terça-feira, 29 de junho de 2021

Aqui deixo uma excelente reflexão do VAlm João Pires de Neves, onde aborda a primordial questão das responsabilidades.
António Cabral
CAlm, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)

A reforma da estrutura superior das Forças Armadas e o sistema de forças

Nos últimos tempos muito se tem falado e escrito sobre o processo de Reforma da Estrutura Superior das Forças Armadas (Reforma), das intricadas relações que se estabelecem entre o ministro da Defesa Nacional (MDN), o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) e os chefes do Estado-Maior dos Ramos (CEM). Todavia, sem se escalpelizar e, muito menos, esclarecer, o que está em causa e qual dos graves problemas que, de há muito afetam as Forças Armadas (FFAA), e que por esta via, porventura se pretenderá resolver. Para melhor nos situarmos recordaria de forma breve que todo este assunto da Reforma veio a público, em 17 de fevereiro, pela voz do próprio MDN quando, em entrevista à Lusa, referia que iria propor ao Parlamento o reforço do elenco de competências do CEMGFA e um dos grandes objetivos seria dotar aquele chefe militar com a “capacidade para dispor a qualquer momento [das] forças de que precisa para executar as suas missões”.

Sendo este um dos objetivos globais a atingir e, numa lógica de uma sua melhor contextualização, vejamos como é que, à luz da atual Lei Orgânica de Bases de Organização das Forças Armadas (LOBOFA) se estabelecem e desenvolvem as relações entre estas três principais entidades - MDN, CEMGFA e CEM - e o que isso representa na estrutura de “Comando” e “Administração” das FFFAA, duas realidades distintas e três canais de responsabilização diferentes e que nem sempre são percecionados ou mesmo considerados como tal:

• O canal político-militar, de nível estratégico - MDN / CEMGFA -, como seu principal conselheiro militar e onde se colocam as questões de fundo relacionadas com a capacidade de resposta militar;

• O canal administrativo-logístico - MDN / CEM - onde são trazidos à colação os assuntos que se reportam à “administração superior” dos Ramos e, concomitantemente, das FFAA;

• Um canal, essencialmente, militar e operacional - CEMGFA / CEM - onde se colocam as questões de natureza operacional e de “Comando Operacional”, relacionadas com os meios e capacidades da componente operacional do Sistema de Forças (SF) e com a sua geração, preparação, aprontamento e emprego sustentado.

Neste contexto, é importante realçar que é este SF, e para todos os efeitos, o instrumento da missão das FFAA. Daí a sua concomitante relevância, quer para as FFAA, quer para quem, neste domínio relacional da Política com a Estratégia, tenha de assumir responsabilidades diretas, em primeira mão e na linha da frente, os políticos, pela génese e atribuição dos meios e, em segunda mão e na linha operacional, os militares pela sua estruturação, organização e emprego.

A definição daquele objetivo por parte do MDN pode fazer subentender que o CEMGFA não dispõe das “Forças” para empregar e utilizar quando e sempre que isso lhe é requerido. E se assim é, perguntar-se-á porquê? Porque os Ramos não providenciam as forças preparadas e prontas e não o fazem em tempo oportuno?

Confirmadas estas circunstâncias e este cenário, duas hipóteses poderiam então colocar-se. Por um lado, primeira hipótese, as forças não existem, constam do SF, mas não estão adquiridas, construídas ou edificadas. Porquê? Por falta de planeamento e de enquadramento da sua programação, por falta de pessoal e de apoio técnico eficiente e capaz. De quem é a responsabilidade?

Por outro lado, segunda hipótese, as forças existem, integram o SF, mas não estão levantadas e aprontadas. Porquê? Por falha de planeamento, por falta de efetivos, por falta de recursos, financeiros ou materiais, que permitam proceder ao seu aprovisionamento e preparação atempada.

Ambas as hipóteses poderão ter na sua base problemas de natureza orçamental.

Na primeiramente referida, respeitante à aquisição ou à edificação oportuna dos meios será o “orçamento de investimento” a explicar porventura a sua falta. Na segunda hipótese, relacionada mais com dia- a-dia da gestão, estará em causa o “orçamento de funcionamento” e a existência ou não de verbas para, nas devidas condições, recrutar, formar, preparar, manter e sustentar os meios e as forças consignadas àquele SF.

E se assim é, se em falta estão recursos financeiros e uma sua deficiente atribuição, o problema não será nunca um problema do CEMGFA, dos CEM, no fundo, não será um problema militar e do domínio da Estratégia. Será antes um problema político e do domínio da Política e, um problema, em primeira mão, do MDN, enquanto responsável de topo pelo emprego das FFAA, pelas suas capacidades, meios e prontidão e ainda pela sua administração superior e direção.

Por outro lado, se a questão se coloca também no campo da edificação do próprio SF, pese embora se trate de uma questão igualmente do domínio da Política, a responsabilidade, aqui, não é só do MDN, é uma responsabilidade, em certa medida, partilhada por mais do que um órgão de soberania, seja o primeiro-ministro e o Governo, o Governo no seu todo, seja a própria Assembleia da República (AR) e os partidos políticos que nela têm assento.

Por tudo isto, estamos em crer que não é reforçando o CEMGFA com mais poder e nele centralizando competências de natureza administrativa, que o problema das “forças”, ou da falta delas para as missões se resolve, a menos que a estratégia subjacente a esta iniciativa legislativa seja a de ignorar a realidade, escamoteando responsabilidades, colocando na esfera da organização das FFAA uma questão que é do coletivo e dos órgãos de Soberania envolvidos.

Sobre esta questão das forças e dos meios do SF que não estão edificados ou mesmo levantados, prontos e operacionais, como vem sendo, aliás, amplamente noticiado, era importante perceber porque é que isso acontece. De facto, sendo este um problema que se arrasta há uma série de anos, esse sim, mereceria a pena e devia realmente ser estudado, porque a falta de meios e forças, no fundo, a falta do tal instrumento da missão que anteriormente mencionámos, é que representa, no nosso entendimento, uma grande e grave vulnerabilidade.

Uma vulnerabilidade que em termos de País e da sua defesa e segurança importa colmatar e dirimir com determinação e empenho.

E se é de uma vulnerabilidade que se trata (e dela decorrem riscos) o problema será sempre um problema de recursos e de priorização da sua alocação e daí, concomitantemente, um problema do domínio da Política que não da Estratégia como acima já se sublinhou.

Sendo, pois, esta questão da fragilização do SF, como outras - da Condição Militar, do Estatuto, da Saúde e do Apoio e integração social - os grandes problemas com que se defrontam as FFAA perguntar-se-á e a reforma, essa, de que tanto se fala, resolverá toda esta difícil e grave situação? Convictamente julgamos que não.

João Pires Neves
Vice-almirante, reformado
Ex-vice-chefe do Estado-Maior da Armada
29 JUNHO 2021
(Expresso online)

segunda-feira, 28 de junho de 2021

F I N A L M E N T E

Reconhecimento

António Cabral

cAlmirante, reformado

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domingo, 27 de junho de 2021

CARAVELA  "BARTOLOMEU  DIAS"

Andando pelos muitos arquivos e "tesourinhos" em casa.

António Cabral

cAlmirante, reformado

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sexta-feira, 25 de junho de 2021

ORA   ESTA…..

Ele há cada coisa.

Uma pessoa sai da praia antes da grande "caloraça", chega a casa poucos minutos depois e prepara-se para um reconfortante duche e, de repente, lá da sala vem um tonitruante - "António, estás na televisão"! Foi a propósito do sr Alabaça, que é o senhor do meio, e o outro era o então reitor da Universidade nos Açores.

Safa, como diria Cavaco Silva. Depois do duche, fui usar a tecnologia, andei para trás, e lá estava eu, fardado. Esta cena é repetida, e a fotografia é de 2005 ou já 2006, já não me lembro. Eu explico.

Estava eu nos Açores, Comandante da Zona Marítima e em acumulação Autoridade Marítima Regional e Comandante da Polícia Marítima Regional, quando um dia o então reitor da Universidade dos Açores me convidou para "embelezar" a cerimónia de posse do sr Alabaça, num cargo qualquer na Universidade de que não me lembro. Por isso existe esta fotografia e este video que voltou a aparecer na RTP.

O que hoje se passou foi a propósito de um acto da ministra da cultura, que exonerou o seu director - geral do património, director que escolhera e nomeara algures em Fevereiro do ano passado. Mais ou menos passados 16 meses, depois de loas várias em 2020, exoneração rápida. Sem comentários.

Mas quero acrescentar mais o seguinte. 

Quando o sr Alabaça foi nomeado e empossado em 2020, nesse dia, à tarde, a minha mulher recebeu um telefonema de uma amiga com quem não falava há certo tempo. Depois daquelas coisas habituais nestes telefonemas houve uma informação - "Fátima, há bocadinho vi o teu marido na televisão".

"Rosalita, bebeste demais ao almoço, estamos os dois aqui na aldeia, o António não foi a televisão nenhuma"!

"A sério que vi".

Bom, lá fomos andar para trás e lá me encontrei. Hoje repetiram.

A terminar, devo assegurar que não tive responsabilidade alguma na nomeação do senhor nem nos Açores nem cá, nem agora na sua exoneração! Tal como não tenho culpa de que mais nenhuma fotografia pública exista do senhor.


António Cabral

cAlmirante, reformado

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quinta-feira, 24 de junho de 2021

ESTA  MANHÃ,  NA  PRAIA……….

Esta manhã, na praia, caminhando devagar pelo areal vazio com maré muito recuada, dei por mim com os olhos a passar do areal para o Bugio, daqui para o barco de pesca que se fazia à barra, outra vez para o Bugio, depois a observar a mota quatro que devagar circulava pelo areal quase sem gente.

Dei por mim, depois, a olhar o Atlântico dali visível, o oceano que tão pouco patrulhado já é, o oceano que qualquer dia se vai esquecer de certos "hieróglifos" começados com uma letra maiúscula seguida de uns algarismos. 

E continuei a longa caminhada, o areal estava bom. 

Fez-me bem.  

E fui recordando muitas coisas. E pensando no que aí virá.

António Cabral

cAlmirante, reformado

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terça-feira, 22 de junho de 2021

P O R    A Í


António Cabral

cAlmirante, reformado

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segunda-feira, 21 de junho de 2021

"BITAITES" e a ARTE de NADA DIZER

ou o "copy paste" de palavras do, MDN, CEMGFA, PR 

António Cabral

cAlmirante, reformado

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sábado, 19 de junho de 2021

P O R   A Í

António Cabral

cAlmirante, reformado

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quinta-feira, 17 de junho de 2021

P  O  R     A  Í

António Cabral

cAlmirante, reformado

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sábado, 12 de junho de 2021

P O R   A Í



António Cabral
cAlmirante, reformado
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sexta-feira, 11 de junho de 2021

 F  Ó  S  S  E  I  S

Ao menos estes fósseis são interessantes.

António Cabral

cAlmirante, reformado

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segunda-feira, 7 de junho de 2021

AQUÁRIO  VASCO  da  GAMA

Em que data lá estive? tentei recordar-me quando, na manhã da passada 6ª feira lá entrei com o mais novinho dos meus netos. Ponderando com base na idade dos meus filhos, seguramente não ia lá há mais de 40 anos. Adiante. 

Salvo melhor opinião, uma das nossas "pérolas". Uma parte está em renovação. Uma bela manhã, e o "puto" delirou.

António Cabral

cAlmirante, reformado

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quarta-feira, 2 de junho de 2021

FORÇAS  ARMADAS
Dois almirantes falaram em tons diferentes sobre a reforma militar.
Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas defendeu o modelo. Chefe da Armada fez apreciação demolidora.
(Nuno Ribeiro, 2 de Junho de 2021, "Publico")

Nas últimas audições da comissão parlamentar de Defesa Nacional às chefias em exercício nas Forças Armadas, na manhã desta quarta-feira, houve um flagrante contraste. Dois almirantes pronunciaram-se em tons diferentes sobre a reforma militar do Governo, já aprovada na generalidade na Assembleia da República.

No tom mais duro das quatro audições, o almirante Mendes Calado, Chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional, fez um claro statement contra as alterações no topo da hierarquia das Forças Armadas definidas pelo ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho. 
Foi incisivo e emotivo nas críticas em relação aos princípios da reforma.

Tal como os seus antecessores da Força Aérea e do Exército, deixou aos deputados as propostas apresentadas à tutela em sede do Conselho Superior Militar, algumas das quais foram carreadas pelo ministro da Defesa para a reforma. Contudo, não especificou o que propôs, mas, tal como os chefes militares que o antecederam na terça-feira, revelou que as suas posições tinham sido comunicadas ao ministro.

Centrou-se na reforma, não falou de falta de meios humanos e materiais, da situação do Arsenal do Alfeite, um dos temas constantes naquela comissão. Nem depois da carta de sete antigos chefes de Estado-Maior da Armada, almirantes Melo Gomes, Macieira Fragoso, Saldanha Lopes, Cruz Vilaça, Ribeiro Pacheco, Mendes Cabeçadas e Fuzeta da Ponte, ao ministro da Defesa contra a aquisição pela GNR da primeira de quatro lanchas rápidas para fiscalização e prevenção criminal, o tema foi abordado pelo responsável da Armada.

Os sete almirantes referem que a GNR se quer substituir à Marinha, o que levou o ministro da Defesa a uma esclarecedora afirmação. “Desconheço qualquer pretensão por parte da GNR a substituir a Marinha”, disse, neste domingo, na recepção à fragata “Setúbal” que regressava de uma missão.

“A nossa Marinha tem dado provas de estar disponível para apoiar os portugueses seja em termos militares seja nas suas necessidades de outra natureza. Portanto, não vejo que haja nenhuma necessidade de substituição”, concluiu Gomes Cravinho. De algum modo, demarcou-se da compra, com dotação europeia de 75%, das lanchas rápidas, a primeira das quais, “Bojador” deve entrar ao serviço no fim do primeiro semestre de 2021. É um tema que incendeia a Marinha e incómodo para o ministro da Defesa que já o era quando o Governo aprovou a compra. Contudo, o almirante Mendes Calado não se referiu a esta situação, teve o seu foco na mais dura contestação à reforma, ouvida pelos deputados da comissão parlamentar de Defesa.


CEMGFA defendeu reforma.
Diferente foi o discurso do Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), almirante Silva Ribeiro. O CEMGFA, que pela reforma apoiada pelo PS, PSD e CDS reforça os seus poderes militares nos três ramos, defendeu a opção governamental.

E mais disse. Que mal a reforma lhe foi apresentada em linhas gerais na primeira de três reuniões do Conselho Superior Militar que analisaram os propósitos governamentais colocou o seu staff a trabalhar.

Não manifestou surpresa pela iniciativa porque, recordou, desde o passado, consta dos programas de Governo do PS e do PSD. Como consta, aliás, do do actual executivo.

Os trabalhos da comissão, que na fase das audições decorreu à porta fechada por solicitação dos quatro chefes militares, continuam agora com o debate sobre a lei, ponderadas as propostas deixadas aos deputados. Os trabalhos recomeçam na semana de 14 de Junho, com uma limitação e um calendário proposto por Gomes Cravinho: que as alterações não desvirtuem os princípios e que o processo esteja concluído até ao Verão
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Este é o título e texto da notícia do Público.
O título poderia ser diferente, por exemplo - Qual é a surpresa? - e outros. Adiante.
O sublinhado a amarelo é da minha responsabilidade, por ter achado verdadeiramente delicioso o que o jornal atribui a um dos conselheiros do ministro. DELICIOSO!

Este tema - alterações na estrutura superior das Forças Armadas - a que, como repetidamente realço, tenho a certeza (não possível de confirmar) de que a esmagadora maioria dos portugueses não quer saber e alguns até reagem dizendo por exemplo - acabem mas é com as capelinhas tem por trás o incremento da governamentalização das Forças Armadas. Coisa a que os portugueses maioritariamente não ligam pevide. Estamos em democracia, já não há dessas coisas, nem censura nos jornais (eles próprios, não o vão fazendo, já?), nos blogues, em redes sociais diversas. O Sol está a chegar, as praias, etc. Vida boa.
Para quê aborrecermo-nos?
António Cabral
cAlmirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)