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sábado, 29 de abril de 2023

Guiné 1973
Na última revista Visão-História (saiu ontem) o nosso camarada Pedro Lauret publicou um artigo sobre a Guiné no ano de 1973 onde, para além de outras matérias, relata algumas das suas experiências como imediato da LFG Orion.

Este texto do Cmg ref. Pedro Cunha Lauret, meu prezado amigo e camarada de armas, que li na revista em papel, e em boa hora aqui referenciado, fez-me recordar os tempos vividos na Guiné então portuguesa.

Tenho ainda boa memória mas, naturalmente, não me lembro 100 % de tudo e pode acontecer que, quer em relação aos meus tempos de África 29OUT1971 - 28JUL1973 e que aqui me importa agora, quer em relação a outros tempos da minha vida privada e profissional, possa escapar-me um ou outro detalhe ou ter hoje alguma dúvida sobre acontecimentos passados.

Isto dito, o texto do Pedro Lauret trouxe-me à memória muitas coisas e nomeadamente todo o ano de 1973 que ambos vivemos na Guiné, onde se inclui aquela fase concreta e trágica que ele relata. 

Ele poderá confirmar, ou o Lupi se ler estas linhas, mas se a memória não me atraiçoa muito, o NRP Hidra onde eu era imediato do meu estimado comandante o então 1º Tenente Blanc Lupi, esteve no rio Cacine /naquela zona, depois do NRP Orion ter participado em tudo aquilo que está descrito na Visão. Foi uma missão no rio Cacine que recordo ter sido complicada.

Mas o relato do Pedro Lauret fez recordar-me outros eventos e outras datas. Dois ou três exemplos.
Relativamente à minagem da estrada para Binta em Maio de 1973, o meu navio foi Cacheu acima poucos dias depois e, mais uma vez se a memória não me atraiçoa, creio que embarcámos pessoal do destacamento FZ comandado pelo saudoso camarada de armas Alves de Jesus.

Recordo, também, ter fotografado vários dos nossos helicópteros Allouette a passar sobre o Cacheu, e rumo a Norte!!!!!!
Recordo, também, ter recebido quem tinha vindo de Norte, e confessar na câmara de oficiais - tenho os pés todos f******!

Recordo, também, os últimos dias de Março de 1973, tinha eu vindo a Lisboa creio que por uma semana, e estava cá há dois dias quando o primeiro Fiat foi abatido.

Recordo, também, que não muitos dias antes de 20 de Janeiro de 1973, com o navio atracado em Ganturé, ouvi (eu e outros) de boca importante e já não entre nós - "se tivermos sorte qualquer dia o Amílcar desaparece".
Passaram poucos dias, e Amílcar Cabral foi assassinado.

Recordo, também, com saudade, os camaradas de armas com quem convivi naquele período em África. 
Infelizmente, alguns já nos deixaram, como é o caso do Coelho Rita, então comandante do NRP Orion, com quem convivi muito em Bissau pois ele era então um solteirão inveterado e eu solteiro geográfico.

Recordo, para terminar, o mês de Maio de 1973 e, particularmente, o final do dia 19, quando pelas 2340 horas navegando rio Cacheu acima, o navio foi atacado por Bombordo. 
Evento que anualmente aqui recordo, e aqui deixo fotografias da época nomeadamente a do navio no plano inclinado em Bissau, a reparar os estragos decorrentes do ataque. 
Parece que foi outro dia.
António cabral
Calm, ref.
(marrevoltado.blogspot.pt)