Ler o artigo do DN é muito penoso.
Desde as belas palavras do Presidente da República, passando pela referência 'de costas voltadas' feita por Garcia Belo, pela ausência da Marinha no Conselho de Administração, pela ideia de gerir o estaleiro sem apoio dos quadros superiores e perante o cepticismo dos trabalhadores, pela presença do 'accionista único', o Estado português, através da 'IdD - Portugal Defence, S.A.' (que nem o nome tem português...), cativações, promessas de investimento, entre outras coisas, tudo parece desalinhado mas esclarecedor do 'enigma sobre o futuro do AA'.
Lê-se que o MDN 'assegura que a AA, S.A. vai continuar a ter a Marinha como parceiro estratégico, não estando prevista qualquer alteração nesse domínio'. Não ao contrário, a Marinha ter o AA como parceiro estratégico. Está portanto tudo bem, governe-se assim, materializando-se o futuro em promessas de investimento. Mais palavras. Mais potenciais cativações. Mais Conselhos de Administração. Mais reorientações.
A Marinha, como componente da Defesa Nacional, algo que parece estratégico, talvez merecesse um dimensionamento, a definição de capacidades, o estabelecimento de objectivos, um programa naval, enfim um plano, de onde pudessem decorrer recursos a garantir e a forma de os obter. O AA é imprescindível num quadro dessa natureza.
Ao contrário, o AA parece um empecilho, a Marinha uma entidade incómoda e estranha: recorrer a estaleiros estrangeiros? 'A questão deverá ser colocada à Marinha', como se nem MDN nem IdD tivessem algo com isso, mesmo que este tenha como 'missão principal manter a esquadra da Marinha'.
Um sentimento de fragmentação de responsabilidades, falta de integração de objectivos, de unidade de chefia ou comando é inevitável e, assim, não haverá Marinha. Garcia Belo parece ter conseguido o 'alinhamento do AA com a Marinha'. Sol de pouca dura, a mim parece-me que nunca estiveram tão distantes.
Tudo parece indicar que o modelo actual aplicado ao AA e seu relacionamento com a Marinha está esgotado, nunca foi satisfatório e caminha para um destino funesto. Talvez seja urgente revê-lo.
terça-feira, 15 de setembro de 2020
Arsenal do Alfeite
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