DOMINGO, final de dia
António Cabral
Muitos dos oficiais RN, aquando do seu alistamento na Marinha, já tinham a sua vida profissional orientada bem como, nalguns casos, também a sua vida familiar. Não era pois de estranhar que, perante alguns contratempos da vida naval, reagissem, por vezes, com alguma azedume. Num qualquer dia, no decurso de uma instrução de ordem unida, o instrutor, perante o desalinhamento motivado pelo exagerado volume estomacal de um dos cadetes , terá exclamado qualquer coisa como :
Oh Sr. cadete até parece que está grávido !? A resposta quase imediata foi do seguinte teor :
“ Sr. tenente com o que aqui me têm feito não
me admira nada que seja esse o caso “
E. Gomes
AEROPORTO DE FARO / GAGO COUTINHO
Acabo de saber que terá sido aceite uma proposta para dentro do aeroporto serem criados espaços expositivos/ museológicos, e que esses espaços terão em princípio uma activa participação da Marinha.
ADRIANO MOREIRA
Faleceu o Senhor Professor Adriano Moreira.
Sou um dos muitos privilegiados, porque tive a oportunidade de o ouvir em aulas, conferências, palestras. Muito li do que escreveu.
Alguma esquerdalhada sempre o olhou e considerou um fascista.
Poderá ter sido um homem controverso, mas um homem que claramente afirmou - mudou de política, mudou de ministro - e daí tira as óbvias consequências, demonstra ser um homem integro, assertivo, intelectualmente honesto e a pensar pela sua cabeça. É a minha opinião, naturalmente diferente de outrem, mas a respeitar.
Faleceu um grande Senhor. Paz à sua alma.
A frase que hoje aqui trago ouvi -a, na Escola Naval, da boca de um “ filho da escola “ cujo bom senso, para além de muitas outras qualidades, sempre apreciei. Partilhávamos então uma das camaratas no sótão do edifício principal, camaratas essas cujas condições, normalmente de isolamento térmico, deixavam bastante a desejar, não sendo pois de estranhar no Inverno os frequentes protestos quanto ao frio que se fazia sentir. Perante tais lamentações, o camarada em causa, oriundo da vizinhança da Serra da Estrela , não se cansava de afirmar:
“ Frio ?!!! , frio é quando temos de
dormir com o cão na cama “
E. Gomes
Contava -me um camarada que tendo ido passar uns dias de férias, com um outro camarada, no Sul de Espanha, lhes aconteceu, tal como sucede a muito boa gente ( e por vezes também aos maus ) que a rúbrica das despesas extraordinárias não estava suficientemente provida, face às oportunidades com que se foram deparando, o que levou a que à data prevista para o regresso , após terem “ varrido paióis “, só lhes sobrar dinheiro para beber uma água ( dividida pelos dois ) numa esplanada, enquanto aguardavam a hora de embarque para o regresso, aproveitando a oportunidade para ir “ regalando a vista “ com as turistas que entravam nos respectivos horizontes , ao mesmo tempo que lamentavam a sua situação de penúria. Fosse pela distracção provocada pelo que iam observando, ou por outro qualquer motivo, não se terão apercebido de um cão que se aproximara da mesa onde estavam e que ali foi satisfazer as suas necessidades fisiológicas, o que levou um dos camaradas, ao sentir – se alvo daquela daquela manifestação ,a exclamar o seguinte :
“ Quando um homem está com azar até os cães lhes mijam
nas pernas “
E. Gomes
Não sei se o título que escolhi se coaduna bem com o que hoje aqui trago . Vai já para alguns anos atrás, um camarada muito mais antigo proferiu uma conferência sobre um tema da nossa história naval do sec. XIX referindo alguns factos que, pela novidade, causaram alguma admiração entre os assistentes. Aquando do período de perguntas e respostas um outro camarada questionou o orador quanto à veracidade de alguns dos factos que apresentara e nos quais se fundamentava grande parte do que afirmara , tendo obtido como resposta o seguinte :
“ Garanto -lhe , sob minha palavra de honra , que tais
factos se passaram exactamente como os
relatei “
E. Gomes
A PROPÓSITO de COMEMORAR a REPÚBLICA
Em 1922, tínhamos o que tínhamos.
Em 2022, temos o que temos, não estamos muito bem.
Em 1922, éramos muito atrasados.
Em 2022, somos bastante menos atrasados.
Em 1922, nos planos da cultura, analfabetismo, esperança de vida, mortalidade infantil, desenvolvimento, éramos uma desgraça.
Em 2022, estamos completamente diferentes para bastante melhor mas, no entanto, quase na cauda dos países na UE.
Em 1922, (16 Fevereiro), concentraram-se em volta de Lisboa tropas vindas da província para alegadamente combater as greves operárias em curso, na Carris, conservas de peixe em Setúbal, etc.
Em 2022, a tropa não é nisso empregue, mas é mal paga, e entre órgãos de soberania apreciam é mais a submissão que a legal subordinação das Forças Armadas ao poder político legitimado pelo voto.
Em 1922, 22 Março, partiam de Lisboa para a travessia aérea do Atlântico, em direcção ao Rio de Janeiro, Gago Coutinho e Sacadura Cabral.
Em 2022, e a propósito de meios aéreos, continua a brincar-se com a TAP e aos "drones". E os Falcon não têm descanso.
Até agora esta é a única frase, que apresento, de que não posso garantir a autenticidade , a ela, no entanto, se aplica a conhecida máxima “ Se non é vero é bem trovato “. Dizia – se que um instrutor, aquando da despedida dos recrutas para o período de férias do Natal, lhes terá feito uma prelecção na qual afirmava que, sabendo ser tradição os recrutas trazerem presentes de Natal para os instrutores, ele era totalmente contrário a tal prática, acrescentando porém, no final, o seguinte :
“ Agora se quiserem trazê-los para a minha mulher que,
por acaso , até aprecia bastante , sintam – se à vontade para o fazer “
E. Gomes
CONHEÇO - O BEM
Conheço-o bem. Conheci-o por fora, durante muitos anos. Por dentro também o conheço razoavelmente, há décadas.
Durante anos os navios por onde passei cumpriam o ritual.
Conheço-o por dentro, por circunstâncias da vida, por razões pessoais indirectas. Há mais de três décadas por ali estarem internados os sogros, em ocasiões diferentes.
Estive lá, também, a fotografar os navios a saírem a barra, para grande espanto de CEMA e almirantes da altura, por eu estar num espaço mais que reservado. Ainda por cima com um "canhão" enorme, uma objectiva Nikon de 500. Tenho belíssimas fotografias de várias das nossas unidade navais. Foi no último dia da Marinha em Setúbal.
Voltei lá hoje por razões aborrecidas, fazendo de condutor de "ambulância privada". Mas a vida decorrerá, com serenidade, com paciência, serão 6/ 7 semanas e voltarei ao Outão para celebrar.
Numa grande unidade onde prestei serviço um camarada passava grande parte do seu tempo lamentando -se, entre muitas outras e variadas coisas, da exiguidade do seu vencimento. Acrescente – se que, ou por essa razão, ou devido à sua própria natureza , o camarada em causa podia, sem grande exagero na apreciação, ser classificado como tendo “ uma grande faca para o trabalho “.
Num dia em
que os lamentos se centravam essencialmente na exigência de um salário justo,
um camarada mais antigo terá retorquido :
“ Você
veja lá o que exige pois, ou muito me engano, ou em vez de receber, ainda terá
de pagar”
E. Gomes
A MESA
A mesa, ao cimo das escadas, à direita, por baixo da frondosa figueira, é a mesa conhecida por "mesa do almirante".Não tem nada a ver com protocolo, betinhos, benzocas, elites, fascistóides, privilégios.
Bom, a realidade é que é um privilégio ter a amizade do dono do restaurante, amizade iniciada fez 16 anos em Julho passado. Faço sempre reserva dois dias antes de cada vez que lá vou jantar ou almoçar. E, com excepção de grande temporal invernoso, é lá que me delicio com a amizade e as conversas do Chefe João Soares e os seus petiscos. É comum sentar-me sem saber o que vou comer. Ele é que manda, e imensas vezes nada do que está na ementa. Vinhos idem!
É com pesar que veiculamos a seguinte notícia de "A Voz da Abita":
"Estimados Camaradas,
Lamento dar a conhecer o falecimento do nosso camarada Primeiro-Tenente (R) António A. A. Baptista Lopes. O corpo do nosso camarada vai estar em velório na Igreja São João de Deus a partir de hoje, segunda-feira, pelas 18:00h, estando programada a celebração de uma Missa para amanhã, Terça-Feira dia 20 pelas 09h15m, seguindo o seu funeral pelas 10h50m para o cemitério dos Olivais.
Apresentamos as nossas condolências à sua Família e aos seus Amigos e Camaradas, em particular aos do Curso "Diogo Cão" (1957) a que pertencia."
"O Navio... desarmado" apresenta os pêsames à Família do Tenente Baptista Lopes bem como a todos os seus amigos e camaradas.
No início do sec. XX o ensino de natação na Escola Naval era
feito “ a seco” ; os alunos eram colocados num banco onde treinavam
inicialmente os movimentos de braços e pernas, sendo o treino de respiração
efectuado com o recurso a um recipiente
com água colocado debaixo da cabeça.
Conta -se que um dos alunos, antes de ser sujeito a esta aprendizagem, terá
declarado ao instrutor que sabia nadar muito bem, obtendo como resposta o
seguinte :
“ Aqui é que se
vai ver se sabe nadar “
E. Gomes