Aconteceu Tancos, infelizmente, e manifestam-se por aí nos vários OCS as teorias mais diversas.
Por mim, respeitando como sempre opinião de outrem, e admitindo também como sempre que posso estar a ver mal a coisa, a probabilidade de não ter havido furto nenhum/ assalto, é elevadíssima.
A probabilidade de haver de há longo tempo um problema de inventários/ cargas de material, principalmente mas não só, por não abate em tempo devido de material utilizado ao longo do tempo, é elevadíssima.
Fere valores, consciências?
Mas é bem capaz de ser a triste realidade.
No título falo do emprego das FA, e Tancos não se insere bem nisso, mas abordo a questão mais como introdução para apontar a uma coisa que para mim sempre foi evidente desde os tempos de jovem oficial em Draga-Minas e Patrulhas.
Há que guardar os paióis, no caso, o de armamento ligeiro e respectivas munições, lá bem em baixo no bojo dos navios.
E os paióis foram guardados nas fragatas e na corveta onde prestei serviço. E foi guardado o do extinto Centro de Instrução de Minas e Contramedidas.
Há que guardar os paióis.
O lamentável episódio de Tancos é culpa exclusiva de militares. Ponto.
Militares que não foram empregues, como era mandatário.
O vergonhoso desinvestimento nas FA, repito, VERGONHOSO, e que começou sobretudo em 1991, e acelerando sempre, é outra coisa, é uma questão de fundo, é um problema nacional, a que os políticos nada ligam, a não ser para cortar verbas e espezinhar e desconsiderar os militares, que ao longo dos anos têm dado uma boa ajuda aos políticos.
Não justifica o triste episódio.
E o PR foi lá de rompante.
Como deve ter ficado ao constatar o que viu?
Sim porque em visitas de rompante não dá para limpar e pintar à pressa, para esconder coisas, para por exemplo entaipar coisas e áreas, e menos ainda decrépitas torres de vigia e instalações ultra degradadas.
Mas a minha questão é o emprego das FA.
Não vou referir-me á missão primeira.
Mas nesta bovinidade e adormecimento generalizado, neste pântano que vem de muito detrás e em que insistem em nos continuar a anestesiar com futebol em todos os canais, aposto que várias coisas passam completamente ao lado da maioria dos portugueses.
Em primeiro lugar, o nível muito elevado de perigosidade com que diariamente se confrontam os militares do Exército destacados em África. Preocupantes notícias chegam periodicamente.
Infelizmente já tivemos uma baixa mortal.
Da parte deste governo (o comportamento de anteriores nunca diferiu muito) ZERO. Ou estou distraído?
Como ficou a família daquele militar?
Em segundo lugar, e na fase cada vez mais ensandecida em que está o mundo, é para mim evidente que num País como o nosso, as FA podem e devem ser empregues em complementaridade de serviços, instituições e organizações civis. A solicitação destas.
E temos o belo exemplo da PJ que a seu pedido é periodicamente apoiada pela Marinha e pela Força Aérea.
E tivemos o apoio das FA na tragédia iniciada em 17 de Junho no centro do Continente.
E temos agora, segundo parece, a ANPC a pedir apoio ás FA para contribuir para patrulhamento de vastas áreas, para mais rápida detecção de ignições em terrenos, matos, florestas.
Coisas a que a esmagadora maioria dos meus concidadãos não liga nenhuma.
Oxalá eu estivesse enganado.
António Cabral
cAlmirante, reformado(Chapéus há muitos)
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