Boas Notícias (Mundo Português 18DEZ2018 newsletter@mundoportugues.com.pt )
Foi a
primeira piloto dos “hélis” da Marinha. Agora, é a primeira comandante a
estrear um navio
16 DEZEMBRO, 2018
O Mundo Português na data em que foi a primeira mulher
piloto de helicópteros ao serviço da Marinha fez um alargada reportagem. Agora
a Comandante Mónica Pereira Martins, nascida na cidade de Tomar, faz parte do
primeiro grupo de mulheres a entrar na Escola Naval e, 24 anos depois, está ao
comando do mais recente navio da Marinha Portuguesa: o NRP Sines.
Na altura, Mónica Pereira Martins tinha 17 anos e fazia parte do
primeiro grupo de mulheres a entrar na carreira oficial da Marinha, na Escola
Naval no Alfeite” Mais de duas décadas depois, a agora comandante
Mónica Pereira Martins prepara-se para partir ao leme do “Sines”, o mais
recente navio da Marinha Portuguesa. É a primeira vez que uma mulher comanda um
navio acabado de sair dos estaleiros.
Partiu esta
sexta-feira, 14 de Dezembro, para os Açores, naquela que será a primeira grande
missão do navio. Serão três meses e meio na zona marítima dos Açores. “É, para
mim, das missões mais nobres da Marinha, busca e salvamento no mar”, diz,
orgulhosa.
A comandante deixa em terra a família: o marido e dois filhos, de três e seis
anos. “Vai ser das primeiras vezes que vou estar mais tempo longe dos meus
filhos… Já se sabia que não ia ser fácil esta conciliação da vida pessoal com a
vida profissional, mas tem de se fazer. Felizmente tenho um marido bastante
compreensivo, que me apoia bastante”, diz Mónica Pereira Martins, salientando
que “esta não é a única profissão em que as mães e os pais, de vez em quando,
têm de se afastar fisicamente da família”.
A bordo do navio seguem 46 pessoas, dos 18 aos 48 anos, entre as quais 10
mulheres. O navio foi entregue em Julho de 2018. “Ao recebermos o navio, há um
processo de certificação do navio, verificar se os equipamentos estão a
funcionar em condições. Em Setembro e Outubro, estivemos a fazer aquilo que se
chama ‘plano de treino operacional’, ou seja, um treino e uma verificação de
que a guarnição sabe operar este navio”, explica. Agora, estão a postos para
partir para a primeira grande missão.
O NRP Sines foi construído nos antigos estaleiros navais de Viana do Castelo.
“É um navio de guerra, mas não combatente”, esclarece a comandante,
acrescentando que o “Sines” foi concebido para desempenhar missões de interesse
público – busca e salvamento; fiscalização marítima; combate à poluição e
combate ao narcotráfico.
Uma mulher no mundo de homens
Em 1994, ainda se davam em Portugal os primeiros passos para a integração das
mulheres na vida militar. “Na altura não percebi bem isso. No início olhava em
volta e só via homens – à excepção de outras mulheres que entraram comigo – e
perguntámos ‘onde estão as outras mulheres’… ‘Vocês são as primeiras’,
responderam”.
“Quando se inicia alguma coisa nova, há sempre um período de adaptação não só
de mentalidades, mas também em termos físicos dos navios que estavam preparados
para ter só homens”, conta.
Mónica explica melhor como foi a integração. “O que senti no inicio era
demasiada protecção. Não éramos propriamente apaparicadas, mas punham uma redoma
à nossa volta que às vezes queríamos fazer algumas coisas e não nos deixavam
porque éramos mulheres”, diz. No entanto, com o tempo tudo foi ao lugar.
“Dizíamos ‘deixem-nos fazer, estamos aqui para fazer o mesmo que os outros’… E
isso foi bem visto, começaram a compreender que nós também sabemos e também
conseguimos”.
“Hoje é tudo absolutamente normal”, garante.
Marinha vs. Força Aérea
A jovem Mónica que estava a acabar o 12.º ano ainda pensou ser professora de
Matemática (e chegou a entrar na Universidade de Coimbra), mas os militares
ganharam a guerra. Mónica ainda hesitou entre a Marinha e a Força Aérea. As
dúvidas dissiparam-se quando foi fazer os testes na Base Naval de Lisboa. “Eu
tive logo oportunidade de ver os navios, ver o ambiente onde ia ser inserida e
adorei. Foi assim que tomei a decisão, ter-me sentido muito bem no sítio onde
fui fazer os testes e ver a escola que iria frequentar a seguir”, recorda.
Mas quis o destino que Mónica acabasse por conseguir juntar o melhor de dois
mundos e, em 2006, tornou-se na primeira mulher piloto da Marinha, integrando a
Esquadrilha de Helicópteros da Marinha, onde esteve durante 11 anos. Mas afinal
o que faz um piloto na Marinha? Mónica responde.
“Os helicópteros na Marinha são uma extensão dos navios. Quando um helicóptero
embarca, por exemplo, numa fragata vai também um destacamento dos helicópteros.
É uma parte do navio que descola e vai mais longe, são os olhos do navio mais
longe, tem sensores e armas que o comandante pode operar mais longe do que do
próprio navio”, diz.
Mónica Pereira Martins é, neste momento, capitão-tenente. Já leva 24 anos de
carreira e uma das coisas que já aprendeu é que “há sempre surpresas”.
“Já tive situações em que fui destacada para funções que, à partida, gostaria
menos e depois adorei a missão”, diz. Já esteve na Somália, já esteve no
Mediterrâneo logo a seguir ao 11 de Setembro a fazer embargo de armas, entre
muitas outras. Está disponível para qualquer desafio, mas há uma que gostaria
de cumprir. “Gostaria muito de fazer daquelas missões de salvamento de
refugiados no Mediterrâneo. Acho que é uma missão que todos gostaríamos de
fazer, porque basicamente é salvar pessoas e ali a probabilidade de salvamento
é bastante elevada”, remata.
AF e site da Rádio Renascença