sábado, 12 de maio de 2018

Marinha com falta de candidatos

  A Marinha vai abrir um novo concurso para fuzileiros por não ter conseguido preencher as vagas.
  Há 2 causas principais para a progressiva insuficiência de voluntários, em especial para praças: o aumento da escolaridade dos portugueses e a carência de incentivos face a outras profissões.
 O aumento de escolaridade, sendo bom para o País, reduz o universo dos que, pelas suas fracas habilitações literárias, não podem concorrer a postos mais altos do que praças. E ele terá tendência a ser cada vez menor, pelo que há que prever solução.
  Quanto aos incentivos, têm sido drasticamente reduzidos.
  Um militar abdica de muitos direitos constitucionais dos restantes cidadãos, da plena vivência familiar, jura até dar a vida se necessário for (e muitos a deram), e arrisca-se a ficar deficiente, para defesa dos seus concidadãos e dos seus bens.
  Mas o poder político, e não só, passou menorizar a função militar, deixando até de cumprir o que consta na Lei de Bases da Condição Militar no respeitante a contrapartidas. Exigem integralmente tudo o que é deveres, mas não cumprem o que lá consta sobre contrapartidas. O que gostam é do espectáculo de paradas e desfiles, de fazer figura com governantes estrangeiros em acções externas. Mas não é só isso que motiva candidatos. E o efeito moral é dramático: alguns pensam: porquê tanto sacrifício pessoal e familiar para defender quem nos trata mal?
  Não foi assim em tempos, nem é assim na maioria dos países. Mas passou a sê-lo em Portugal. Infelizmente.
  Claro que há sempre jovens altruístas a concorrer. Que o fazem até com gosto. Mas outros que apenas pretendem obter um posto de trabalho. Porém, como se constata, são em quantidade insuficiente.
                António José de Matos Nunes da Silva
                C/Alm Ref

(enviado também para órgãos do poder e comunicação social)

1 comentário:

  1. Circunstâncias da vida ditaram que, durante a tarefa em que por períodos ando como controlador de obras, conhecesse e já tenha conversado com um homem novo vizinho agora de familiar meu. Quando se apercebeu que eu era da Marinha disse-me que tinha estado nos FZ mas em 1998 concorreu e entrou facilmente para a GNR. Quando lhe perguntei por - diferenças - sorriu e eu fiquei por aí.
    Antonio Cabral,
    cAlmirante, reformado
    (Chapéus há muitos)

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