e dar prioridade às necessidades de manutenção urgentes dos sistemas de armas e demais apoio dos navios da Armada.’

Trata-se portanto de questão relacionada com a própria soberania, difícil de sobrevalorizar. Governo, Assembleia da República, Marinha e AA S.A, estão nisso solidamente de acordo e bem assim, na ‘decisiva importância’ do papel que a AA S.A. desempenha. No entanto, com 12 anos já decorridos desde a extinção do Arsenal do Alfeite (1), por, alegadamente, este carecer de ‘uma renovação profunda’ e se reconhecer que ‘o modelo vigente e enquadramento orgânico do Arsenal não tem condições para se regenerar’, encontramos também, em todos, significativas e iniludíveis preocupações.

No seu conjunto, as preocupações expressas na Comissão de Defesa, o reconhecimento pelo MDN da existência de persistentes problemas, as afirmações do CEMA relativas à necessidade de sincronização e alinhamento de interesses e o relatório do GCAEMA (sobre coordenação e alinhamento entre Marinha e AA !?), são o reconhecimento de que muito, mesmo muito, estará profundamente errado, o que não nos surpreende após 12 anos de continuada degradação. Estes sinais são extremamente preocupantes, na medida em que, enquanto se procura alinhar posições, sincronizar, afinar, e ultrapassar dificuldades, as já conhecidas e aquelas que surgirão pelo caminho, os sistemas não atingirão os equilíbrios dinâmicos que lhes permitam funcionar harmoniosamente, a manutenção dos navios tem hiatos, definha, e, com ela, os próprios navios, incluindo aqueles que venham a ser construídos ou adquiridos. Resulta daqui que as missões ou não são possíveis ou cumprem-se sem a eficácia e a eficiência desejadas, os objectivos definidos não são atingidos, o moral das guarnições e dos organismos que compõem a Marinha é afectado negativamente, e a Marinha vê-se impossibilitada de dar o concurso que lhe compete na defesa da soberania de Portugal e dos superiores interesses da Nação.

Apesar de apenas garantir a ausência de problemas salariais no estaleiro até ao fim do ano, o MDN, coloca-se numa posição optimista, quando refere os avanços significativos obtidos, destaca a ‘estabilização financeira’, esperançado em que a revisão do preço da mão-de-obra em alta a isso conduza. Por outras palavras, a estabilização financeira é o grande objectivo das medidas a aplicar à AA S.A.. Por outro lado, a Marinha pretende ’a diminuição do elevado défice de manutenção das unidades navais’, e o mesmo Ministro, quando responde a questões da manutenção dos navios, afirma que não é tarefa da tutela, sendo encargo da Marinha. Parece difícil que se venha a verificar uma sincronização e alinhamento de interesses.

Nem o percurso da AA S.A. até agora parece ter sido capaz de sincronização ou alinhamento com a Marinha, nem as medidas tomadas sugerem que tal venha a acontecer a breve trecho, levantando uma dúvida legítima relativamente à premissa de que era o ‘enquadramento orgânico do Arsenal’ que impedia a regeneração. Parece-nos, pelo contrário, que em vez de atacar os problemas do Arsenal do Alfeite (que, naturalmente, os tinha e não despiciendos) o novo enquadramento os veio agravar. E o custo daí resultante está e continuará a ser suportado precisamente pelo sector para o qual todo o sistema existe e deveria ter sido preservado dos solavancos organizacionais, os navios, que assim foram menosprezados. A transição para o novo enquadramento, decididamente, falhou e as perspectivas futuras continuam incertas.

Pelo conhecimento que tem da Marinha que comanda, a avaliação do CEMA merece-nos um crédito especial, mas dá-nos, também uma noção realista da dimensão e dificuldades da tarefa que se perspectiva. Ao longo de quase 20 anos, o AA(ou a AA S.A., como se queira)sofreu uma sangria imensa de pessoal, perderam-se ritmos de trabalho, rotinas e enquadramentos, e as suas infraestruturas e parque de equipamentos estão, cremos, pelo menos em parte, no limiar da obsolescência, e carentes de actualização, não sendo de esperar que possam responder de imediato a solicitações de tecnicidade e dimensão correntes noutros tempos. Queremos crer que a 'alma' do AA continua lá, mas o músculo só à custa de forte investimento, em meios humanos e materiais, poderá ser restaurado.

É esse o nosso desejo. Afinal é para os navios que todo o sistema deve funcionar e ser concebido. Toda a Marinha precisa de um Arsenal, que só uma Marinha justifica a sua existência.

Quando dizemos Marinha, não excluímos a Autoridade Marítima e referimos um complexo sistema de múltiplas e variáveis valências (sendo a manutenção dos navios apenas uma delas) que se organizam e concorrem para fornecer um dispositivo naval credível como defensor da soberania do Estado Português. É um sistema com custos elevados, impossível de criar em pouco tempo e difícil de manter. O cálculo dos custos que implica deveria envolver o conjunto das valências e a optimização ser procurada ao nível do sistema.

Será altura de reavaliar o caminho? É, pelo menos, tempo de fazer um ponto ao meio dia e alinhar as peças. Talvez a nomeação de um grupo de trabalho, com objectivos e um prazo bem definidos, possa conceber um plano de acção credível, e definir medidas capazes de proteger os navios das consequências das dificuldades actuais, não voltando a menosprezá-los.

 (1) O Arsenal do Alfeite começou a ser construído em 1928, entrou em laboração em 1938 e foi oficialmente inaugurado em 3/Mai/1939, cerca de 11 anos depois, dia em que também se realizou o assentamento da quilha do D. João de Castro, navio hidrográfico, a primeira construção.

A. Vasconcelos da Cunha
H. Costa Roque

"Nos Mares da Memória - Estórias de uma Faina Maior" hoje 28JUL2021 RTP 2 às 23:30 horas


Uma perspetiva histórica de um passado glorioso nas artes da navegação e da pesca

Se Portugal tivesse que enumerar alguns dos seus feitos mais gloriosos, a descoberta dos mares gelados da Terra Nova e da Gronelândia bem como a pesca do bacalhau no século XV, seriam seguramente dois deles.

Ao longo de cinco séculos de história os portugueses levaram mais longe o conhecimento nas artes da navegação e da pesca. Foram os primeiros colonizadores dessas terras tão longínquas e, ainda hoje, apesar de praticamente terem abandonado esses lugares, deixaram marcas profundas na cultura local.

Notáveis na inovação e na construção naval, considerada a melhor por exímios navegadores, detiveram uma das maiores frotas de pesca do mundo e o que resta, são unicamente cinco embarcações: o "Creoula", o "Santa Maria Manuela", o "Argus", o "Santo André" e o "Gil Eannes".

Perdem-se no tempo as memórias dos poucos que fizeram da pesca do bacalhau a sua senda de vida. Escasseiam as vivências dos que as experienciaram com tanto sacrifício e dedicação.

Um projeto como este visa granjear e preservar as inúmeras lembranças deste passado tão presente para alguns. Sistematiza a informação escrita, fotográfica e cinematográfica e converte as "estórias" num autêntico documento audiovisual.

Fruto de muita investigação e empenho na recolha e tratamento de todos os conteúdos, nasce este documentário. Não pretende, de forma alguma, enunciar tudo o que a temática proporciona, deseja simplesmente ser o mais abrangente possível, numa perspetiva histórica, realçando os factos que nos pareceram mais relevantes e numa abordagem, até agora, não patenteada.

Fonte texto: RTP


terça-feira, 27 de julho de 2021

Declaração do ex-Presidente Ramalho Eanes
"A notícia da morte do Otelo Saraiva de Carvalho magoou-me e surpreendeu-me. Magoou-me, por se tratar de mais um amigo que parte. Surpreendeu-me, porque estive, recentemente, com o Otelo, no funeral da sua mulher, e achei-o, naturalmente, abatido, mas, aparentemente, com vigor e saúde.
Conheci o Otelo na Guiné, onde o substituí na Direcção da Secção de Radiodifusão e Imprensa do Comando-Chefe. Tornámo-nos amigos. Foi, aliás, essa amizade que me levou a testemunhar em seu favor no julgamento a que foi submetido, apesar de muitos reparos e apelos para que o não fizesse.
O Otelo era um homem bom, generoso, embora, por vezes, pouco prudente, pouco realista – contraditório, mesmo. Adorava representar, até na vida real, esquecendo que a representação exige um espaço delimitado, em que tudo o que aí é normal não o é na vida real.
Para mim, e apesar de todas as contradições, o Otelo tem direito a um lugar de proeminência histórica. E tem esse direito, apesar da autoria de desvios políticos perversos, de nefastas consequências, porque foi ele quem liderou a preparação operacional do 25 de Abril, a mobilização dos jovens capitães, o comando da operação militar bem-sucedida.
E penso assim porque entendo que um Homem é uma unidade e continuidade, uma totalidade complexa, e que só é bem julgado quando considerando, historicamente, esse quadro e o seu contexto. Mas há homens que, num momento histórico especial, se ultrapassam, ganhando dimensão nacional, indiscutível, porque souberam perceber e explorar uma oportunidade histórica única, e sentir os anseios mais profundos do seu povo.
Otelo é uma dessas personalidades. A ele a pátria deve a liberdade e a democracia. E esta é dívida que nada, nem ninguém, tem o direito de recusar.
António Ramalho Eanes"

Todas as opiniões devem ser respeitadas, concorde-se ou discorde-se.
Permiti-me aqui trazer as palavras do nosso primeiro Presidente da República em Democracia na sequência do falecimento do camarada de armas do Exército, Otelo Saraiva de Carvalho. 
Estive uma única vez com o então Capitão em 1972, quando embarcou no navio onde eu prestava serviço acompanhando vários jornalistas estrangeiros convidados do general António de Spínola, evento dos vários que constituíram boa parte da campanha de promoção daquele então governador da Guiné e Comandante-Chefe.

Concordo com tudo o que o general Ramalho Eanes entendeu partilhar com os seus concidadãos. 
Sublinho a amarelo o que para mim é evidente e não deve ser calado.
Sublinho a vermelho a referência feita com elegância a tudo o que de muito perverso e trágico aconteceu, infelizmente. 
Descanse em paz Otelo.

António Cabral
Contra-Almirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)

sábado, 10 de julho de 2021

A  SERVIR  PORTUGAL  NO  MAR

AO OLHAR HÁ POUCO PARA ESTE MEU MAGNÍFICO RELÓGIO ESTALOU-ME NA CABEÇA UM TURBILHÃO DE COISAS. POR EXEMPLO, EM CONSEQUÊNCIA DE:

> O QUE VAI DECIDIR MARCELO REBELO DE SOUSA QUANDO À LEGISLAÇÃO APROVADA RECENTEMENTE NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA RELATIVA ÀS FORÇAS ARMADAS ?

> A QUESTÃO DOS INCÊNDIOS FLORESTAIS, POIS VEJO ANUNCIADO QUE ATÉ 30 DE SETEMBRO MILITARES DA MARINHA ESTARÃO EMPENHADOS NA VIGILÂNCIA DAS FLORESTAS E NA SENSIBILIZAÇÃO DA POPULAÇÃO PARA A PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS FLORESTAIS. O EMPENHAMENTO PARECE QUE SERÁ NOS CONCELHOS DE, PALMELA, SETÚBAL, ALMADA, SESIMBRA, SINES, ALJEZUR  ALCÁCER DO SAL, ODEMIRA, SANTIAGO DO CACÉM E VILA DO BISPO.

> A GNR A LANÇAR ALERTAS BASEADOS EM PREVISÕES DO IPMA RELATIVAMENTE A AGITAÇÃO MARÍTIMA NA COSTA OCIDENTAL E, ALÉM DOS ALERTAS, A ACONSELHAR ATENÇÃO JUNTO DAS ZONAS COSTEIRAS E NO ACESSO AOS MOLHES.

> A PARTICIPAÇÃO DE MERGULHADORES DA MARINHA NUMA FORÇA NAVAL DA NATO QUE PROSSEGUIRÁ NO ÁRDUO E PERIGOSO TRABALHO DE DESACTIVAR ENGENHOS EXPLOSIVOS QUE REPOUSAM NO FUNDO DE VASTAS ÁREAS OCEÂNICAS.

> UMA LONGA ENTREVISTA DE MILITARES FEMININAS QUE OUVI NA TSF.

FICO POR AQUI.

ANTÓNIO CABRAL

CONTRA-ALMIRANTE, REFORMADO

(marrevoltado.blogspot.pt)

sexta-feira, 2 de julho de 2021

ARRASTO………CERTAMENTE  LEGAL

Mesmo em frente às praias "Areias de S.João da Caparica". Com telemóvel não dá para mais.

António Cabral

cAlmirante, reformado

(marrevoltado.blogspot.pt)

CTEN SEA José Batista Ferro

 

Foi com um sentimento de grande pesar que tomamos conhecimento, pelo FB, do falecimento do Cte. Ferro no Hospital da Luz onde se encontrava internado. Tinha 81 anos.

"O Navio... desarmado" apresenta sentidas condolências à sua Família e aos seus amigos e camaradas.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

CMG (Ref) Júlio Alberto Xavier de Carvalho Araújo


Lamentamos dar a conhecer a seguinte informação veiculada pela "A Voz da Abita":

"Estimados Camaradas,

Com muito pesar damos a conhecer o falecimento, hoje no Hospital da Luz, do nosso Camarada Capitão de Mar e Guerra (R) Júlio X. Carvalho Araújo desconhecendo ainda as cerimónias fúnebres que lhe serão prestadas.

À sua Família, aos seus Amigos e Camaradas, em particular aos do Curso "V/ALM Campos Rodrigues" ao qual pertencia, as nossas sentidas condolências. "

"O Navio... desarmado" associa-se a esta manifestação de pesar e apresenta condolências à Família do Cte. Carvalho Araújo e aos seus amigos e camaradas.