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segunda-feira, 17 de maio de 2021

Defesa Nacional. Forças Armadas. 
Reformas ? 

Reforma - acto ou efeito de reformar; mudança para melhor.

Na senda do centrão político (PSD, PS, ajudinha do CDS) desde 1982, a actual geringonça não formal prepara-se para concretizar operação de cosmética nas FA, querendo fazer crer que de reforma urgente na DN se trata. Desencadeou opiniões diversas de, civis, militares, comentadores e jornalistas, relativamente às quais comungo de parte da argumentação que conheço e, designadamente, do almirante Reis Rodrigues, e do General Carlos Branco. 
Desencadeou reações diversas porque, creio, publicamente continua por explicar a premência do que é tão repentinamente desejado. E não parece clara a autoria de tal desejo, embora pessoalmente não tenha dúvidas onde a coisa começou. 
Poderá entender-se que, de 25 de Abril de 1974 até 1982, não fosse possível com serenidade reorganizar Portugal e, menos ainda, no que à DN e às FA respeita (por óbvias razões, incluindo ao mais alto nível institucional). 
No final da década de 80 do século passado começou a ser erigido o modelo que se conhece, e teve posteriores alterações.
Esperei pela aprovação em conselho de ministros de tais alterações (de que não conheço formulação final) de que tanto se vangloria o actual titular da tutela (MDN). Titular que nos descansa pois, publicamente, afirma tudo estar bem da parte dos actuais chefes militares dos ramos das Forças Armadas (já designados como os "modernos chefes”!). Titular que não se tem coibido de declarações aos OCS e na AR, que me abstenho de qualificar. 
Olhando ao propalado, dele transparece não ter sido atendido o significado de certas palavras como, prudência, equilíbrio, serenidade, reflexão, metodologia, ponderação. Apesar do que por aí tem sido publicado e publicitado, não descortinei contraditório por parte dos OCS para questionar o governo, e concretamente o PM sobre, o porquê desta pressa e, também, que DN para o Portugal do futuro o governo deseja afinal e, subsequentemente, que FA ou mesmo se o país deve ter FA. 
A Assembleia da República (AR) apreciará, ou não, as alterações. Temo que aconteça o costume. 
Registei o pouco que se soube do Palácio de Belém, onde decorreram duas reuniões que, sinteticamente, em tom suave, considero um beneplácito ao governo. 
A democracia a funcionar! 
Na sessão comemorativa dos 47 anos do 25 de Abril de 1974, na AR, concretamente reações observáveis nas diferentes bancadas quando, como expectável, houve referências a militares e a ex-combatentes, deixou-me tranquilo pela confirmação do que há décadas se sabe. 
Discutível que possa ser, gosto sempre de tentar perceber com algum detalhe porque acontecem certas coisas, porque se chegou onde se chegou, olhar a factos do passado, olhar a perspectivas diversas. Certamente que, lamentavelmente, alguns erros crassos e bloqueios tiveram lugar no passado por quem não os devia ter protagonizado. Defeito que possa ser considerado, não gosto de escamotear mesmo o que possa ser tido como desagradável para alguns, mesmo a esta distância.
Nada do exposto nestas minhas palavras e em muitas outras, nada do que venho recordando, comentando, criticando ou recomendando, me afasta da essência do que camaradas de armas mais velhos têm publicamente defendido à vista de todos os portugueses.
António Cabral
cAlmirante, reformado
(marrevoltado.blogspot.pt)