quarta-feira, 29 de setembro de 2021
A Imprensa informou que o Ministro da Defesa Nacional propôs ao Presidente da República a demissão do Almirante Mendes Calado do cargo de Chefe do Estado-Maior da Armada.
O Artigo 133 da Constituição estabelece que compete ao Presidente da República, sob proposta do Governo (que - recorde-se - é presidido pelo Primeiro-Ministro) - ouvido o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas - nomear e exonerar os Chefes de Estado-Maior dos três ramos das Forças Armadas.
Espero, assim, que o Presidente da República mostre que não é um verbo de encher.
28. Setembro.2021
In Blog - <https://costacorreia.blogspot.com/2021/09/ao-presidente-da-republica-mostre-que.html?m=1>
Para o Presidente da República, além deste primeiro equívoco, foram registados mais dois. O segundo equívoco passa pela fundamentação para a alegada cessão de funções. Marcelo referiu que tem estado a ser apontada a intervenção crítica, feita pelo atual Chefe do Estado-Maior da Armada, sobre as alterações à Lei de Defesa Nacional - uma posição acompanhada pelos restantes chefes dos ramos militares.
O Presidente da República nota que, apesar de terem criticado as mudanças, a partir do momento em que foi decretada a lei, os chefes dos três ramos militares acataram-na e respeitaram-na, o que, para Marcelo, é um "exemplo de lealdade constitucional" - logo, nunca seria motivo para uma exoneração.
O terceiro e"equívoco" mencionado por Marcelo Rebelo de Sousa prende-se com o facto de se estar a falar numa "substituição". Ora, só poderá haver uma substituição depois de alguém terminar funções, recorda Marcelo, o que ainda não é o caso.
"Há um momento adequado para falar de substituição, que não é este", declarou.
O Presidente da República lamentou ainda que o nome do vice-almirante Gouveia e Melo tenha sido envolvido na polémica. Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que o vice-almirante merece, pela sua carreira, as insígnias que recebeu e, pela sua atuação na task force, a admiração de todos os portugueses. Pelo seu "mérito e classe", defende Marcelo, dispensava ser "envolvido numa situação de atropelamento de pessoas e instituições".
Na ótica de Marcelo Rebelo de Sousa, há que "salvaguardar a reputação das pessoas envolvidas e o prestígio das instituições" e quando chegar o momento de tomar a decisão de substituir o Chefe do Estado-Maior da Armada, só há uma pessoa que tem o poder de tomá-la: o Presidente da República.
terça-feira, 28 de setembro de 2021
HAVIA DÚVIDAS ?
Eu não as tinha.
Está prestes a consumar-se.
Do passado tivemos a estranha exoneração de um CEMGFA com justificação que entrava pelos olhos dentro de que não era nada correspondente à realidade.
Agora parece que vamos ter a muito curto prazo a exoneração de um CEMA. É só aguardar os motivos invocados, e o comunicadozinho afixado no "sítio" da Presidência da República.
Para quem continua a ater-se a rodriguinhos, aí está o toque final que confirmará o perfil há muito conhecido, dos proponentes da exoneração, de quem a vai sancionar (certamente com grande pesar, não é verdade….…) e de quem se presta a tudo isto.
Se eu fosse quem vai ser exonerado sei bem o que faria, e o que nunca aceitaria.
Eis a governamentalização das Forças Armadas em todo o seu esplendor. Deve ser difícil descer mais baixo. VERGONHOSO.
Vou aguardar para observar os diversos e diferentes comportamentos de todos os "actores". Associações várias incluídas.
Agora tenho de ir tomar um comprimido de "Primperan" que, para quem não saiba, é um medicamento para parar os vómitos.
António Cabral
Contra-Almirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
PARA AJUDAR NO PERÍODO DE REFLEXÃO
Para, respeitosamente, tentar contribuir para acalmar as mentes que agitadas devem andar depois de alguns episódios da campanha parte dos quais excelentemente recordados já em dois Domingos por Ricardo Araújo Pereira, e assim enfrentar o período de reflexão com sorriso paciente e espírito distendido, deixo a minha contribuição com bonecada que me foi remetida.
Contra-Almirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)
terça-feira, 14 de setembro de 2021
R E C O R D A Ç Õ E S
A propósito do que adiante refiro, mais uma vez se me coloca a questão de escrever ou não memórias.
Vem isto a propósito do interessante artigo que começa na página 78 da Revista de Marinha, Julho/ Agosto 2021, com o título - "Jamanta O Gigante Gentil".
Artigo que me fez recuar umas décadas, ao tempo em que comandei o NRP Quanza, e à época em que estive com o navio nos Açores. E, concretamente, ao dia em que com mar absolutamente chão, pairei a muito escassa distância dos Ilhéus Formigas. E, então, dois botes na água e vários elementos da guarnição autorizados a ir junto dos penhascos, onde o oceano não fazia rebentação, tal a calmaria.
A jamanta é um bicho colossal, gracioso e curioso.
Mas é ENORME, e isso fez de repente os botes largarem rápidos e afastarem-se da zona. Porquê? Duas enormes jamantas passeando-se muito pertinho da superfície.
Graciosas, gentis, curiosas, e enormes, pelo que, à cautela,………….
António Cabral
Contra-Almirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)
sábado, 11 de setembro de 2021
Constituição da ASubPOR - Associação dos Submarinistas de Portugal
Realizou-se neste dia 11 de Setembro de 2021, na Delegação do Clube do Sargento da Armada, no Feijó, a Assembleia Constituinte da ASubPOR - Associação dos Submarinistas de Portugal.
A assembleia teve a seguinte Ordem de Trabalhos:
- Aprovar a constituição
duma Associação a denominar “Associação dos Submarinistas de Portugal (ASubPOR)”;
- Aprovação da Comissão
Instaladora (CI);
- Aprovação dos Estatutos da
futura ASubPOR;
- Designar três elementos da
CI para outorgar na escritura pública de constituição;
- Aprovação dos futuros
sócios.
A ideia de criar esta associação nasceu do sucesso das
muitas tertúlias realizadas e sempre muito concorridas pelos antigos submarinistas,
tendo-se formado uma Pré Comissão Instaladora composta por 15 elementos que
dinamizou todo o processo que culminou na realização desta Assembleia e na
constituição da ASubPOR.
Votos de muito sucesso e de longa vida para a ASubPOR.
Os contactos para a ASubPOR são os seguintes:
Tlm: 919 103 915
Email: : asubportugal@gmail.com
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
CMG REF José Joaquim Casado Parreira
É com profunda mágoa que venho dar a muito triste notícia, que me chegou há minutos, do falecimento do nosso querido Camarada de Curso e Amigo, Casado Parreira.
CMG (Ref) Carlos Fernando Dias Souto
Lamentamos dar a conhecer a mensagem recebida através de "A Voz da Abita":
"Estimados Camaradas,
De acordo com informações recebidas de diversas fontes é com muito pesar que damos a conhecer o falecimento do nosso estimado Camarada, CMG (R) Carlos Fernando Dias Souto, que ocorreu durante a noite de ontem para hoje nos Estados Unidos da América onde residia há vários anos. Aos seus Amigos e Camaradas, e em particular aos do Curso Pedro Nunes a que pertencia, o testemunho do nosso pesar extensivo à sua Família, e em particular à sua Mulher Brenda Souto ...
As informações recebidas dão ainda a conhecer que o corpo do nosso falecido camarada será cremado dentro de alguns dias.
Saudações Navais"
"O Navio... desarmado" associa-se a esta manifestação de pesar e envia sentidas condolências à sua Família e aos seus amigos e camaradas.
JORGE SAMPAIO
Faleceu hoje o Dr Jorge Sampaio, ex Presidente da República, ex Comandante Supremo das Forças Armadas.
Faleceu um concidadão de elevada estatura intelectual, humanista, um homem exímio, em quem não votei para as eleições presidenciais que ganhou, e cinco anos passados voltou a ganhar.
É comum, quando se deixa a presença terrena, haver muitos elogios.
No caso deste meu concidadão, cuja morte me entristece pois penso que se a saúde não o tivesse atraiçoado, muito se aprenderia ainda com ele, designadamente pelos seus textos como recentemente confirmei, há lugar a diferentes referências.
Todos nós, sem excepção, temos momentos altos e baixos, todos cometemos erros. Jorge Sampaio não foi excepção.
Como aprendi na fase final ainda em casa, antes de singrar em formação superior, e depois ao longo da carreira, primeiro há que realçar aspectos positivos ao longo de uma vida e, apenas depois, referências aquilo em que, respeitosamente, se tenha opinião menos favorável
O meu concidadão Jorge Sampaio chamou-me à atenção bastante antes de 25 de Abril de 1974. Durante as rebeldias estudantis. E, muito particularmente, através de um meu primo infelizmente já falecido, nessa altura estudante de medicina em Coimbra, primo que, juntamente com outros, esteve detido uns dias na então unidade de artilharia de costa do Exército no alto da Parede, localidade onde eu vivia, e onde através do portão vi o meu primo de capa e batina sentado na parada com muitos outros.
Sendo eu apenas um simples cidadão comum, atrevo-me a dizer sobre Jorge Sampaio que sempre o considerei um cavalheiro, um homem decente. Subiu muito na minha consideração quando percebi que decidira candidatar-se a Presidente da República sem passar cartão ao seu partido e em particular aos dirigentes. A sua candidatura a Lisboa - Por Lisboa, a responsabilidade - devia servir de exemplo. Porque Jorge Sampaio, independentemente de algumas críticas justas, procurou servir, e não servir-se. Exemplo que não é muito seguido.
Creio que Jorge Sampaio é o autor da frase - 25 de Abril sempre. Posso estar enganado, mas Jorge Sampaio creio que mostrou claramente que um Presidente pode, e deve, ser próximo e ao mesmo tempo distante. Creio que respeitou bastante bem a separação de poderes. Creio que o exemplo não singrou.
Quanto ao ex Comandante Supremo das Forças Armadas, permanece para mim uma grande crítica, relativamente à exoneração de um ex Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas. Estranha. Dos vários textos dele, que guardo, nomeadamente, discursos nos actos de posse de chefias militares, e outros eventos relativos à defesa nacional e relativos às Forças Armadas, e relativos a aspectos de segurança na sociedade, não me recordo de citações dizendo que - são os melhores dos melhores - nem me recordo de incoerências relativamente à instituição militar.
Recordo que, sem margens para dúvidas, em certos discursos deixou claro que muito havia a alterar respeitante à instituição militar, à defesa nacional, a questões de segurança. Embora muitos possam ter opinião diversa, desde o final da primeira maioria absoluta de Cavaco Silva PM, que CDS, PS e PSD estão alinhados quanto a caminhos relativamente à defesa nacional e às Forças Armadas.
Cedo demais partiu. Descanse em paz.
António Cabral
Contra Almirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)
quinta-feira, 9 de setembro de 2021
O respeito pelos militares
Há por aí, na esfera política, quem encha a boca com frases grandiloquentes relativas ao respeito pelos militares, mas os actos desmentem-nas violentamente.
Abundam decerto os exemplos, mas não deixarei de registar aqui um caso pessoal.
Um dos tratamentos aconselhados para a trocanterite são injecções de PRP - plasma rico em plaquetas.
Aconselhado por alguém, resolvi recorrer a essa terapêutica, no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa. Depois de uma primeira injecção, cujos resultados não foram excelentes, vi-me na contingência de o repetir, o que vim a fazer alguns meses depois.
Comparticipadas pelo IASFA, cada uma dessas intervenções custou-me por volta de 100 euros.
Há poucos dias, como se tornasse necessário um terceiro reforço, marquei-o, na sequência da devida consulta médica.
Ao final do dia fui informado pelo HCVP de que a estimativa do custo era de 500 euros; pedindo para ser elucidado sobre a razão de ser deste brutal aumento, esclareceram-me que este tratamento deixou de ser comparticipado pelo IASFA.
Aqui deixo, pois, o alerta: ao mesmo tempo que trompeteiam a grande consideração que nutrem pelos militares, vão-nos reduzindo paulatina e surdamente os parcos benefícios que ainda temos, sustentados, aliás, por descontos nos nossos vencimentos e pensões.
Até quando?
quarta-feira, 8 de setembro de 2021
A REFORMA (????)
A dita reforma (??) das FA recentemente em vigor desencadeou protestos diversos.
A mim nada espantou. Creio que muitos se esqueceram, e passaram anos a fingir que não sabiam que, a partir do 2º mandato de maioria absoluta de Cavaco Silva, PSD, CDS e PS passaram a estar irmanados em tudo o respeitante às FA. O grande objectivo é a governamentalização das FA. Que agora é completa. Estão-se nas tintas se lhes dizem nada perceber de FA.
Na minha opinião, o que agora acontece e está relatado em alguns OCS, tem dois objectivos claros:
1º - lembrar, dizer já aos Ramos - eu é que mando.
2º - tentar que o CEMA se demita, para ser possível indigitarem quem se deseja, e que se sabe quem é. Além de que o desejo é partilhado por políticos, oh se é!
Vou aguardar, para ver se repetem uma cena anterior.
António Cabral
Contra-Almirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)
quarta-feira, 1 de setembro de 2021
Tenho uma curiosidade: já avisaram o sr Eduardo Cabrita? E o sr António Costa? E o sr Marcelo Rebelo de Sousa?