sábado, 14 de outubro de 2023

53  ANOS
Foi esta tarde descansar, eternamente.
Tinha 53 anos, iria fazer 54 em Novembro (26/11/1969).

Sara de Jesus de Vidigal Almada Lobo, filha mais velha de vizinhos nossos, tinha o posto de Capitão-de-mar-e-guerra, no quadro de Técnicos Superiores Navais, chefiava o laboratório da Marinha.
A mágoa nunca é mensurável. 
Nunca se é novo demais para falecer, mas com esta idade faz muito mais impressão.

Os pais e as duas irmãs estão destroçados. 
Oxalá a curto prazo não ocorram mais tragédias, e refiro isto porque o pai tem andado bem até ao ataque cardíaco que vitimou a filha, mas é um homem de idade e que no passado foi submetido a duas operações ao coração.

Para lá de tudo o mais, hoje recordei o trágico falecimento do meu irmão mais novo, 27 de Agosto de 2009 que, como esta jovem Senhora, teve direito a honras fúnebres, militares. 

Estes momentos são, para mim, terríveis, e as salvas são algo que faz estremecer cá dentro. 
E faz-me estremecer, igualmente, a saudade e a dor.

Que descanse em paz.
António Cabral

1 comentário:

  1. Um arreliador problema num navegador, impediu-me até agora de fazer comentários no “Navio desarmado”. Resolvido o problema, aqui está o comentário que tencionava fazer à notícia do falecimento da nossa camarada CMG TSN Sara de Jesus de Vidigal Almada Lobo, aqui feita pelo C/Alm Ref Anónio Cabral no passado dia 14.
    Em primeiro lugar, apresento as minhas condolências, embora um pouco atrasadas, à Família enlutada, que tão rude e doloroso golpe recebeu.
    Não aconteceu cruzar-me com ela na nossa vida naval nem pessoal.
    No entanto sabia quem ela era, face ao que vou relatar.
    Corria o princípio do ano de 1993 e eu era professor na EN.
    Em certa altura, no princípio do ano, todo o corpo docente e demais guarnição da Escola, foram confrontados com um cenário nunca antes visto: na parada desfilava um trio em coluna, com dois sargentos fuzileiros, um à frente e o outro atrás, e uma senhora no meio!
    O que se passava de tão surpreendente? Como viemos a saber, nada mais do que dois sargentos fuzileiros que, com todo o aprumo, davam instrução de ordem unida a uma Senhora Cadete (se não estou em erro, a primeira do sexo feminino dos quadros permanentes da Marinha) que, também com garbo a recebia.
    Era essa Senhora a infausta CMG TSN Sara Lobo a que esta notícia se refere e a que a lei da vida, que não olha a idades, ceifou ainda na flor da sua.
    Que descanse em paz.

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