Apesar das galegadas de Trump, é preciso cuidado
com a reacção de Merkel ao afirmar que "precisamos de saber que temos de ser nós
a lutar pelo nosso próprio futuro, pelo nosso destino, como
europeus”
Lutar
pelo “nosso” futuro em quê?
O
encontro foi sobre a NATO portanto a aparente “conclusão” de Merkel será sobre
defesa militar. A sua frase dá pois a entender “duvidar” que a defesa da Europa
possa contar no futuro com os EUA.
Se for
esse o caso, para a UE ser militarmente autónoma, duas coisas seriam
necessárias: Os países da UE aumentarem a sua capacidade militar e portanto
terem de despender até bem mais do que os 2% do PIB e ser criado um exército
europeu comandado, claro, pela Alemanha e França.
A caminho do secular sonho
germânico?
E rivalizando económica e militarmente com o
eixo EUA-UK?
Portugal é europeu mas é também atlântico. Essa
eventual rivalidade não é de todo do
nosso interesse nacional.
Acontece também que Trump poderá não ser reeleito ou
até não concluir este mandato. Serão as mesmas as intenções dos EUA
num futuro não muito longíncuo?
Parece-me portanto
precipitada a imediata concordância de alguns e em especial do PR com a frase de
Merkel.
António José de Matos Nunes da Silva
Oeiras
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