Pela "Voz da Abita" chegou-nos a triste notícia do falecimento no Hospital da Forças Armadas do nosso Camarada CMG EMQ
(R) Miguel Nunes dos Santos.
A sua Família e aos seus
Amigos e Camaradas, em particular aos do Curso "Gil Eanes"
(1951) a que pertencia, as nossas sentidas condolências.
Uma evocação do Eng. Nunes dos Santos pelo Calm ECN Martins Guerreiro:
ResponderEliminar"Há bastantes anos que não tinha notícias do Eng Miguel Nunes dos Santos de quem me recordava com alguma frequência, interrogava-me por onde andaria, infelizmente chegou a notícia indesejada.
Os últimos anos que o Eng Nunes dos Santos prestou serviço na Marinha, já na situação de reserva, foram no Gabinete de Estudos e na Direcção de Navios onde esteve até passar à reforma em 1995.
Privei de muito perto com o Eng Nunes dos Santos que era do curso do Eng Serra Rodeia e duma geração de excelentes profissionais muito dedicados à Marinha.
Era uma pessoa boa, um estudioso da sua área de competência, muito competente, meticuloso e dedicado , um espírito aberto à inovação e ao conhecimento, os trabalhos ou estudos que lhe eram pedidos tinham sempre respostas muito adequadas e bem elaboradas.
Ensinou-me algo deveras interessante - nem sempre os mais velhos têm mais experiência que os mais novos - isto para me dizer que provavelmente na área de construção naval podia ter menos experiência do que eu, sabia colocar-se numa posição modesta mantendo sempre a dignidade e o brio profissional.
Lembro-me quando me aparecia algum problema fora da rotina de serviço ou cuja solução ainda não tinha sido estudada, pedia a sua colaboração. O Eng Nunes dos Santos aprofundava o tema e respondia com estudos e documentos muito bem elaborados, recordo-me do seu tratamento profundo de temas de termodinâmica e das conversas que tivemos sobre isso.
Ao Eng Nunes dos Santos foi atribuída a tarefa do acompanhamento e fiscalização das lanchas de fiscalização HIDRA e CASSIOPEIA cujos cascos foram construídos nos estaleiros da CONAFI em Vila Real de Sto António.
Era claramente uma tarefa do âmbito da construção naval , foi com exemplar zelo e profissionalismo que desempenhou tal tarefa, eram notáveis os relatórios que periodicamente elaborava sobre o avanço da construção, cumprimentos das especificações e normas a cumprir; ainda hoje recordei isso com o Calm ECN Gonçalves de Brito que no AA foi responsável por esse projecto.
Aos seus filhos expresso o meu pesar e a certeza de que o pai serviu a Marinha e o País com brio e dignidade ,deixando-nos um exemplo de dedicação e profissionalismo que honra todos os que o conheceram e tiveram o privilégio de ser seus amigos.
Martins Guerreiro"
Através de "A Voz da Abita" recebemos o seguinte apontamento do Cte. Duarte Costa:
ResponderEliminar"Os tempos estão difíceis e as notícias do falecimento de camaradas ainda agravam mais o seu peso no nosso sentir.
De alguns pouco ou nada conheço, a vida naval tem a característica de nos afastar.
Mas estas duas últimas notícias fizeram-me recordar tempos que com eles compartilhei nas fainas navais.
Estive com o Eng.º Miguel Nunes dos Santos em várias ocasiões em que sempre pude notar as suas qualidades humanas e profissionais.
A última vez foi em Angola, eu comandava a LDG "ARÍETE" e ele era o segundo das Oficinas Navais, o Chefe era o Eng.º Zodíaco de quem também guardo uma saudosa recordação. Os navios podiam sempre contar com eles como pessoas e profissionais.
Por essa altura, foi atribuída ao Eng.º Nunes dos Santos uma missão muito especial comandar um "destacamento" bastante heterogéneo que ia levar uma lancha para o leste de Angola, constituído por pessoal da lancha, das oficinas navais, do exército (do transporte terrestre que levaria a lancha depois do transporte inicial por comboio) e a escolta de fuzileiros. Foi-me dada a missão de transportar o pessoal e o material para Moçâmedes, onde se ia efectuar o embarque no comboio para a primeira tirada, e tive o ensejo de lhe ouvir as naturais preocupações com os aspectos profissionais e humanos da tarefa que tinha pela frente.
A missão do Eng.º foi executada sem problemas e voltei a Moçâmedes para o trazer de regresso a Luanda, e ao restante pessoal e material que voltava. Regressou do cumprimento de uma missão difícil e complexa, onde as suas qualidades foram postas à prova, sem fazer alarde, com a modéstia que o caracterizava. Depois a vida profissional afastou-nos mas nunca esqueci a sua amizade.
Quanto ao Almirante Serpa Gouveia, encontrei-o pela primeira vez a bordo do NRP "VOUGA", para onde fui destacado depois de sair da EN e ter sido promovido a 2º Tenente, era o meu 1º navio como oficial. O então 1º Tenente Serpa Gouveia, da saudosa Aviação Naval, estava a bordo em estágio de rotina. Foi ele que me passou o meu primeiro Serviço, o Serviço de Navegação, e a camaradagem e o profissionalismo com que o fez foi, sem dúvida, uma grande vantagem para mim, naquele arranque da vida de marinheiro embarcado.
Mais tarde, já eu era o C. S, de I. C., recebi guia para o Montijo para, como observador, voar num Harpoon em exercícios aeronavais e tive a agradável surpresa de o piloto ser o 1º Ten. Serpa Gouveia. Mais uma vez foi para mim uma excelente oportunidade de poder beneficiar do seu profissionalismo e camaradagem. Até me permitiu, por momentos, estar aos comandos do Harpoon, o que nunca mais esquecerei.
Tive a oportunidade de me cruzar com ele em outras ocasiões em que sempre pude apreciar e até, por vezes, beneficiar do contacto com a sua sensatez e competência profissional.
Francisco F. de L. Duarte Costa
CMG (Ref) "