Tem valores.
Tem memória.
É, e foi construída.
O passar dos anos enriquece-a.
O silêncio nunca a apaga.
Os lábios também falam mesmo quando em silêncio prolongado.
Eu que raramente durmo mal, e vá lá saber-se porquê, hoje acordei eram 0400 horas, o mostrador do despertador não enganava.
Se bem recordo, mais ou menos a hora a que, há 50 anos e por razões profissionais, acordei para um dia que se iria mostrar longo e sobressaltado. Mas voltei ao ÓÓ, acordei de novo passava das 0700 horas.
O meu dia hoje vai ser pacato, muito pacato.
Daqui a pouco vou buscar a minha muito idosa mãe (serão 99 em Julho) ao lar, aqui perto de casa, e passará o dia comigo e minha mulher.
Filhos e netos cada um nas suas vidas e felizmente creio que todos bem de saúde.
Vai ser um dia pacato, o tempo aqui está uma porcaria e, pelo já referido, antes das 1930 horas não poderei andar na rua, só depois do "passarinho" voltar ao lar.
Assistirei às coisas pela TV, que espreitarei de vez em quando, nos intervalos de leitura, arrumações, pensar com os meus botões. A Nikon boa amiga que é não se queixará de não sair hoje de casa.
E cozinhar, naturalmente, e abrir uma boa garrafa.
Saúde a todos, tenham um bom feriado 25 de Abril.
António Cabral
ABRIL
A - de Abril, amor, ambição, autonomia, amizade, abranger, alternância,
B - de bonança, balanço, bem-estar,
R - de revolta, revolução, rejuvenescer, remissão, recomeçar,
I - de independência, ilustre, imortal, inclusivo, informação, inversão,
L - de liberdade, labirinto, língua, literatura, lustre, luta.
António Cabral (AC)
CULTURA
Faleceu ontem no Hospital das Forças Armadas, com 87 anos de idade, o capitão de mar-e-guerra Médico Naval Guilherme José Neves Rocha de Macedo. Tendo sido alistado na Armada em 1965, serviu em diversas unidades e efectuou uma longa comissão de embarque na fragata Álvares Cabral, em Moçambique. Era especialista em Dermatologia e foi durante vários anos Director do Serviço de Dermatovenereologia do Hospital de Marinha, tendo passado à Reserva da Armada em 1993. Em paralelo com a sua actividade clínica, era também um coleccionador e um reputado especialista em conchas marinhas. O corpo estará hoje, 19 de Abril, na igreja de S. João de Deus em Lisboa a partir das 1800 hrs e até às 2300 hrs. Amanhã, sábado, o velório será das 0900 hrs até às 1200 hrs e será celebrada uma missa pelas 1345 hrs saindo o féretro às 1415 hrs para o Cemitério dos Prazeres.
“O navio… desarmado” apresenta sentidos pêsames à Família do Dr. Rocha de Macedo, bem como a todos os seus amigos e camaradas, especialmente aos Médicos Navais.
Reunião do Conselho Superior de Defesa Nacional
16 de abril de 2024
No final da reunião, que decorreu no Palácio de Belém, foi divulgada a seguinte nota informativa:
“O Conselho Superior de Defesa Nacional reuniu hoje, 16 de abril de 2024, em sessão extraordinária, sob a presidência de Sua Excelência o Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, para efetuar um ponto de situação relativo ao Médio Oriente e à Ucrânia.
Lisboa, 16 de abril de 2024”
A inauguração da exposição "O MFA e o 25 de Abril", de que é curador o nosso camarada Pedro Lauret, terá lugar amanhã, 12 de Abril, pelas 1700 horas na Gare Marítima de Alcântara.
A exposição estará aberta, com entrada livre, até 26 de Junho. Estão todos convidados.
Militares e civis - essência e coincidência.
Na tarde de 10 de Abril de 1997, um dos meus três grandes amigos civis (tenho 3 ou 4 grandes amigos militares) dizia, numa cerimónia pública:
"As sociedades distinguem os militares, não por razões de deferência temerosa, mas como forma de reconhecimento à diferenciada função em que se empenham, de forma comumente disciplinada e previsível. Esta opção de vida por um serviço colectivo é valorizada por uns, inutilizada por outros, mas ninguém fica indiferente à realidade factual que ela encerra e que, no mais recôndito, alude ao conceito de nacionalidade, âmbito de particular relevância na vida dos homens de todos os tempos.
Sendo certo que toda a Nação tem o problema intrínseco da sua defesa, esteja ou não organizada politicamente em Estado-Nação, os militares são a certeza formal da sua possibilidade e as sociedades sempre aceitaram esta especialização dos civis, como forma de garantir a própria organização e eficácia de um sentir colectivo.
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Sempre isto se esperou dos militares, e sempre isto eles souberam dar: fidelidade a uma causa através da garantia de um propósito.
Aceita-se que se faça a distinção entre militares e civis, talvez melhor entre paisanos e militares porque estes não aparecem desfalcados de cidadania, e não convém à natureza dos factos, identificá-los como uma espécie de casta à parte..........os militares são um conjunto diferenciado de nós todos, motivados para a salvaguarda da colectividade de que são membros e para a constituição da qual contribuíram com a sua intrínseca dignidade. É um empenhamento na coisa pública que a usura do tempo, até na sua vertente ideológica, não destrói ou arruina.
Realço outra vez a frase do meu amigo - ....."e esta verdade chega até aos que gostam mais de ouvir do que compreender".
Em tempos escrevi - Temo que nos últimos anos já nem ouçam, quanto mais tentarem compreender. Até quando?
Terão visto, anos atrás, aquele general Iraquiano a palrar frente a câmaras de TV e vendo-se depois aparecer no fundo da imagem os carros de combate americanos?
António Cabral