Ao
"O Navio... desarmado"
"Navio polivalente logístico ... parece que ainda não vai ser desta!!!"
Salvo melhor opinião, o que se estará a passar quanto à LPM é, na essência, aquilo que genericamente sempre aconteceu ao longo dos anos. Quer o antes de se redigir o documento, quer o depois de escrito, quer durante audições perante deputados, quer as palhaçadas de quem está no 7º andar do edifício cor-de-rosa ao Restelo. E prevejo que pouco mudará no futuro. Sobretudo se os futuros inquilinos daquele 7º andar fizerem como um que, no passado, pouco parava no edifício, vá lá saber-se porquê.
Quanto ao comandante supremo das FA … adiante! Quanto aos chefes dos ramos, que agora são obviamente quatro (ou um?), entendem-se lindamente, nas conversas informais, nas recepções, sorriem junto do ministro das FA ou do comandante supremo, sorriem provavelmente menos nas esporádicas reuniões de CCEM. Como sempre tem sido, e apesar de nos últimos anos ter havido uma ligeira melhoria, persistem pensamentos retrógrados a vários níveis e a defesa de vistas curtas, então agora que, se calhar, alguns anseiam por conseguir enviar tropa (ou GNR como no passado?) para ajudar a aniquilar o ISIL, ou ajudar a estabilizar as fronteiras da Ucrânia (o Putin iria desfalecer!). Só falta mesmo voltar ao tempo (até 1991) em que uns pândegos afirmavam, sem se rir, não exactamente por estas palavras, mas era isto: "o que voa é meu, na água e em terra é dos outros”.
A fazer fé nos OCS, que em regra faço a 5% e portanto fica uma reserva, ficam-me dúvidas quanto ao que se estará a passar na Marinha.
Tudo na vida pode e deve ser ponderado. Mas, olhando ao "Conceiro estratégico de defesa nacional (CEDN)" de que tanto se vangloria o ministro das FA, bastaria olhar por exemplo, quer aos "fundamentos da estratégia de segurança e defesa nacional" quer ao "1.4.4 Valorizar as missões de interesse público das FA" onde designadamente se refere o apoio ao SNPCivil e se enfatiza o princípio do duplo uso, quer ainda "à defesa integrada do território nacional" (1.4.6 CEDN), para talvez se poder concluir que um navio polivalente talvez fizesse de facto sentido num País como o nosso. Que, só por acaso, está rodeado de água por todos os lados menos na ligação a Espanha. É um azar, tem água com fartura!
Mas enfim, as guerrinhas de manjerona prosseguem e, como no passado, a actuação do ministro é sempre de molde a passar o ónus para as chefias militares. Que se põem a jeito?
Lamentável. Particularmente porque este ministro, na senda aliás de quase todos os anteriores e quase todos os políticos, não leu nem interiorizou as últimas frases do CEDN - "O conceito estratégico de defesa nacional só se torna nacional a partir do momento em que Portugal e os portugueses o assumam como seu". É por isso que Portugal está como está, quase ninguém interioriza os interesses nacionais, e quem devia decidir, disfarça sempre. Ou porque não sabia, ou porque não estava cá, ou porque não os deixaram trabalhar, etc.
António Cabral, cAlmirante, reformado
(Chapéus há muitos)
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