Em 1-7-2015 realizou-se a última
audição do MDN na Comissão de Defesa da AR.
Retransmitida em canal aberto pelo
canal Parlamento.
Gravei-a. Não infelizmente na totalidade, porque já estava a decorrer
quando dela me apercebi (terá faltado a declaração inicial do Ministro) e, já
perto do fim, falharam alguns minutos por o espaço do disco se ter esgotado.
Durou mais de 2 horas e penso ter conseguido gravar cerca de 95%.
Pelo interesse do seu conteúdo,
para melhor se perceber o que Governo e deputados dos vários partidos pensam da
Defesa Nacional e das Forças Armadas, resolvi disponibilizá-la aos camaradas no
meu Espaço de WordPress:
http://ajnsilva.com/
Tive de a dividir em 7 clipes, porque
o Espaço não permite clipes superiores a 1GB.
Nas alturas que julgo de maior
importância, adicionei legendas, realçando o que lá foi dito.
Julgo de especial interesse:
-No clip 1 (cerca do minuto 17), a declaração, peremptória, do MDN de que
“todos os Diplomas”, e repetiu “todos os diplomas”, tiveram a concordância
do Conselho de Chefes. Sendo pública esta sua afirmação e não havendo
declaração contraditória, conclui-se que os Chefes dos Ramos, entre outros
assuntos, concordaram em se subordinar ao CEMGFA e concordaram com o que foi
estabelecido para o sistema hospitalar, para o IASFA e... no novo Estatuto dos
Militares das FA.
O Ministro, segundo declarou, foi
co-responsável.
Anote-se porém que, segundo os
artigos 11º a 17º do Regimento do Conselho (Diário da República, 2.ª série — N.º 240 — 12 de dezembro de 2014) as deliberações são feitas
por votação, tendo o CEMGFA voto de qualidade, serão lavradas actas e nelas
incluídas declarações de voto, mas, segundo art.º 16º todos os seus membros e participantes
“têm
o dever de sigilo quanto ao objeto e conteúdo das reuniões”, competindo ao
CEMGFA “A execução e a eventual difusão dos pareceres e deliberações do CCEM”.
Com esta espécie de “lei da rolha”, que os próprios CEM terão aceitado,
só o CEMGFA poderá esclarecer.
-Cerca do minuto 18 do clipe 1, desvalorizou
a opinião dos ex chefes em relação aos actuais quanto à condição militar,
acusando até um deputado de ter usado texto do Alm. Melo Gomes. Esqueceu-se de
que ele próprio vai ser ex MDN, onde esteve apenas 4 anos, enquanto os ex CEMs
estiveram mais de 40 anos, e ainda estão, eles próprios, na condição militar.
Sabem pois, bem na pele, o que é a condição militar.
-Cerca do
minuto 19,5, ainda do clipe 1, vangloriou-se de a percentagem do orçamento
da defesa quanto a operações ter passado de 17% para 21% mas não explicou
porquê. É que reduzindo a despesa com pessoal à custa de atraso nas promoções e
a despesa para programação militar, a relatividade dos 3 sectores privilegia as
operações, sem que isso signifique que elas tivessem mais dinheiro.
- IASFA
(minuto 6,5 do clipe 2): a Secretária de Estado declarou estar em estudo o
modelo de governação com participação dos beneficiários e que não está em cima
da mesa questão de privatização.
-EMFAR
(minuto 12:35 do clipe 2): o deputado António Filipe, que requereu apreciação
parlamentar, declarou que o assunto já não pode ser discutido nesta legislatura
mas que fica para a próxima.
Apontou problemas como generalização de
promoções por escolha (de que também discordo pois se a escolha é teoricamente
preferível, na prática está sujeita a erros e padrinhos e é inimiga da
camaradagem e entre ajuda), o dever de “isenção política” (votar é acto
político), etc.
-Estaleiros de
Viana, novamente amplamente discutidos neste e noutros clips.
-Hiperbárica
(min. 24 do clipe 2) para o MDN não é matéria!
-Descontentamento
dos militares (min.1 do clipe 3): “não há”, afirma o MDN, invocando opinião
das chefias militares!!! “Ignorando”, claro, a estatística do inquérito da
AOFA!
-SIROCO (min 2:40 do clipe 4):MDN limitou-se a dizer
estar em negociações.
-Montepio
Militar (min 3:22 do clipe 4): MDN chama-lhe “Militar” mas diz ser privado
e não termos de nos imiscuir. Sendo “privado” é esquisito haver discurso de
abertura pelo CEMGFA e de encerramento pelo CEME. Estará na mesma linha do
peditório na Marinha para compra de comida para família naval carenciada? Será
este também “privado” embora feito num organismo da Marinha?
-Vigilância
nas escolas (min 4 do clipe 4): MDN disse ser facultativo e quem estiver
interessado tem de concorrer.
-Arsenal do
Alfeite (min. 6 do clipe 4): A Secret. Estado disse haver orientação para
reparação naval e civil. Já foi assim, com maus resultados para a Marinha pois
o “cliente” Marinha tinha por vezes de aguardar vez para fabricos. Acresce que
os Estaleiros de Viana estiveram em situação semelhante e, como disse o MDN,
não podiam ter apoio financeiro do Estado porque, segundo as regras da UE, a
sua carteira civil era muito superior à do Estado. Não poderá o AA correr tal
risco no futuro?
-Fundo de
Pensões (min 5:40 do clipe 5): deputado João Rebelo do CDS elogiou durante
cerca de 13 minutos todo o trabalho do MDN, incluindo o cancelamento do Fundo
de Pensões e afirmando que a CGA dava a este continuidade, o que não é verdade!
-% do PIB com
Defesa (min. 18 do clipe 5): MDN
informou que na métrica NATO os gastos com Defesa incluem pensões o que dá para
Portugal 1.6 do PIB.
-Deficientes
das FA (min.7:30 clipe 6): Secret. Estado falou de protocolo HFSR com CV
para alojamento temporário de deficientes das FA na Cruz Vermelha.
-HFAR
(min. 14:50 do clipe 6); deputado do CDS elogia MDN pelo serviço do Hospital
das FA!
Notável este trabalho do Alm. Nunes da Silva, de atenção e de dedicação à profissão de que fez vida. Da minha parte, os meus agradecimentos e felicitações sr. Almirante.
ResponderEliminarConcordo em absoluto com o comentário anterior e também agradeço e felicito o Alm Nunes da Silva por mais esta contribuição para "O navio... desarmado".
ResponderEliminarNotável. Exemplar. Muito obrigado!
ResponderEliminarJunto o meu agradecimento ao Sr. Alm. Nunes da Silva por este excelente e útil trabalho.
ResponderEliminarMeus Caros
ResponderEliminarGrato pela vossa amizade.
Dão-me alento porque me fazem sentir que, no inverno da vida, ainda posso ser útil.