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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

O Estado a QUE SE CHEGOU

Quer no ESTADO quer nas Instituições privadas, há coisas boas e más ou péssimas.

Há coisas que correm bem, outras que correm mal.

REPITO, quer no Estado quer nos privados.

Vêm estas palavras a propósito de saúde, de apoio na (falta de) saúde, de comparticipações do IASFA, do hospital dito das Forças Armadas e de hospitais privados. Sobre estes, concretamente o hospital da Luz.

Vem a propósito, também, do respeito e consideração recebidos da parte do IASFA, da parte do hospital das FA, e do hospital da Luz.

Em alguns casos, também, relativamente ao desprezo insuportável e inadmissível a que se é sujeito.


No primeiro trimestre do ano passado fiquei plenamente esclarecido quanto ao hospital das FA. Passo à frente.

Em 3 de Junho passado fui submetido a uma intervenção cirúrgica para tratar de uma hérnia inguinal. No hospital Cuf Tejo.

No dia 5 de Junho tratei de remeter ao IASFA a documentação respectiva tendo em vista previsível comparticipação por parte do IASFA.

Em 8 de Novembro passado solicitei ao IASFA o favor de até 15 de Dezembro receber os documentos que me permitissem junto da Multicare acionar comparticipações por actos médicos. 

Não estava a pedir que pagassem as comparticipações, pedia os documentos onde o IASFA indicasse que comparticipação eu viria a receber. Para cumprir as normas definidas pelo IASFA.

Isso . . . . adivinharam . . . . continuo sem receber nem comparticipações nem explicações. Ainda só estamos em Fevereiro de 2025.

Isso . . . . adivinharam . . . . continuo sem receber resposta a reclamações que enderecei incluindo ao mais alto nível. Ainda só estamos em Fevereiro de 2025. 

Quanto a Estado, FA, IASFA estamos conversados.


Quanto ao hospital da Luz, por precaução, fui às urgências no passado dia 13 de Janeiro, ao fim da tarde, apresentei cartão do cidadão e cartão ADM.

Em pouco mais de 2 horas fui atendido, observado, TAC efectuado, relatório respectivo apreciado por médico, felizmente nada de preocupante, regressei a casa. Perguntei à saída quanto tinha a pagar - agora é com o IASFA. Achei um pouco estranho, mas enfim.

Passados dois dias recebi um SMS com as indicações para efectuar dois pagamentos de 19,00 € e 14,55€ salvo erro.

Tentei por diferentes meios entrar em contacto com o hospital. Sempre atendido e depois rejeitado por ASSISTENTE DIGITAL !

Passados 4 dias depois da ida ao hospital, e não conseguindo falar com ninguém, resolvi endereçar uma carta registada ao hospital. 

Nessa carta referi - "começo pelo aspecto positivo" - e que era o estar bastante satisfeito com o atendimento e tratamento recebidos. 

Depois, queixei-me da assistente digital, e de não haver possibilidade de chegar à fala com ninguém para esclarecer as minhas dúvidas.

Passado um dia fui contactado telefonicamente pelo hospital, e tudo se esclareceu, e fui pagar as duas contas/ facturas.

Para minha surpresa, recebo dois dias depois uma carta do hospital da Luz referindo que sabiam que o assunto já tinha sido esclarecido por telefone mas queriam assegurar todo o apoio e que eu me sentisse à vontade para me dirigir ao hospital da Luz sempre que necessitasse.

Mais palavras para quê?

Depois admiram-se que as pessoas se revoltem com estas indignidades ao nível da máquina do Estado e, concretamente, no âmbito do MDN, do EMGFA, do IASFA!

António Cabral
Calm, ref.
(marrevoltado.blogspot.pt)

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

CENTENO  AVISA

Centeno avisa bancos que os lucros recorde não se vão manter.

A propósito deste alerta, deixem-me contar um caso deste cidadão comum que, sendo um privilegiado e rico por ter uma extraordinária família (mulher, filhos, netos) felizmente todos bem e sobretudo também de saúde, não sou rico financeiramente. Remediado.

Em português corrente, tenho uma boa reforma comparativamente com muitos dos meus concidadãos de classe média (CGA), mas estou a começar a ver nuvens no horizonte com estas notícias dos problemas de fundos da CGA.

Em português corrente, tenho umas modestas poupanças que não estão na conta à ordem. Os juros têm sido de 0, 01 qualquer coisa, FENOMENAL. 
Não admira assim que a banca tenha grandes lucros.

O caso que vos quero contar tem dois dias.
Tendo que ir ao banco porque o meu cartão multibanco estoirou a quatro meses de acabar a validade, lá conversei com o gestor de conta (adoro este título) sobre assunto de que há semanas ele me tinha solicitado por telefone abordar e logo que eu tivesse disponibilidade.

O caso:
sr António (esta modalidade contemporânea cada vez mais me irrita) não sei se tinha a noção de que até há muito pouco tempo para valores de poupanças entre 15 000,00 e 300 000,00 Euros, a banca aplicava sempre o mesmo tipo de juro a toda a gente independentemente de tudo o mais.

(Abro um parêntesis para dizer que bem gostava de ter os 300 ou mais!)

A política actual é diferente e cada cliente é um caso . . . .

Explique-me lá por favor, está a querer dizer-me que aquilo a que chamam actualmente juro mas que é um verdadeiro insulto, pode ser modificado?

- Exactamente sr António, temos várias modalidades, que passo a explicar, para poupanças não mobilizáveis durante certo tempo ou mobilizáveis, e por prazos a definir . . . e para depósitos dentro daqueles valores que indiquei

Em síntese, os meus parcos tostões que pouco mais são que 30% dos tais 15 ficaram numa conta de poupança, mobilizáveis, e com juro real de 1, 512%. Uau!
Bem, naturalmente, é melhor que a pouca vergonha anterior. 

É a banca portuguesa, e é o Banco de Portugal, e é a comissão de ética muito ética, e são os Ricardos, os Mários, os Constâncios, os Ruis, os Sousa, etc. 
Dizia-se do MELHORAL, não faz bem nem faz mal.

Esta gente não nos faz bem mas faz-nos mal!

Tenham um bom fim de semana, boa sorte e saúde.
António Cabral
Calm, ref
(marrevoltado.blogspot.pt)

Ps:
Ainda que modestamente, procuro manter a chama viva neste blogue. Parabéns por mais um aniversário.

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Três casos este ano no Algarve. Lanchas apreendidas já estavam a ser usadas em operações policiais contra redes.
As redes de tráfico marítimo de haxixe entre o Norte de África e a Península Ibérica estão a apostar no furto de lanchas rápidas das autoridades portuguesas e espanholas atracadas a sul para travar as operações de combate ao transporte da droga para a Europa e recuperar embarcações apreendidas.
(Jornal de Notícias)


Li isto no Jornal de Notícias.
O jornal não relata nada sobre o responsável da GNR na zona. 
O que quero dizer é que, contrariamente ao que aconteceu (exonerado) ao até há poucos dias oficial (da Marinha) responsável pela autoridade marítima em Faro / Algarve, o responsável da GNR parece poder estar descansado pois nenhuma lancha foi ainda roubada. Só têm tentado.

O que tenho pena é que tão pouco a jornalista aprofunde.

Por exemplo, averiguar quantos homens tem a GNR no Algarve e comparar isso com os efectivos da Polícia Marítima no Algarve, VRS António, Tavira, Faro, Portimão, Albufeira, Lagos.

Aposto que num primeiro momento a jornalista ficaria de olhos esbugalhados, depois talvez se risse. . . . . ou chorasse.

A jornalista podia por exemplo relatar se será verdade que num dos casos a GNR deu conta da marosca quando os meliantes já estavam há vários minutos dentro da lancha que se preparavam para roubar.

A jornalista podia investigar que meios navais a GNR tem no Algarve e comparar com os da Marinha e com os da Autoridade Marítima para o Sul de Portugal Continental. Ria-se ou chorava?

Enfim, a jornalista podia querer investigar outras coisas. 

Por exemplo, 
- saber se em 2022 e até Agosto do corrente ano, a tutela da Autoridade Marítima (que é a ministra da defesa) alguma vez esteve no Algarve a inteirar-se dos problemas diversos de que enferma a Autoridade Marítima, designadamente para o combate ao tráfico de estupefacientes e de pessoas,

- saber se a tutela da GNR (MAI) alguma vez esteve no Algarve a inteirar-se dos problemas diversos de que enferma a GNR designadamente para o combate ao tráfico de estupefacientes e de pessoas,

- saber se os responsáveis directos pela Polícia Marítima e pela GNR que estão sentados nos seus confortáveis gabinetes de ar condicionado em Lisboa, conhecem de facto, repito, se conhecem de facto por os inspecionarem com regularidade, os vários postos da GNR no Algarve e as várias Capitanias de Portos no Algarve.

Se a jornalista investigasse a sério, será que facilmente descobriria o significado de - incompetência e arrogância de certas chefias?

Aposto que sei as respostas. 
O meu melhor amigo militar, que é almirante reformado, nunca errou nas informações/ notícias/ explicações que me transmite.
António Cabral

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

HOSPITAL das FORÇAS ARMADAS

Da leitura do Diário de Notícias fica a saber-se que a situação administrativa e operacional do hospital atravessa uma fase extremamente difícil. Ou melhor, creio eu, está cada vez mais grave.

A notícia refere explicitamente estar-se perto de risco de colapso e é algo detalhada, nomeadamente, no que se refere a quadros de pessoal. 


Parece ser mais ou menos o costume nestas coisas das Forças Armadas, as tais sempre tão gabadas e consideradas as melhores das melhores ao ponto de já quase não precisarem de meios navais ou aéreos pois basta ajudar a Frontex. 

Decisões que deviam ser tomadas a tempo e horas e nunca são.
E decisões que nunca resolvem os problemas de fundo, como mostra a passagem do tempo, apenas atenuam alguma coisa. 
Aparentemente, desta vez, parece que tudo está mais complicado.

Tenho a certeza que não é culpa da pessoa mais bem preparada de sempre para o cargo nem do seu astuto ajudante (Cavaco dixit).
Deve ser tudo culpa dos militares, e além disso trata-se de simples minudências como contratações e preenchimento de quadros de pessoal. 
Pintelhos, como disse o outro!

Pela minha parte tenho a certeza que tudo vai continuar na mesma ou pior. 
Com tiradas periódicas grandiloquentes e ocas, sempre ciente de que os Falcon é que não podem parar!

Quem eventualmente espera ver sair à luz do dia algum esclarecimento  por parte de entidades responsáveis é porque afinal não conhece a sério certos gabirus!

Além disso, umas Forças Armadas que são as melhores das melhores, não precisam de hospital para nada!
António Cabral
Calm, ref
(marrevoltado.blogspot.pt)

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

FULMINADO

Fulminado de nulidade, diz o Tribunal de Contas. Não é de admirar face às criaturas envolvidas, e não há raio dos céus que nos livre das nulidades que vivem à nossa conta, sempre tentando arranjar "graveto" para lhes pagar os serviçinhos, almoços, e sei lá se até viagens, algumas provavelmente à conta também de certas instituições ás vezes até para estagiar lá fora com acompanhante e tudo! 
Em baixo artigo do DN, sublinhados meusonde realço as partes que considero mais escandalosas.

Contrato "fulminado de nulidade". Ministério da Defesa derrotado de vez pelo Tribunal de Contas
O Ministério da Defesa queria desviar da Marinha cinco milhões de euros para a sua holding, IdD - Portugal Defence, como pagamento para a gestão do programa de aquisição dos seis navios patrulha oceânicos. O Tribunal de Contas já tinha recusado o visto do contrato em junho, o Governo recorreu e os juízes voltaram agora a chumbar, sublinhando que a "violação" dos procedimentos da contratação pública estava "fulminada de nulidade".

Do 10 navios patrulha oceânicos aprovados em 2004, a Marinha ainda só tem quatro. Os próximos seis devem ser comprados até 2030.© Gerardo Santos / Global Imagens Valentina Marcelino 04 Novembro 2022.

O Tribunal de Contas (TdC) chumbou de vez o contrato que o Ministério da Defesa Nacional (MDN) queria fazer com a sua holding, IdD-Portugal Defence, para gerir, até 2030, o programa de aquisição dos seis navios patrulha oceânicos (NPO"s) para a Marinha, pelo valor de cinco milhões de euros, retirados da verba da Lei de Programação Militar (LPM) prevista para aquele ramo das Forças Armadas.

O MDN tinha recorrido do chumbo decretado em junho passado, mas os juízes do TdC mantiveram a decisão alegando, entre outros, que a "violação" dos procedimentos da contratação pública estava "fulminada de nulidade".

A ministra da Defesa, Helena Carreiras, já tinha afirmado que cumpriria a decisão que viesse a ser tomada, não havendo, por isso, lugar a novo recurso.

O anúncio do contrato, que a IdD tinha em grande destaque na sua página da internet, como facto consumado, há vários meses, foi, entretanto, retirado.

Cabe agora à Marinha seguir com o processo de compra dos navios, cuja execução acabou por se atrasar por causa de erros de procedimentos nesta contratação pública.

No acórdão datado de 18 de outubro o TdC reforça os argumentos da anterior decisão, segundo a qual o Governo não utilizou os procedimentos corretos para este tipo de contrato designado "in house", entre o MDN e uma empresa pública dele dependente.

Este contrato, conforme o DN noticiou, foi autorizado por uma Resolução de Conselho de Ministros (RCM) em junho de 2021 e impunha que a Marinha pagasse à IdD cerca de cinco milhões de euros para "a prestação de serviços de gestão do programa" de compra dos NPO"s.

O atual secretário de Estado da Defesa, Marco Capitão Ferreira, é o principal derrotado com este desfecho, pois foi este jurista que preparou todo este processo quando era o presidente da IdD, antes de ir para o MDN, assinando o mesmo.

Marco Capitão Ferreira fez parte do gabinete do ex-ministro João Gomes Cravinho e defendeu as vantagens deste contrato no parlamento.

"Significa que há competências complementares que podem ser usadas para melhor executar o programa e o respetivo impacto na economia de defesa nacional", frisou Marco Capitão Ferreira

Capitão Ferreira entrou no governo pela mão do ex-ministro da Defesa Socialista, Nuno Severiano Teixeira, de quem foi assessor jurídico e entre 2008 e 2011 foi administrador da Empordef (Empresas Portuguesas de Defesa), a antiga holding que geria as participações do Estado nas indústrias de Defesa e que foi extinta em dezembro de 2019.

Cravinho nomeou-o para a Comissão Liquidatária da Empordef, para presidente do Conselho de Administração da Empordef Tecnologias de Informação (ETI) e para administrador não-executivo das OGMA (Indústria Aeronáutica de Portugal), seguindo-se a presidência da IdD, onde devia protagonizar a reestruturação do setor das indústrias de Defesa.

Ministério usou leis erradas
O TdC considerou que "o Governo português não invocou, na sua RCM (...) de forma expressa ou com a invocação de qualquer justificação, o enquadramento do contrato objeto de fiscalização prévia na exceção prevista no Art.º 346.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia".

Este artigo isenta determinados contratos do setor de segurança e defesa das regras gerais impostas pela Diretiva europeia relativa à "coordenação dos procedimentos de adjudicação de contratos pelas entidades nos domínios da defesa e segurança", "quando tal seja estritamente necessário para proteger os seus interesses essenciais de segurança".

Para o TdC "a invocação dessa exceção, no domínio da defesa e da segurança, desenquadrada dos meios específicos (...) e até excecionais (...) que o legislador oferece neste mesmo domínio da atuação pública, não deixa de violar os procedimentos previstos (...) sendo essa violação fulminada de nulidade". Os magistrados já tinham alertado para os riscos da referida contratação "in house".

"Riscos de inibição da concorrência", "grande permeabilidade entre cargos governativos no setor da defesa e cargos de gestão nas empresas controladas pelo Estado nesse mesmo setor", "possíveis financiamentos encobertos de entidades/sociedades públicas" (no caso a IdD é uma empresa participada a 100% pelo Estado) e "situações de distorção do mercado interno", foram alguns alertas do primeiro acórdão.

Além da nulidade referida, o TdC considerou ainda que "a ilegalidade verificada tinha inegável influência no resultado financeiro do contrato".

"Princípio da concorrência, pilar da contratação pública"
Conclui o acórdão, assinado pelos juízes conselheiros Nuno Coelho, Paulo Dá Mesquita e António Martins, que "a contratação in-house é um regime de exceção face a situações em que a contratação é feita dentro de casa, quando a Administração Pública não tem necessidade de recorrer ao mercado para suprir as suas necessidades" e que "essa avaliação terá que ser exigente de forma a não corromper o princípio da concorrência, pilar da contratação pública".

O tribunal refuta ainda o argumento do MDN, segundo o qual "ao proibir a aplicação da exceção ou contratação in-house no setor da defesa, e ao exigir o consequente lançamento de procedimentos pré-contratuais neste contrato de gestão e construção de navios NPO, a decisão recorrida coloca seriamente em causa a segurança nacional e a defesa do Estado Português, sendo também gravemente lesiva do interesse público"

"Na verdade", responde o TdC, "foi o Governo e a entidade fiscalizada que optaram pela integração do contrato em causa no regime-regra do Decreto-Lei n.º 104/2011, não tendo sido acionados os mecanismos de salvaguarda do interesse público previstos neste setor da defesa e da segurança".

O erro na utilização dos regimes é, aliás, bem sublinhado. "Na verdade, a decisão recorrida, e bem, não proibiu a contratação em causa, pois isso estaria fora do alcance da sua jurisdição. Antes considerou inválida a forma como a contratação veio a assumir na sua procedimentalização, recusando por isso o visto em fiscalização prévia".

Por isso, completa, "impõe-se, pois, negar provimento ao recurso em todos os seus fundamentos, confirmando-se o acórdão recorrido".

"Gozar com as Forças Armadas"
Este contrato inédito tinha suscitado inúmeras críticas no setor, levando deputados da oposição a questionar o Governonão só por se tratar de um desvio de uma verba significativa da Marinha para um serviço para o qual tinha qualificações, mas também porque, no entender de juristas, violava as regras do Orçamento do Estado.

A ex-coordenadora para a Defesa do grupo parlamentar do PSD, Ana Miguel dos Santos, alertou que uma verba destinada à compra dos NPO"s, no âmbito da LPM, não podia servir para pagar esta prestação de serviços, uma das muitas questões também levantadas pelo TdC.

A ex-deputada do PSD não duvidava de que esta despesa era "ilegal" e iria servir "para financiar, de forma ilegal, uma empresa pública".

Além disso, frisou, "num momento em que as Forças Armadas estão a enfrentar dificuldades significativas na sua operacionalidade, sem recursos, despender cinco milhões de euros com a aquisição de serviços para acompanhar a contratação de equipamento militar, é, acima de tudo, gozar com as nossas Forças Armadas".

Confrontada agora com este acórdão, Ana Miguel dos Santos diz que este chumbo era esperado. "Esta decisão não me surpreende. Vem confirmar uma vez mais aquilo que era óbvio para todos, menos para o Senhor Secretário de Estado da Defesa. O que só se compreende se pensarmos que era o presidente da IDD à data da celebração do contrato", sublinha.

Esta especialista em assuntos de Defesa, lamenta "o tempo que se perdeu com uma discussão estéril, sem qualquer justificação, que só vem atrasar ainda mais a entrega de um equipamento tão necessário para o cumprimento da missão da Marinha".

Recorde-se que o programa original relativo à aquisição de navios patrulha oceânicos data de 2004. Dos 10 navios programados, os dois primeiros foram entregues em 2013 e 2014, e outros dois em 2018. Os restantes seis navios fossem construídos e entregues até 2029.

Ana Miguel dos Santos salienta ainda que, além do tempo perdido, houve ainda "recursos públicos gastos para recorrer de uma decisão óbvia, pois, mesmo que, em tese, a questão pudesse ser discutível do ponto de vista jurídico, sempre seria óbvio que, do ponto de vista operacional da aquisição, seria completamente incompreensível e desadequadopor falta de experiência evidente da IdD para gerir um programa desta natureza, quando comparado com a Marinha ou a Direção-Geral de Recursos de Defesa Nacional".

Assinala ainda que "se já existem recursos com competência e provas dadas nesta matéria, não há necessidade de se colocarem outras entidades para assegurar o mesmo propósito, quando não oferecem as mesmas garantias de eficiência e conhecimento. Felizmente, poupam-se 5M€ necessários para as nossas Forças Armadas.

É notável, melhor, é de facto atrevimento estratosférico invocar que ao negar a marosca dos meninos da I&D se coloca seriamente em causa a segurança nacional e a defesa do Estado Português, sendo também gravemente lesiva do interesse público.

5 milhões para gerirem o programa dos NPO. Grandes gestores.

E estamos nisto há décadas. Mas a maioria não quer saber destas maroscas, nem se interessa por esta rede montada há décadas, com saltitões entre cargos governativos, assessorias, gestores na rede, conluios vários, passeatas infindas. E como se diz no artigo, sempre a gozar com as Forças Armadas e concretamente com a Marinha.

Mas é claro, depois dizem que sou azedo. 

Como azedo serão capazes de considerar quem um dia sorriu quando lhe telefonaram para se encarregar de preparar um dado evento, pois um dos navios estaria pronto para o dito evento. Santa ingenuidade.

Como ele previa nada de confirmou. O tal navio foi entregue à Marinha muito depois. Mais uma vez, neste artigo se confirma a pouca vergonha que há anos envolve o plano de construção de 10 patrulhões NPO para a Marinha. Deviam estar 10 feitos.

Portugal, o tal país de marinheiros, com jurisdição sobre uma massa oceânica brutal, o país que agora vai passar pela vergonha (vergonha para mim e outros mas não para estes titulares de órgãos de soberania) de ver a UE com a sua FRONTEX e outras agências a averiguar como tratamos das fronteiras marítimas!

Noticia-se por aí que o governo estará à pressa a olhar para a balbúrdia que nacionalmente gere (????) o mar! Rir ou chorar?

António Cabral

quarta-feira, 6 de julho de 2022

CAUTELA e CALDOS de GALINHA NUNCA FIZERAM MAL 

…."que os Estados devem ser cautelosos, que o destino dos povos não pode estar sujeito aos caprichos da volubilidade política da moda ou ir a reboque da primeira ideia interessante que surja em qualquer esquina do percurso histórico".
António Cabral
Calm, ref
(marrevoltado.blogspot.pt)

quarta-feira, 25 de maio de 2022

UNIÃO  EUROPEIA (UE) e PORTUGAL

A lourinha Ursula e particularmente os seus gritinhos que não se ouvem mas se descortinam por trás das suas, vozinha e histórias da carochinha, têm-me levado a reler muita coisa sobre a UE, anteriormente designada por CEE. E olhar depois para dentro de casa.

Ler, reler, pensar por exemplo na questão Turca, ou na Grega, ou no continuado impasse de alargamento a certas regiões. Olhar ao início, às diferentes fases e marcos, ao alargamento, às promessas e aldrabices. Olhar à introdução do Euro.

Começando por este último aspecto, o Euro/ €, aderiram ao Euro 11 países. Era então 1 de Janeiro de 1999. A Grécia juntou-se dois anos depois e, pomposa e oficialmente, disse-se que assim foi porque  apenas dois anos depois foi assegurado o cumprimento dos critérios de convergência. Aldrabice conhecida, mas outros valores por baixo da mesa foram tidos em conta. 

O caminho para a moeda única foi aberto com o Tratado de Maastricht. Na altura, ficaram de fora a Dinamarca, o Reino Unido e a Suécia. O € entrou em vigor em 1 de Janeiro de 2002. Em 28 de Fevereiro de 2002 o escudo deixou de poder circular. Acabou o ciclo de mais ou menos 90 anos da nossa velha moeda.

Ao olhar para documentação oficial da UE sobre o assunto e dessa época recordo, por exemplo, valores de PIB per capita em Euros:

> Alemanha - 22600 €
> Áustria - 23300 €
> Bélgica - 23400 €

> Holanda - 23600 €
> Finlândia - 21800 €
> Irlanda - 23000 €
> Luxemburgo - 37700 €
> Itália - 20900 €
> França - 21300 €
> Espanha - 17300 €
Portugal - 15800 €
> Grécia - 14100 €

E quando se compara o que vale um  ou seja, o que ficou estipulado na adesão ao € em relação a alguns dos países:
200,482 Portugal
> 1,95583 Alemanha
> 2,20371 Holanda
> 40,3399 Luxemburgo
> 13,7603 Áustria

Isto dá bem a noção do desenvolvimento e pujança de cada país.
área do Euro inclui portanto países aderentes, Estados-membros, que adotaram o € como moeda única, havendo uma política monetária única sob responsabilidade do Banco Central Europeu. Consequências positivas e negativas. Há quem diga que são só negativas. Não discuto isso.

O meu ponto é apenas sobre uma questão simples: o desenvolvimento de cada país e concretamente o nosso. O que fizemos ou não fizemos desde 2002, e já nem vou lembrar o que fizemos ou não fizemos com a torrente de dinheiro antes de 2002. Agora dizem que vem aí o dilúvio PRR.

Há data da adesão ao € e concretamente ao longo do tempo até 1 de Janeiro de 2002, as loas e discursos por cá (e não só) eram no sentido de que a adesão ao €, por exemplo, 
> trouxe forte redução da instabilidade macroeconómica para o nosso país,
> permitiu uma descida muito significativa da inflação e das taxas de juro,
> a diminuição acentuada dos encargos financeiros,
> o mais baixo custo do capital permitiu às empresas aumentar o esforço de investimento e modernização,
> maior competitividade do sector produtivo nacional, 
> facilidade de viagens e transações entre países, etc.

Uma das preocupações que existiam na altura era a da questão dos preços isto é, se a entrada em vigor do € provocaria necessariamente um aumento de preços. 
Claro que a propaganda na altura era - não senhor, nem pensar - mas depois, sorrateiramente em voz mais baixinha diziam - mas será necessário algum cuidado. Isto foi tudo escrito, não é invenção minha.

Entre muitos outros exemplos lembro-me bem do preço de um café, uma bica. 
Mas, como sempre, a bovinidade portuguesa tudo aceitou. 
Foi pena que à data de 1 de Janeiro de 2002  Passos Coelho não fosse o PM, pois então talvez a populaça se tivesse revoltado, e então muito BEM, com uma série de coisas.

O meu ponto é, o desenvolvimento e o estado deste Estado, o nosso bem estar e segurança colectiva.

Certamente que a adesão ao Euro e a aceitação por 1 € = 200, 482 trouxe vantagens, inconvenientes, dificuldades.
Mas, quando ouço por exemplo, Francisco Louçã, Eugénio Rosa, Carlos Carvalhas, Jerónimo de Sousa, Catarina Martins, Mortágua, Agostinho Lopes, João Ferreira, João Ferreira do Amaral, Miguel Tiago, João Rodrigues e tantos ouros que se não estou enganado são críticos ferozes da adesão ao Euro, gostava que me explicassem com detalhe (coisa nunca feita) o que acontecia por exemplo aos meus parcos euros no banco se saíssemos do Euro e da UE.

E gostava ainda que me explicassem, se foi por causa da adesão à CEE/ UE e ao Euro, que o ordenamento do território está como está, que o despovoamento é uma triste realidade, e que o sistema nacional de saúde (SNS) está como está ao ponto de, um destacado socialista e ex-secretário de Estado e actual director do hospital de S.João no Porto escrever publicamente o que se leu há dias. 
Não me estou a referir a sindicalistas afectos ou não à CGTP, estou a falar de gente decente, de gente socialista, como por exemplo também o ex ministro da saúde, muito crítico ao que se vem passando no âmbito do SNS.

Gostava ainda que me explicassem, se foi por causa da adesão à CEE/ UE, que a ferrovia, a CP, os metro, as empresas que trabalhavam no sector de manutenção e reparação e construção de material circulante, chegaram ao que chegaram. Se foi por causa dessa adesão que deixaram um sacripanta fazer o que fez à TAP e o que agora o chefinho e o seu Pedrinho fazem o que se vê.

Gostava ainda que me explicassem, se foi por causa da adesão à CEE/ UE, que a ligação ferroviária ao exterior marca passo, que o aeroporto marca passo, que os caudais de água nos rios que nascem fora de Portugal têm o controlo que se vê, que a construção ou não de barragens tem uma envolvente que parece…... nebulosa.

Gostava ainda que me explicassem, se foi por causa da adesão à CEE/ UE, que a grosseira governamentalização das Forças Armadas iniciada em 1995 chegou ao descaramento absoluto, e se os crescentes e indesmentíveis problemas nas Forças Armadas decorrem dessa adesão.

Gostava ainda que me explicassem tanta coisa mais, e que me explicassem que afinal….eu não tenho razão….EM NADA.

António Cabral (AC)
Calm, ref
(marrevoltado.blogspot.pt)